• Nenhum resultado encontrado

Entre o ideal e o possível: a proposta de implantação do IVA

2 IMPOSTO ÚNICO E OUTRAS IDEIAS SIMILARES DE SIMPLIFICAÇÃO

2.2 Entre o ideal e o possível: a proposta de implantação do IVA

A proposta da instituição do imposto sobre o valor agregado – IVA – nos traz inovações favoráveis, pois nos dias atuais, temos uma carga tributária exorbitante, a qual constitui um verdadeiro óbice ao desenvolvimento de nosso país, estagnando a nossa economia com uma sistemática de controle fiscal totalmente irracional, enquanto que, se caso for adotado um sistema tributário simples, onde haja um controle racional, poderemos então, chamá-lo de um tributo totalmente inteligente.

A ideia de se instituir o IVA, já é antiga no Brasil, pois sempre foi objeto de discussão nos meios acadêmicos, e também especialmente no âmbito da Receita Federal. O IVA é um imposto que incidiria somente no valor agregado pelo agente econômico, sendo este comerciante, transportador ou industrial; a base original decorrente da produção não constituiria fato gerador de obrigação tributária.

É importante salientar neste momento, o que destaca Lucas Reis (2009, p. 02-03):

Dentre os objetivos da Reforma Tributária ora em discussão no Governo Federal, vislumbra-se com a idéia de implantação do IVA: a) instituir um sistema de tributos indiretos, neutro e simples; b) racionalizar o sistema tributário e elevar a eficiência econômica; c) desonerar os investimentos produtivos; e) eliminar as distorções do comércio exterior que prejudicam a produção nacional, desonerando as exportações e conferindo tratamento isonômico às importações; f) simplificar e desburocratizar, reduzindo os custos de cumprimento das obrigações tributárias; g) eliminar as distorções que prejudicam os investimentos; h) ampliar a base de contribuintes, reduzindo a informalidade; i) substituição dos tributos sobre bens e serviços (ICMS, IPI, PIS, COFINS, CIDE-Combustíveis) por dois impostos, sobre o valor adicionado: um estadual (IVA-E) e um federal (IVA-F).

Haja vista, que o sistema brasileiro já conta, de certa forma, com impostos sobre valor agregado, quais sejam o IPI e o ICMS não-cumulativos. Pela sistemática destes tributos, compensa-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores. Melhor explicando, calcula-se o imposto na saída e dele são deduzidos os impostos da entrada. A ideia é que o imposto incida efetivamente sobre o valor agregado pelo agente econômico.

A implantação do IVA significaria a desoneração e o incentivo aos investimentos na produção, podendo, ainda, ter uma regulamentação única para

todo o país, sendo que a principal ideia de qualquer reforma a ser adotada com a implantação do referido imposto, é a de se obter um sistema de tributos indiretos, simples, os quais propiciem eficiência econômica, e que ainda eliminem as distorções do comércio exterior, que prejudicam a produção nacional.

Substituir diversos tributos por apenas um, seria uma medida eficiente, sem contar que a sonegação seria reduzida, simplesmente pelo incentivo que o contribuinte terá de pagar seus tributos, sendo eles justos e também racionais.

A reforma tributária, no caso brasileiro, precisa ser lenta e monitorada, pois haverá vários impactos em diversos setores econômicos relevantes. Sendo que o primeiro deles será o impacto sobre a inflação, pois teremos efeitos diversificados na formação de preços das cadeias produtivas. O grande problema a ser enfrentado com isso, é que os prejudicados irão repassar integralmente para os preços de seus produtos os custos decorrentes desse terrível impacto, no entanto, provavelmente, os beneficiados irão aumentar os seus lucros, não rebaixando os preços na medida requerida.

Portanto, o efeito conjunto, seria uma extrema elevação de preços. Já o segundo impacto incidirá sobre a regressividade do sistema ou da justiça fiscal. Com isso teremos que tomar cuidado, com falsos mitos, pois abandonar a cumulatividade em prol do valor agregado não é a mesma coisa que definir a garantia de melhoria da justiça fiscal do sistema tributário atual.

Ainda outro aspecto relevante é o investimento e treinamento de pessoal para a administração do sistema, pois como sabemos, a tributação cumulativa é, sem dúvidas, a mais simples que a incidente sobre o valor agregado.

Contudo, essa migração irá requerer muita cautela e também monitoramento administrativo permanente, de modo que o sistema consiga manter níveis de arrecadação compatíveis com o que se espera.

Se faz mister destacar, no que tange a tributação de renda, que a cumulatividade tem sido escolhida por aproximadamente 90% dos contribuintes, aqueles optantes do Simples e do regime do Lucro Presumido, simplesmente por se tratar de apuração simplificada de impostos e contribuições. É preciso, portanto ter nítido, que a migração para o regime do valor agregado tornará a apuração dos impostos e das contribuições, definitivamente, mais complexa.

Neste prisma, o valor agregado deveria atingir inicialmente os contribuintes do Lucro Real, e assim continuando a ser oferecido aos pequenos e médios contribuintes uma tributação simples com baixo custo administrativo.

Com tantas evidências de tributos sobre a movimentação financeira, ainda há quem acredite que a sua cumulatividade o impossibilita de ser considerado uma opção para compor uma reforma tributária, e que, portanto, defende o imposto sobre o valor agregado (IVA) acreditando em sua neutralidade, equidade e eficiência. No entanto, vale mencionar, que a neutralidade não se faz presente em nenhuma espécie de imposto, pois todos modificam os preços – relativos, e a alegação de que o IVA provoca uma modificação menor nesses preços, é realmente verdadeira, mas apenas sob rigorosas condições, estando destacada entre elas, a hipótese de sonegação zero, ou seja, a aplicação do IVA, irá trazer vantagens frente a um tributo cumulativo se os contribuintes recolherem todos os tributos devidos, com absoluta isonomia operacional. No entanto, estas hipóteses não são observadas na prática.

Marcos Cintra (2012, p. 1), relata:

O IVA não funciona em países federativos como o Brasil. Poucas nações organizadas sob essa forma adotam esse tipo de imposto. Aplicar esse tributo em uma estrutura federativa gera custos administrativos elevados e muita complexidade, situação que dá margem a fraudes. A Europa, depois da unificação, passou a conviver com casos frequentes de irregularidades nesse imposto, cujos valores foram estimados em 60 bilhões de euros. O IVA não serve para o Brasil. Para o País contar com um sistema simples, de baixo custo, imune à evasão e universal a alternativa seria eliminar os impostos declaratórios e unificá-los sobre uma base ampla como as movimentações financeiras. Mesmo cumulativa, é uma forma superior ao IVA.

Sabemos que nenhum imposto é neutro, não importa se ele é cumulativo ou sobre o valor agregado, pois todos possuem vantagens e desvantagens. Em se tratando do IVA, há alegações de que ele nos traga vantagens, pois se afirma que introduz menos alterações nos preços-relativos dos insumos. Entretanto, isso vem baseado na existência de mercados competitivos perfeitos. Sabe-se, contudo, que na prática, os mercados não satisfazem os quesitos necessários para serem considerados perfeitos. Portanto, sob este aspecto torna-se impossível fixar um ordenamento confiável de situações alternativas do mercado sem uma análise pontual e específica de cada cenário. No entanto, a economia demonstra que a sociedade poderá não optar por uma situação eficiente se, comparada a outra situação, mesmo que ineficiente, puder atingir um ponto superior em sua função de bem-estar social.

No entanto, os impostos cumulativos também causam modificações nos preços-relativos dos insumos, mesmo que seus efeitos sejam menores, por possuírem alíquotas mais baixas, relativamente aos IVAs. Em se tratando de exportações, os tributos cumulativos exigem métodos muito mais complexos de desoneração da produção, ainda que este seja um problema técnico e contornável.

O importante no caso em tela é que, na comparação entre vantagens e desvantagens, os impostos cumulativos demonstram um saldo positivo. Não discriminam contra os salários, possuem alíquotas muito mais baixas que os IVAs, e, com isso, desestimulam a sonegação e a corrupção. O que determina a carga de impostos de um tributo cumulativo é a relação entre insumos e valor agregado em cada estágio no processo de sua produção.

A ideia do IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) é esta, ser um imposto que incida somente sobre o valor agregado pelo agente econômico, sendo este comerciante, industrial ou transportador, enquanto a base original decorrente da produção não constitui fato gerador da obrigação tributária. Isso significa desoneração e de certo modo também incentiva os investimentos na produção.

Além disso, o IVA ainda poderá ter uma regulamentação única para todo o país, sendo que a ideia fundamental de qualquer reforma tributária que venha a ser adotada a implantação do IVA, é a de se obter tributos indiretos, simples e neutros, com maior racionalização na tributação e na fiscalização, propiciando assim uma grande eficiência econômica.

2.3 Argumentos favoráveis e desfavoráveis na implantação de um imposto

Documentos relacionados