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Ensino a Distância (EaD): possibilidades e desafios

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CAPÍTULO 2: A EAD E A DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

2.7 Ensino a Distância (EaD): possibilidades e desafios

Sabe-se que dialogar sobre o conceito de qualidade da educação não é algo que surgiu há pouco tempo. Quando se fala sobre avaliar a educação e qualidade, não há uma resposta pronta ou uma receita que conceitue ambas. O termo qualidade tem se modificado e surgido vários outros significados, mas, os primeiros conceitos estão sempre presentes.

Segundo Dourado; Oliveira (2009, p. 203 apud PACIEVITCH; SOHN; POSSOLI, 2011, p.15066) é essencial o entendimento de que “qualidade é um conceito histórico, que se altera no tempo e no espaço, ou seja, o alcance do referido conceito vincula-se às demandas e exigências sociais de um dado processo histórico”.

Para Oliveira; Araújo (2005, p. 06 apud PACIEVITCH; SOHN; POSSOLI, 2011, p.15066),

a questão da qualidade em relação à educação foi historicamente percebida de três formas: na primeira, a qualidade determinada pela oferta insuficiente; na segunda, a qualidade percebida pelas disfunções no fluxo ao longo do ensino fundamental; e na terceira, por meio da generalização de sistemas de avaliação baseados em testes padronizados.

Enguita (2001, p. 95-96 apud PACIEVITCH; SOHN; POSSOLI, 2011, p.15066), explicita que o conceito da palavra qualidade pode ser utilizado de diferentes formas por

diversos grupos na sociedade, dependendo dos interesses da cada um, seja político, social, econômico, justamente por significar coisas distintas e admitir mais de uma leitura:

Uma palavra de ordem mobilizadora, em um grito de guerra em torno do qual se devem juntar todos os esforços. Por sua polissemia pode mobilizar em torno de si professores que querem melhores salários e mais recursos e os contribuintes que desejam conseguir o mesmo resultado educacional a um menor custo; os empregados que querem uma força de trabalho mais disciplinada e os estudantes que reclamam maior liberdade e mais conexão com seus interesses; os que desejam reduzir as diferenças escolares e os que querem aumentar suas vantagens relativas (2001, p. 95-96 apud PACIEVITCH; SOHN; POSSOLI, 2011, p.15066).

Inicialmente aplicada na área da administração de empresas, surge na década de 70, a Pedagogia da Qualidade Total, que passou a ser utilizada na área da educação.

Entre as décadas de 80 e 90, com a promulgação da Constituição Federal (1988), a Conferência Mundial de Educação de Jomtien (1990), a aprovação da Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), e os ajustes econômicos realizados pós a abertura política, as políticas públicas, sobretudo as educacionais, passaram a sofrer interferências de organismos internacionais com objetivos neoliberais (PACIEVITCH; SOHN; POSSOLI, 2011, p.15066).

De acordo com Carreira; Pinto (2006, p.10 apud PACIEVITCH; SOHN; POSSOLI, 2011, p.15067):

A questão da qualidade, então, se incorpora à agenda do debate educacional no contexto das reformas educativas, caracterizadas como neoliberais. Reformas influenciadas por agências multilaterais – Banco Mundial, UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciências e a Educação), ONU (Organização das Nações Unidas) e outras – num contexto de controle, de restrição de políticas sociais e de privatização.

Pacievitch; Sohn; Possoli (2011, p.15067) ressalta sobre o artigo 4º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96) na qual é dever de o Estado oferecer educação escolar pública que garanta, entre outros, “padrões mínimos de qualidade de ensino definido como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem.”

O Decreto nº 6.094/2007, documento que regulamenta a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, determina que (PACIEVITCH; SOHN; POSSOLI, 2011, p.15067):

Art. 3o A qualidade da educação básica será aferida, objetivamente, com base no IDEB, calculado e divulgado periodicamente pelo INEP, a partir dos dados sobre rendimento escolar, combinados com o desempenho dos alunos, constantes do censo escolar e do Sistema de Avaliação da Educação Básica - SAEB, composto pela Avaliação Nacional da Educação Básica - ANEB e a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Prova Brasil).

Pacievitch; Sohn; Possoli (2011) mencionam que os conceitos definidos nesses documentos (Decretos, Art.) de qualidade são na verdade, dados que podem ser mensuráveis ou quantitativos, nada mais do que um conceito de mercado. Para Freitas (2005, p. 921 apud PACIEVITCH; SOHN; POSSOLI, 2011, p.15067), esse conceito é uma

[...] noção corrente de qualidade adotada pelas políticas públicas neoliberais, cuja concepção é quase sempre eivada de uma pseudo participação que objetiva legitimar a imposição verticalizada de “padrões de qualidade” externos ao grupo avaliado.

Na Resolução nº 4/2010, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica, surge na legislação o conceito de qualidade social, em seu art. 8º (PACIEVITCH; SOHN; POSSOLI, 2011, p.15067):

A garantia de padrão de qualidade, com pleno acesso, inclusão e permanência dos sujeitos das aprendizagens na escola e seu sucesso, com redução da evasão, da retenção e da distorção de idade/ano/série, resulta na qualidade social da educação, que é uma conquista coletiva de todos os sujeitos do processo educativo.

Silva (2009, p. 223 apud PACIEVITCH; SOHN; POSSOLI, 2011, p.15068), apresenta que “a qualidade social na educação não se restringe a fórmulas matemáticas, tampouco a resultados estabelecidos a priori e a medidas lineares descontextualizadas”. Percebe-se que tal autora não conceitua qualidade como quantidade. A escola de qualidade social segundo ela “é aquela que atenta para um conjunto de elementos e dimensões socioeconômicas e culturais que circundam o modo de viver e as expectativas das famílias e de estudantes em relação à educação”.

Para Silva; Gentili (2007, p.111-117),

O conceito de educação de qualidade total é, objetivamente, um ensaio de transplantação dos pressupostos conjecturiosos da sociedade de cultura de produção material para uma sociedade da produção educativa mercadológica, transversalmente por táticas participativas com o foco de, por meio da ideia da qualidade total, transformar as encanecidas estruturas e organismos escolares, cedendo à qualidade, uma função messiânica, ou seja, no sentido mais soteriológico: salvador da pátria, de um novo messianismo estrutural pedagógico. O gênesis da qualidade total no campo educacional é uma estratégia de organização da escola e do processo de ensino-aprendizagem da mesma maneira em que se organiza a gestão de qualidade total no campo empresarial.

Tem-se como ponto de partida que, a implementação da modalidade EaD permite inserir, através da oferta de oportunidade de educação, milhares de pessoas que estão longe dos grandes centros educacionais ou aquelas que não possuem tempo para

estarem presentes em sala de aula. A EaD, na verdade está sendo aceita como o ferramenta que dará oportunidades à população de ter acesso ao ensino superior, principalmente, aqueles incapacitados, idade adulta, que trabalham o dia todo ou impossibilitados de se locomover (SOUZA et al, 2016).

Percebe-se que, as dificuldades no reconhecimento da EaD como um processo de ensino-aprendizagem de qualidade são decorrentes da implementação de projetos apoiados sob a ótica do mundo empresarial ou de mercado (SOUZA et al, 2016).

Assim são enormes os desafios para a construção de um modelo consistente de políticas públicas de educação a distância no Brasil, diante da amplitude e complexidade do problema a ser resolvido. Entre esses desafios, inclui-se a necessidade de se fazer uma regulamentação que garanta a qualidade, sem inibir por demais uma área nascente e com enorme potencial, respeitando as realidades regionais e entendendo, ao mesmo tempo, que a Educação à Distância carrega consigo uma nova noção de territorialidade (MOTA, 2007 apud Souza et al, 2016, p.5). grifo nosso.

A EaD é uma realidade no processo de formação da sociedade brasileira. Os dados apresentados neste capítulo evidenciam que sua expansão no Ensino Superior é exponencial e vai além da graduação. Constatou-se também que a EaD ratificou a participação das IES privadas e se tornou um grande nicho de mercado atraindo grandes capitais nacionais e internacionais.

No próximo tópico será apresentado como a EaD se apresenta no Estado de Goiás, seu surgimento, dados, quantitativos, gráficos e informações de grande relevância.

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