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4.7 – ENSAIO DE MICROSCOPIA ELETRONICA DE VARREDURA

Resultados e Análises

4.7 – ENSAIO DE MICROSCOPIA ELETRONICA DE VARREDURA

A partir das eletromicrografias obtidas no microscópio eletrônico, foi possível avaliar a estrutura do solo estudado tanto para o estado indeformado, sem alteração, quanto para as amostras adensadas e sob inundação da água e dos contaminantes. Ao serem concluídos os ensaios duplo oedométricos, as amostras foram cuidadosamente removidas do anel de moldagem e preparados pequenos blocos cúbicos de aresta de aproximadamente 1,0 cm, conforme metodologia do ensaio e levados ao microscópio para análise da superfície e obtenção das imagens.

As eletromicrografias foram tiradas de tal forma que se pudessem analisar em diferentes aumentos a estrutura do solo quanto ao tamanho de suas agregações e formato das ligações entre os grãos, bem como tentar identificar o grau de perturbação ou desestruturação que ocorreu no solo pela presença dos líquidos já citados.

macroporosa (P) e aberta do solo, como também a existência de microconcreções de argila em vários tamanhos, principalmente em tamanhos de grãos de areia (MA), o que justifica a diferença que existe na composição granulométrica do solo quando feito sem o uso do defloculante. Também são observadas algumas microconcreções se apresentando no tamanho de grão de silte (MS). Essas microconcreções apresentam formas pouco arredondadas, circundadas com agregações de argila ou silte.

Apresentam-se, ainda, ligadas, formando a estrutura metaestável do solo, através de pontes de argila (PA) e contrafortes de argila (CA). Esta estrutura altamente porosa, como já mencionado, foi formada pelos processos de lixiviação a que o solo foi submetido. As altas temperaturas as quais as camadas mais superficiais deste solo ficam expostas causam a evaporação da água existente e a precipitação dos colóides contidos, formando as ligações cimentantes. A Figura 4.49 apresenta em uma visão mais panorâmica, com aumento de 20x, a amostra indeformada com uma grande quantidade de microconcreções, bastante agrupadas e floculadas, formando aglomerações maiores e apresentando vazios entre estas. As Figuras 4.50 a 4.53 apresentam a estrutura das amostras adensadas sob a inundação dos líquidos.

Figura 4.47 – Estrutura da amostra indeformada (150x)

MA MA PA CA CA CA P P P P

Figura 4.48 – Estrutura da amostra indeformada (250x)

Figura 4.49 – Estrutura da amostra indeformada (20x)

PA PA CA CA MA CA CA MS P P

Figura 4.50 – Estrutura da amostra adensada sob inundação com gasolina

Figura 4.52 – Estrutura da amostra adensada sob inundação com água

Figura 4.53 – Estrutura da amostra adensada sob inundação com chorume

Quanto às amostras inundadas com os combustíveis (Figuras 4.50 e 4.51), pode-se verificar que as alterações ocorridas pela presença dos mesmos foram muito pequenas. Comparando com a amostra indeformada (Figura 4.49), o teor de microconcreções permaneceu quase o mesmo, ou seja, o solo manteve a estrutura floculada o que significa que houve pouca

dispersão das agregações de argila que formam os grumos maiores e menores e pouco rompimento dos agentes cimentantes. A dupla camada dos argilominerais, como já mencionado nos outros ensaios anteriormente analisados, foi pouco influenciada pelas características físico-químicas do álcool e da gasolina.

A Figura 4.52 apresenta a estrutura da amostra do solo inundada com água. Nesta imagem já se pode perceber uma menor presença dos microagregados ou microconcreções. A amostra se encontra um pouco mais homogênea em sua textura devido a uma maior dispersão causada pela ação da água nos agentes cimentantes os quais constituem as pontes de argila, contrafortes e películas que cobrem os microagregados. Também aliado à inundação da água, a atuação do carregamento no rompimento dos agentes cimentantes já começa a se tornar mais eficaz na estabilidade da estrutura.

A Figura 4.53 apresenta a superfície da amostra adensada com a inundação do chorume. Basicamente, o comportamento é semelhante ao da analisado para a amostra com água, contudo em maior intensidade para o chorume.

Comparando esta Figura com a Figura 4.52, mesmo ela estando com ampliação 5x maior em relação à última, pode-se ver que a amostra inundada com chorume apresentou uma textura mais homogênea em relação à amostra com água. Isto confirma a alta capacidade de dispersão que o chorume possui na estrutura desse solo. O ataque às ligações cimentíceas é muito maior, pois o chorume utilizado, pelo seu valor de pH e pelo teor de cátions existente na solução, provocou uma maior separação dos argilominerais como efeito do aumento da dupla camada elétrica dos colóides.

A ação do carregamento externo também contribuiu bastante para a desestruturação do solo, algo que já foi verificado nos ensaios oedométricos. Nestes, com a amostra inundada desde o princípio com o chorume, já se observava uma maior compressibilidade na amostra. Contudo, deve-se lembrar que a simples presença do chorume no solo, sem acréscimo de sobrecarga, se tornou o suficiente para o início da desagregação do mesmo, conforme verificado no ensaio de dispersão química.

A textura homogênea encontrada com os líquidos mais dispersores, principalmente com o chorume pode indicar um certo grau de preenchimento parcial ou total dos vazios do solo

pelas partículas de argila dispersas e recristalizadas no momento em que ocorrer uma diminuição do teor de umidade. Aliado a esse fator, tem-se também a migração dos microagregados menores para os poros maiores existentes por um rompimento mais fácil das ligações entre os mesmos. Sendo assim, um ponto importante a ser pesquisado é a permeabilidade das amostras do solo inundadas com o chorume, pois os vazios existentes têm sua quantidade comprometida com a presença desses líquidos e a ação conjunta do carregamento externo.

A microscopia eletrônica, portanto, se apresentou com uma ferramenta bastante útil para verificar e confirmar a alteração da estrutura do solo estudado pela interação das características físico-químicas dos líquidos utilizados com o mesmo.

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Conclusões

De um modo geral, os ensaios e toda a metodologia proposta neste trabalho forneceram dados que conhecer o comportamento do solo colapsível da cidade de Brasília, frente ao fluxo de contaminantes usados: a gasolina e o álcool comum e o chorume coletado da área destinada à deposição dos resíduos sólidos da cidade. Embora o estudo do colapso pela percolação de fluidos de natureza agressiva ainda não seja tão amplo, os trabalhos já realizados com este tema em alguns lugares do país, ajudaram no desenvolvimento e na compreensão desta pesquisa. A partir de todas as análises e observações feitas, são tecidas aqui algumas conclusões acerca do trabalho desenvolvido e resumindo algumas informações sobre o tema do trabalho. Por fim, são propostas algumas sugestões para a continuidade desta pesquisa.