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6 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

6.2 MAPEAMENTO DOS PROCESSOS E FLUXOS DE

6.2.3 Ensaio Musical

O Diretor Musical (DM) descreveu sua função, em entrevista, como o responsável por criar o Conceito Musical, que em geral envolve alguns grandes aspectos: 1) Compor as músicas do espetáculo; 2) Criar os arranjos para as músicas que contemplem as particularidades do grupo que irá executá-los; 3) Ensaiar o Elenco e Orquestra; e 4) Supervisionar a equipe de som. Ele definiu de maneira abrangente o trabalho do Diretor Musical como: “Cuidar de tudo que tenha som na peça.” (Entrevista com Diretor Musical, em 28/01/2017).

No caso da produção observada, como as músicas foram todas escolhidas a partir do repertório de um compositor, não houve a necessidade da primeira função, e como o elenco desta peça também atua como instrumentista, os ensaios de músicos e atores acabaram ocorrendo em conjunto, com apenas um integrante do elenco sendo somente instrumentista, e os outros 5 sendo atores-músicos.

Quando perguntado sobre quais são as informações essenciais para a execução de seu trabalho e onde as obtém, o DM mencionou que o trabalho se inicia com uma reunião com o Diretor Cênico, a partir da qual são definidos os conceitos e a concepção geral do espetáculo. Em seguida, ele inicia sua própria pesquisa prévia, estudando o repertório escolhido e a instrumentação que será utilizada - quais instrumentos e estilos musicais serão utilizados, e suas principais características - para decidir o tipo de arranjo que será desenvolvido.

Nessa produção, quando o DM foi chamado a integrar a equipe, alguns atores já estavam envolvidos no projeto, então a escolha dos atores restantes foi influenciada pelos instrumentos que os mesmos tocavam, que deveriam ser complementares aos instrumentos dos que já faziam parte do elenco. Por conta dessa exigência de atores-músicos que estivessem sempre em cena como personagens - demanda que surgiu do roteiro da peça e foi acatada pela direção cênica, foi preciso que o DM se adaptasse ao fato de, em determinadas cenas, não poder contar com certos atores, que no momento estariam atuando de forma que não permitisse tocar determinado instrumento, pela necessidade de estar com as mãos livres ou por outro motivo cênico qualquer.

Ao longo da criação dos arranjos e dos ensaios iniciais, DM percebeu que essa formação de banda que mudava de cena a cena seria prejudicial ao andamento do

desenvolvimento sonoro da peça, sendo necessário incluir um “6º elemento” ao elenco inicial de 5 atores: um instrumentista permanente.

Assim, foi encontrado um ‘percuterista’, músico baterista e percussionista, que ficaria em cena durante todo o espetáculo, com seu set de percussão incorporado ao cenário, para manter a unidade e “garantir o ritmo do espetáculo” (DM, em entrevista concedida em 27/01/2017).

Quanto às informações que distribui, o DM é responsável por escrever os arranjos e disponibilizar as partituras e cifras ao elenco. No geral, as partituras eram enviadas digitalmente por e-mail e impressas pelos atores quando necessário, e as cifras normalmente eram ditadas pelo DM no ensaio; enquanto os atores envolvidos na instrumentação daquela música em particular as anotavam em seus roteiros.

Outro recurso muito utilizado durante os ensaios era a gravação de voz. Esse recurso era preferido pelo DM quando passava arranjos vocais, e o mesmo frequentemente incentivava os atores a gravar um registro em áudio com sua própria voz, em seus celulares, assim que aprendiam sua melodia, para que tivessem uma guia de estudo. Segundo DM, ouvir a própria voz é melhor para o elenco estudar em casa, e mais eficaz para a assimilação do que se ele mesmo - DM - gravasse uma voz-guia.

Além das partituras, o DM também elaborou um Roteiro de Deixas para o instrumentista, documento que contava com a lista de músicas e demais efeitos sonoros do espetáculo, precedida pela respectiva deixa33. Dessa forma, o músico poderia acompanhar a cena sem precisar olhar o roteiro completo do espetáculo para saber quando deveria tocar.

Posteriormente, por uma necessidade observada nos ensaios, esse roteiro de deixas foi acrescido do ritmo de cada música, escrito com uma numeração em bpm34, para manter as músicas no andamento correto. O processo que envolve a criação e desenvolvimento dos arranjos e os ensaios musicais foi representado pelo mapeamento disposto no Apêndice E: Mapeamento “Da Criação de Arranjo ao Ensaio Musical”

O DM também desenvolveu um Roteiro de Sonoplastia para ser entregue ao Designer e ao Operador de Som, contendo as deixas e os movimentos de som necessários, e uma Lista de Instrumentação, contendo cada uma das músicas do espetáculo, associada aos atores que a

33 No teatro, o termo deixa se refere a uma fala, ação, movimento ou som que desencadeia uma outra fala, ação, movimento ou som.

cantam e aos instrumentos utilizados. Essa lista alimenta a posterior programação da mesa de som, onde ocorre o controle de quais microfones e canais de som ficam ligados em cada cena. Por fim, o DM também foi responsável por gravar os efeitos sonoros que não seriam executados pelos atores nem pelo músico em cena. Eram alguns efeitos sonoros digitais e uma música gravada com efeito de rádio antigo que seriam executados diretamente da cabine de som, pelo operador. Estes arquivos foram entregues em forma de CD e gravados por segurança no computador da produção, que seria ligado à mesa de som durante a apresentação e acionado no momento necessário.

Dessa forma o DM também é fundamental no processo que vai da Concepção à Operação do Design de Som, realizado em parceria com o Designer de Som e sua equipe técnica.