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ENTREVISTA COM A PROFESSORA

No documento Danielle Portela de Almeida (páginas 75-78)

CAPÍTULO 3: RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.2 ENTREVISTA COM A PROFESSORA

O professor deve atentar-se para as diversas teorias de aprendizagens e metodologias apresentadas para que possa dessa forma promover aulas dinâmicas e uma aprendizagem duradoura. A entrevista foi desenvolvida com o objetivo de identificar se a professora de ciências possuía o conhecimento sobre determinados assuntos que envolviam a nossa pesquisa, como: a aprendizagem significativa e a potencialidade dos espaços não formais, e como a mesma trabalhava a temática dos quelônios dentro da sala de aula.

Iniciamos a nossa pesquisa com questões voltadas para a formação da docente que nos informou ser graduada em “Ciências Naturais” pela Universidade Federal do Amazonas/UFAM, e possuir pós-graduação em “Educação Inclusiva”. A docente nos afirmou ainda que trabalha há 09 anos como professora do Ensino Fundamental, e participa de alguns projetos promovidos pela FAPEAM.

Quando indagada se conhecia ou já havia ouvido falar nos espaços não formais, a professora nos disse o seguinte:

“Já ouvi falar, mas não sei muita coisa. Talvez seja um espaço onde os alunos possam fazer tipo um complemento dos conteúdos ministrados na sala de aula. Um desses espaços que eu usaria, seria um parque como o Mindu ou o INPA”. Com a resposta da professora podemos observar e averiguar que não há uma definição clara para o termo “espaços não formais”, porém a docente tem a clareza de que esses espaços são espaços fora do ambiente escolar onde podem ser realizadas atividades escolares. A docente nos diz mais, quando perguntada se já havia levado seus estudantes para esses espaços:

“Nós já fomos ao Bosque da Ciência, no Zoológico e no Parque do Mindu. No Parque do Mindu foi trabalhada a semana do trânsito. Depois voltamos numa outra oportunidade e foi trabalhado pequenos mamíferos. No Bosque da Ciência nós fomos ver as plantas e o poraquê”.

Ao analisarmos esta resposta podemos corroborar com a ideia de Rocha e Fachín- Terán (2010) quando nos afirmam que “as escolas ainda não se deram conta do potencial dos espaços não formais para o desenvolvimento de aulas de Ciências Naturais”.

Depois da temática dos espaços não formais de ensino, abordamos a teoria da aprendizagem significativa, perguntamos à docente se a mesma conhecia ou se já havia trabalhado com a teoria em sala de aula, ao que a mesma nos disse “creio que essa teoria seja algo que você trabalhe paralelo ao conteúdo da sala de aula”. Na transcrição da docente podemos notar a falta de aprofundamento de alguns professores sobre as teorias de aprendizagem que norteiam o ensino. Teorias essas essenciais para um bom aproveitamento de uma aula. O professor tem um papel importantíssimo na promoção da aprendizagem significativa (SANTOS, 2009), portanto para trabalhar esta teoria o docente precisa ter o conhecimento dela.

Quando questionada de como podemos avaliar se uma aprendizagem adquirida é significativa ou não, a docente nos afirmou:

“Eu avalio se uma aprendizagem foi significativa ou não para o meu aluno, a partir do momento que eu vejo que ele mudou o comportamento. Acho que os espaços não formais promovem sim uma aprendizagem significativa, porque só ficar na sala de aula já é cansativo para o aluno e quando ele sai para fazer uma pesquisa de campo e depois apresenta um relatório, você pode perceber pelo relatório como eles acham essas atividades bem mais interessantes do que ficar sentado na sala de aula”.

Tratando-se da mudança de comportamento, a professora nos deu um exemplo de outra escola que trabalhava onde os alunos estavam apresentando alguns problemas

relacionados à higiene pessoal, então ela resolveu fazer uma palestra sobre a temática, após a palestra ela percebeu que houve uma mudança em seus estudantes relacionada à higiene, podemos destacar que essa mudança se deu devido à temática ser de interesse para o estudante. Nesse sentido, podemos destacar o que Ausubel (1968) aponta como a pré- disposição para aprender, o estudante para ter predisposição para aprender, deve estar motivado pelo conteúdo a ser ensinado e conhecer a importância dele para a sua vida futura.

Outro ponto que podemos destacar é a real convicção da docente em relação aos espaços não formais e sua promoção na aprendizagem significativa. A docente afirma que nesses espaços os alunos se sentem mais motivados e participativos, conforme Cunha (2009) “as aulas em espaços não formais favorecem a observação e a problematização dos fenômenos de uma forma mais concreta”.

Quando indagada de como a temática dos “quelônios” pode ser trabalhada em sala de aula e sobre sua conservação, a docente nos assegurou que:

“Dentro da sala pode ser trabalhado com data-show, com aulas de exemplos de quelônios e também já é um assunto que está no livro didático deles e na proposta curricular, então seria feito só a parte teórica mesmo, porque a gente não tem como trazer o quelônio pra dentro da sala de aula para eles conhecerem e fazerem um trabalho mais aprofundado. E nós devemos conservar este animal, primeiro pelo fator “extinção” e investir em projetos de criação para vendê-los”.

Na fala da professora podemos notar que existe a dificuldade sim de levar o animal (quelônios) para dentro da sala de aula, muitas vezes aliar a teoria à prática, portanto daí vem a necessidade de extrapolar os muros da escola para proporcionar a esses estudantes o contato e a aproximação com esses animais, bem como conhecer como vivem, como se alimentam e como interagem entre si. Como citado pela docente, o livro didático aborda a temática pesquisada, porém conforme observado essa abordagem se dá de maneira imatura e superficial e bem distante da realidade vivenciada pelos estudantes.

A docente também apresentou a sua visão sobre a conservação dos quelônios como algo que deva ir muito além dos conteúdos estudados na escola e ressaltou a importância desses répteis para o equilíbrio da natureza e para as futuras gerações, para que esses animais não sejam vistos no futuro somente através de fotografias e relatos.

No documento Danielle Portela de Almeida (páginas 75-78)