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ENERGIA EÓLICA E POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA

Para o MRE (2015), sobre energia eólica e a PEB, em um mundo marca- do pela distribuição desigual das fontes energéticas, o acesso à energia é questão central nas economias nacionais, representando importante aspecto estratégico a ser levado em conta na formulação da política externa. A maneira como cada país produz, se abastece e consome energia afeta diretamente a segurança, o desenvol- vimento socioeconômico e o meio ambiente, em nível global.

A garantia do acesso pleno da população à energia, a demanda por in- vestimentos em fontes renováveis e não renováveis, as preocupações ambientais e os intercâmbios internacionais de energia descortinam aspectos geopolíticos impor- tantes para o País.

Pode-se afirmar, portanto, que energia e política estão associadas, po- rém, foi a partir da “decisão do Almirantado britânico, de 1912, de converter a es- quadra, então movida a carvão, para óleo diesel” (SIMÕES, 2007 apud ALBU- QUERQUE, 2014, p. 12) que a energia assumiu um caráter estratégico.

Ainda, nessa linha de análise sobre as energias renováveis, o MRE (2015, p. 1) afirma que:

do clima, a busca de alternativas ao uso de combustíveis fósseis está, em grande parte, voltada ao desenvolvimento de fontes menos poluentes. So- ma-se a isso a necessidade de garantir segurança energética, bem como de promover desenvolvimento socioeconômico de forma sustentável. Estima- se que as fontes renováveis de energia deverão ganhar mais espaço inter- nacionalmente, criando oportunidades para países de atuação pioneira na área.

Ainda nessa mesma proposta, o MRE (2015) explica que o Brasil é um dos precursores na pesquisa, desenvolvimento e uso de fontes de energia renovável. Atualmente, cerca de 42% da matriz energética nacional é composta por fontes renováveis – número que contrasta com a média mundial de 16,7%. Essas características representam vantagem comparativa fundamental, conferindo papel de destaque ao Brasil.

No prosseguimento desse estudo, o MRE (2015, p. 1) destaca os objeti- vos da Política Externa do Brasil para as Energias Renováveis, ao firmar que:

A atuação no plano externo de forma coordenada, buscando explorar siner- gias, sempre em sintonia com as capacidades e o interesse nacional, con- tribui para a consolidação da posição do Brasil como potência energética re- levante e pauta-se pelo imperativo de promover o desenvolvimento susten- tável brasileiro.

E o MRE (2015) cita como os objetivos principais, dessa política:

a) ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética mun- dial;

b) promover o uso de fontes energéticas de tecnologia consolidada e acessíveis, entre as quais a bioenergia e a hidroeletricidade; e

c) promover a integração energética regional.

Nenhuma outra instituição brasileira, pública ou privada, conta com estru- tura de promoção comercial no exterior tão ampla quanto a do Itamaraty, o que de- monstra o papel do Ministério na Estratégia Comercial Brasileira – tanto no aspecto político, mediante realização de contatos governamentais e empresariais, quanto no operacional, por meio da produção de informações para subsidiar a promoção do comércio exterior (MRE, 2015).

O Itamaraty não atua isoladamente na elaboração e na execução da es- tratégia de promoção comercial brasileira – desenvolve suas iniciativas em coorde- nação e cooperação com outros órgãos do Governo brasileiro envolvidos com o te- ma (MRE, 2015).

Historicamente, a Política Externa Brasileira (PEB) se caracteriza pela busca do desenvolvimento e por maior autonomia no cenário internacional (PINHEI- RO, 2010) a partir da articulação de diferentes atores/agentes como o chefe do Exe- cutivo (com destaque para a Diplomacia Presidencial em alguns momentos).

Por isso, a definição de Pinheiro (2010, p. 10) buscou incorporar a pre- sença de novos atores na Política Externa, assim afirmando:

A política externa pode ser definida como o conjunto de ações e decisões de um determinado ator, geralmente mas não necessariamente o Estado, em relação a outros Estados ou atores externos – tais como organizações internacionais, corporações multinacionais ou atores transnacionais – , for- mulada a partir de oportunidades e demandas de natureza doméstica e/ou internacional.

Sobre o tema Comércio Exterior e outros, o MRE (2015, p. 1) diz que:

No setor público, destacam-se os esforços empreendidos conjuntamente com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com o BNDES e com o Banco do Brasil – além de diálogo e eventos realizados em parceria com a ApexBrasil. Dessa colaboração resultam projetos para o for- talecimento das políticas de promoção comercial brasileiras. A promoção do turismo no Brasil é realizada por meio de parcerias com o Ministério do Tu- rismo, com a Embratur, com Secretarias Estaduais e Municipais de turismo, com outras agências governamentais e com entidades privadas.

No setor privado, destacam-se as iniciativas empreendidas na área inter- nacional por entidades como a Confederação Nacional da Indústria e as Federações Estaduais de Indústria, além das associações setoriais e das Câmaras de Comércio bilaterais (MRE, 2015).

A política externa vai além da comercialização de produtos e é considera- da como amplo campo de investigação. Várias questões e ações podem ser relacio- nadas a este termo. Assim, Lafer (2004, p. 16) atribui a seguinte tarefa à política ex- terna:

Traduzir necessidades internas em possibilidades externas para ampliar o poder de controle de uma sociedade sobre seu destino, que é no meu en- tender a tarefa da política externa, considerada como política pública, passa por uma avaliação da especificidade desses interesses. Esta avaliação ba- seia-se numa visão, mais ou menos explícita, de como realizar o bem co- mum da coletividade nacional, o que não é uma tarefa singela.

tróleo, a empresa nacional líder nesse ramo industrial já teve uma ótima imagem em nível internacional em que pesem recentes turbulências – reveladas na Ope- ração Lava Jato5 – a Petrobrás ainda está entre as maiores empresas do ramo no mundo e no primeiro semestre de 2010 figurou na primeira colocação do ranking de exportação e importação brasileira.

De acordo com a FABESP (2007), uma vez que os mercados não irão produzir os resultados desejados a menos que os incentivos certos e sinalizações de preços estejam presentes, os governos têm um papel vital a desempenhar na cria- ção das condições necessárias para promover resultados ótimos e no apoio a inves- timentos de longo prazo em nova infraestrutura energética, pesquisa e desenvolvi- mento em energia e tecnologias de alto risco/alto retorno.

Entre os países de maior geração eólica, o Brasil é o que tem o maior fa- tor de capacidade, que aponta o aproveitamento do vento para gerar energia (é a relação entre o GWh gerado e a potência instalada, ao longo e um ano). A informa- ção consta no boletim ‘Energia Eólica no Brasil e no Mundo’, produzido pela Secre- taria de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE) do Ministério de Minas e Energia (MME) (DIPLOMACIA COMERCIAL, 2015).

Quadro 4 – Energia Eólica no Brasil

5 “Deflagrada em 17 de março de 2014 pela Polícia Federal (PF), a Operação Lava Jato desmontou um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que, segundo as autoridades policiais, movimentou cerca de R$ 10 bilhões. A investigação resultou na descoberta de um esquema de desvio de recursos da Petrobras. Segundo a PF e o Ministério Público Federal (MPF), dirigentes da estatal estão envolvidos no pagamento de propina a políticos e executivos de empresas que firmaram contratos com a petroleira. Mais recentemente, as investigações descobriram irregularidades também em contratos do Ministério da Saúde e da Caixa Econômica Federal. Em 12 fases, a PF já cumpriu quase 400 mandados judiciais, que incluem prisões preventivas, temporárias, busca e apreensão e condução coercitiva (quando o suspeito é levado a depor)” (GI.GLOBO.COM., 2015).

Fonte: ABEEólica (2015).

O fator de capacidade (FC) dos empreendimentos geradores de energia eólica no Brasil atinge 36% e supera em 53% o dado médio mundial. Turquia, Esta- dos Unidos e a Austrália aparecem com FC entre 33% e 32%. De acordo com o es- tudo, avanços tecnológicos em materiais e porte das instalações vêm permitindo o aumento do fator de capacidade, com melhor aproveitamento dos ventos (DIPLO- MACIA COMERCIAL, 2015).

Em todo o mundo, a participação da geração eólica na matriz elétrica mundial já atinge 2,7%, em 2013. Na geração eólica mundial, os Estados Unidos apresentam a maior proporção, de 27%, seguidos pela China, com 21%. O Brasil é o 15º país em geração de energia eólica, e responde por 1% da eólica mundial (DI- PLOMACIA COMERCIAL, 2015).

Sobre o Plano Anual Decenal de Expansão de Energia, o MME (2015, p. 1), afirma que:

O atual Plano Decenal de Expansão de Energia – PDE2023, do MME, indi- ca que a capacidade instalada eólica brasileira chega a 22,4 GW em 2023, respondendo por 11,7% da total e a uma expansão média anual de 2 GW. Para o mundo, em 2050, um exercício do N3E/MME, com hipóteses de 15% de eólica na geração total e fator de capacidade de 32%, mostra que a ca- pacidade instalada pode chegar a 2.600 GW, com expansão média anual de 75 GW entre 2040 e 2050.

Industrial (ABDI, 2014), no Mapeamento da Cadeia Produtiva na Indústria eólica no Brasil, mostram que segundo pesquisa realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE, 2012), os valores investidos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no tema energia eólica, no Brasil, são baixos quando comparados às reais necessidades e ao desenvolvimento que essa fonte vem apresentando no país. Há programas de P&D/PD&I promovidos pela ANEEL, pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPQ) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) ao longo da última década totalizando investimentos da ordem de R$ 60 milhões.

Ainda de acordo com a ABDI (2014), o estudo identificou 68 grupos de pesquisa em distintas instituições, espalhadas por todo o País, demonstrando o inte- resse da academia nas diferentes temáticas do assunto. Porém, estes grupos são compostos por um pequeno número de participantes (entre um e cinco), sinalizando a carência de pesquisadores existente neste setor. Os grupos de pesquisa estão concentrados nos estados das regiões Nordeste e Sul, regiões com maior potencial eólico e maior número de parques instalados.

Figura 4 – Parque Eólico de Osório/RS

Fonte: Ventos do Sul Energia (2015).

Prossegue a ABDI (2014, p. 35), afirmando que:

As instituições envolvidas em PD&I no país incluem principalmente univer- sidades e seus laboratórios, algumas fundações e institutos de pesquisa e, em menor número, laboratórios privados e empresas individuais.

Ainda, em seu trabalho apresentado, a ABDI (2014), revela que o Brasil vem evoluindo seu modelo industrial do setor eólico. E ainda diz que, atualmente são feitas no País a montagem do aerogerador e a fabricação de diversos compo-

nentes (torres, pás, subcomponentes do cubo e da nacele – com redução do número de itens importados comparativamente a anos anteriores. Cabe salientar, porém, que o avanço no conhecimento local não segue este mesmo ritmo.

Finalizando a sua análise, ABDI (2010) assevera que o conhecimento que está mais difundido no País abrange principalmente a tecnologia de processamento dos bens: a montagem dos aerogeradores, os processos de fabricação de torres de aço (corte, dobra, solda e pintura) e de concreto (concretagem e pré-moldagem) e os processos de fabricação de grandes componentes (caldeiraria, fundição, forja e usinagem).

Complementa, afirmando que o conhecimento específico para o desen- volvimento do projeto da maior parte destes componentes ainda é pequeno e, dado o potencial de geração de tecnologia no País, poderia ser consideravelmente incre- mentado.

Os números do Setor, de acordo com a ABEEólica (2015) apontam para: Usinas instaladas 262. Capacidade instalada 6,56 GW. Redução de CO2 Ton./Ano 11.629. 536 (COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO – CETESB, 2012). Capacidade de Construção em GW 11,21.

Os serviços de desenvolvimento de projeto englobam a prospecção de áreas, estudos de viabilidade e o desenvolvimento do projeto em si (ABDI, 2014).

No quadro 5 apresentam-se os fornecedores nacionais com atuação nes- ta fase.

Fonte: ABDI (2014).

Sobre esse assunto, serviços de desenvolvimento de projeto englobam a prospecção de áreas, estudos de viabilidade e o desenvolvimento do projeto em si, a ABEEólica (2015, p. 1), assevera, ainda que:

O Brasil encerrou 2014 com 4.974,13 MW em operação comercial, entre os dez maiores produtores mundiais, segundo relatório anual do Global Wind Energy Council. O crescimento mais surpreendente ocorreu no Rio Grande do Norte que, em maio de 2014, foi o primeiro Estado a atingir a marca de 1.000 MW e agora passa de 2 mil MW.

Em prosseguimento dessa abordagem, a ABEEólica (2015, p. 1), também disponibiliza que:

Para se ter uma referência mundial, marcas superiores a 5 mil MW são bas- tante comemoradas, pois colocam os países na posição de grandes produ- tores de energia eólica, viáveis e atrativos para receberem fábricas de equi- pamentos locais – como turbinas, hélices e torres –, o que já acontece no Brasil.

Numa visão otimista quanto ao papel que Energia Eólica do Brasil pode desempenhar no cenário mundial, na difusão de energias limpas e renováveis que:

Em recente visita ao Brasil, a presidente da Fundação das Nações Unidas, Kathy Calvin, destacou, além de conquistas na área social, o papel que o Brasil ocupa hoje no cenário internacional na difusão de fontes limpas de energia e na promoção do desenvolvimento sustentável. ‘Estamos impres- sionados com o trabalho que já vem sendo feito no País para garantir que você tenha um futuro com energia sustentável. Isso é algo que pode ser compartilhado pelo mundo e o onde Brasil é uma grande liderança’ (ABEEÓLICA, 2015, p. 1).

No prosseguimento dessas mesmas análises e ainda, de acordo com o MME (2015, p. 1), os principais óbices são:

Logística para transporte de grandes peças, demora em licenças ambientais e pouca qualificação profissional, têm sido apontados como vetores de difi- culdades, entretanto, soluções estão sendo encaminhadas.

Resumindo a participação da PEB no item Energias renováveis, o MRE (2015, p. 1) diz que:

O Brasil tem atuado em diversas frentes para promover e divulgar a produ- ção e o uso sustentáveis de bioenergia. No plano multilateral, destaca-se a atuação em foros com a Organização Internacional de Normatização (ISO) e a Parceria Global de Bioenergia (GBEP – Global Bioenergy Partnership). Desde 2008, o Brasil é copresidente, em conjunto com a Itália, da Parceria Global de Bioenergia (GBEP – Global Bioenergy Partnership). Criada em 2006 no âmbito do Plano de Ação de Gleneagles sobre Mudança do Clima, Energia Limpa e Desenvolvimento Sustentável do G-8, a GBEP reúne hoje 37 membros e 37 observadores – entre países, organizações internacionais e uma gama diversificada de instituições –, consolidando-se como foro privi- legiado para discussão sobre sustentabilidade de bioenergia. Atualmente, o principal foco da atuação do Brasil na GBEP é a capacitação em bioenergia sustentável. Na ISO, trabalha-se para facilitar o comércio internacional dos biocombustíveis.

Considera-se importante destacar as políticas adotadas em relação à energia, pelo MRE na cooperação Sul-Sul, onde pode-se destacar a cooperação energética realizada no âmbito do MERCOSUL e do IBAS (Índia–Brasil–África do Sul). No âmbito do IBAS, a parceria está amparada em três documentos: Memoran- do de Entendimento para Estabelecer Força-tarefa Trilateral sobre Biocombustíveis (2008); Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Recursos Eólicos (2009); e Memorando de Entendimento em Energia Solar (2010). No plano do MERCOSUL, o Grupo Ad Hoc sobre Biocombustíveis (GAHB) do MERCOSUL, cria-

do em 2007 por decisão do Conselho do Mercado Comum, fomenta a cooperação em biocombustíveis com vistas à harmonização de normas e padrões técnicos (MRE, 2015).

Do que foi até aqui apresentado na relação entre a Política Externa Brasi- leira e Energia, neste estudo, a eólica, se pode deduzir que o caminho traçado é a integração infraestrutural, especialmente a energética, nos países do subcontinente sul-americano.

Entretanto, há um longo caminho para a Diplomacia brasileira percorrer, a despeito do enorme potencial sul-americano, por falta de políticas comuns e regras e marcos regulatórios convergentes. O Brasil, por sua vez, garante o seu suprimento energético com as enormes reservas energéticas que possui e com acordos bilate- rais, como os que mantêm com Bolívia e Paraguai (gás natural e hidroelétrica), no presente momento.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A relação existente entre a Política Externa e as Energias Renováveis – a despeito de o cenário atual de energia parece ainda promissor e sem uma ação go- vernamental definitiva e em face do exposto ao longo do trabalho – acredita-se que há soluções sustentáveis para o problema energético em todo o mundo e em parti- cular para o Brasil.

O Brasil possui um enorme potencial para a busca de energias renováveis e por intermédio de adoção de políticas públicas e regulatórias pode acelerar consi- deravelmente a disseminação das eficiências energéticas existentes.

Entre os países de maior geração eólica, o Brasil é o que tem o maior fa- tor de capacidade, que aponta o aproveitamento do vento para gerar energia (é a relação entre o GWh gerado e a potência instalada, ao longo e um ano). A informa- ção consta no boletim ‘Energia Eólica no Brasil e no Mundo’, produzido pela Secre- taria de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE) do Ministério de Minas e Energia (MME, 2015).

Isto é, grandes ganhos em melhorias de eficiência energética têm sido al- cançados em anos recentes, e muito mais ganhos podem ser obtidos em países in- dustrializados com mudanças de políticas que incentivem o desenvolvimento e a implementação de tecnologias já existentes e futuras (FABESP, 2007).

Também há de se considerar a necessidade de um apoio efetivo da ciên- cia e tecnologia de energia (C&T), associado a incentivos que aceleram o desenvol- vimento e implementação simultâneos de soluções inovadoras podem transformar todo o cenário de demanda e oferta de energia. Dentre essas modalidades, destaca- se, a energia eólica.

No tocante a necessidade de integrar Energia e Política Externa ainda apresenta uma defasagem, destacando-se a dificuldade entre a integração energéti- ca possível e desejável – do ponto de vista do desenvolvimento, da soberania eco- nômica e da segurança energética da região e de cada país.

Também, constatou-se como obstáculos para essa integração as limita- ções de alguns projetos de energias renováveis e as energias em uso.

Dessa forma, atua de maneira contrária a qualquer tipo de integração de- sejável nessa relação Política e Energia, dificultando o alcance dos objetivos da in- tegração entre os Estados.

No presente estudo, constatou-se que atualmente, o Brasil situa-se entre os dez maiores produtores mundiais, segundo dados da (ABEEÓLIA, 2015). Como uma consequência imediata, esta expansão está atraindo grandes empresas inter- nacionais que apostam no crescimento deste tipo de energia no Brasil.

No tocante a relação de Política Externa Brasileira e Energia, o processo de inserção internacional, projetado pela Diplomacia brasileira, há uma grande per- cepção da necessidade de implementação da execução dos planejamentos feitos para as energias renováveis, neste caso do estudo, a eólica.

O MRE (2015), em seus estudos, prevê e almeja que o Brasil possa cons- truir seu poder nacional, o qual poderá apoiar ao uso da energia como instrumento de inserção internacional.

O Brasil apresenta características distintas em sua matriz energética pelo fato de ter expressiva participação de hidroeletricidade e de combustíveis renováveis com tendência ao crescimento.

Contudo, questões políticas que tocam ao planejamento estratégico ainda persistem, o que pode dificultar e/ou retardar e até mesmo comprometer a perspec- tiva do País, um dia, vir a se transformar em importante ator, no cenário internacio- nal, por meio da energia, em especial as chamadas energias renováveis, dentre elas a eólica.

Os últimos anos da história brasileira não foram bons no que diz respeito à construção do poder nacional6. Quadro agravado, mais recentemente com o cha- mado ‘Escândalo da Petrobrás’ ou também chamado de ‘Operação Lava Jato’, que está trazendo sérios danos para uma das maiores empresas do mundo em Energia, a (PETROBRÁS) e com reflexos para as ações governamentais, gerando, para o País o descrédito externo.

O Brasil vivencia grandes dificuldades no setor elétrico, como aumentos no custo de produção e dos preços com impactos diretos para a competitividade das empresas nacionais, além das crises nos mananciais que alimentam as usinas hi- drelétricas.

6 “O conceito de poder nacional não é estacionado no tempo. O assunto já foi versado por diferentes pensadores, como Antonio Gramsci e Raymond Aron. Nossa referência do conceito é a partir de Oliveiros Ferreira, cuja interpretação é a de que o poder nacional é o relacionamento qualitativo en- tre os itens domésticos do Estado, forças armadas, capacidade econômica, tecnologia, saúde e educação públicas. São itens que quando bem relacionados contribuem para a inserção internacio- nal do Estado de modo afirmativo” (FERREIRA, 2001, p. 1).

As saídas que se vislumbram passam pelo uso de energias renováveis e mudanças na matriz energética do país. No mundo, a energia renovável está cada vez mais competitiva e exige projetos de rápida execução.

Este pode ser o caminho para o País buscar uma nova forma de conquis- tar o seu espaço no cenário internacional, utilizando-se das fontes de energias reno- váveis, dentre elas a eólica.

REFERÊNCIAS

ABDI. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Mapea-

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