Capítulo 6
Avaliação
Neste capítulo descrevemos uma avaliação do software desenvolvido, em termos de testes numa saída de campo para o Sistema Gaia (Secção6.1) e de testes com utilizadores da Escola Superior Agrária de Coimbra para o sistema LIFE STOP Cortaderia (Secção6.2).
6.1
Sistema Gaia
Com o objetivo de testar o sistema Gaia, nomeadamente a interação entre a aplicação móvel e o servidor, fez-se uma "saída de campo" para testar a aplicação móvel no exterior. O Jardim Botânico do Porto, a Foz do Douro e o Parque da Cidade do Porto foram alguns dos locais utilizados para testar a aplicação.
Para o teste foi utilizada uma máquina virtual com 2 cores e 1837 MB de RAM. O servidor encontra-se a correr através de uma instância Apache Tomcat executada na máquina virtual, que se encarrega de hospedar a aplicação web.
Uma vez que a aplicação se baseia no registo de avistamentos de espécies existentes nos mais variados tipos de habitats, fez-se uma saída de campo de forma a replicar o comportamento com que qualquer utilizador se vai deparar. Assim sendo, depois de registados alguns utilizadores fictícios procedeu-se ao registo das espécies encontradas, como se se tratasse de um caso de utilização real. Nesta experiência foram utilizados 2 tablets Google Nexus 9, com 2 GB de RAM e CPU dual-core de 2.3 GHz e vários smartphones pessoais com a versão Android igual ou superior à 6. No total foram submetidos quatro avistamentos como representado na Figura 4.17. A Figura6.1 representa um dos avistamentos criados neste teste no terreno. Depois destes serem submetidos para o servidor, testou-se toda a interação que um utilizador normal vai encontrar no browser do seu computador. Foram ainda testadas as capacidades de validação de avistamentos, apenas disponibilizadas a utilizadores com permissão de administrador.
6.2. LIFE STOP Cortaderia 81
Figura 6.1: Avistamento criado na "saída de campo".
De uma forma geral, a aplicação móvel cumpriu com todos os objetivos anteriormente estabelecidos e a comunicação com o servidor foi cumprida com sucesso. No lado do servidor, foram testadas com sucesso todas as funcionalidades disponíveis.
6.2
LIFE STOP Cortaderia
Relativamente à aplicação desenvolvida para o projeto LIFE STOP Cortaderia, e dado o envolvimento da Escola Superior Agrária de Coimbra, conseguiu-se obter feedback por parte dos utilizadores da escola que testaram a aplicação pela primeira vez.
As principais deficiências identificadas pelo utilizador, para além de pequenos aspetos estéticos, estavam relacionadas com a interacção com o mapa disponibilizado através da aplicação móvel e de como a informação poderia ser inserida neste. Foi também assinalada a necessidade de se conseguir obter a localização geográfica dos avistamentos existentes no lado do servidor, de forma a não existirem avistamentos duplicados bem como visualizar as ações a que estes já foram submetidos. Em função das permissões do utilizador com a sessão iniciada na aplicação móvel, pretende-se ainda dar a capacidade de adicionar através da aplicação móvel uma determinada ação a uma avistamento. Essa ação pode ser "Intevencionada" ou "Exterminada", tal como já é possível fazer através do servidor.
As questões levantadas na componente do mapa, foram solucionadas com a utilização de botões com descrição textual para que a interação fosse a mais intuitiva possível. Foi também adicionada a possibilidade de expandir o mapa. Esta característica é particularmente útil para dispositivos com o ecrã mais reduzido. Os avistamentos obtidos do servidor podem ser visualizados no mapa aquando o preenchimento da informação acerca do novo avistamento a ser criado ou então através da página “Gestão da espécie”. Cada avistamento obtido tem informação acerca da última ação a que este foi submetido. Pretende-se visualizar todas as ações associadas
82 Capítulo 6. Avaliação
a um determinado avistamento bem como permitir a adição de ações através da aplicação móvel por parte de uma administrador. Dada a escassez de tempo, estas duas últimas funcionalidades foram adiadas.
As questões solucionadas até à data foram demonstradas e validadas durante uma ação de formação sobre o projeto LIFE STOP Cortaderia que decorreu no Parque Biológico de Gaia no dia 13 de setembro de 2019.
Algumas das melhorias ao sistema LIFE STOP Cortaderia foram também integradas no sistema Gaia, nomeadamente, a possibilidade de expandir o mapa bem alguns aspetos visuais.
Capítulo 7
Conclusão
Concluímos a tese com uma apreciação global do trabalho na Secção 7.1 e uma discussão de trabalho futuro na Secção 7.2.
7.1
Apreciação global
Ao desenvolver o atual projeto procurou-se dar resposta a um problema de identificação e catalogação das diferentes espécies existentes no concelho de Vila Nova de Gaia. Este teve como principal objetivo o desenvolvimento de uma aplicação móvel para Android que permitisse o registo e submissão de avistamentos para uma base de dados central. Para além desta componente, foi também criado um servidor central responsável pela gestão e armazenamento dados submetidos. Dado que qualquer pessoa deve de conseguir utilizar a aplicação houve um especial cuidado no desenho de cada ecrã de maneira a torna a interação com o utilizador o mais simples e direta. A aplicação foi também desenhada para uso dos utilizadores especialistas, tendo sido recolhido junto destes qual a informação relevante e qual a forma mais simples de a visualizar.
Assim sendo, foi elaborada uma aplicação intuitiva tanto para o cidadão comum como para o especialista que permitisse cumprir os objetivos identificados na introdução desta teste (Subsecção 1.3). Relativamente ao servidor, este foi desenhado para que um especialista conseguisse facilmente proceder à validação de um avistamento submetido, existindo também a liberdade do utilizador casual pesquisar pelas espécies que o rodeiam, quer através da aplicação móvel como recorrendo à aplicação web.
Na aplicação STOP Cortaderia, embora os requisitos fossem muito semelhantes à aplicação desenhada para o registo de toda a biodiversidade, não foi possível a integração de cloudlets. Outro elemento que ficou para segundo plano, foi a utilização de diferentes bases de dados com informação acerca do nome das várias espécies. Neste momento apenas se encontram identificadas as espécies da flora de Portugal que são utilizadas nos campos de completação automática para a identificação das espécies. Contudo foi possível construir toda a infraestrutura para o registo e acompanhamento desta espécie invasora.
84 Capítulo 7. Conclusão
No âmbito geral, foram elaboradas e disponibilizadas duas infraestruturas distintas, cada uma delas com a sua respetiva componente móvel e de back office. A Gaia permite o registo e submissão de todas as espécies encontradas, e uma outra destinada para a aplicação STOP Cortaderia.
7.2
Trabalho Futuro
Embora o projeto cumpra os requisitos mínimos, existem sempre melhorias que podem ser acrescentadas.
• A primeira proposta será o desenvolvimento da aplicação móvel para dispositivos com sistema operativo iOS de maneira a incluir um maior número de dispositivos e com isto mais utilizadores. Este acréscimo de utilizadores faz com que a informação obtida também cresça;
• Na aplicação atual apenas é utilizada uma base de dados com a informação acerca do nome das espécies presentes na flora de Portugal, seria interessante alargar este conhecimento às restantes espécies para facilitar a identificação das mesmas;
• Ainda na identificação do nome da espécie avistada, seria interessante existir um software que recorrendo a técnicas de visão computacional e inteligência artificial [49] conseguisse identificar a espécie apenas através das fotos. De maneira a garantir a qualidade das fotos de um avistamento submetido era importante a existência de uma mecanismo com a capacidade de indicar se uma foto se encontra desfocada;
• Dadas as limitações de conetividade à rede durante as saídas de campo, na Figura 7.1 estão representadas as diferentes formas de comunicação possíveis. O servidor pode estar disponível a partir da infraestrutura existente no Parque Biológico de Gaia (PBG) ou através de uma cloudlet [50], dispositivo de baixo custo que permite desempenhar funções semelhantes a um servidor mas de menor dimensão, próximos da área onde os utilizadores estão a fazer avistamentos.
7.2. Trabalho Futuro 85
Figura 7.1: Arquitetura da comunicação (cloudlets).
Para as situações em que esta ligação não é possível, as saídas de campo podem ser feitas juntamente com um dispositivo de baixo custo designado cloudlet. Isto permite ao utilizador submeter avistamentos para este serviço intermédio, mesmo sem acesso à infraestrutura principal. A cloudlet também pode ou não conseguir conexão com a infraestrutura principal. Se existir ligação, os dados armazenados na cloudlet são enviados em tempo real para o serviço central. Caso contrário, este dispositivo de baixo custo comportar-se-á de forma semelhante ao servidor central mas de menor dimensão e elevada portabilidade.
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