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3. COMUNIDADES E REDES SOCIAIS EM UMA SOCIEDADE CONECTADA

3.1 Proposições para Pensar a Configuração das Comunidades Virtuais

3.1.1 Entendendo o Conceito Clássico de Comunidade

Em uma primeira formulação, podemos dizer que as comunidades são complexos aglomerados de sujeitos, unidos por vínculos específicos. O conceito de comunidade sofreu

muitas transformações no decorrer do tempo, sobretudo com a emergência de novas tecnologias que passaram a conectar indivíduos geograficamente distantes e com o desenvolvimento de pesquisas que buscaram entender os laços desses aglomerados, suas formas de viver e conviver. Peruzzo (2002, p.01)39 pontua que, “além das ‘comunidades’

(concretas e virtuais) serem algo prenhe de grande densidade e complexidade teórica e histórica, passam por um momento de transformações surpreendentes”, e o próprio termo

“comunidade” começou a ser utilizado em múltiplas perspectivas e sem rigor conceitual. No entanto, a própria pesquisadora considera a utilização demasiada do termo como evidência do surgimento de diversas agregações sociais possuidoras de características comunitárias (PERUZZO, 2002, p.02)40.

Assim, para entender a configuração das comunidades atualmente e, mais especificamente, da comunidade CS POA, consideramos importante fazer uma imersão em relação aos sentidos do conceito de comunidade em uma perspectiva histórica, em vez de abordar isolada e restritamente o que os teóricos entendem por comunidade nos dias de hoje.

Na sociologia, o teórico alemão Ferdinand Tönnies ressaltou a complexidade das relações sociais, de forma que cada uma das relações reciprocamente positivas representaria

“uma unidade na pluralidade e uma pluralidade na unidade” (1973, p.96). Tönnies também diferenciou as organizações sociais, principalmente os conceitos de comunidade e sociedade:

Compõe-se de exigências, compensações e ações que passam e repassam e que são consideradas como expressões das vontades e de suas forças. O grupo formado por essa relação positiva, enquanto ser ou objeto que age de uma maneira homogênea para dentro ou para fora, chama-se uma associação. A própria relação e, conseqüentemente, a associação, podem ser compreendidas ou como uma vida real e orgânica — é então a essência da comunidade — ou como uma representação virtual e mecânica — é então o conceito da sociedade (TÖNNIES, 1973, p.96, grifos do autor).

39 A autora afirma que há teóricos que apontam “características bastante rigorosas para que determinado agrupamento social seja tomado como ‘comunidade’, muito embora não haja consenso entre os cientistas sociais quanto à natureza de ‘comunidade’” (2002, p.02).

40 “Por vezes é empregado como sinônimo de sociedade, organização social, grupos sociais ou sistema social. É também utilizado para designar segmentos sociais como por exemplo, comunidade universitária, comunidade negra, comunidade religiosa, comunidade de informação, comunidade científica, comunidades dos artistas etc.

Usa-se o termo comunidade, ainda, para caracterizar agrupamentos sociais situados em espaços geográficos de proporções limitadas (bairro, vila, lugarejo) e para designar grupos de interesse afins, interconectados na rede mundial de computadores, chamados de ‘comunidades virtuais’, entre outros. Se por um lado, o termo é utilizado demasiadamente de modo indistinto, por outro evidencia a existência atual de várias formas de agregação social que portam algumas características de perfil comunitário. É todo um movimento que se constrói a partir do local de moradia ou de outras identidades, sejam elas simbólicas, espirituais etc., que afloram simultaneamente ao processo de globalização” (PERUZZO, 2002, p.02, grifo da autora).

Para o autor alemão, a vida em comunidade seria constituída de tudo que é “confiante, íntimo, que vive exclusivamente junto” – um agrupamento homogêneo, com semelhança de crenças e interesses – enquanto a sociedade seria composta por “tudo o que é público, é o mundo”. Na sua visão, a comunidade seria de âmbito imaterial e já seria parte do ser humano desde o nascimento, enquanto a entrada na sociedade seria como adentrar em um lugar estranho, não haveria “má comunidade” – o que para ele seria contraditório –, mas seria possível uma “má sociedade” (1973, p.97). Os sentimentos recíprocos eram considerados elementos chave na constituição comunitária, já que a comunidade clássica representaria “a força e a simpatia sociais particulares que associam os homens enquanto membros de um todo” (TÖNNIES, 1973, p.102).

Em sua construção acerca do conceito de comunidade, Tönnies também propõe que esse tipo de agrupamento é mantido por seus membros, de forma a existirem papéis e funções diferenciados na construção da estrutura comunitária, bem como regras de convivência comum e obrigações:

[...] tudo o que pertence à significação de uma relação comunitária e que tem um sentido nela e para ela própria representa seu direito, isto é, é respeitado como a vontade realmente existente da maioria dos associados. Portanto, na medida em que corresponder à sua verdadeira natureza e às suas forças, na medida em que o gozo e o trabalho forem distintos e, sobretudo, na medida em que de um lado existir o mando e, de outro, a obediência, esse direito é um direito natural, uma regra da vida comum que determina o domínio ou a função de cada vontade, uma soma de obrigações e de prerrogativas (1973, p.102).

A língua é, na construção teórica de Tönnies, “o verdadeiro órgão da compreensão, onde ela desenvolve e forma sua existência” (1973, p.103), através do qual é possível expressar-se e comunicar-se. Além disso, o teórico explica que“a unidade e a possibilidade de uma comunidade das vontades humanas se apresentam, em primeiro lugar e de maneira mais imediata, nos laços do sangue; em segundo lugar, na aproximação espacial e, finalmente, para os homens, na aproximação espiritual” (p.104) e que daí derivariam as raízes de todos os tipos de comunidades. Podemos pensar essa aproximação espiritual à qual se refere Tönnies (1973) como vinculação identitária, de interesses e, ou de objetivos em relação aos membros de uma mesma comunidade.

É necessário considerar que há um “embaralhamento” da lógica proposta por Tönnies, no sentido de entendermos que os sujeitos nascem dentro de uma sociedade e a ela se adaptam. Os indivíduos também podem nascer em um determinado local e não serem

necessariamente ligados a esse lugar com laços afetivos – como há algumas décadas era comum ocorrer. Entendemos que os laços que os indivíduos tinham com os locais nos quais nasciam se davam também por uma questão de restrição de possibilidades: não havia tantas facilidades para se comunicar a longas distâncias (a internet não existia ou não tinha ganhado adesão popular ainda), nem para aprender outras línguas, para viajar frequentemente a outros lugares ou para mudar de cidade/região/país. Dessa forma, as relações se concentravam naquele entorno da cidade, do bairro, da família, da igreja etc.

A questão dos sentimentos recíprocos, abordada por Tönnies (1973), nos parece ser uma característica importante na constituição de uma comunidade. Entendemos que hoje, mais que antes, as comunidades são atravessadas por diversas heterogeneidades, inclusive culturais, e a reciprocidade de sentimentos pode contribuir para a construção de vínculos entre os sujeitos e para o exercício do respeito à diversidade – condição necessária para que os sujeitos mantenham-se na estrutura comunitária –, o que também não quer dizer que, com isso, existam garantias quanto à ausência de conflitos.

Consideramos necessário atentar para as disputas de poder nas comunidades, até porque cada indivíduo tem seus interesses particulares, mesmo quando, concomitantemente, se junta a outros sujeitos vislumbrando um objetivo comum. Embora Tönnies não tenha abordado as relações de poder na perspectiva do conflito, ele já tratava dos papéis em posições distintas e das regras que ordenavam a vida em grupo. Apesar de serem estruturas às quais os sujeitos podem aderir por espontânea vontade, comunidades são regidas por normas implícitas e explícitas, que garantem seu funcionamento. Essas normas estão relacionadas às práticas sociais e a aspectos culturais nela imbricados, podendo variar bastante de uma comunidade para outra. Pensamos que este aspecto é valido para entender a comunidade investigada; as comunidades continuam sendo regidas por normas, mesmo com a emergência da internet e de novos espaços (digitais) nos quais as comunidades adentraram.

Estamos em outro contexto, de relações mais fluidas, instantâneas e mediadas por dispositivos tecnológicos inimagináveis à época em que Tönnies escreveu sua teoria. Da mesma forma como o contexto se modificou, alteraram-se também as comunidades. Há aquelas que não têm necessariamente como elementos que fundamentam sua existência a reunião de familiares (laços de sangue), ou a reunião de pessoas geograficamente próximas (vizinhança). Por outro lado, ainda há atualidade nas proposições clássicas em relação a aspectos como o da comunidade enquanto cenário de relações sociais, da língua enquanto principal mediadora da comunicação no meio comunitário, dos sentimentos recíprocos como

aspecto constitutivo de vínculos comunitários, das regras e normas sociais como elementos que regem as relações, sendo possível pensar também que ainda podem existir comunidades que reúnem pessoas com um referencial geográfico comum, como ocorre em CS POA.

Partindo do nosso objeto empírico de referência percebemos que, apesar de a rede social Couchsurfing, de maneira geral, reunir indivíduos de todo o mundo, de várias crenças e de diversas proveniências sanguíneas/familiares, a comunidade CS POA – como outras comunidades do CS – é caracterizada por uma vivência em uma proximidade que vincula sujeitos, que os aproxima e que gera vínculo simbólico que tem relação com o lugar. Apesar de haver membros da comunidade que não residem em Porto Alegre, a região é um fator comum a todos os sujeitos que participam da comunidade, seja porque moram na cidade, ou porque tenham nascido nela; porque já tenham visitado ou pretendem visitar a capital gaúcha.

Assim, entendemos que, apesar de serem pensadas para outro contexto, as características pensadas por Tönnies ainda podem sinalizar para elementos presentes na constituição de alguns tipos de comunidades – sendo frutíferas à análise do nosso objeto de pesquisa –, embora não possamos afirmar que todos os tipos de comunidades tenham necessariamente suas origens conforme as proposições do teórico alemão e que somente estas proposições possam dar conta da compreensão da natureza da comunidade CS POA.

Ainda debruçando-nos sobre o conceito clássico de comunidade, percebemos que outros teóricos têm retomado características propostas por Tönnies. Marcos Palacios (1996, p.12) caracteriza a comunidade a partir de elementos como a ligação, o sentimento de pertencimento que une o grupo – o que podemos associar à ideia dos sentimentos recíprocos comunitários: “O sentimento de pertencimento levaria, então, a um caráter cooperativo no interior da comunidade. E mais, levaria (ou poderia levar) à ação organizada e ao delineamento de um projeto comum”, explica o autor supracitado, para quem “não pode haver comunidade (seja de que tipo for) sem a presença do sentimento de pertencimento”

(PALACIOS, 1996, p.13).

Na concepção de Weber, o sentimento de pertencimento estaria vinculado à comunidade, enquanto a associação de sujeitos em torno de interesses comuns estaria mais relacionada à ideia de sociedade. Concordamos com Horkheimer e Adorno (1973), ao citar Warner, quando explicam que os interesses podem associar-se a sentimentos de pertença:

“uma pluralidade de homens com interesses, sentimentos, comportamentos e finalidades comuns, em virtude de sua pertença ao mesmo grupo social como estrutura constante em toda e qualquer forma de sociedade antiga ou moderna” (p.156). A partir da pesquisa com CS

POA, percebemos que o sentimento de pertença partiu de interesses em comum (sobre viagens e intercâmbios) que levaram os sujeitos/atores a constituir uma comunidade.

O sentido do vínculo ao coletivo, da manutenção de laços de pertencimento – proposições também características das comunidades para Peruzzo e Palacios –, estaria relacionado aos objetivos da comunidade e à articulação dos sujeitos em torno de interesses semelhantes e de uma ligação simbólica entre os mesmos. Esse vínculo, para Palacios, se daria para além da ligação territorial:

O sentimento de pertencimento, elemento fundamental para a definição de uma Comunidade, desencaixa-se da localização: é possível pertencer à distância. Evidentemente, isso não implica a pura e simples substituição de um tipo de relação (face-a-face) por outro (à distância), mas possibilita a co-existência de ambas as formas, com o sentimento de pertencimento sendo comum às duas (PALACIOS, 2001, p.15).

O “pertencimento” mencionado por Marcos Palacios dá-se no sentido de ligação – sentimento esse que Alex Primo (1997, p.17) também ressalta ao mencionar que “pode existir um espírito compartilhado entre os membros da comunidade e um sentimento de pertencer ao grupo”. Os participantes têm consciência de sua responsabilidade sobre a manutenção das relações na comunidade, sentindo-se parte do todo. As interações entre os membros da comunidade é que constituem e mantém o grupo, não o território – como ressalta Raquel Recuero (2009, p.151) –, possibilitando-nos eleger o pertencimento e as interações como aspectos inerentes aos grupos que se denominam “comunidades”. A apropriação social não é prejudicada pela virtualidade dos lugares, de forma que mesmo sem a vinculação do território haja “sentimentos de posse e pertença” (FRAGOSO; REBS; BARTH, 2010, p.05).

Maffesoli (2006) propõe um conceito de comunidade mais fluido, ligado à ideia de

“tribo”, de forma que o sentimento de pertença estaria relacionado a um “desejo inconsciente de estar-junto-com o outro, de existir pelo sob o olhar do outro”, a uma vida em sociedade marcada por sentimentos de pertença sucessivos: “nós somos membros, nós fazemos parte, nos agregamos, participamos, ou, para dizer trivialmente, ‘nós somos nisso’” (MAFFESOLI, 2006). A identidade e o pertencimento também são elementos importantes na definição comunitária desse teórico.

Weber caracteriza a comunidade como uma relação social que surge a partir de um

“sentimento de comunidade”, quando “a atitude na ação social se inspira no sentimento subjetivo (afetivo ou tradicional) dos partícipes da constituição de um todo” (1973, p.140).

Essa ação social está ligada à reciprocidade e o sentimento de fazer parte de um todo, que por

sua vez é constituído por semelhanças linguísticas – de maneira semelhante a Tönnies – e encontra nas alteridades a reafirmação de elementos comuns entre os sujeitos da comunidade:

[...] somente o surgimento de contrastes conscientes em relação a terceiros pode criar, para os participantes em um mesmo idioma, uma situação homogênea, um sentimento de comunidade e formas da socialização – sociedade – dos quais a comunidade lingüística é o fundamento consciente de sua existência [...] a existência do outro para reafirmarmos nossa ligação com a comunidade que nos abriga (WEBER, 1973, p.141-142).

Se a linguagem não for compartilhada, a comunicação é comprometida. E, de fato, a barreira linguística é um obstáculo para a consolidação de interações e de vínculos, como percebemos na pesquisa de campo em CS POA. Para Park e Burges (1973) o sujeito só pode ser parte de uma comunidade se participar da vida comunitária, compartilhando o espaço comum e interagindo sob a mediação de dispositivos simbólicos, como a linguagem.

O pertencimento dos sujeitos em relação à comunidade é um fator que interfere na participação dos membros e, para Bauman (2003, p.78), “estabelecer e solidificar laços humanos toma tempo”. Podemos associar esse sentimento de pertencimento também à segurança (ou proteção) proporcionada pela comunidade aos sujeitos, à necessidade de sentir-se parte de um todo, de não sentir-ser um ponto perdido no cenário globalizado: “Hoje em dia, a comunidade é procurada como abrigo contra as sucessivas correntezas de turbulência global [...] Sentimos falta da comunidade porque sentimos falta de segurança, qualidade fundamental para uma vida feliz” (BAUMAN, 2003, p.128-129). Nesse sentido, Castells (2000, p.79) afirma que há uma tendência de formação comunitária dos sujeitos e que o sentimento de pertencimento desses indivíduos pode levar ao compartilhamento de uma identidade cultural.

Peruzzo (2008, p.06) pontua que “comunidade pressupõe participação ativa dos seus membros, caráter cooperativo, sentimento de pertencimento, compromisso, interação, compartilhamento de objetivos e outros elos em comum”. Entendemos que a participação ativa à qual Peruzzo se refere é vinculada à dedicação, à expressão dos sujeitos perante o grupo, à manutenção da comunidade como referente simbólico pertencente aos sujeitos que dela fazem parte. A dedicação à comunidade não significa a necessidade de interagir presencialmente, ou de compartilhar o mesmo território geográfico: “a noção de territorialidade, enquanto uma das características centrais de comunidade, passa a não ter mais um valor universal” (PERUZZO, 2002, p.02).

Em seu pensamento crítico acerca da comunidade, Bauman realça a importância da comunidade para o ganho de controle sobre as condições através das quais os sujeitos

enfrentam os desafios da vida, e acredita que ainda não há uma comunidade no “mundo dos indivíduos” (2003, p.134). Considerando CS POA enquanto comunidade, percebemos que a rede social CS e a comunidade oferecem subsídios aos seus membros no sentido de ter maior segurança e controle sobre a “realidade desconhecida” que os aguarda durante uma viagem a um local novo.

As características de comunidade encontradas nos clássicos configuram um tipo de comunidade tão perfeita, que torna-se difícil de ser encontrada na sociedade contemporânea, salvo em situações e lugares muito específicos.

Por outro lado, há que se levar em conta que as descobertas dos clássicos preservam grande validade até os dias atuais. Assim sendo, não há porque simplesmente desprezar seus conceitos sob uma justificativa apressada de estarem superados. Há nuances nos conceitos de comunidade que merecem ser recuperados e/ou atualizados (PERUZZO, 2002, p.04).

Portanto, seguindo Peruzzo (2002), há muitos aspectos propostos por teóricos clássicos acerca do conceito de comunidade que ainda são bastante atuais para pensarmos as comunidades contemporâneas, dentro e fora da internet. Mas compreender as especificidades dessas comunidades também exige um esforço em entender as mudanças e adaptações por quais elas passaram e ainda passam, atualizando o conceito.

Assim, levando em conta a questão da recuperação e atualização dos conceitos de comunidade, frisamos que não somos aqui partidários da ideia de que CS POA é uma comunidade ideal, nem mesmo que ela materializa todos os parâmetros propostos por Bauman, Tönnies e outros teóricos. Mas talvez não seja impondo padrões e configurações rígidas às comunidades que poderemos entender suas configurações contemporâneas, como CS POA, que é uma das muitas comunidades que existem na contemporaneidade, pairando entre as características de comunidade presencial e comunidade virtual.

Entendemos que é importante resgatar características das comunidades em seu conceito clássico para pensar o que está se modificando e quais aspectos ainda são essenciais nessas associações de sujeitos. Os laços de pertença e os objetivos comuns do coletivo ainda são imprescindíveis na constituição de uma comunidade. No caso de CS POA, esses elementos ajudam a unir sujeitos heterogêneos e a formar uma identidade do grupo – que tem como referente simbólico a cidade de Porto Alegre no Couchsurfing. Apesar de não ser necessário estar no mesmo território geográfico para interagir com outros sujeitos de CS POA, o fator territorial ainda vincula os indivíduos pertencentes à comunidade.

Como CS POA é uma comunidade que também se constitui no ambiente digital, é importante trazer uma discussão sobre comunidades virtuais, articulada aos conceitos clássicos de comunidade.