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A revisão do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode (POACB) proceder-se-á em conformidade com o novo regime jurídico dos instrumentos de gestão territorial, criado ao abrigo do DL n.º 380/99, de 22 de Setembro.

Incluídos nos Planos Especiais de Ordenamento do Território (PEOT), os planos de ordenamento de albufeiras de águas públicas visam a salvaguarda de recursos e valores naturais, assegurando a permanência dos sistemas indispensáveis à utilização sustentável do território, bem como estabelecendo as medidas básicas e os limiares de utilização que garantam a renovação e valorização do património natural.

Instrumentos de natureza regulamentar, de âmbito nacional, que vinculam quer as entidades públicas quer os particulares, os PEOT estabelecerão usos preferenciais, condicionados e interditos, determinados por critérios de conservação da natureza e da biodiversidade, por forma a compatibilizá-la com a fruição pelas populações1.

Tratam-se, portanto, de planos que estabelecem regimes de salvaguarda de recursos e valores naturais fixando os usos e o regime de gestão compatíveis com a utilização sustentável do território2.

A Revisão do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode é enquadrada por um conjunto de objectivos pré-definidos nos Termos de Referência do Concurso que importa ter presente na formulação do modelo de ordenamento e desenvolvimento a preconizar. São eles:

• Definir regras de utilização do plano de água e zona envolvente da Albufeira, por forma a salvaguardar a defesa e qualidade dos recursos naturais, em especial a água;

• Definir regras e medidas para usos e ocupações do solo que permitam gerir a área objecto de plano, numa perspectiva dinâmica e interligada;

• Aplicar as disposições legais e regulamentares vigentes, quer do ponto de vista de gestão dos recursos hídricos, quer do ponto de vista do ordenamento do território;

• Planear de forma integrada as áreas dos concelhos que se situam na envolvente da albufeira;

• Garantir a articulação com os objectivos tipificados para o Plano de Bacia do Tejo;

• Compatibilizar os diferentes usos e actividades existentes e/ou a serem criados, com a protecção e valorização ambiental e finalidades principais da albufeira;

• Identificar no plano de água as áreas mais adequadas para a conservação da natureza, as áreas mais aptas para actividades recreativas, prevendo as compatibilidades e complementaridades entre as diversas utilizações.

Ainda em termos de enquadramento legal, importa sintetizar o conteúdo do Decreto Regulamentar n.º 2/88, de 20 de Janeiro (alterado pelo Decreto Regulamentar n.º 37/91, de 23 de Julho), nomeadamente no que se refere ao conceito de albufeira protegida, classificação da albufeira de Castelo de Bode e respectivas restrições associadas.

Assim, albufeiras protegidas são “aquelas cuja água é ou se prevê que venha a ser utilizada para abastecimento de populações e aquelas cuja protecção é ditada por razões de defesa ecológica”.

O mesmo diploma define o que são actividades secundárias permitidas e os respectivos índices de utilização para a albufeira de Castelo de Bode salvaguardando, contudo, que estes índices são meramente indicativos até ao plano de ordenamento ser elaborado.

Este quadro referencial, para o grupo de actividades secundárias definido para a albufeira de Castelo de Bode, é o seguinte:

a) Pesca – permitida com restrições;

b) Banhos e natação – permitida com restrições;

c) Navegação recreativa a remo e vela - permitida;

d) Navegação a motor – permitida com restrições;

e) Competições desportivas das actividades anteriores – actividades permitidas a permitidas com restrições;

Neste contexto, cabe aos planos de ordenamento das albufeiras regulamentar as actividade secundárias, “por forma a garantir, em cada momento, a maior compatibilidade possível dos diferentes usos entre si e destes com a protecção e conservação do ambiente natural” (Art.º 3).

Assim, o próprio diploma define, em termos genéricos, o âmbito dessa regulamentação apontando exemplos, nomeadamente (Art.º 3º):

a) Em relação à pesca que poderão ser aplicadas, entre outras, restrições análogas às dos regulamentos das “zonas de pesca reservada”, a não ser que se trate de concessão de pesca, caso em que serão aplicáveis as disposições do respectivo regulamento de concessão;

b) Em relação a banhos e natação, que estas actividades poderão ser limitadas ou suspensas, quer por razões de defesa contra a poluição ou contaminação das águas públicas, quer por razões de segurança dos próprios utentes;

c) Relativamente à navegação a motor, que poderá limitar-se o número de barcos e que o seu comprimento não deverá exceder 7 m, salvo se em casos especiais devidamente autorizados, sendo obrigatório nos motores fora de borda a dois tempos o uso de óleos biodegradáveis com índices de biodegradação nunca inferiores a 66% obtido pelo método CEC-L-33-T-82 ou outro de análoga eficiência;

d) Relativamente às competições desportivas, que estas só serão permitidas se puderem ser asseguradas condições, mesmo com limitação de locais, épocas e duração, de modo a não resultarem inconvenientes para albufeira e sua zona de protecção ou para as outras actividades principais ou secundárias.

São exceptuadas do contexto referido duas situações concretas, que se descrevem seguidamente, bem como a imposição das actividades secundárias terem que ser autorizadas e licenciadas de acordo com a legislação vigente.

a) Interdição da pesca, mesmo da realizada a partir das margens, nas zonas a montante de tomadas de água e de descarregadores, assim como nas a jusante das restituições das centrais e dos órgãos de descarga que, em cada albufeira, sejam consideradas perigosas, as quais serão devidamente delimitadas e sinalizadas;

b) Outras restrições que, por razão de exploração das albufeiras ou por quaisquer outras causas acidentais, sejam determinadas pelos serviços com jurisdição na utilização das

Por último, interessa realçar um conjunto de condicionantes definidas no mesmo diploma que o plano de ordenamento terá que observar, nomeadamente:

a) a consideração de uma zona reservada marginal da albufeira, com a largura de 50 m a partir do NPA, e na qual não serão permitidas quaisquer construções que não sejam de infra-estruturas de apoio à utilização dessas albufeiras, podendo, contudo, essa largura vir a ser ajustada, para cada albufeira e ao longo desta, se tal for considerado conveniente de acordo com o ordenamento territorial da zona de protecção.

b) a consideração das zonas de respeito das barragens e dos órgãos de segurança e utilização das albufeiras de águas públicas serão estabelecidas por despacho ministerial e farão parte integrante das zonas de protecção das albufeiras classificadas, ficando submetidas aos condicionalismos destas, sem prejuízo dos que possam vir a ser fixados especificamente para essas zonas de respeito.

c) a proibição dos seguintes usos e actividades na zona de protecção da albufeira:

• o estabelecimento de indústrias que produzam ou usem produtos químicos tóxicos ou com elevados teores de fósforo ou de azoto;

• a instalação de explorações pecuárias intensivas, incluindo as avícolas; • o emprego de pesticidas e de adubos orgânicos ou químicos;

• o emprego de pesticidas, a não ser com autorização especial, que só deverá ser concedida, a título excepcional, em casos justificados e condicionados quanto às zonas a tratar e quanto à natureza, características e doses dos produtos a usar;

• o emprego de adubos químicos azotados ou fosfatados, nos casos que impliquem risco de contaminação de água destinada ao abastecimento de populações ou de eutrofização da albufeira;

• o lançamento de excedentes de pesticidas ou de caldas pesticidas e de águas de lavagem com uso de detergentes;

azoto, carbono, mercúrio e outros metais pesados (como o chumbo e o cádmio) e pesticidas.

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