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ENTEROCOLITE NECROSANTE: FATORES ASSOCIADOS

No documento ARQUIVO COMPLETO (páginas 66-68)

ENTEROCOLITIS, NECROTIZING: FACTORS ASSOCIATED

BRUNO CÉSAR FERNANDES, Acadêmico do curso de graduação Enfermagem da Faculdade INGÁ. MARIA DO ROSÁRIO MARTINS, Mestre em Enfermagem Docente do curso de graduação em Enfermagem da Faculdade INGÁ.

RESUMO

A Enterocolite Necrosante é uma doença comum em recém – nascidos prematuros, de incidência considerável com altos índices de morbimortalidade, caracterizada por sinais gastrointestinais e sistêmicos, de intensidade variada e progressiva, adquirida principalmente por recém-nascidos prematuros com peso < 1500g. Caracteriza-se por sinais gastrointestinais de instalação insidiosa, que pode ter evolução rápida e catastrófica, chegando a ser fatal independente da terapêutica utilizada. O objetivo deste trabalho é verificar os principais fatores associados à Enterocolite Necrozante em recém-nascidos, bem como destacar a necessidade do conhecimento pelo enfermeiro, a cerca desta patologia. O estudo conclui que mesmo com os atuais avanços da neonatologia, a incidência de morte em recém natos por Enterocolite

Necrosante ainda é alta, e que o conhecimento do padrão multiforme e multifatorial dessa

doença permite a adoção de condutas mais adequadas para minimizar seu aparecimento, sendo que a prevenção com leite materno é um dos meios de minimizar a incidência de Enterocolite necrotizante em recém nascidos.

PALAVRAS CHAVE: Neonatologia; Recém-Nascido; Enterocolite.

ABSTRACT

Necrotizing enterocolitis is a common disease in infants - born premature, with considerable incidence of high rates of mortality, characterized by gastrointestinal and systemic signs of varying intensity and progressive, acquired mainly by premature infants weighing <1500g. It is characterized by insidious onset of gastrointestinal signs, which can have catastrophic and rapid evolution, becoming fatal regardless of therapy used. The objective is to ascertain the main factors associated with necrotizing enterocolitis in recently re-born as well as highlighting the need for knowledge by the nurse, about this disease. The study concludes that even with current advances in neonatology, the incidence of death in newborns by Necrotizing enterocolitis is still high, and that knowledge of the standard manifold and multifactor disease that allows the adoption of more appropriate to minimize their appearance, being that the prevention of breast milk is a means of minimizing the incidence of necrotizing enterocolitis in newborns.

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INTRODUÇÃO

A Enterocolite Necrosante (ECN) é uma doença comum em recém–nascidos prematuros, com incidência considerável, e altos índices de morbimortalidade. Sua etiologia ainda não se encontra bem definida. É uma condição mais comum nos prematuros, apesar de também acometer crianças nascidas a termo.

Tamez & Silva (2006) citam que a ECN é atualmente uma das principais causas de morte, morbidade e mortalidade nos pacientes na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e acomete principalmente os neonatos prematuros devido à imaturidade do sistema intestinal, e em casos graves, pode cursar com importante envolvimento sistêmico.

Conforme Myaki (2007), a ECN se caracteriza por sinais gastrointestinais (GI) de instalação insidiosa, e que em recém-nascidos de baixo peso uma vez não tratados, podem ter uma evolução rápida, chegando a ser letal apesar do uso de qualquer tratamento clínico ou cirúrgico. O início, volume e progressão da dieta são temas discutidos. Embora controverso, parece estar associado com maior incidência de ECN.

Portanto o presente trabalho tem como objetivo verificar os principais fatores associados à Enterocolite Necrozante em recen-nascidos, bem como destacar a necessidade do conhecimento

pelo enfermeiro acerca desta patologia. Trata-se de pesquisa da bibliográfia, realizada através

de levantamento de referencial bibliográfico no período de setembro de 2009 a julho de 2010, em livros, revistas e periódicos circulantes referentes ao assunto proposto, sendo os mesmos de circulação nacional e internacional publicados em inglês, português. Utilizou-se também, a internet como ferramenta de busca e consulta, das às seguintes bases: Scielo, Medline, Lilacs e Bireme.

Após o levantamento bibliográfico, houve a reunião do material por meio de fichamento, que constitui a primeira aproximação do assunto.

Posteriormente ao fichamento, os artigos selecionados foram submetidos a releituras, com o propósito de realizar uma análise interpretativa, direcionada aos objetivos estabelecidos previamente. Foram observados os fatores associados à enterocolite necrosante, a incidência, população atingida, bem como as estratégias de conduta e tratamento, baseadas em consensos estabelecidos.

Enterocolite Necrotizante

A Enterocolite Necrosante (ECN) é uma patologia multifatorial determinada essencialmente por isquemia intestinal, com lesão da mucosa, edema, ulceração e entrada de ar ou bactérias pela parede da víscera, (MIAKI, 2007).

Conforme Vieira (2003) é uma síndrome cujas características são, distensão abdominal e vômitos biliosos. Sua maior incidência é em pacientes que sobreviveram às várias intercorrências do período neonatal, como episódios de hipóxia e quadros infecciosos, e que já se encontravam num período de realimentação.

A etiologia exata da ECN ainda não foi completamente esclarecida, Bell (1985) em consonância com Costello (2001), cita que esta parece ser multifatorial, ocasionada por Isquemia e/ou lesões por reperfusão, assim como agentes infecciosos (o que explicaria os ataques epidêmicos da doença), apesar de ainda não ter sido encontrado o possível agente causal.

Porem independente dos fatores causais, o resultado final é a inflamação expressiva dos tecidos intestinais, ocasionando a liberação de diversos mediadores inflamatórios, que levam a variáveis graus de lesão intestinal. As alterações ao exame físico podem ser inicialmente gastrointestinais, sistêmicas, indolentes, fulminantes ou qualquer combinação dessas apresentações (VIEIRA, 2003).

As alterações gastrintestinais podem incluir um ou mais sinais, dentre estes, aumento da circunferência abdominal, distensão abdominal, diminuição dos ruídos hidroaéreos, alterações

68 nas fezes, hematoquezia, massa abdominal palpável, eritema na parede abdominal. Os sinais sistêmicos podem incluir um ou mais alterações hemodinâmicas, insuficiência respiratória, diminuição da perfusão periférica e colapso circulatório (NEVES, 2009).

Como medida de prevenção, alguns autores têm sugerido um efeito protetor do leite materno contra a enterocolite, através da veiculação de imunoglobulinas (THILO et al., 1989; MARGOTTO, 2004).

O Tratamento clínico da Enterocolite Necrosante fundamenta-se basicamente em esvaziamento gástrico contínuo, cobertura antibiótica de amplo espectro, manutenção adequada da perfusão (expansão intravascular com plasma ou sangue total e/ou uso de drogas vasoativas), correção dos distúrbios hidroeletrolíticos e ácido- básico e tratamento da coagulação intravascular disseminada, quando instalada (THOMPSON & BIZARRO, 2008). De acordo com Alfaleh et al., (2009) a indicação cirúrgica ocorre em 40-50% dos casos, devido deterioração clínica, choque endotóxico/sepse persistente (apesar do tratamento), pneumoperitônio, paracentese com líquido pardacento ou bacterioscopia (GRAM) positiva, alça fixa em estudo radiológico seriado, sinais clínicos de peritonite avançada/gangrena, hiperemia da parede abdominal, massas palpáveis, hemorragia digestiva severa, gás em sistema porta, severa trombocitopenia.

Incidência

Para Schettini & Miyoshi (2010) a ocorrência de ECN varia consideravelmente entre as várias unidades neonatais e numa mesma instituição, de ano para ano. Os estudos mostram-se controversos quanto à incidência da ECN, porém em todos eles, a prematuridade é relatada freqüentemente como o maior fator de risco.

Segundo SEGRE (1995), a incidência de ECN em algumas maternidades do nosso meio, varia de 0,12 a 0,7% dos nascidos vivos. Em relação às unidades de terapia intensiva neonatais, está incidência pode variar de 1 a 3% das admissões e acomete cerca de 11% dos RN com peso menor que 1500g, sendo que o grupo de maior risco está entre os RN com idade gestacional (IG) menor de 28 semanas e peso inferior a 1000g (MARTINS et al., 2007).

Conforme Kafetz et al., .(2003) estima-se que a doença acometa cerca de 5% e 15% dos prematuros e 7% dos recém-nascidos a termo, internados em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal. Para Oliveira (2005), a apnéia é um dos fatores que contribui para sua ocorrência.

Cloherty et al., (2005) afirmam que a ECN ocorre em 2% a 5% de todas as internações na UTIN e 5% a 10% dos bebês de muito baixo peso ao nascer.

A doença é freqüentemente observada entre convalescentes, cuja idade gestacional varia de 30 a 32 semanas e a mortalidade global é de 9% a 25% ,independentemente de intervenção clínica ou cirúrgica, podendo atingir até 45% em RN que pesam menos de 1500g e mais que 45% para aqueles com peso menor de 750g (POLIN et al., 1996; CLOHERTY et al., 2005).

No documento ARQUIVO COMPLETO (páginas 66-68)