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UNIDADE(S) TEMÁTICA(S):

Crenças religiosas e filosofias de vida.

OBJETO DE CONHECIMENTO:

Tradição escrita: registro dos ensinamentos sagrados.

HABILIDADE(S):

(EF06ER17MG) Pesquisar e listar os diversos tipos de textos sagrados, identificando e apontando os tipos de linguagens e de gêneros textuais utilizados nos textos sagrados das diferentes tradições religiosas.

CONTEÚDOS RELACIONADOS:

Tradição escrita: registro dos ensinamentos sagrados.

INTERDISCIPLINARIDADE:

LÍNGUA PORTUGUESA

(EF69LP53B) Contar/recontar histórias, tanto da tradição oral (causos, contos de esperteza, contos de ani- mais, contos de amor, contos de encantamento, piadas, dentre outros) quanto da tradição literária escrita, expressando a compreensão e interpretação do texto por meio de uma leitura ou fala expressiva e fluente, que respeite o ritmo, as pausas, as hesitações, a entonação indicados tanto pela pontuação quanto por outros recursos gráfico-editoriais, como negritos, itálicos, caixa-alta, ilustrações etc., gravando essa leitura ou esse conto/reconto, seja para análise posterior, seja para produção de audiobooks de textos literários diversos ou de podcasts de leituras dramáticas com ou sem efeitos especiais.

TEMA: “ISSO PASSA...”: A ESPERANÇA E A SABEDORIA DOS POVOS

DURAÇÃO – 50 minutos

Querido(a) estudante!

Há tanto o que aprender... há tanto a ensinar... vamos fazer esta troca?

SENSIBILIZAÇÃO

Para início de conversa:

Em vários momentos temos falado da sabedoria repassada de geração a geração através da oralidade e, principalmente, pelos povos indígenas e africanos.

Essa sabedoria revela como os povos, através do tempo, construíram seus conhecimentos, mantive- ram a sobrevivência do grupo e se organizaram socialmente.

Mas também temos povos que registram seus conhecimentos, suas experiências em textos. E iremos conhecer alguns destes textos que pelo valor atribuído pelas pessoas passaram a ser considerados como textos sagrados.

SABEDORIA DOS CONTOS – IAZUL – UMA LENDA ÁRABE – MALBA TAHAN

Em nome de Allah, Clemente e Misericordioso! Viveu, outrora, na Pérsia, meio século depois de Timur Lenk, um Príncipe, generoso e bravo, que se chamava Shack Bock. Afirmam historiadores altamente abalizados que esse glorioso Emir tinha, em sua imponente corte, um sábio, mestre e conselheiro, cuja nobre função era orientar o monarca em suas decisões, esclarecê-lo em suas dúvidas e corrigi-lo em seus erros e injustiças. Esse ulemá, judicioso e previdente, chamava-se Ismail Hassan, e era, pelos nobres muçulmanos, apelidado o Saryh (aquele que é sincero).

Um dia muito cedo, logo depois da prece da madrugada, prece do ritual que os árabes denominam salat, o Príncipe mandou que viesse à sua presença o douto conselheiro da corte. Fazia todo o empenho em ser ur- gentemente elucidado sobre um caso que se apresentava enrodilhado pelo mistério.

Sem perda de tempo, o ilustre Ismail, o Saryh, deixou os seus aposentos, e foi ter ao luxuoso divã (sala de au- diências) do soberano persa. O que teria acontecido? Que caso, assim, tão grave, intrigava o Rei?

O monarca parecia pálido. Em sua fisionomia morena surgiam, tracejando linhas incertas, as sete rugas da intranquilidade. Depois das saudações habituais, sem mais preâmbulo, disse o Emir ao judicioso Ismail: - Acabo de receber, do Khorasan, este pequeno cofre, encontrado pelos meus agentes secretos, entre os despojos do infeliz e estouvado Khalil, senhor de Candahar. Dentro desse cofre vinha, apenas, esse singula- ríssimo anel de ouro. Desconfio que se trata de jóia raríssima, que pertenceu ao grande Timur Lenk. Como poderei descobrir o enigma que envolve esse anel?

E o Príncipe, estendendo a mão, entregou ao douto Ismail o misterioso anel de Candahar.

Ismail, o sábio (Allah, porém é mais sábio!), examinou detidamente a joia, virando-a e revirando-a na palma da sua mão. E depois de refletir, em silêncio, durante algum tempo, assim falou ao Príncipe, seu amo e senhor: - Julgo-me capaz de esclarecer esse mistério. Afirmo que uma das peças mais valiosas do tesouro persa acaba de chegar às vossas mãos. Este anel é o precioso e tão ambicionado anel mágico, que pertenceu ao invencível Timur Lenk, o Perseverante (que Allah o tenha entre os eleitos!). Como podeis ver, este anel, no rico escudo em forma de tâmara, ostenta, em letras bem talhadas, a palavra tão bela e sonora: - Iazul.

- Sim, sim – confirmou o Príncipe, muito sério – já o havia notado. No escudo, entre dois brilhantes pequeni- nos, lê-se a palavra Iazul. O mistério, a meu ver, permanece. O que significa, afinal, Iazul?

O sábio Saryh ergueu o rosto e, discorrendo em tom pausado e claro, explicou:

- Cumpre-me dizer-vos, ó Rei do Tempo! que Iazul é uma palavra mágica, de alto e misterioso poder. Assegu- ro que é a palavra mais expressiva e eloquente entre todas as que figuram no riquíssimo vocabulário persa. É mágica, repito. Reparai bem: Tem o dom de nos tornar alegres, quando estamos tristes, e de moderar as nossas alegrias, nos momentos de extrema felicidade e ventura.

Palavras importantes no conto que merecem ser destacadas e compreendias no contexto Allah – Deus criador para os muçulmanos.

Ulemá – substantivo masculino – indivíduo sábio em leis e religião, entre os muçulmanos. Prece no ritual Salat – Oração ou Salat é um dos pilares fundamentais do Islamismo, e deve ser

realizada cinco vezes ao dia.

- Iazul, ó Rei!, dentro da sua espantosa simplicidade, significa, apenas Isso passa! Ou ainda: Tudo passa! Quando o homem atravessa períodos de felicidade, de alegria cor-de-rosa, de sorte e tranquilidade, deve pensar no futuro e ser comedido em suas expansões, sóbrio em suas atividades. Convém que o afortuna- do não esqueça: Iazul! (Isso passa!), a roda do Destino é incerta; a vida é cheia de mudanças. Há ocasiões, porém, em que nos sentimos navalhados pelos sofrimentos, pelas enfermidades, feridos pelas desgraças, caminhando sob a nuvem da má sorte, da ruína e atingidos pelos golpes imprevistos do infortúnio. Para que o ânimo volte ao nosso espírito, proferimos, cheios de fé, fortalecidos de esperanças: Iazul! (Isso passa!). Sim, tudo passa! Virão dias melhores, dias calmos, dias felizes; a prosperidade e a boa sorte voltarão a iluminar a nossa jornada; a saúde será reconquistada; a serenidade procurará pouso em nosso atribulado coração! E, depois de ligeira pausa, o sábio concluiu:

- E, assim, ó Rei!, posso afirmar que Iazul, a palavra contida no pequeno escudo deste anel, é mágica! Alivia e abranda as tristezas dos infelizes; controla e arrefece as alegrias alucinadas dos exaltados!

Ao ouvir as eloquentes e judiciosas explicações do velho ulemá, o Rei tomou o anel, colocou-o no dedo indi- cador da mão esquerda e disse, serenamente:

- Que notável, interessante e proveitosa lição recebi hoje! Conservarei comigo este precioso anel. Jamais esquecerei em todos os momentos culminantes de minha vida, no meio de estonteantes triunfos, ou sob o guante da desgraça, de recorrer ao eterno ensinamento contido nesta palavra mágica: Iazul!

Quero, ó irmão dos árabes! terminar esta lenda exatamente como a iniciei:

Esquece, pois, meu amigo, esquece, por um momento, as tuas tristezas e aflitivas preocupações; livra-te dessa angústia instilada em tua alma pelas incertezas da vida, senta-te, aqui a meu lado, e escuta, com reli- giosa atenção a palavra mágica: Iazul!

E vale a pena repetir: Iazul! Iazul! Isso passa! Isso passa!

Fonte: TAHAN, Malba. Iazul. Rio de Janeiro: Ediouro, 1970.

Este conto foi escrito há muitos anos, por Malba Tahan - mistificação

literária de Júlio Cesar de Mello e Souza (1895-1974). Mas há muitas ver- sões da mesma história que são contadas e recontadas por várias ge- rações como sabedoria de vida – ISSO PASSA!

TEXTO INFORMATIVO

Olha só que interessante... em uma pesquisa pela internet encontramos que uma das origens desse conto é “sufi” ... Você já ouviu falar de sufismo?

PARA ARQUIVAR:

O ISLAMISMO é uma tradição religiosa que surge no século VII d.C, seus adeptos podem ser chamados de islâmicos, muçulmanos e/ou maometanos.

Para alguém se tornar muçulmano, basta que pronuncie de forma consciente, com entendimento e intenção, a profissão de fé: ‘Somente Deus é Deus e Mohammed é o seu profeta.” A autoridade máxima a ser seguida é o SAGRADO ALCORÃO (texto sagrado que contém as revelações do anjo Gabriel ao profeta Mohammed). A diversas formas de se compreender a religião, podendo receber o nome de correntes islâmicas, destacan- do-se: xiitas, sunitas e sufis.

Fonte: (Texto adaptado). BERKENBROCK, Volney J. O mundo religioso. Petrópolis: Vozes, 2019.

“nas suas histórias, nas narrativas que penetram num órgão que os sufis chamam de Coração-Intelecto. As histórias sufis não nos chegam somente pela razão; elas tocam também pela emoção (coração). Às vezes precisa-se de dias, semanas, meses e até anos para compreender profundamente uma narrativa sufi. Ao mesmo tempo, pode-se compreendê-las antes mesmo de ouvi-las, como se elas já morassem dentro da gente, adormecidas, à espera de ser despertadas.

O sufismo pode ser considerado uma visão filosófica sobre os mais diversos assuntos que interessam ao humano: relacionamentos, amores, brigas, conquistas, fracassos.

Definir a época do nascimento do sufismo é muito difícil. Sabe-se que ele é muito antigo (seu auge foi nos séculos XV, XVI e XVII) e que se espalhou por diversas regiões: Irã, Iraque, Egito, Afeganistão, Tuní- sia, Líbia, Marrocos, Turquia etc.

A tradução da palavra “sufi” tem algumas interpretações. Uma delas diz que significa “lã” – que era o te- cido usado nas túnicas dos sábios sufis.

O interessante dos contos sufis é que eles não encerram em si mesmos. Não existe uma interpretação única a respeito deles; cada um pode se agarrar – ou desgarrar – na parte que mais gostou de cada his- tória lida ou ouvida.”

Fonte: BRENMAN, llan. As 14 pérolas da sabedoria sufi. São Paulo: Escarlate, 2013, p. 73-74.

ATIVIDADES

01. Os contos são narrativas que apresentam uma introdução, o desenvolvimento e a conclusão de

uma história. O conto Iazul já foi recontado por muitos, como uma forma de tranquilizar as pessoas diante de situações difíceis. Em tempos de pandemia, como o que estamos vivendo agora, qual seria a mensagem que esse conto pode nos transmitir?

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