Os cuidados paliativos pressupõem a ação de uma equipe multiprofissional, já
que a proposta consiste em cuidar do indivíduo em todos os aspectos: físico, mental, espiritual e social. O paciente em estado terminal deve ser assistido integralmente, e isto requer complementação de saberes, partilha de responsabilidades, onde demandas diferenciadas se resolvem em conjunto (HERMES; LAMARCA, 2013).
Uma vez abordado o tema cuidados paliativos, é interessante traçar algumas linhas sobre a noção de família e a importância da comunicação em cuidados paliativos (FURTADO; LEITE, 2017).
O enfermeiro que atua em cuidados paliativos do paciente com câncer, precisa saber orientar tanto o paciente quanto a família nos cuidados a serem realizados, esclarecendo a medicação, e os procedimentos a serem realizados. Portanto, o enfermeiro deve saber educar em saúde de maneira clara e objetiva, sendo prático em suas ações, visando sempre o bem-estar dos seus pacientes (HERMES; LAMARCA, 2013).
Ao buscar atender as demandas dos clientes e familiares, muitos profissionais de enfermagem precisam desenvolver aptidões, em especial para a comunicação. E a referência à dialógica ordem/desordem no gerenciamento do cuidado é diretamente influenciada pela forte ameaça da morte, somatizada pelo pavor noturno por parte do cliente. Sendo assim, valoriza-se a complexidade do contexto retratada no fenômeno central: gerenciando o cuidado de enfermagem no cuidado paliativo oncológico no atendimento das necessidades da pessoa hospitalizada e do seu cuidador, valorizando o cuidar e sua complexidade (SILVA et al., 2013).
A morte é um tabu a ser desconstruído por todas as categorias. Alguns artigos mencionam a mesma como um fracasso para o profissional, ao invés de um episódio que faz parte da vida. A dificuldade em lidar com a morte é mencionada nos textos, o que faz com que muitos profissionais encontrem alternativas para não se deparar com a situação: mascaram a morte, fogem dos pacientes terminais, não falam com o
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paciente sobre o assunto, não criam vínculos e dispensam um tratamento pouco individualizado (HERMES; LAMARCA, 2013).
Nesse sentido, a enfermagem, como profissão mais próxima ao paciente com câncer durante o seu tratamento deve estar atenta aos desejos e sentimentos desses indivíduos, de modo que as características que esgotam suas esperanças possam ser trabalhadas continuamente, por meio da escuta ativa, oferta de informações minuciosas e acolhimento a queixas, possibilitando que eles participem constantemente do processo terapêutico. Portanto, identificar os níveis de esperança dos pacientes pode conferir subsídios para enfermeiros que planejem os cuidados, com vistas a ações mais apropriadas no estímulo à esperança e na redução do impacto da doença no cotidiano de pacientes com câncer (WAKIUCHI et al.,2015).
Assim, compreende-se ser necessário um melhor preparo do profissional para o cuidado prestado a pacientes com dor, de uma educação continuada, bem como da aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), para que haja uma adequada avaliação da dor, o registro apropriado e, consequentemente, produzam-se melhores resultados quanto ao manejo desta, de forma que seja possível atrelar conhecimento e ação (ALVES et al., 2011, p. 204).
O estudo destaca que os enfermeiros percebem o apoio familiar, o perdão, o amor, a crença, a fé e a esperança como as principais necessidades espirituais dos pacientes, e para atender a essas necessidades, eles empregam estratégias, por exemplo, a comunicação que, a eles, configura-se como um elemento necessário à promoção da saúde, já que possibilita a obtenção de informações imprescindíveis ao tratamento paliativo, e que contribui para minimizar os sentimentos e emoções relacionadas ao processo de finitude (EVANGELISTA et al., 2016, p. 181 e 182). A filosofia da morte contemporânea ainda é recente, e será necessário um bom tempo para se estruturar, não somente na sociedade brasileira, mas no mundo como um todo, tendo em vista a dificuldade para o ser humano lidar com um assunto que, mais cedo ou mais tarde, passará também por ele. Em contrapartida, percebe-se também que já existe uma preocupação do estudo do assunto na sociedade brasileira e no mundo visto que há um envelhecimento da população, assim como um aumento da prevalência do câncer e outras doenças crônicas (HERMES; LAMARCA, 2013).
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Neste sentido de poder intervir nos fatores que influenciam tanto positiva como negativamente a dor, o conhecimento dos profissionais de enfermagem a esse respeito é essencial para poder proporcionar uma melhoria na qualidade de vida do paciente com câncer, levando em consideração a individualidade, singularidade, estilo de vida, crenças e valores culturais (ALVES et al., 2011, p. 200).
Desse modo, a percepção que o profissional possui sobre a dor, doença e tratamento, que expectativas traz, que medos e fantasias expressas, são também fundamentais para elevar a qualidade da assistência, já que a desinformação, as informações errôneas ou as expectativas não realistas, constituem-se como obstáculos para um melhor cuidado, levando ansiedade e sofrimento desnecessário para o paciente e seus familiares (ALVES et al., 2011, p. 200).
É de fundamental importância para o paciente fora de possibilidades terapêuticas de cura que a equipe esteja bastante familiarizada com o seu problema, podendo assim ajudá-lo e contribuir para uma melhora (HERMES; LAMARCA, 2013). Assim, ter como sujeito da nossa pesquisa os profissionais de enfermagem, significa descobrir a realidade do conhecimento e da atuação destes diante dos aspectos relacionados à dor do paciente com câncer; para que ele desperte e possa intervir no cuidado a fim de possibilitar conforto a partir de informações relativas ao significado da dor, do que pode agravá-la e aliviá-la e como intervir para amenizá-la. Desse modo, o objetivo desta pesquisa é avaliar o nível de conhecimento de profissionais da enfermagem sobre fatores que agravam e aliviam a dor oncológica (ALVES et al., 2011, p. 201).
A enfermagem é uma das categorias que mais se desgastam emocionalmente devido à constante interação com os pacientes enfermos, as constantes internações, muitas vezes acompanhando o sofrimento, como a dor, a doença e a morte do ser cuidado (HERMES; LAMARCA, 2013).
Assim, o profissional de enfermagem é fundamental para equipe de cuidados paliativos, pela essência de sua formação que se baseia na arte do cuidar. A importância da categoria a esses cuidados ficou evidente desde os primórdios da ideologia, partindo do princípio que essa maneira de cuidar do paciente oferecendo qualidade de vida nos seus últimos dias partiu do conhecimento de uma enfermeira,
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Cicely Saunders, que depois cursou medicina e serviço social (HERMES; LAMARCA, 2013).
Desse modo, buscar a compreensão de familiares sobre os cuidados paliativos é considerar que seus referentes sobre esse termo carregam elementos do contexto no qual compartilham a vivência da doença, especialmente no tocante à comunicação que circula nesse espaço (FURTADO; LEITE, 2017).
Em busca do bem-estar do paciente terminal, o enfermeiro busca realizar ações de confortar o mesmo, além dos cuidados básicos e fisiopatológicos que o paciente necessitar, realizando quando possível seus anseios, desejos e vontades (HERMES; LAMARCA, 2013).
Como já mencionado anteriormente, a categoria de enfermagem é a que mais se desgasta emocionalmente com a morte do paciente, devido à interação com ele, às constantes internações, acompanhando a dor e o sofrimento dos mesmos. Embora a categoria nos artigos enfatize a importância do atendimento humanizado, os próprios profissionais referem que falham neste aspecto, que ainda há muita carência desse tipo de atendimento aos pacientes terminais, mas que muitos buscam fazer o que podem para que o paciente viva os seus últimos dias com qualidade, seja ouvindo os seus lamentos, histórias ou realizando seus últimos desejos, tornando assim o atendimento mais humanizado (HERMES; LAMARCA, 2013).
Diante disso, acredita-se que a dificuldade da equipe de comunicar adequadamente o significado do termo cuidado paliativo para os familiares deriva do fato de que se trata de novidade também para os profissionais, que devem, primeiro, incorporá-lo ao seu conhecimento (FURTADO; LEITE, 2017).
Ressalta-se que a pesquisa sinaliza a necessidade de formação e difusão da prática dos cuidados paliativos, sobretudo, no que concerne à comunicação enquanto ferramenta de potencialização do cuidado ao outro. E, por fim, promove a contínua reflexão sobre saberes e práticas no contexto da saúde (FURTADO; LEITE, 2017).
O processo de morrer pode ser muito doloroso para a maioria das pessoas, principalmente por conta da falta de conhecimento e habilidade dos profissionais de saúde ao conduzir esse tempo sagrado da vida humana. Nesse processo, quando temos à nossa disposição uma equipe de saúde de fato habilidosa para conduzir os
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cuidados com o tempo que nos resta, mesmo que seja pouco, então teremos a chance incrível de sair dessa existência pela porta da frente, com honras e glórias dignas de grandes heróis, reis e rainhas da própria vida (ARANTES, 2016, p. 53).
Não acontece só com pessoas comuns, acontece também entre profissionais de saúde que trabalham com isso. Que se acham legais também, mas não se cuidam. A empatia permite que nós nos coloquemos no lugar do outro e sintamos sua dor, seu sofrimento. A compaixão nos leva a compreender o sofrimento do outro e a transformá-lo. Por isso precisamos ir além da empatia. Todos nós precisamos de pessoas capazes de entender nossa dor e de nos ajudar a transformar nosso sofrimento em algo que faça sentido (ARANTES, 2016, p. 58).
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