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FUNDAMENTOS METODOLÓGICOS

3. Encontros com p rofessores da EE “Origenes Lessa”

Na 1ª quinzena de fevereiro desenvolvemos uma formação com todos os professores da escola, cuja temática era a prática educativa, sob o enfoque da ação e da biografia do educador. Produzimos esse material tendo como mote o território de onde explicitamos a prática docente. O conteúdo desse material compõe o documento 2 do Apêndice. Durante o encontro, refletimos com eles sobre uma prática contextualizada, no seu espaço e tempo, sem perder de vista a pessoalidade e profissionalidade do educador.

As cadeiras foram colocadas no pátio de convivência, em semicírculo, para favorecer as intervenções, que foram expressivas. Em algum momento a diretora mostrou o material proposto pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Utilizamos slides, vídeos, relatos de experiências. Ao final, sugerimos a implantação do projeto, sem a identificação de envolvidos e o desenvolvimento de um período de formação.

O encontro permitiu interações, a percepção de que havia algum distanciamento ao abordá-lo. Além da diretora, dos professores, participaram do encontro: o vice-diretor e uma das coordenadoras, que havia participado da formação na Diretoria de Ensino de Diadema. A direção comentou sobre a existência de projetos culturais, no qual poderia se inscrever a questão da sexualidade.

A partir dessa formação, fechamos uma parceria, no sentido de dar suporte ao currículo, incluindo a temática da sexualidade, pois ainda não realizavam projeto com esse conteúdo, mas algumas ações a respeito.

Durante o encontro, fomos convidados para participar de um sábado em que se apresentou um projeto, no qual alunos protagonizaram palestras sobre o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, apresentaram músicas, desfiles de roupas confeccionadas com material reciclado. O pátio de convivência misturava pais e estudantes, que se mostravam atentos às diferentes produções estudantis.

Ilustração I - Fotos da EE “Orígenes Lessa”, de Diadema

A gestora da escola forneceu os dias e horários dos HTPCs (Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo), em que os professores se reuniam, juntamente com a coordenação para a organização das aulas, a realização de procedimentos e formação. Decidimos por desenvolver a formação dos professores com dois grupos:

a) Grupo matutino – professores de 7ª e 8ª séries, que se reuniam às segundas-feiras, das 10h50 às 12h50.

b) Grupo vespertino - professores de 5ª, 6ª séries do ensino fundamental e 1ª série do ensino médio – com três professores, que se reuniam às quartas-feiras, das 16h50 às 18h50.

Estreitamos, com a direção da escola, a comunicação por meio de telefone e, principalmente, por e-mail. Nesse período de formação a coordenadora solicitou férias e pediu desligamento da função, o que trouxe preocupação quanto à continuidade do projeto de formação e pesquisa e suspensão na constituição do grupo que iria desenvolver a implantação do projeto. A direção manteve-se firme quanto à formação dos professores e quanto ao desenvolvimento do projeto sobre Educação Sexual, fornecendo apoio significativo, ainda que enfretasse problemas com falta de pessoal, inclusive no âmbito técnico e pedagógico. Retomamos a proposta da formação dos professores, que aconteceria quinzenalmente com cada grupo. Foi possível estar toda semana na escola ao intercalar os dois grupos.

Os encontros permitiram interação, questionamentos, possibilidade de identificar diferentes posicionamentos acerca da educação sexual da criança e do adolescentes entre os educadores. Nesse período de formação a escola contratou uma professora para desenvolver a coordenação, que acompanhou e apoiou o processo de formação.

Os encontros foram desenvolvidos durante o 1º semestre de 2009, com a utilização de vários textos, vídeos, alguns recortes de jornais, período em que foi possível identificar a liderança ativa dos gestores, de modo especial a diretora, que sempre se mostrou atenta às necessidades da escola. Nesse período nos comunicamos constamente por e-mail, para traçarmos informações, solicitar espaço e material.

A escola é reconhecida pela comunidade. Nos encontros informais, ouviu-se que muitos pais ali estudaram, e agora traziam os filhos, configurando certa

fidelização, confiança no ensino que nela se realiza. Os dois grupos de HTPC explicitaram a identificação dos alunos com a escola, o respeito e o cuidado que têm com o seu patrimônio. A organização do espaço e dos horários eram visíveis. Notava-se que os alunos não cabulavam aulas.

Os textos que eram propostos para estudos e discussão nos encontros de formação nem todos os professores chegaram a lê-los, isso fazia com que parte das discussões ficassem mais centralizadas em alguns educadores. Em alguns momentos percebia-se, durante o HTPC, que um e outro professor estava preocupados com os registros em diário, com as notas. Em certos momentos foi necessário intervir nos procedimentos de alguns professores, o que fez evidenciar os seguintes: a) a demanda do cotidiano escolar com os registros, as correções, as aulas, é muito expressiva; b) a possibilidade da formação é uma necessidade – ainda mais comprometê-los nessa formação.

Em um dos encontros assistimos ao filme Meninos não choram, de Kimberly Pierce (1999), que aborda a orientação sexual da protagonista, as representações sexistas e a vulnerabilidade dos persongens. A complexidade dos temas tratados, as situações-limites que o filme abordou, trouxeram desconforto para determinados educadores. Isso permitiu identificar dificuldades de compreensão, limites trazidos pela formação pessoal, valores consolidados, entre outros, que se constituem em referencial para a prática educativa desses educadores. Alguns professores do período noturno, que não participam do HTPC do matutino e vespertino, solicitaram da direção que pudessem assistir ao filme. O fato é que a exibição do filme trouxe conteúdo para problematizar a sexualidade, nas diversas formas de representação, ou sofrimento que decorre da vivência da orientação sexual não-hegemônica, ou seja, a da transexualidade vivida como suposta homossexualidade. Houve comentários de que as representações de sexualidade estão muito presentes, que o professor tem dificuldade para dar conta do tema. Um dos professores comentou sobre as dificuldades que enfrentou para conquistar seu espaço como educador, os comentários que percebia, por ter orientação homossexual. Merece destaque o envolvimento desse educador nas discussões e a preocupação com o ambiente escolar, pois, por várias vezes, foi possível observá-lo limpando pátio ou sala de aula, dada a falta de funcionários.

Durante as HTPCs, um dos professores comentou sobre estudantes que são treinados para competir em jogos na Grande São Paulo e no interior. Esse grupo se identifica com a orientação homossexual. Seus componentes lidam com tranquilidade com isso, a ponto de utilizarem determina expressão – ligada a essa orientação - que os identifica em outras escolas.

No dia 27 de março, perído em que realizávamos os encontros de formação com os professores da escola, a Diretoria de Diadema solicitou, por meio dos responsáveis pelas oficinas, a realização da formação de coordenadores do wnsino médio. Desse encontro participaram 40 (quarenta) professores, educadores da Diretoria de Ensino e uma supervisora. O participantes interagiram com o desenvolvimento da temática “Currículo e Sexualidade”. Notava-se, com isso, que estava se construindo um espaço de discussão sobre sexualidade nas escolas estaduais de Diadema.

4. Registros sobre a temática da educação para a sexualidade entre os

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