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- Entrevista A

No documento ACTORES E AUTORES (páginas 110-114)

Guião de entrevista

Anexo 10 - Entrevista A

Entrevista A

Presidente da Comissão executiva

44 anos. Bacharel em electrotecnia com CESE na área de Administração Escolar. 23 anos de serviço docente há 20 na escola.

O que é para ti a autonomia da escola

O que é para mim a autonomia da escola?, para mim a autonomia da escola... muita gente diz que a autonomia é um fim a atingir, para mim não é, para mim é um meio para que a escola possa orientar dentro da sua... comunidade, para mim isso é a autonomia.

Podermos ser parceiros da comunidade, poder partilhar e fazer parcerias com a comunidade, poder não depender evidentemente do poder central, o que é difícil, pronto.

Mas fundamentalmente para mim a autonomia da escola é um meio para a escola se poder, digamos, auto-gerír.

Em que aspectos

No aspectos, praticamente todos, nos aspectos administrativos, económico-financeiros e também pedagógicos.

Embora nos aspectos pedagógicos a escola nunca poderá ter, digamos, uma autonomia total, porque em termos curriculares as coisas são um pouco mais complicadas por que, penso e é a minha ideia, tem de haver um tronco... pelo menos uma parte do tronco comum dos currículos a nível nacional.

Mas para mim de facto a autonomia é nesses aspectos todos.

Mas essa autogestão nos diferentes aspectos como é que se concretizava.

Concretizavam-se com uma... com um orçamento próprio da escola que era dado de outra maneira, ou seja... eu penso que vá ser complicado em Portugal chegar àquela autonomia em que a própria escola contrata professores, nesse caso é muito complicado, mas caso contrário, retirando isso, a... é fundamental que as escolas tenham um orçamento próprio que possam gerir à sua maneira... está mais que provado...

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Tinha que ser sempre, como eles dizem aí, tinham que ser sempre um protocolo assinado entre as escolas e o próprio Ministério da Educação em... mas que comprometia as duas partes, como se prevê no 115 e eu concordo, com... as duas partes entendidas com responsabilidades, quer uma quer outra... a escola recebia um x de milhares de contos para se governarem e tinham de apresentar as suas contas desses x milhares de contos e o ministério da educação comprometia-se de facto a dar à escola esse dinheiro.

Agora como é que esse dinheiro era dado, isso podia ser em função de muita coisa, neste momento também não sei dizer, podia ser em função da própria escola, de projectos da escola... em função de uma série de factores...

Volto atrás, há pouco disseste que a autonomia da escola era um meio... para?

Pois a autonomia é um meio para a escola... se... como é que hei-de explicar Visa o quê

Visando sobretudo a integração da escola no seu meio, quer dizer, isso é o fundamental para mim, é que uma escola em Évora não seja exactamente igual a uma escola de Bragança, ou até poderá ser... para a escola se inserir na comunidade e não se sentir como se sente agora alguma desintegração da comunidade, para já era para a integração da escola na comunidade.

Essa integração passa por que atitudes ou por que acções?

Por vários aspectos, em primeiro lugar há um aspecto que para mim é fundamental e que tem sido um pouco descurado, que é a questão dos cursos, chamemos-lhes técnicos, tecnológicos ou profissionais, seja aquilo que for.

Nunca se fez, embora a gente saiba que qualquer indivíduo quando tira um curso tecnológico tira-o para um nível nacional e não local, ele é um currículo nacional, logo isso teria que ser revisto, não conheço nenhum estudo ao nível do distrito de quais são as necessidades da rede escolar, ou seja, se precisamos de técnicos administrativos, se precisamos.... se a simmens precisa não sei do quê, se a somefe precisa não sei do quê... não conheço nenhum deste tipo de estudo.

Depois acontece o seguinte, a nossa escola tem um alguns cursos por tradição, como já tinha, tem a tradição, será que fazem falta esses cursos da tradição... administração, secretariado, etc., não sei se fazem, a EPRAL, que é outra escola que tem cursos profissionais, na minha óptica tem os cursos que mais dinheiro lhe podem dar em termos de fundo social europeu ou do PRODEP, o que não faço comentários, o que quero dizer é que não há uma... um estudo sobre as necessidades do mercado de trabalho da região, em relação aos outros cursos de acesso ao superior... nunca pensei muito sobre isso.

Mas tem que haver uma relação

Tem que haver uma relação, essa relação... a relação entre a escola, o mercado de trabalho e vários outros parceiros.

E sempre fundamental aqui em Évora a autarquia, será sempre fundamental a universidade, o NERE [núcleo de empresários da região de Évora], coisas desse tipo, e aí é que a escola teria que estar atenta a isso tudo.

Aliás eu não sei se a escola devia estar atenta se seria... por imposição, entre aspas, desses parceiros que se deveriam criar os cursos técnicos.

Nessa lógica quais seriam as implicações da autonomia da escola para a escola.

Quer dizer... eu estou a dizer isto... estou a falar da autonomia assim tão... enfaticamente, mas repara, eu não acredito naquele processo de... do contrato, não acredito.

Não acredito por uma razão simples, porque nós dependemos sempre de qualquer coisa, agente pode... falar de muita coisa, pode ir a anos anteriores, e projectos anteriores, e eles quase nunca passaram do papel por uma razão simples, por que os serviços do ministério, os

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serviços centrais ou regionais, hão-de ficar sempre com um cordelinho para poder mexer nas escolas, não confiam nas escolas, felizmente como nós também não confiamos neles.

Mas a verdade é que isso acontece sempre e depois estragam-se as autonomias por isso, eu não acredito e tenho medo, na minha escola, uma escola deste tamanho, tenho medo de facto de assinar um contrato desses, por diversos tipos de razões.

Por que de facto o ministério... não estou a dizer com isto que o ministério se descarte, que a autonomia é para se descartar, não estou a dizer isso, não confio na ... que o ministério faça...

o ministério assine um protocolo sério e que o cumpre, por variadíssimas razões, nós... e a última é agora, nós contamos com um orçamento, houve a necessidade de não se colocar um orçamento rectificativo na Assembleia da República e cortaram-se 5% em termos de orçamento às escolas.

Se nós tínhamos já não sei quanto em termos de limpeza, era x milhares de contos, como não havia dinheiro ou fazem a limpeza pelo preço do ano passado ou não fazem limpeza, coisa nenhuma, quer dizer... isto leva as pessoas a não acreditarem que se assinarem um protocolo em termos financeiros que esse dinheiro esteja cá a tempo e horas.

Mas há mais. Há mais... que eu acho que as escolas deveriam pensar que era outro tipo de questões, que a escola ao ser... ao ter autonomia, todo o tipo de autonomia, juridicamente é responsável e isto é uma questão muito complicada, por que uma escola não tem ainda, na minha perspectiva, poderão ser criadas, capacidades para ter técnicos financeiros... tem, mas são professores, e para terse calhar juristas e... isto preocupa-me.

A questão financeira e estes apoios em termos deste tipo... nesta escola e com estas condições eu pessoalmente nunca assinaria nenhum contrato de autonomia.

Mas estamos a pensar no âmbito do 115-A, numa circunstância que se virá a colocar, mas falas-te há pouco que no âmbito desses contractos e das relações com os serviços do ministério da educação que eles podem pôr em causa as várias autonomias, falas-te no plural...

Sim, sim, a autonomia... eu sei lá... não sei o que é que se pode entender por autonomia.

Autonomia total é de facto a escola ter... ser administrativa e financeira independente, inclusivamente, como disse há pouco, contratar os seus professores, isso é que é a autonomia, mas que não me passa pela cabeça, nem acredito.

Agora... não quando se fala de autonomia... não acredito que os serviços tirem de lá o cordelinho para que as pessoas possam mexer á vontade.

Neste momento a gente tem de reconhecer uma coisa, nós, as escolas, já praticamente fazem um pouco aquilo que querem, entre aspas, entre aspas, mas isto...

Um exemplo, fazem aquilo que querem dentro de uma certa autonomia, por exemplo o quê...

Vamos lá a ver, isto da autonomia, isto do 115-A, não foi inventado por governo nenhum, nem por ministério nenhum.

Isto do 115-A, na minha perspectiva, foram as escolas que impuseram assim, uma parte já razoável das escolas, por que não... por que nós passávamos e ainda passamos, de algum modo, o tempo a fazer aldrabices.

Se eu precisar de um parafuso sou capaz de não ter dez tostões, mas se precisar de um computador sou capaz de ter mil contos para o comprar, quer dizer e isto não tem sentido nenhum.

Isto acabou por empurrar um pouco o ministério para dizer assim, vamos lá oficializar algumas das aldrabices que estão a ser feitas, aldrabices que não são aldrabices, é a defesa da escola.

E ao reconhecer, que na verdade isto, é a minha leitura disto e aquilo que conheço da prática e é o reconhecer como muita gente diz e que eu concordo perfeitamente, que mil escudos na escola são muito mais bem gastos que mil contos no ministério, ou seja, os mil escudos na

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à vontade e isto foi de facto reconhecido.

Mas agora, há aspectos que são... mas há pouco ia a dizer, voltando atrás, que há coisas que já se notam, aá escolas podem fazer... sei lá... neste momento ninguém me vem dizer se é melhor... coisas que são... enfim não têm o peso, mas têm peso... o português tem de ter uma, mais uma, mais uma, já ninguém nos diz como... a escola faz, decide como melhor entender o regulamento das aulas, se pode ser assim, se pode ser assado, se são duas horas seguidas ou não, a escola pode também, de certo modo, fazer alguns contratos, que é a escola que faz mas são dependentes lá de cima.

Mas isto tudo é muito engraçado, e a gente tem legislação que vamos aos serviços do ministério, centrais e regionais, em termos pedagógicos é tudo facilidades, de facto é, continua a ser... mas tive cá a inspecção que trata exactamente dos normativos, que os regem a eles e que contradizem todo este tipo de coisas.

E isto é o receio... é o meu receio de facto de entrar num esquema desses de autonomia.

Agora na verdade isso vai-se sempre passar, se as coisas não mudarem, vai-se sempre passar. Mas há de facto essa perspectiva de maior abertura às escolas.

Nessa perspectiva confrontando uma prática com aquilo que referistes serem as aldrabices, como é que se conseguia conjugar isso com o papel da inspecção. Que papel competiria à inspecção ou aos serviços centrais no sentido de reforçar a autonomia das escolas.

Exactamente, há legislação que tem que mudar, e eu penso que isso é capaz de estar a caminho, por que não se entende, neste momento, que continue a vir para as escolas um orçamento limitando as escolas por rubricas, não se entende.

A escola tem de ter, para conservação, x milhares de contos e acabou, tem de ter para o resto y milhares de contos e acabou e depois sim, peçam responsabilidades.

A verdade é esta e toda a gente sabe disto, e falo isso das aldrabices, é um indivíduo precisar, por exemplo, de uma coisa qualquer que o ministério não pode fornecer e depois se calhar ter de comprar, por exemplo, digo eu, comprar uma impressora em disquetes. Não tem qualquer tipo de sentido, mas isto é válido para a inspecção, mas dá trabalho fazer isto, às vezes dá muito trabalho fazer isto.

É este tipo de coisas que eu acho que devia acabar e se devia estar atento a estas coisas todas.

Nessa perspectiva, que factores internos à escola são necessários para a existência da autonomia da escola.

Falei de um aspecto, que é o exterior, de facto. Mas há o outro, é que infelizmente muita gente nem sabe o que é o 115-A, saber sabe, mas não está atenta a essas coisas.

De facto há uma dificuldade grande por que para haver autonomia, para haver uma série de...

factores que apontem para uma qualidade de escola, em que, enfim, haja uma série de coisas que... depois se possa até reivindicar alguma coisa, é claro que isso passa por todo o pessoal, evidentemente.

Qual pessoal Todo o pessoal Qual pessoal

Pessoal docente e não docente. Mas falando agora... digamos que o pessoal não docente, embora esteja agora numa fase inicial de formação, mas esse consegue-se embora com algumas dificuldades, até pela sua cultura, etc., mas vai-se conseguindo.

Em relação ao pessoal docente as coisas são mais complicadas.

Mais complicadas porque as pessoas entendem que de facto aquilo que ganham na escola só, não lhes chega.

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