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2. Metodologia

2.3. Enquadramento do processo metodológico no projeto

rápidos e mais eficientes passa a ser não apenas uma questão de usabilidade (user-friendly), mas também com a intenção de torná-los mais sustentáveis (eco-friendly). Em agosto de 2016, o autor Tim Frick apresenta em Designing For Sustainability40 uma estrutura de aplicação dos princípios de sustentabilidade no web design concentrada em estratégia de conteúdo, otimização de desempenho, design e experiência do utilizador e hospedagem verde (green hosting). Em setembro do mesmo ano, o autor e designer Artiom Dashinsky publica um artigo intitulado Design de Produto para a Sustentabilidade41 alertando a comunidade de designers sobre a responsabilidade de construir produtos capazes de moldar o comportamento e os hábitos diários de milhões de pessoas e a importância de estar consciente sobre como estes produtos serão utilizados afetam o meio ambiente. Com exemplos de como soluções de design podem influenciar comportamentos dos utilizadores, o artigo também destaca a atenção dada pelos profissionais da indústria digital ao engajamento, desempenho, acessibilidade, segurança, conversão e privacidade para avaliar decisões de produto, mas que raramente questões sobre sustentabilidade estão envolvidas nas discussões sobre os produtos.

Para a recolha e organização de todo o conteúdo e material de apoio para a realização da investigação e posterior análise, foi criada uma base de dados na plataforma Notion. Não foi definido um número máximo de objetos selecionados e categorizados visto que o tema está em constante modificação e revelação de novos sinais e abordagens a todo o momento. Os conteúdos que relacionam a temática da sustentabilidade a tudo aquilo que existe no mundo digital passaram a ter relevância para o “radar” desta investigação de modo a compreender como os princípios de sustentabilidade vêm moldando a indústria digital, influenciando comportamentos e transformando as formas de criar e consumir produtos e serviços digitais.

Para este trabalho foram consultados conteúdos provenientes de sites jornalísticos de notícias e sites especializados, revistas digitais, publicações académicas, artigos e publicações de especialistas e profissionais que são referência na temática (em blogs, Medium e outros meios de publicação), relatórios de instituições credíveis42, vídeos de palestras e conferências

40 Frick, T. (2016). Designing For Sustainability (1ª ed.). O’ReillyMedia. https://www.ebooks.com/en-pt/book/detail/2678578/ . Acedido a 17/06/2022.

41 Tradução nossa do título original: “Product Design for Sustainability. How products we build today can make the world more sustainable tomorrow”. https://uxdesign.cc/product-design-for-sustainability-3fffbb2a7f0e . Acedido a 17/07/2022.

42 Deloitte, Greenpeace, Capgemini, Mozilla, World Business Council for Sustainable Development, Ellen Macarthur Foundation, International Telecommunication Union, MIT Technology Review.

renomadas, white papers, acompanhamento de grupos no Slack43, livros e ebooks e cursos44. Conteúdos relacionados a:

- Dados sobre o impacto ambiental das atividades na web;

- Aplicações e serviços criados a partir da problematização das questões ambientais;

- O posicionamento de marcas e empresas a respeito do assunto;

- Reflexão e discussão sobre novos modos de criar dos profissionais envolvidos na indústria digital – design, desenvolvimento, marketing, estratégia e conteúdo, consultorias, tecnólogos em geral;

- Novas formas de consumir e realizar as atividades na internet;

- Coletivos e manifesto dos que defendem e militam por uma internet mais verde e sustentável;

- Publicações com referência aos termos Green Internet, Clean internet, sustainable web design, environment-centered design, planet-centered design, eco-centered design, environmentally friendly web design.

A sistematização da macro desk research, portanto, seguiu os seguintes passos:

1. Categorização por tipo de conteúdo:

a) Artigo

b) Artigo científico c) Curso

d) E-book e) Evento f) Livro

g) Produto / App / Website h) Relatório

i) Revista j) Vídeo

2. Identificação dos tópicos com os quais o conteúdo se relaciona:

a) Regulamentação

b) Pegada digital de carbono e calculadora web de carbono

43 Design and Climate e Sustainable UX.

44 Sustainable Design and Production por Unschool e Foundations of Humane Technology por Center for Humane Technology

c) Design Regenerativo

d) Distintivos de produto sustentável (badges) e) Green Web

f) Crise climática

g) Comportamento humano h) UX/UI

i) E-waste (lixo eletrónico) j) Sustentabilidade (em general) k) Crytomoedas / NFT

l) Business

m) Boas práticas de design

n) Green Hosting (servidores verdes) o) Manifesto

p) AI & Machine Learning q) Big Tech Companies

3. Além do tipo de conteúdo e da identificação dos tópicos relacionados, foram identificados:

a) Título b) Link

c) Data de publicação d) Resumo

e) Ideias e insights

f) Em alguns casos, relação com sinais cool já identificados

4. Um diretório à parte foi criado para coletar os objetos cool encontrados para serem analisados de acordo com o protocolo de análise proposto por Gomes & Cantú (2021).

5. Com as informações sistematizadas, os objetos foram agrupados por afinidade e alguns grupos temáticos foram observados (Gomes & Cantú, 2022). As informações foram reunidas nos seguintes temas:

a. Green Web (green hosting, boas práticas de design, etc);

b. Discurso de profissionais/especialistas que defendem (coletivos, protocolos e manifestos por uma internet mais verde e sustentável);

c. Pegada de carbono digital (calculadoras de carbono para websites, distintivos e selos para produtos digitais que seguem padrões estabelecidos para um ambiente digital mais sustentável);

d. Regulamentação (New European Bauhaus, políticas de lixo eletrônico, neutralidade carbônica e compromisso das grandes empresas de tecnologia para a redução da pegada de carbono);

e. Hábitos e comportamentos sustentáveis (aplicações e serviços digitais que incentivam/estimular/provocam/intigam práticas mais sustentáveis por poarte dos seus utilizadores);

f. Crypto e NFT (a problematização do elevado uso de energia para a mineração de cryptomoedas, nova tecnologia de mineração que derá adotada pelo Etherium para gastar menos energia, manifesto ecológico dos NFT, acordo climático das cryptos);

g. Lixo eletrônico (toda a problemática com a questão do lixo eletrônico gerado pelos dispositivos eletrônicos, computadores, telemóveis e equipamentos que possibilitam as atividades online).

6. O agrupamento e a sistematização dos dados e das informações recolhidas ajudaram a estabelecer um perfil para os entrevistados além de um conjunto de perguntas. Foram escolhidos 8 entrevistados com o objetivo de aprofundar no tema, estabelecer um percurso e dar uma visão estruturada sobre a temática em estudo. Os entrevistados têm o perfil de especialistas, consultores, autores e designers que tem como o pilar dos seus objetos de trabalho e estudo a relação entre a temática da sustentabilidade com as tecnologias digitais. Para tal, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, ou seja, seguiram um guião, entretanto com a liberdade de aprofundar em outros assuntos e comentários para além do que estava no script. As sessões foram realizadas através de videochamada, com tempo de duração média de 30 minutos . Os insights das entrevistas estarão presentes ao longo do relatório.

Um conjunto de perguntas que integram o guião de entrevista, mas com variações e questões específicas a depender do entrevistado:

- Na sua opinião, porque a temática da sustentabilidade digital é importante?

- Quando a questão começou a ser levantada e ganhar relevância, a relação dos temas começou a surgir – critérios de sustentabilidade também para o que é produzido e consumido online?

(estabelecer um percurso)

- Esta ainda é uma temática voltada para nicho- experts, designers, militantes da temática?

- Quais são as principais oportunidades e desafios?

- Na sua opinião, os utilizadores/consumidores/pessoas comuns querem/prezam/ se importam com este assunto ou se um produto ou serviço digital será mais sustentável?

- De quem deve ser a responsabilidade? (product owners, utilizadores/consumidores, lesgiladores?)

- O que veremos no futuro (o que será mainstream num futuro próximo neste sentido? O que ainda falta para virar “o normal” da indústria a fim de levar em conta – até mesmo priorizar – critérios sustentáveis na produção de serviços e produtos digitais? )

7. As sessões foram gravadas e transcritas mediante autorização dos entrevistados em cumprimento ao Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (EU-GDPR 2018).

8. Como produto final, a realização de um relatório de tendências socioculturais, uma ferramenta de inteligência com o intuito de orientar agentes sociais e de negócios (Gomes & Cantú, 2022). O principal objetivo do relatório fruto do presente estudo é apresentar as macrotendências da Sustentabilidade e Digitalização e os seus dados e insights relacionados. Um elemento importante a destacar é o propósito estratégico desta etapa do trabalho: o de criar resultados que podem ser postos em prática (Gomes

& Cantú, 2022, p. 69).

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