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80 creation of social value for the community The case study was the method used, with semi-

I. Enquadramento teórico

A inovação social, como campo de estudo, não tem uma longa tradição nas ciências sociais, não obstante, é um fenómeno que tem marcado presença na evolução das sociedades humanas (Langenhove, 2001), considerando-se que seja tão antigo quanto a humanidade (Simms, 2006). Apesar do conceito de inovação social ter entrado recentemente nas ciências sociais, pode estar associado a vários fatores, entre eles, destaca-se o projeto que em 1976 acabou por se tornar como um motor da mudança social e estabelecer um novo método de resposta às necessidades das comunidades. Trata-se do The Grameen Bank, fundado por

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Muhammad Yunus que funciona como uma organização de microfinanças, no qual concede empréstimos de microcrédito a pessoas com baixos recursos económicos, sem exigir garantia. O banco foi fundado com a idealização de que alguém poderia combater a pobreza, levando serviços financeiros a pessoas em situação de pobreza, ajudando-os a estabelecer negócios lucrativos. Yunus acabou por ganhar o Prémio Nobel da Paz, em 2006, e foi um impulsionador da mudança social, reconhecendo-se como um exemplo bem-sucedido de inovação social. De facto, a inovação social está sempre relacionada com a ação social coletiva visando a mudança social (Cajaiba-Santana, 2014).

Reconhecendo os estudos realizados sobre esta área de investigação, podemos considerar que o conceito de inovação social é polissémico e que foi evoluindo ao longo dos tempos. A primeira definição surge em 1970, pelo autor Taylor, que define inovação social como formas aperfeiçoadas de ação, novas formas de fazer as coisas, novas invenções sociais. Mais tarde, em 1998, Porter, considera que a inovação é a principal responsável pela criação e manutenção de vantagens competitivas para as empresas, assegurando também a sua continuidade e sustentabilidade. A partir de 2002, começa a emergir um acentuado interesse em compreender os processos de inovação social e surgem novas noções do conceito, destacando-se a definição de Munford (2002) que considera a inovação social como o surgimento e implementação de novas ideias sobre como as pessoas devem organizar atividades interpessoais, ou interações sociais para atender a um ou mais objetivos comuns. Segundo a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Eurostat (2005), a inovação social é o fator essencial para o desempenho das empresas, não só para o crescimento da produtividade, mas também, para elevar a eficiência e a qualidade das suas operações, podendo aumentar a procura e a margem de lucro. A inovação social é, assim, considerada como a inovação nas relações sociais (Moulaert & Nussbaumer, 2005), tratando- se de uma resposta às necessidades que não estão a ser supridas por outros atores, como pelo Estado e pelo mercado (Young, 2006), encarando-se como uma ferramenta para o desenvolvimento urbano (Moulaert et al., 2007) que assume o propósito de criar uma nova solução para responder a um problema social, sendo mais efetiva, eficiente, sustentável ou justa do que as soluções anteriores (Phills et al., 2008) e funcionando para o bem público (Center for Social Innovation, 2018).

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Segundo Mulgan (2007), a inovação social progride através da criação de ideias e da experiência que vamos obtendo com a prática, sendo os seus beneficiários os que desempenham um papel fundamental e decisivo da inovação. No processo de inovação, as aprendizagens que vão sendo adquiridas devem ser partilhadas e rentabilizadas em futuros projetos. Igualmente importante será reconhecer as experiências bem-sucedidas das pequenas e grandes organizações de forma a aumentar e capacitar a inovação. Atualmente, a inovação parece desempenhar um papel decisivo no progresso social, contribuindo para o desenvolvimento económico e para a evolução de diversas áreas, como a saúde, educação, novas tecnologias e negócio. A inovação social é a melhor forma de entender - e produzir - mudanças sociais duradouras (Phills et al., 2008).

Seguidamente, serão abordados conceitos mais específicos deste estudo tendo por base a análise bibliométrica realizada anteriormente4, cujo tópico de análise foi Social Innovation e que teve por base um conjunto de 444 artigos, disponibilizados na base de dados Web of Science e publicados entre 1970 e 2017. Com recurso ao software VOSviewer para a análise de texto, foram gerados diferentes mapas bibliométricos que nos permitiram chegar a várias conclusões, nomeadamente que cerca de metade dos artigos (245) foram publicados nos últimos três anos (de 2015 a 2017) e apresentam uma taxa média de citação de 12,05%. Os artigos foram publicados em 235 revistas académicas, destacando-se a Innovation-The European Journal of Social Science Research, a Ecology and Society e a Creativity Research Journal, como as revistas com mais artigos publicados. Em relação aos autores, os artigos contam com a participação de 996, destacando-se Mumford como o autor com mais publicações e Swyngedouw como o autor mais citado. Do léxico de palavras associadas ao tema, destacam-se as seguintes: social innovation, innovation, governance, policy,

entrepreneurship and social entrepreneurship, como as palavras com maior número de

ocorrências.

Como estratégia de complementaridade do trabalho realizado, considerou-se oportuno, neste estudo, tendo como suporte a mesma base de dados, realizar-se uma análise dos resultados com recurso ao software NVivo 12. Neste sentido, após a inserção dos 444 artigos na base de dados e após a definição dos critérios de frequência de palavras (as trinta mais frequentes, com comprimento mínimo de cinco letras, com correspondência exata e com palavras

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derivadas) foi gerada uma nuvem de palavras que vai sustentar a compreensão dos conceitos associados ao estudo (Figura 6).

Figura 6. Nuvem de palavras gerada no software NVivo12 sobre Social Innovation

Com a análise da árvore de palavras conseguimos visualizar que a palavra com maior contagem é social (40663), seguindo-se outras igualmente relevantes para o estudo, nomeadamente: innovators (inovadores, 30038), changing (mudança, 8837), community (comumidade, 8552), process (processo, 8349), public (público, 6964), policy (política, 6946),

servicing (serviços, 6622), government (governação, 6489), organs (órgãos, 6363), sustains

(sustentar, 6201), managmen (gestão, 6132), system (sistema, 6072), local (5890), model (modelo, 5747), tecnology (tecnologia, 5590), economization (economização, 5520), product (produto, 5472), network (rede, 5305), business (negócio, 5222), practicing (práticas, 5154),

project (projeto, 5116), institutions (instituições, 5067) e activity (atividade, 4975).

Com a mesma base de investigação surge-nos o dendrograma com os clusters de organização dos fatores e variáveis relacionados com inovação social (Figura 7).

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