• Nenhum resultado encontrado

ENTRADA EM VIGOR DE UMA NOVA CONSTITUIÇÃO

No documento AUDITOR FISCAL DO TRABALHO (páginas 56-64)

EXERCÍCIOS

IV. ENTRADA EM VIGOR DE UMA NOVA CONSTITUIÇÃO

Meus futuros Auditores-Fiscais do Trabalho, quando uma nova Constituição entra em vigor, ocorre um verdadeiro caos! É toda uma nova ordem jurídica sendo instalada ao mesmo tempo!

Quando isso ocorre, temos um novo ordenamento jurídico. Mas imagine só se o Congresso Nacional tivesse que refazer todas as leis sobre todos os temas tudo de novo! Isso seria inviável.

Dessa forma, quando uma nova CF entra em vigor, é feito um procedimento parecido com o grande dilúvio, onde Deus “aproveitou” a parte que era boa, e “descartou” a parte que não o era. Da mesma forma, as leis que são materialmente compatíveis com a nova CF são aproveitadas, enquanto as leis que são materialmente incompatíveis são descartadas.

Para sabermos então quais leis serão aproveitadas e quais serão descartadas, devemos estudar o controle de compatibilidade. Veja o esquema abaixo:

 Controle de - Controle de Constitucionalidade - Norma vs CF vigente à época de sua elaboração compatibilidade - Controle de Legalidade – Norma infralegal vs Lei

- Juízo de Recepção – Compatibilidade material com a nova CF (Norma elaborada sob a CF ANTIGA vs NOVA CF)

O controle de compatibilidade é dividido em três tipos. O primeiro deles é o

controle de constitucionalidade. Ele ocorre quando comparamos a CF com

uma norma elaborada sob a vigência da dessa mesma CF. EX: quando comparamos a lei 8.666/93 com a CF 88 ou a lei 6.858/80 com a CF 67/69. O controle de legalidade ocorre quando comparamos uma norma infralegal com uma lei. Ex: quando comparamos a lei 8.666/93 com uma Instrução Normativa que a regulamenta.

Já o Juízo de Recepção ocorre quando comparamos a nova CF com uma norma editada sob a vigência de constituições anteriores. O juízo de recepção é realizado para sabermos se a norma, editada sob a vigência da CF anterior, foi recepcionada ou revogada pela nova Carta Magna.

 Norma Infraconstitucional VS CF ATUAL – Incostitucionalidade /Constitucionalidade  Norma Infraconstitucional VS CF POSTERIOR – Revogação / Recepção

No juízo de recepção, olha-se apenas se o conteúdo da norma é compatível com a nova constituição, independentemente de sua forma.

Quanto ao juízo de recepção, cabem ainda algumas observações:

i. Só se pode recepcionar as normas infraconstitucionais. A CF anterior é totalmente revogada (salvo por disposição expressa da nova Constituição).

ii. As normas infraconstitucionais anteriores à nova CF que forem

materialmente compatíveis com a nova Carta Magna são

recepcionadas.

iii. As normas infraconstitucionais anteriores à nova CF que forem

materialmente incompatíveis são Revogadas.

iv. Lei editada em desacordo com a CF vigente à época de sua

elaboração, mas materialmente compatível com a nova CF: Uma

lei inconstitucional, ou seja, que não foi editada de acordo com a Constituição vigente à época de sua elaboração, jamais deveria ter entrado no ordenamento jurídico e, em regra, não pode produzir efeitos. Dessa forma, ela será inválida, ainda que seja compatível com a nova CF.

v. No juízo de recepção, não interessa o aspecto formal. Só o material (conteúdo).

i. Ex: pode existir um Decreto-Lei ainda válido.

O Decreto-Lei é uma espécie normativa que não existe mais. No entanto, quando a CF88 entrou em vigor, os Decretos-Leis que estavam vigentes e que eram materialmente compatíveis com a CF88 foram recepcionados com o status de Lei Ordinária/Lei Complementar/Decreto Legislativo e assim por diante (a depender de qual é a espécie normativa que a CF88 prevê que regule a matéria).

ii. Ex: Lei Ordinária pode ser recepcionada como Lei Complementar e vice-versa. Caso uma matéria fosse regulada por Lei Ordinária na Constituição anterior e a CF88 estabeleça que essa mesma matéria

deve ser regulada por Lei Complementar, e caso também essa Lei Ordinária seja materialmente compatível com a CF88, ela será recepcionada como Lei Complementar.

Atente-se para o fato de que ela continuará sendo chamada de Lei Ordinária, mas terá status de Lei Complementar. Como exemplo disso, temos o Código Eleitoral (lei nº 4.737/1965), uma Lei Ordinária que foi recepcionada pela CF88 como Lei Complementar. iii. Pode-se recepcionar dois artigos da mesma lei com status

diferentes.

iv. Pode haver mudança de ente federado: Ex: se a Constituição antiga dizia que era competência da União e a nova CF diz que é dos estados, a lei federal é recepcionada como lei estadual.

OBSERVAÇÕES:

 Inconstitucionalidade Superveniente: ocorre quando a lei nasce constitucional e, ao longo do tempo, se torna inconstitucional. Este fenômeno NÃO EXISTE NO BRASIL: uma lei não fica inconstitucional ao longo do tempo, ou ela já nasce inconstitucional ou ela é revogada por uma eventual alteração na CF (ou nova CF).

 Constitucionalidade Superveniente: ocorre quando a lei nasce inconstitucional e, ao longo do tempo, vira constitucional. Exemplo: a lei nasce inconstitucional e, ao longo do tempo, a norma da CF com a qual a lei era incompatível é revogada.

Esse fenômeno também NÃO EXISTE NO BRASIL. Uma lei não fica

constitucional ao longo do tempo: ou ela nasce constitucional ou ela nasce inconstitucional.

 Desconstitucionalização: As normas da Constituição anterior que forem compatíveis com a nova CF são admitidas com status infraconstitucional. Já falamos que isso não pode ocorrer no Brasil. A Constituição anterior é totalmente revogada, salvo disposição expressa da nova CF.

 Repristinação: ocorre quando uma lei revogada volta a valer devido à revogação da lei que a revogou. Deu um nó? Hahahaha. A prática é muito mais simples do que o conceito. Observe o raciocínio:

Revoga

Revoga Revoga

a) Imagine uma “lei A” em vigor.

b) Agora imagine que seja promulgada uma “lei B” que revogue a “lei A”.

c) Por fim, é promulgada uma “lei C” que revoga a “lei B”. Em regra, a “lei A”, que estava revogada, continua revogada e agora só vigora a “lei C”.

Repristinação: ocorre quando é promulgada uma “lei C” que

revoga a “lei B” e a “lei A”, que estava revogada pela “lei B”, volta a valer. Agora ficam vigentes as leis “A” e “C”.

Bem mais fácil com o desenho, não acha? Saiba que não existe repristinação tácita no Brasil. Ou seja, a regra, é que somente a “lei C” fique vigente. No entanto, excepcionalmente, se a “lei C” trouxer expressamente em seu texto, poderá haver a

repristinação da “lei A”. Assim, no Brasil, só existe a

repristinação expressa. Lei A  Lei A  Lei B  Lei A  Lei B  Lei C  Lei A  Lei B  Lei C  Única norma vigente  Lei A volta a valer  (repristinação) 

EXERCÍCIOS

75. (CESPE - 2015 - TRE-GO - Técnico Judiciário - Área Administrativa) Devido ao status que tem uma Constituição dentro de um ordenamento jurídico, a entrada em vigor de um novo texto constitucional torna inaplicável a legislação infraconstitucional anterior.

Quando uma nova Constituição entra em vigor, para não perdermos todas as normas editadas anteriormente e ficarmos num caos jurídico, realizamos o juízo de recepção, que ocorre da seguinte forma:

- As normas infraconstitucionais anteriores à nova CF que forem

materialmente compatíveis com a nova Carta Magna são

recepcionadas.

- As normas infraconstitucionais anteriores à nova CF que forem

materialmente incompatíveis são Revogadas. Gabarito: Errado.

76. (CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Consultor Legislativo) Considere que lei editada sob a égide de determinada Constituição apresentasse inconstitucionalidade formal, apesar de nunca ter sido declarada inconstitucional. Nessa situação, com o advento de nova ordem constitucional, a referida lei não poderá ser recepcionada pela nova constituição, ainda que lhe seja materialmente compatível, dado o vício insanável de inconstitucionalidade.

A questão trata da constitucionalidade superveniente, que ocorre quando a lei nasce inconstitucional e, ao longo do tempo, vira constitucional. Exemplo: a lei nasce inconstitucional e, ao longo do tempo, a norma da CF com a qual a lei era incompatível é revogada.

Esse fenômeno NÃO EXISTE NO BRASIL. Uma lei não fica constitucional ao longo do tempo: ou ela nasce constitucional ou ela nasce inconstitucional.

Gabarito: Certo.

77. (CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Consultor Legislativo) Com o advento de uma nova ordem constitucional, é possível que dispositivos da constituição anterior permaneçam em vigor com o status de leis

infraconstitucionais, desde que haja norma constitucional expressa nesse sentido.

A questão trata da desconstitucionalização, segundo a qual, as normas da Constituição anterior que forem compatíveis com a nova CF são admitidas com status infraconstitucional. Lembre-se de que isso não pode ocorrer no Brasil, pois a Constituição anterior é totalmente revogada, salvo disposição expressa da nova CF, essa última informação torna o item correto.

Gabarito: Certo.

78. (CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Consultor Legislativo) Suponha que uma lei infraconstitucional tenha sido revogada pelo advento de uma nova ordem constitucional, por ser com ela incompatível. Nessa situação, com a entrada em vigor de uma terceira ordem constitucional, ainda que seja compatível com ela, a referida lei infraconstitucional não poderá ser restaurada, salvo se houver disposição constitucional expressa nesse sentido.

Suponha que uma lei “A” seja revogada por uma lei “B”. Assim, caso a lei “B” seja revogada por uma lei “C”, fazendo com que a lei “A” volte a valer, ocorre o que é chamado de REPRISTINAÇÃO TÁCITA. Vale lembrar que não existe essa modalidade de repristinação no nosso país. Nesse caso, o que ocorre é apenas a vigência da lei “C”.

Por outro lado, se constar no texto da lei “C”, de forma excepcional, a possibilidade de ocorrer a repristinação da lei “A”, ocorrerá o que no Brasil se chama de REPRISTINAÇÃO EXPRESSA (essa sim pode existir). Gabarito: Certo.

79. (CESPE - 2014 - TCE-PB - Procurador) Caso uma lei anterior à CF seja com ela incompatível, poderá ser recepcionada pela nova ordem, desde que, na época em que ela foi editada, fosse compatível com a Constituição então vigente.

De acordo com o juízo de recepção, se a lei é materialmente incompatível com a nova Constituição ela será revogada. Dessa forma, ela não seria recepcionada pela nova ordem.

Gabarito: Errado.

80. (CESPE - 2014 - PM-CE - Oficial da Polícia Militar) Se houver incompatibilidade de caráter formal entre uma lei preexistente e uma nova norma constitucional,

tal lei não poderá ser recepcionada, mesmo que seja materialmente compatível com o novo diploma constitucional.

Negativo! No juízo de recepção, olha-se apenas se o conteúdo da lei é compatível com a nova Constituição. Assim, não são observados requisitos formais.

Gabarito: Errado.

81. (CESPE - 2011 - AL-ES – Procurador) De acordo com a doutrina, determinada lei que perdeu a vigência em face da instauração de nova ordem constitucional terá sua eficácia automaticamente restaurada pelo advento de outra constituição, desde que com ela compatível, por se tratar de hipótese em que se admite a repristinação.

A repristinação somente pode ocorrer no Brasil de maneira expressa. Ela jamais pode ocorrer tacitamente. Assim, nesse caso, para que a lei revogada volte a valer, deve haver determinação expressa.

Gabarito: Errado.

82. (CESPE/Procurador-TCE-ES/2009) No fenômeno da recepção, são analisadas as compatibilidades formais e materiais da lei em face da nova constituição.

No juízo de recepção, são analisados somente os aspectos materiais da norma a ser recepcionada, ou seja, analisa-se somente se o conteúdo da norma é compatível com a nova CF, independente da forma.

Gabarito: Errado.

83. (CESPE/TRT-17ª/2009) Segundo o princípio da unidade da constituição, cada país só pode ter uma constituição em vigor, de modo que a aprovação de nova constituição implica a automática revogação da anterior.

Realmente, quando da promulgação de uma nova constituição, a Carta anterior é totalmente revogada, não havendo possibilidade de ser recebida, nem com status constitucional e nem com status infraconstitucional, salvo expressa disposição da nova CF.

No entanto, isso não tem nenhuma relação com o princípio da unidade da constituição, que diz que a CF é una, não havendo contradições em seu texto.

Gabarito: Errado.

84. (CESPE - 2008 - TJ-DF - Analista Judiciário - Área Judiciária) A vigência e a eficácia de uma nova constituição implicam a supressão da existência, a perda de validade e a cessação de eficácia da anterior constituição por ela revogada, salvo das normas constantes do texto anterior que permaneçam materialmente harmônicas com a ordem constitucional superveniente. Nessa hipótese, ocorre o fenômeno da recepção.

Quando da promulgação de uma nova Constituição, em regra, a CF anterior é totalmente revogada, ainda que seja materialmente compatível com a nova CF. A única exceção é quando a nova CF estabelece expressamente o contrário.

Meus caros Auditores-Fiscais do Trabalho, chegamos ao final de nossa aula de hoje. Continuem firmes e estudem de maneira simples, procurando entender o

espírito das normas e não apenas decorando informações. Lembre-se que A SIMPLICIDADE É O GRAU MÁXIMO DA SOFISTICAÇÃO (Leonardo da Vinci).

Espero que todos vocês tenham muito SUCESSO nessa jornada, que é

bastante trabalhosa, mas extremamente gratificante! Abraços a todos e até a próxima aula.

No documento AUDITOR FISCAL DO TRABALHO (páginas 56-64)

Documentos relacionados