III. Unidade de Ensino
2. Enquadramento da Unidade didática
A proposta didática que corresponde à intervenção desenvolvida enquadra-se na disciplina de Biologia de 12.º ano, no âmbito da “Unidade 3 – Imunidade e Terapêutica de Doenças” e a sua planificação seguiu as orientações das Aprendizagens Essenciais da disciplina (Ministério da Educação, 2018), assim como algumas sugestões do Programa de Biologia de 12º ano (Ministério da Educação, 2004).
A disciplina de Biologia, enquanto disciplina optativa do ano terminal do ensino secundário, pretende que os alunos aprofundem os conhecimentos, capacidades e atitudes contemplados no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (Ministério da Educação, 2017). Assim, é importante que os alunos ganhem uma formação científica que lhes permita viver em sociedade enquanto cidadãos conscientes, críticos e informados, que tomem decisões fundamentadas em relação a problemas que afetem a sociedade e o ambiente. Para além disso, os alunos quando terminam o secundário podem decidir a progressão dos estudos e essa decisão pode ser sustentada pelas aprendizagens feitas ao longo do ano, uma vez que têm possibilidade de a) compreender as metodologias de trabalho utilizadas por cientistas e investigadores, b) analisar episódios cruciais da história da Biologia; c) e compreender o valor prático do conhecimento cientifico na compreensão de problemáticas que afetam a qualidade de vida (Ministério da Educação, 2018).
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Segundo as orientações das Aprendizagens Essenciais (Ministério da Educação, 2018), para que estas aprendizagens ocorram deve recorrer-se a exemplos de produtos e técnicas biotecnológicas e refletir sobre aspetos de natureza social, económica e ética que lhes são inerentes. Deve também integrar-se as componentes teórica e prática e recorrer a estratégias didáticas diversificadas e centradas nos alunos, como a experimentação, pesquisa e análise de informação, argumentação e o debate.
Ainda de acordo com este último documento, relativamente à unidade didática escolhida para a intervenção, os alunos devem aprender a:
− Interpretar informação relativa a intervenções biotecnológicas que visam resolver problemas de diagnóstico e controlo de doenças;
− Explicar processos imunológicos (defesa específica/ não específicas; imunidade humoral/ celular, ativa/ passiva);
− Interpretar informação sobre processos de alergia, doença autoimune e imunodeficiência;
− Explicar a importância dos anticorpos monoclonais em processos de diagnóstico e terapêutica de doenças;
Ao longo do 12.º ano, as aprendizagens essenciais são concretizadas através da exploração de cinco domínios: reprodução e manipulação da fertilidade, património genético, imunidade e controlo de doenças, produção de alimentos e sustentabilidade, preservar e recuperar o ambiente.
Para a unidade escolhida para abordar na intervenção, do domínio “imunidade e controlo de doenças”, o objetivo é que os alunos aprendam sobre o sistema imunitário de uma perspetiva de promoção de saúde e bem-estar e que consigam responder à questão do programa da disciplina (Ministério da Educação, 2004, p. 25): “Como melhorar a qualidade de vida dos seres humanos ao nível do controlo de doenças?”. Para isso, os alunos deverão adquirir conhecimentos, capacidades e atitudes relacionados com a constituição do sistema imunitário e os tipos diferentes de imunidade que existem; algumas doenças e desequilíbrios do sistema imunitário; e o papel da biotecnologia no diagnóstico e tratamento dessas doenças. Assim, os alunos estão aptos para resolver as seguintes questões, também do programa (Ministério da Educação, 2004, p. 25):
− Em que medida a qualidade de vida dos seres humanos depende da capacidade que possuem para controlar as doenças?
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− De que forma poderá o organismo humano defender-se das agressões externas?
− Que situações podem comprometer o funcionamento eficaz do sistema imunitário? Que implicações advêm para a saúde?
− De que modo a ciência e a tecnologia podem contribuir para prevenir, detetar ou resolver desequilíbrios imunológicos?
Durante a intervenção foram realizadas atividades para assegurar a aquisição das competências esperadas, com base na construção de tarefas investigativas. Estas seguiram, também, algumas das estratégias sugeridas acima, tais como a pesquisa e análise de informação, argumentação e debate, e experimentação.
Nas atividades investigativas, os alunos definem e desenvolvem as estratégias tendo em vista a resolução de um problema, partindo dos seus conhecimentos prévios acerca do mesmo (Kahn & O’Rourke, 2005). Em relação ao tema da Unidade didática, os alunos já tiveram contacto com alguns dos conceitos no último ano do 2.º e 3.º ciclos de ciências naturais. No 6.º ano, os alunos aprendem acerca de microrganismos patogénicos e dos mecanismos de defesa contra estes agentes agressores, referindo também a higiene na prevenção da doença. Para além disso, aprendem acerca dos constituintes do sangue, nomeadamente sobre o papel dos leucócitos na defesa do organismo (Bonito et al., 2013). No 9.º ano, é novamente abordada a constituição do sangue, da linfa e respetivo sistema linfático, relacionando-os com o sistema imunitário. Para além disso, os alunos aprendem sobre a importância da saúde individual e comunitária na qualidade de vida, referindo doenças infeciosas, agentes patogénicos e o papel da tecnologia na promoção de saúde (Bonito et al., 2014). No 10.º ano de biologia, os alunos voltam a abordar os fluidos circulantes nos animais (Silva et al., 2001).
Em suma, é possível abordar a Unidade 3 a partir dos conhecimentos prévios dos alunos, identificando as necessidades de aprendizagem e estimulando o interesse para a mesma através de tarefas que os encorajam a aprofundar o conhecimento sobre o tema. Os conceitos deverão ser abordados e compreendidos tendo em vista a progressão de estudos, que servirão de base à sua formação científica, em simultâneo, a literacia científica e cidadania ativa, nomeadamente a educação para a saúde (Chagas, 2000). Neste caso, e como já referido, é importante que os alunos se tornem conscientes acerca da saúde individual, mas também
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comunitária, compreendendo os mecanismos que a promovem e também as desregulações que podem ser obstáculos à homeostase.