Capítulo II – O Projeto de Aproveitamento Hidroagrícola do Baixo Mondego e o
1. Enquadramento geográfico da região em estudo
A região em estudo tem como foco principal o troço final do rio Mondego – o mais extenso rio inteiramente português – e como tal faz parte da sua bacia hidrográfica. Esta situa-se na Região Centro de Portugal (NUT-II), sendo que, mais especificamente, a área que este estudo abrange insere-se ainda numa Unidade Territorial Estatística de Nível III (NUT-III) denominada Baixo Mondego, onde se incluem os concelhos de Montemor-o-Velho, Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Mira, Mortágua, Penacova e Soure.
Os principais polos urbanos desta região são Coimbra e Figueira da Foz (figura 2), onde, em termos de atividades económicas, se verifica alguma especialização no comércio e serviços. Na restante área, predominantemente rural, verifica-se uma forte componente agrícola, sendo as culturas do arroz e do milho, bem como a produção leiteira, as mais significativas.
Figura 2: Localização da área em estudo, com a NUT-III (Baixo Mondego) e as cidades de Coimbra e Figueira da Foz11.
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Figura 3: Esboço Hipsométrico da Região do Vale do Baixo Mondego12.
As baixas altitudes que se podem observar no esboço hipsométrico da figura 3, demonstram que os campos do Mondego, onde propriamente incide este estudo, correspondem a “uma extensa planície de origem aluvial, que globalmente perfaz cerca de 14.000 há”13 e “É constituído por uma faixa de cerca de 40 km de extensão que se desenvolve ao longo do rio Mondego”, desde jusante de Coimbra até próximo da Figueira da Foz, onde o rio desagua no mar. Na obra intitulada “O esforço do Homem na bacia do Mondego”, Alfredo Fernandes Martins (1940, p. 18) faz a seguinte descrição desta área, referindo-se à altimetria: “…dividida assimetricamente pelo Mondego, estende-se, com
12 Fonte: elaboração própria.
13 Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Regional, 2011
Esboço Hipsométrico da Região do Vale do Baixo Mondego
Legenda:
Toponímia
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uma área aproximada de 360 km² - a zona de 0 a 25 metros. Ao Sul, engolfa-se profundamente ao longo dos rios Carnide e Arunca, passando além de Soure; vai no Rio-de-Mouros até montante de Ega, e na ribeira de Cernache, ainda para lá da Anobra, enquanto ao Norte orla a Serra da Boa-Viagem, sobe ao longo do emissário da lagoa da Vela, circunda o horst de Montemor-o-Velho, para se estirar depois numa larga faixa paralela ao Mondego, emitindo ramificações que atingem Ançã, Vil-de-Matos e Souselas; e acaba, finalmente, como acontece à secção meridional, por se estreitar junto de Coimbra.” Relativamente à largura da referida “faixa”, o mesmo autor (1940, p. 88) observa que “O vale (…) constituído pelos aluviões de grande riqueza agrícola, alarga consideravelmente, transformado numa planície com largura média de 5 quilómetros”. Nesta afirmação constata-se que o autor atribui às caraterísticas dos aluviões o elevado potencial agrícola da região, sublinhando, mais adiante (1940, p. 91), que “…assim, às cheias se deve a notável aptidão agrícola do vale banhado pelo Mondego na última secção do curso”.
Ao Vale Principal juntam-se algumas ramificações, que são Vales Secundários, correspondentes aos afluentes deste troço do Mondego, “casos dos rios Cernache, Ega, Arunca e Pranto, na margem esquerda, e Ançã e Foja na margem direita”14. No que diz respeito à distribuição da sua superfície, o Vale Principal ocupa cerca de 58,4% da superfície total e os Vales Secundários cerca de 41,6%15.
A agricultura é também condicionada pelo clima. O gráfico 1 apresenta-nos os valores da temperatura do ar – normais climatológicas (provisórias) – de Coimbra para o período compreendido entre 1981 e 2010. Analisando o gráfico é possível verificar que, no período de tempo referido, os menores valores de temperatura mínima registados variaram entre -5 ⁰C em Janeiro e 8 ⁰C no mês de Julho. Por outro lado, os maiores valores de temperatura máxima registados estão compreendidos entre os 24 ⁰C no mês de Janeiro e os 41 ⁰C em Junho. Por sua vez, os valores médios de temperatura mínima estão compreendidos entre os 5 ⁰C em Janeiro e os 15 ⁰C em Julho, enquanto os valores médios de temperatura máxima variam entre 15 ⁰C em Janeiro e 24 ⁰C no mês de Agosto. Por fim, podemos também observar que os valores médios da temperatura média se situam entre os 10 ⁰C em Janeiro e os 22 ⁰C nos meses de Julho e Agosto. Através destes dados
14 Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Regional, 2011.
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e recorrendo ao sistema de classificação de Köppen-Geiger podemos classificar o clima da região como sendo do tipo “Csb, clima temperado com Verão seco e suave, [que ocorre] em quase todas as regiões a Norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela e nas regiões do litoral oeste do Alentejo e Algarve”16, podendo-se, assim, considerar-se o clima como um dos fatores que contribuem para o potencial agrícola da região em estudo.
Gráfico 1: Normais Climatológicas – 1981-2010 (provisórias) – Coimbra.17 Em termos administrativos, o Vale do Baixo Mondego está disperso por cinco concelhos do distrito de Coimbra. São eles: Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Soure.
No que diz respeito às freguesias, são um total de 39 as que têm pelo menos uma parte do seu território abrangido pelo Vale do Baixo Mondego. Do concelho de Coimbra fazem parte as freguesias de Ameal, Antuzede, Arzila, Ribeira de Frades, Taveiro, São João do Campo, São Martinho de Árvore, São Martinho do Bispo e São Silvestre. No concelho de Condeixa-a-Nova são as freguesias de Belide, Ega, Sebal e Anobra, cujos territórios abrangem os vales dos rios Cernache e Ega. Do concelho da Figueira da Foz, as freguesias de Alqueidão, Lavos, Maiorca, Paião, Vila Verde, Santana e Borda do Campo abrangem tanto o vale principal do Rio Mondego, como os vales secundários dos rios Pranto e Foja. O concelho de Montemor-o-Velho é aquele que tem mais freguesias inseridas na área de estudo, perfazendo um total de onze: Abrunheira, Carapinheira,
16 Fonte: Instituto Português do Mar e da Atmosfera, em https://www.ipma.pt/pt/oclima/normais.clima/.
17 Fonte: Instituto Português do Mar e da Atmosfera, em https://www.ipma.pt/pt/oclima/normais.clima/1981-2010/006/.
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Gatões, Meãs do Campo, Montemor-o-Velho, Pereira, Santo Varão, Tentúgal, Verride, Vila Nova da Barca e Ereira. Por fim, do concelho de Soure fazem parte as freguesias de Alfarelos, Brunhós, Figueiró do Campo, Gesteira, Granja do Ulmeiro, Soure, Vila Nova de Anços e Vinha da Rainha, abrangendo o vale secundário do rio Arunca, parte do vale secundário do rio Pranto e também uma parte do Vale Principal.
A figura 4 apresenta a delimitação da área abrangida pelo Projeto de Aproveitamento Hidroagrícola do Baixo Mondego, ou seja, a área onde incide o presente estudo.
Figura 4: Área abrangida pelo Projeto de Aproveitamento Hidroagrícola do Baixo Mondego 18.