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PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA: O CONTEXTO INVESTIGADO

3.1 Enquadramento da pesquisa: classificações

Na seção anterior, apresentei um resumo dos aspectos abordados no capítulo. Nesta seção, discuto algumas classificações de uma pesquisa, especificando

as que se enquadram na pesquisa desenvolvida para a elaboração dessa dissertação, com o intuito de situar seu delineamento Teórico-metodológico.

Quanto à abordagem, na ótica de Silveira e Córdova (2009), a pesquisa qualitativa consiste naquela que não se preocupa com representatividade numérica, mas com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização. De acordo com as autoras (2009), os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa, opõem-se ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para todas as ciências, isso porque as ciências sociais têm suas especificidades. Elas informam que nessa modalidade de pesquisa, o pesquisador não pode fazer julgamentos nem permitir que seus preconceitos e crenças contamine-a.

Para elas, nesse tipo de pesquisa, o cientista é ao mesmo tempo o sujeito e o objeto de suas pesquisas. O seu desenvolvimento é imprevisível. O conhecimento do pesquisador é parcial e limitado. O objetivo da amostra é de produzir informações aprofundadas e ilustrativas.

De modo genérico, conforme Denzin e Lincon (2006), a pesquisa qualitativa consiste em uma atividade situada que localiza o observador no mundo, transformando-o em uma série de representações: as notas de campo, as entrevistas, as conversas, as fotografias, as gravações e os lembretes.

Com base nos estudos sobre essa modalidade de pesquisa, considera-se um campo de investigação que atravessa disciplinas e temas. Há nessa ciência uma variedade de termos, conceitos e suposições: associa-se ao fundacionalismo, ao positivismo, ao pós-fundacionalismo, ao pós-positivismo, ao pós-estruturalismo e às diversas perspectivas e/ou métodos de pesquisa relacionados aos estudos culturais e interpretativos (DENZIN; LINCON, 2006, p. 5).

Segundo os autores (2006), compõem-se de: estudo de caso, política e ética, investigação participativa, entrevista, observação participante, métodos visuais e análise interpretativa. Envolve ainda, experiência pessoal, introspecção, história de vida, entrevista, artefatos, textos e produção cultural, textos observacionais, históricos, interativos e visuais.

Na sociologia e na antropologia, a pesquisa qualitativa “nasceu da preocupação de entender o outro” (DENZIN; LINCON, 2006), sendo que esse outro no antepassado, era considerado exótico, uma pessoa primitiva, não-branca, proveniente de uma cultura estrangeira considerada menos civilizada do que a cultura

do pesquisador como observa-se em (MALINOWSKI, 2001), que fundamenta sua descrição na necessidade de bagagem científica do(a) estudioso(a), dos valores da observação participante, das técnicas de coleta, ordenação e apresentação do que denomina de evidências. Segundo ele, toda a estrutura de uma sociedade encontra-se incorporada no mais evasivo de todos os materiais: o encontra-ser humano.

Na concepção de Denzin e Lincon (2006), a metodologia qualitativa apresenta uma diversidade de métodos de investigação, entre os quais destacam-se: cientista, naturalista, pesquisador de campo, jornalista, crítico social, artista, atuador, músico de jazz, produtor de filmes, confeccionador de colchas, ensaísta. E ainda: etnografia, bricolagem e montagem.

Os autores informam que em pouco tempo, a pesquisa qualitativa passa a ser empregada em outras disciplinas das ciências sociais e comportamentais, incluindo a educação, a história, a ciência política, os negócios, a medicina, a enfermagem, a assistência social e as comunicações. Sendo assim, a abordagem qualitativa é "indicada quando se pretende focar representações de mundo, relações sociais, identidades, opiniões, atitudes, crenças ligadas a um meio social" (RESENDE, 2009, p. 57).

De acordo com Silveira e Córdova (2009), há na pesquisa qualitativa as seguintes características: objetivação do fenômeno; hierarquização das ações de descrever, compreender, explicar, precisão das relações entre o global e o local em determinado fenômeno; observância das diferenças entre o mundo social e o mundo natural; respeito ao caráter interativo entre os objetivos buscados pelos investigadores, suas orientações teóricas e seus dados empíricos; busca de resultados os mais fidedignos possíveis; oposição ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para todas as ciências.

É a aproximação com o grupo pesquisado/observado que torna a pesquisa qualitativa mais próxima da realidade dos participantes. É necessário que o pesquisador “seja aceito pelo outro, por um grupo, pela comunidade [...] é preciso que esse outro se disponha a falar da sua vida”. (MARTINS, 2004, p. 294).

Além disso, na concepção de Silveira e Córdova (2009), há algumas limitações desse tipo de pesquisa, as quais necessitam serem observadas a fim de não prejudicar o seu desenvolvimento. São elas: excessiva confiança no investigador como instrumento de coleta de dados; risco de que a reflexão exaustiva acerca das notas de campo possa representar uma tentativa de dar conta da totalidade do objeto

estudado, além de controlar a influência do observador sobre o objeto de estudo; falta de detalhes sobre os processos através dos quais as conclusões foram alcançadas; falta de observância de aspectos diferentes sob enfoques diferentes; certeza do próprio pesquisador com relação a seus dados; sensação de dominar profundamente seu objeto de estudo; envolvimento do pesquisador na situação pesquisada, ou com os sujeitos pesquisados.

Contudo, na perspectiva de Denzin e Lincon (2006), por ser a pesquisa qualitativa um conjunto de atividades interpretativas, que não privilegia nenhuma única prática metodológica em relação a outra, sendo difícil considera-la como um terreno de discussão e discurso, pode ser considerada uma limitação dessa modalidade de pesquisa. Para eles, ela não possui métodos ou práticas que seja inteiramente seus, sendo que os pesquisadores qualitativos utilizam a análise semiótica, a análise da narrativa, análise do conteúdo, análise do discurso, análise de arquivos e da fonêmica, as estatísticas, as tabelas, os gráficos e os números. Utilizam ainda, as abordagens, os métodos e as técnicas da etnometodologia, da fenomenologia, da hermenêutica, do feminismo, da rizomáticas, do desconstrucionismo, da etnografia, das entrevistas, da psicanálise, dos estudos culturais, da pesquisa baseada em levantamentos e da observação participantes.

Dentre as modalidades de análise mencionados anteriormente, foram adotados na pesquisa aqui desenvolvida, as seguintes: análise do discurso, utilização de gráficos, as abordagens, os métodos e as técnicas da etnografia, das entrevistas, dos estudos culturais e da observação participantes.

Outra questão a ser observada na pesquisa qualitativa, trata-se da validação, que consiste no discurso social por meio do qual a ‘veracidade' se estabiliza (FLICK, 2009), que segundo ele, é necessário seguir as técnicas convenientes ao objeto de estudo, para responder às questões investigadas e não seguir um método padronizado.

Portanto, na pesquisa qualitativa, o método deve ser flexível, conforme Macedo, Galeffi e Pimentel (2009), os quais defendem a tese de que é preciso compreendê-lo dialogicizado, entendido como a possibilidade de confrontar suas interpretações conclusivas com as opiniões dos envolvidos na investigação. Segundo eles, a validação é construída eticamente orientada, ampliando a perspectiva e seu caráter dialógico e inclusivo, incluindo seus colaboradores e a comunidade acadêmica

que, pela experiência em pesquisa, podem ampliar a dialogicidade e a dialeticidade da investigação.

Quanto aos procedimentos, de acordo com Silveira e Córdova (2009), a pesquisa qualitativa possibilita uma aproximação e um entendimento da realidade a investigar, como um processo permanentemente inacabado. Ela se processa mediante aproximações sucessivas da realidade, fornecendo subsídios para uma intervenção no real.

Com o intuito de não acontecer mal-entendido no decorrer da pesquisa, realizei conversas informais antecipadas com cada entrevistado, explicando sua importância como contribuições para o desenvolvimento de estudos e políticas públicas que adequem e promovam a inclusão de crianças e jovens com deficiência visual. A partir do diálogo franco com os participantes, compreendi as opiniões dos entrevistados e apropriei-me, aproximando-se dos processos de letramento relacionados a docentes, estudantes, colegas e familiares.

Desse modo, conforme afirma Flick, (2005, p. 6), “os métodos qualitativos encaram a interação do investigador com o campo e os seus membros como parte explícita da produção do saber, em lugar de a excluírem a todo o custo, como variável interveniente. A subjetividade do investigador e dos sujeitos estudados faz parte do processo de investigação”.

3.2 Considerações sobre etnografia: método investigativo adotado na

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