3. Metodologia e Resultados
3.3. Enquadramento e Área de Estudo
“...O sítio urbano, cravado entre a serra e o mar, faz a cidade do Rio de Janeiro incomparável...suas charmosas avenidas, a beleza de suas praias e de seu desenhado litoral, a exuberâncias das suas matas, a alegria e a recetividade de seu povo, suas festas, como o carnaval...enfim tudo isso faz o Rio de Janeiro ser um lugar mágico que desperta a paixão de seus moradores e de seus visitantes, um lugar que, desde os tempos da Belle Époque, foi agraciado com um título mais do que merecido: “Cidade Maravilhosa” (MACHADO, 2008). O Rio de Janeiro, ou frequentemente apelidado apenas de Rio, é “...constituído por paisagens de excecional beleza cênica, tem na água e na montanha os regentes de sua geografia exuberante” (RIOTUR, 2009). Situado a 22º54'23" de latitude sul e 43º10'21" de longitude oeste, esta cidade no município do mesmo nome, é também a capital do Estado homónimo, um dos componentes da Região Sudeste do Brasil. A norte, limita-se com vários municípios do Estado do Rio de Janeiro, a sul é banhada pelo oceano Atlântico, a leste pela Baía de Guanabara e a oeste pela Baía de Sepetiba, sendo as suas fronteiras marítimas mais
extensas que as terrestres. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro é composta por outros 17 municípios - Duque de Caxias, Itaguaí, Mangaratiba, Nilópolis, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Itaboraí, Magé, Maricá, Niterói, Paracambi, Petrópolis, São João de Meriti, Japeri, Queimados, Belford Roxo, Guapimirim - que constituem o chamado Grande Rio, com uma área aproximadamente de 5.384 km. O município do Rio de Janeiro tem uma área aproximadamente de 1.255,30 Km², incluindo as ilhas e as águas continentais, medindo cerca de 70 km na direção este-oeste e cerca de 44 km na direção norte-sul. Este município é dividido em 32 Regiões Administrativas com um total de 160 bairros. O relevo carioca está ligado a um ecossistema de Serra e Mar e caracteriza-se pela existência de contrastes marcantes na sua topografia, podendo observar-se simultaneamente montanhas e mar, florestas e praias, maciços rochosos subindo abruptamente a partir de planícies extensas, formando assim um quadro paisagístico de rara beleza que tornou o Rio tão mundialmente conhecido. O Rio de Janeiro caracteriza-se por ter um clima tropical, quente e húmido, com variações locais, devido às diferenças de altitude, vegetação e proximidade do oceano. A temperatura média anual é de 22º centigrados, com médias diárias elevadas no verão, de 30º a 32º, e com um regime pluviométrico que varia de 1.200 a 1.800 mm anuais. Nos quatro meses do chamado alto verão – de dezembro a março – os dias muito quentes são sempre seguidos de tardes luminosas, com alguns períodos típicos de chuvas repentinas fortes e de curta duração, sucedendo depois noites frescas e estreladas (RIOTUR, 2009). A capital fluminense é a cidade brasileira mais conhecida no exterior, sendo não só a maior rota turística internacional no Brasil, bem como da América Latina e de todo o Hemisfério Sul, podendo-se afirmar que representa assim como que um “retrato” nacional para o Mundo seja de forma positiva ou negativa. Esta cidade é a segunda maior metrópole do Brasil, logo depois de São Paulo, a sexta maior da América e a vigésima sexta do Mundo (COX, 2015). O Rio é um dos principais centros económicos e turísticos do país, sendo internacionalmente conhecido por diversos ícones culturais e paisagísticos, os quais promoveram a cidade a Patrimônio Cultural da Humanidade, classificada pela UNESCO, a 1 de Julho de 2012, tendo-se tornado na primeira cidade do mundo a receber o título da Unesco de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural Urbana (VIANNA, 2012). De entre diversos pontos turísticos, podem destacar-se relacionados com a Natureza o Pão de Açúcar, Morro do Corcovado, Morro dos Dois Irmãos, o Morro do Leme, as florestas da Tijuca e a Pedra da Gávea, a Quinta da Boa Vista, o Jardim Botânico e a Lagoa Rodrigo de Freitas. Sobre as Praias e zonas litorâneas destacam-se a zona sul de
Copacabana, Ipanema e Leblon a zona oeste da Barra da Tijuca, a região costeira dos lagos e da costa verde, a Baía de Guanabara com o Aterro do Flamengo e a enseada de Botafogo, e a ilha de Paquetá. Quanto às regiões Montanhosas as serras de Petrópolis e Teresópolis são as mais visadas. Por fim a nível arquitetónico a grande referência é a estátua do Cristo Redentor, o histórico Estádio do Maracanã, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional, o forte de Copacabana, Forte do Leme e os Arcos do Aqueduto da Carioca. Estes atrativos turísticos são um pequeno leque das variadíssimas possibilidades que os turistas dispõem quando visitam esta região, e estão certamente entre os mais procurados pela grande percentagem de turistas que diariamente chega ao Rio por motivos de lazer. Tendo em conta este facto, e optando pela realização de um estudo que não efetuasse apenas uma análise do potencial turístico em redor destes pontos turísticos internacionalmente reconhecidos, optou-se por conhecer e perceber a origem da formação da Cidade e o seu longo desenvolvimento com uma perspetiva de exploração turística, desde os seus antepassados até aos tempos modernos, de forma a prosseguir no estudo de caso deste projeto. Assim sendo, a pesquisa bibliográfica efetuada e sobretudo vivência na primeira pessoa durante seis meses de intercâmbio, permitiram perceber que a região do Centro da Cidade teria bastante mais potencial turístico do que aquele que atualmente é explorado. Ao longo deste projeto será referido como Centro, objeto que foi o alvo deste estudo, a área pertencente à Região Administrativa do Centro da Cidade do Rio de Janeiro, possível de ser visualizada no Mapa 1 presente nos anexos. Depois da descoberta e colonização, em 1530 pela corte portuguesa, a cidade do Rio de Janeiro começou a erguer-se a partir do Morro de São Januário (atualmente Morro do Castelo) e da Praça Quinze, graças à sua vocação natural como porto marítimo. Na mesma época em que ouro foi descoberto no Estado de Minas Gerais, no final do século XVII, o Governador do Brasil foi nomeado Vice-rei. Salvador era capital da colónia, mas a importância crescente do porto do Rio garantiu a transferência da sede do poder para o sul, para a cidade que se tornaria até aos dias de hoje, o centro intelectual e cultural do país (RIOTUR, 2009). Como foi referido, a evolução da Cidade originou-se junto ao seu porto marítimo que partilha a mesma localização que o Centro histórico, e só posteriormente é que se verificou uma expansão para as restantes áreas a norte, sul e oeste. A grande maioria dos turistas programa as suas viagens de forma a conhecer os pontos turísticos principais, tais como as zonas de Praia, Entretenimento e Lazer, e os Monumentos mais visíveis mundialmente. Poucos são aqueles que se interessam, ou que têm tempo disponível para conhecer os atrativos
turísticos de índole religiosa, cultural e patrimonial histórica, que retratem as origens da própria cidade, que por conseguinte se localizam no Centro da Cidade. Assim sendo considerou-se interessante analisar a potencialidade turística desta região histórica, para se perceber em que medida é que a mesma também possa servir de opção de escolha para os Turistas que visitam o Rio de Janeiro.