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A EC é referida normalmente como uma especialização da engenharia biomédica que tem suas atividades de pesquisas iniciadas a partir de trabalhos clínicos orientados e conduzidos com forte componente tecnológico (BOSTRÖM, BRONZINO apud BESKOW, 2001).

Ao longo de sua história, a EC focalizou-se no modo como os dispositivos médicos são usados nas instalações de entrega de cuidado à saúde, lidando com a aquisição apropriada de

equipamento, a inspeção, a manutenção e o conserto; a conformidade com regulamentações e assuntos técnicos relacionados. Com o passar do tempo, a EC tem assumido um papel principal na administração de equipamento médico durante toda sua vida de uso. Como resultado, engenheiros clínicos tornaram-se intensamente envolvidos na melhoria da qualidade e das atividades de gerenciamento de risco (ACCE, 2001).

Como parte de uma estrutura de engenharia clínica (EEC), o profissional que desenvolve trabalho nesta área de conhecimento, engenheiro clínico, tem seu perfil descrito por diferentes definições sendo aqui adotada a do Colégio Americano de Engenharia Clínica (American College of Clinical Engineering -ACCE), que o define como: “O engenheiro clínico é um profissional que apóia e promove a segurança do paciente aplicando habilidades de engenharia e administração à tecnologia médico-hospitalar” (ACCE, 2003).

Conforme cita Beskow (2001, p. 9), “com este perfil de atuação, entendido às ações que planeja, coordena ou executa, tem condições de figurar como elemento central no intercâmbio de informações necessárias para a quem participa das atividades de assistência à saúde, em especial às relacionadas ao gTMH e à utilização desta tecnologia”.

Bronzino (1992) considera que em essência as funções do engenheiro clínico são: gerenciamento de tecnologia, gerenciamento de risco, gerenciamento de projetos de instalações, garantia da qualidade e treinamento.

O Ministério da Saúde (BRASIL, 1995) estabelece que no ambiente hospitalar existem quatro tipos de riscos:

♦ Riscos físicos – envolvem calor, iluminação, umidade, radiação ionizante e não-ionizante, vibrações e ruídos;

♦ Riscos químicos – envolvem névoa, neblinas, poeira, fumaça, gases e vapores;

♦ Ricos biológicos - envolvem bactérias, fungos, protozoários e vírus;

♦ Riscos ambientais - envolvem agentes mecânicos e condições de insegurança existentes nos locais de trabalho capazes de provocar lesões à integridade física do trabalhador, a pacientes e a outros.

A identificação dos tipos de riscos, podem variar na literatura. Para Freeman et al. (1979) há cinco tipos, chamados de perigos no ambiente hospitalar: elétrico, mecânico, ambiental, biológico e radiação. O autor considera que o engenheiro clínico é a figura-chave no estabelecimento da segurança no ambiente hospitalar. Enquanto médicos, enfermeiras e outro pessoal médico estão empenhados em servir o paciente com seus cuidados, o engenheiro clínico deve focar-se no perigo que pode romper ou destruir os esforços para salvar vidas da equipe médica. O engenheiro clínico deve estar ciente desses riscos e ser capaz de formular programas para reduzi-los abaixo de níveis predeterminados aceitáveis.

Os riscos químicos (ex. exposição a vapores de gases) e biológicos (doenças infecciosas) estão presentes no ambiente hospitalar e, se for considerada a prática do

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reprocessamento de artigo médico-hospitalar essa exposição torna-se ainda mais evidente tanto para pacientes quanto para equipe. Um dos principais perigos para aqueles que reprocessam endoscópios e acessórios está no de adquirirem doenças infecciosas do sangue ou por outros fluidos corporais (GENCA & GQLDH, 2002).

No perigo biológico, obviamente, o controle de infecção atua como o principal fator na busca pela segurança no hospital (FREEMAN et al., 1979). Segurança entende-se no sentido amplo, envolvendo pacientes e equipe. O controle de infecção pode ser aproximado por um programa de coleta e avaliação para identificar exposição e, a seguir, identificar e eliminar as fontes (FREEMAN et al., 1979), caracterizando-se, portanto por três passos-chave: reconhecimento, avaliação e controle.

Ao considerar as etapas abordadas anteriormente sobre gerenciamento de risco, pode-se verificar que praticamente o que o controle de infecções busca desempenhar no ambiente hospitalar é eliminar ou reduzir os riscos (de IH) a níveis aceitáveis. Algumas das práticas desempenhadas pelo controle de infecção são citadas por Pelczar, Chan & Krieg (1996b): a) lavagem de mãos; b) isolamento; c) assepsia; d) desinfecção e esterilização hospitalar; e) saneamento do ambiente hospitalar. A desinfecção e esterilização são certamente, uma ferramenta primária no controle de infecção e devem ser cuidadosamente avaliadas por um programa de engenharia clínica (FREEMAN et al., 1979).

Na Figura 6 apresentam-se as informações descritas anteriormente, relacionando-as com a proposta do trabalho e com a forma como o engenheiro clínico pode contribuir.

O processo de GTMH, desempenhado por uma estrutura de engenharia clínica, tem o engenheiro clínico como profissional de atuação nessa área de conhecimento, que entre algumas de suas funções, está o gerenciamento de risco. Esta também é uma das atividades desempenhadas pelo controle de infecções, na qual o engenheiro clínico também tem papel importante. Entre as medidas utilizadas pelo controle de infecção para prevenir infecções estão as práticas de desinfecção e esterilização de artigos médico-hospitalares e, que entre outros itens que são reprocessados, estão os endoscópios e transdutores de pressão sangüínea. O objetivo deste trabalho é a elaboração de uma proposta de verificação do reprocessamento desses itens, verificando-se a possibilidade, através da sua aplicação na rotina do reprocessamento (dos endoscópios e transdutores) nos EAS, gerar informações sobre a realidade desta prática. A partir disso, então, pode-se realimentar a EEC, que, dessa forma, poderá atuar nessa realidade identificando os problemas, avaliando riscos, planejando e implementando medidas de correção e controle, na medida do possível, que podem ser revistas novamente após a verificação de seus efeitos. Caracterizam-se, então, como as etapas envolvidas na GTMH: planejamento (definir as metas e métodos para alcançar-se), desenvolvimento (educar e treinar para executar o trabalho), controle (verificar os efeitos do trabalho) e adaptação (atuar nos processos em função dos resultados).

Figura 6 – Relação do papel do engenheiro clínico com o gerenciamento de risco, controle de infecções, práticas de desinfecção e esterilização do ambiente hospitalar, contextualizado com o reprocessamento de

endoscópios e transdutores de pressão sangüínea como parte do processo de GTMH, envolvendo a EEC.

Estrutura de Engenharia Clínica - EEC

Gestão de Tecnologia Médico-hospitalar GTMH Engenheiro Clínico Gerenciamento de Risco Controle de Infecções hospitalares Desinfecção e Esterilização no ambiente

hospitalar Reprocessamento de Endoscópio e Transdutores de Pressão Sangüínea

4 TECNOLOGIAS EMPREGADAS NA DESCONTAMINAÇÃO

Nas ultimas décadas, tem-se vivenciado avanços científicos e tecnológicos numa velocidade espantosa na assistência à saúde. Muitas tecnologias e produtos foram desenvolvidos para garantir a efetividade dos procedimentos de descontaminação, como agentes desinfetantes, esterilizantes químicos, físicos e físico-químicos. Alguns podem apresentar uma alternativa para o reprocessamento de endoscópios e transdutores de pressão sangüínea. Dessa forma, apresentam-se algumas definições para, posteriormente, abordar algumas dessas tecnologias.