“Não sei Dança de Salão, mas eu quero fazer, eu amo a dança!” Foi com essa frase que a professora participante 01 da pesquisa iniciou o nosso diálogo. Frase esta carregada de muito entusiasmo e brilho nos olhos, com uma vontade de fazer algo diferente e encantador tanto para ela como para seus alunos. Ao caracterizar a pesquisa para ela, logo expressou uma vontade viva de mostrar o trabalho da sua escola, que é do interior. Esta, com certo ar de inquietude, moveu-se na cadeira e frisou: “Mostraremos que o interior pode fazer um trabalho tão belo quanto a cidade, inclusive „melhor‟”.
Antes mesmo de começar a seguir o roteiro da entrevista, a professora 01 já me pediu espaço para me relatar algo. Foi um relato fantástico sobre uma conversa que ela teve com a turma participante da pesquisa, em que, segundo ela, conseguiu deixar os alunos ansiosos pelas aulas de dança de salão. Assim, ela me relatou o seguinte:
Isamara, mesmo antes de começarmos a conversar melhor sobre a pesquisa, não resisti e já comentei com os alunos sobre o que vamos fazer. Simplesmente cheguei na sala de aula, com toda minha animação de sempre e disse: meus amores nós vamos estudar uma coisa nova, que até eu sinceramente não sei, mas estou estudando e iremos aprender juntos! Os alunos logo perguntaram o que seria, ao mesmo tempo que evidenciavam algum tipo de esporte. Aí refleti com eles: é um conteúdo em que movimentamos e sentimos o nosso corpo como um todo, onde deixamos transparecer nossas emoções. A dança, supostamente foi lançada; mas qual dança seria? Danças gaúchas? Não! Aprenderemos um ritmo diferente, gostoso e contagiante, onde vamos mexer muito o quadril. Em que, haverá muito contato corporal com o seu par...o Forró! Meninas logo trocaram olhares e risos, achando o máximo, já os meninos cruzaram as pernas e ficaram em silêncio. Aproveitei o momento e falei para eles: agora eu quero nas aulas aquele “encochamento” que vocês fazem fora da sala de aula aqui dentro, mas um “encochamento” sem malícia, sem vulgaridade, enfim com respeito. Sei que para vocês do interior não é nada fácil dançar um ritmo mais “colado”, mas por esse motivo mesmo eu confio que vocês têm a mesma capacidade que o pessoal da cidade, e até de fazer melhor ainda! Claro, que percebi resistência de alguns alunos, mas da forma como passei essa abordagem para eles, a turma ficou “aberta” para aprender esse conteúdo diferente. O tanto, Isamara, que eles já me perguntam quando entro na sala de aula: é hoje que vamos dançar professora? E eu digo: não ainda, não é hoje meus amores!
Enquanto a professora falava, ela me passava uma emoção por estar prestes a desenvolver o trabalho de dança de salão. Acredito que, ela realmente conseguiu transpassar esse entusiasmo para seus alunos, o que com certeza abriu caminhos para realizar um processo de ensino aprendizagem construtivo e dinâmico.
Dando sequência à entrevista, focamos um pouco sobre a história e experiência da referida professora. Esta, formou-se no ano de 1983 na Unicruz. Desde o ano de 2002 até
agora não parou mais de trabalhar direto em duas escolas estaduais, sendo uma do interior e outra da cidade. Começou a sua prática docente em uma escola particular na cidade de São Borja, voltou para Santo Antônio das Missões e passou a lecionar no Colégio Estadual Tolentina Barcelos Gonçalves e na Escola Técnica Estadual Achilino de Santis, trabalhando com Educação Física em áreas da dança e esporte, frisando ser dentro de suas possibilidades, perfazendo um total de 40horas semanais de trabalho. Cabe ressaltar que, a professora 01 não trabalha a dança em aulas regulares de Educação Física. E, sim no turno inverso, onde ela traz um passo e as meninas trazem outros; segundo ela, desenvolvem um processo de construção e troca de experiências.
Ao perguntar como a professora 01 vê o atual ensino da Educação Física Escolar dentro de uma perspectiva voltada á construção didática, a mesma responde que: “quando iniciei era regime militar, muita técnica! O aluno não podia criar movimento, era aquilo que o professor trazia e pronto e sempre de uniforme. Hoje se o aluno não tá a fim de usar uniforme, não interessa! Eu quero que meu aluno trabalhe, não fique parado na aula de Educação Física; é uma satisfação enorme ver todos os alunos envolvidos no trabalho. Se ele veio sem uniforme, se é certo ou errado a forma de se vestir, eu não posso “podar” meu aluno que está prazeroso na aula; não vou impedir de deixar o aluno fazer aula porque não veio de abrigo, mas claro sempre com segurança no que está fazendo”.
Em seguida, a professora 01abre um “parênteses” e reflete que a sua ligação com a dança aconteceu por fascínio, sem estímulos e perspectivas de ensino dentro da faculdade. Esta expôs que, quando iniciou a profissão nem imaginava que poderia vir um dia a trabalhar com dança. Segundo ela, tinham disciplinas de recreação, ginástica rítmica, esportes, etc, mas não se falava muito em dança, o tanto que nunca teve oportunidade de estudá-la mais a fundo; uma vez que começou a ver a dança a partir da ginástica aeróbica e, foi onde ela se encontrou. O tanto que trabalha até hoje com ginástica e afirma que não gosta de esportes, e sim de manter linhas coreográficas e trabalhar com mulheres de 40 a 50 anos de idade. Esta afirma, trabalhar com prazer.
Aproveitando o enfoque da conversa, perguntei para a professora 01 como ela desenvolve suas aulas de Educação Física. Sua resposta veio acompanhada com certa inquietude, transparecendo ter uma preocupação quanto a este assunto. Enfim, ela me ressaltou que quando chega no início do ano, abre espaço para os alunos escolherem o que “querem” trabalhar durante o ano de acordo com os trimestres. Procura elaborar as aulas junto com seus alunos, uma vez que o professor dirige a aula, mas tem que buscar com eles, segundo ela, o nosso caminho é a partir do aluno. A professora 01 ainda destaca o seguinte:
“Eu conheço meus alunos, aí fica mais fácil de elaborar as aulas, saber onde eles pararam, o que mais precisam saber e o que necessita ser reforçado. Parto das vivências anteriores e aí vai enriquecendo o repertório dos alunos”. Já ao falar sobre os conteúdos priorizados em seu ensino, ela responde em voz alta e com convicção do que está falando:
Consciência corporal! Meu aluno tem que ter. Como fazer um alongamento se meu aluno não conhece seu próprio corpo, não conhece seu braço, antebraço, onde fica isso? Se eu não me conheço como que vou exigir de meu corpo, sendo meu corpo meu bem maior. Durante o alongamento sendo reflito com meus alunos: vamos convidar nosso corpo, nosso músculo a trabalhar, de que forma? Vamos lá braços, deslocar ombro...um alongamento muito bem falado.
Seguindo a linha de perspectiva de conteúdo evidenciado pela professora, logo ela destaca suas maiores dificuldades docente em relação aos conteúdos. Esta, reflete que como está se aposentando, sente sérias dificuldades em acompanhar as mudanças de regras dos esportes. Ainda, faz um desabafo, em que percebe-se estar guardado a tempos e que realmente lhe incomoda, ela frisa o seguinte: “Eu digo bem sério, não gosto de esportes! Sou fascinada pela parte de ginástica e dança; não tenho conhecimento de dança, mas consigo me encontrar só pela curiosidade que me leva”. Em contrapartida, ela diz que a sua facilidade em dar aula está em dar aula com muita emoção e principalmente curiosidade. Segundo, ela,
quando se trabalha com a dança, não basta apenas dançar, tem que dançar com a alma e para mim saber que se está dançando com a alma eu tenho que me arrepiar e eu sempre acabo me arrepiando. Tem que ter emoção. Dança é emoção que mexe, música que entra no corpo, corre e sai!
Durante esse diálogo sobre as dificuldades e facilidades em ser docente, em ministrar aulas que contemplam todos os conteúdos da Educação Física, a professora 01 parece “travar” frente ás práticas esportivas. Percebe-se em sua fala que trabalha com dedicação e alma quando se refere à dança; é o que se constata quando pergunto se ela segue as orientações do Referencial Curricular do Rio Grande do Sul. Aquela professora falante fechou-se e apenas respondeu que tem conhecimento do referencial e segue a realidade da escola; destacou que dá uma “olhadinha” e tenta adaptar, “se vejo que não dá faço do meu jeito”.
O sorriso da professora 01 logo volta ao seu rosto quando começamos a dialogar sobre dança educação. Em relação a sua experiência com dança educação, a referida professora diz ser conduzida pela curiosidade de ir em busca, mas nada em formação, que seja profissionalizante, apenas em cursinhos e experiências de vida. Quanto à participação dos
alunos em aulas de dança na Educação Física, a professora afirma: “primeira coisa é a resistência”. Logo dizem, “dança não”, querem bola! Aí a professora reflete o seguinte:
Gente professor de Educação Física nunca vai ter um formato de bola (dificilmente), vamos ver o professor de Educação Física como um ser que vai trazer alguma coisa legal para vocês. Jogar bola é bom, mas também tem outras coisas; para o aluno dança é rejeição. Por isso, o professor tem que estar muito motivado para passar a eles essa vivência, incluindo essa prática no dia-a-dia do aluno, aos poucos eles vão melhorando a aceitação. É difícil sim, mas nada que bem trabalhado e motivado não saia. O professor não pode passar a sua própria resistência! Quando não se sabe algo, tende-se a impor, quando se sabe o que fazer, você faz com prazer; tem que ter a própria aceitação do professor em passar e não a impor ao aluno.
Nessa perspectiva, indaguei a professora entrevistada quais elementos ela priorizaria em uma unidade didática de dança, a mesma respondeu rapidamente: “postura”. Ela esclarece em tom de voz mais alto, que se não tiver postura, como vai ser? É preciso ter uma determinada postura dentro de cada estilo de dança; uma vez que, segundo a professora, esta é “os olhos da dança”. Em relação à importância de trabalhar a dança de salão nas aulas de Educação Física, a professora 01 diz ser um grande desafio. Primeiramente, ela ressalta o fator característico de sua escola ser técnica agrícola no meio rural, onde perguntaram na hora se seria dança gaúcha; de qualquer forma, a mesma reflete ser um desafio importante tanto para ela como professora quanto para os alunos mostrarem do que são capazes. A referida professora ainda comenta que ao desenvolver a unidade didática de dança de salão, os alunos irão aprender e filtrar o teor dos conhecimentos dessa pesquisa, uma vez que estão aprendendo coisas novas, conhecimentos em todos os âmbitos motores, cognitivos, afetivos e sociais, e isto acrescentará muito em questões de socialização e timidez dos alunos.
Nessa mesma linha de compreensão, dialogamos sobre a importância da dança de salão dentro da escola. Sobre essa ideia, a professora 01 expõe sua opinião afirmando que se todas as escolas tivessem essa prática seria uma maravilha. Esta, por sua vez, diz ser necessário, tudo que mexe com a sensibilidade é importante, tudo que vem a acrescentar na sensibilidade dos alunos contribui para a melhora do nosso ensino. Ressalta ainda que, a dança de salão na escola socializa e faz com que os alunos se entregam mais a prática. Isto, de acordo com a entrevistada, acrescentaria muito mais no limite deles, é uma dança mais livre, mas dentro do livre ainda é preciso limite; o cuidado de não extravasar, não extrapolar, este limite é fantástico para trabalhar com os alunos. E mais, frisa que o trabalho de cumplicidade desenvolvido na dança de salão só vem a ajudar no convívio entre os alunos, uma vez que,
além de cuidar de si próprio precisa-se cuidar do seu parceiro (a) e, a partir daí desenvolve-se as habilidades.
Aproveitando a empolgação da professora sobre o ensino da dança de salão na escola, perguntei a ela se alguma vez já tentou desenvolver um trabalho como este. Ela me respondeu que nunca havia pensado em trabalhar esse conteúdo nas aulas de Educação Física. Com isso, indaguei o porquê de nunca tentar, se é uma área com que ela se identifica, a referida professora me respondeu o seguinte: “por saber da resistência dos alunos; e por estar quase me aposentando estou me desafiando, eu gosto, sou fascinada, até mesmo fiz aulas com você, mas com os alunos nunca tentei. Então dessa vez eu quero superar os meus limites e provar que eu ainda posso”. Destacou ainda que, outras danças ela já trabalhou com os alunos em aulas regulares; afirma ter trabalhado “aeróbica” e “step coreografado” em suas aulas e depois procura juntar com toda a escola nos dias de inter séries, inclusive com os professores. A expressão da professora ao dizer que ensina dança aos alunos trabalhando aeróbica e step me deixou confusa. Sabe-se que aeróbica e step são não consideradas danças, pois não têm um contexto cultural vinculado a sua prática. Estas são atividades físicas caracterizadas pela perda de calorias e são conhecimentos encontrados dentro dos exercícios físicos e ginástica. Então perguntei a ela, se trabalhava essas atividades como dança, a mesma me respondeu que sim, por haver a criação de linhas coreográficas durante o seu desenvolvimento.
A partir da questão retratada acima, conversamos como a professora 01 desenvolveria então uma unidade didática de dança de salão. Antes de começar a falar ela suspirou e disse “vou ser bem sincera”, faria o seguinte:
Eu diria, meus alunos não sei fazer, estou estudando. Se eu sei como é vou estudar isso, seu eu sei que o passo é 1, 2, 3 vou ter que desenvolver o gingado. O melhor aluno que se destacar eu pego como meu monitor; passo para eles o conteúdo teórico falando como e ele vai me representar o movimento corporal. Trabalharia com outras disciplinas (literatura, história, geografia) através de projetos de pesquisa que temos na escola, isso sim faz com que o aluno se aproprie do conhecimento de uma forma completa. Procuraria teorizar o Forró, trazer em debate para a aula, fazer uma pesquisa para além de passinhos.
Nesse momento, o diálogo chega ao ponto crucial da expectativa em saber sobre a reação dos alunos, como será que eles reagiriam na visão da professora. Como o esperado, ela nos remete várias reações, umas boas e outras nem tanto. Ao relatar a sua opinião sobre a reação dos alunos, ela simplesmente vibrava, uma vez que já havia comentado com os seus
alunos sobre a pesquisa. Ela apenas me disse: “Isa a reação deles foi incrível, pela primeira vez, parei para observá-los bem” e começou a dizer:
corri o olho no semicírculo, os meninos que estavam de pernas afastadas cruzaram, opa! As meninas vibraram e se soltaram, “ai que bom professora”; vocês vão trabalhar todos iguais, menino e menina num estilo só, um vai ajudar o outro. Claro, tem impacto nos meninos é natural, nenhum me disse “eu não vou fazer”. A professora chegou empolgada, vai ter companheirismo na turma, vamos lá me ajuda; não vai ser 100%, vai ter dias que eles não vão querer fazer, tem que ir de acordo com a vontade do aluno, não pode bater de frente com eles, aí não rola sua aula.
Pela expressão da professora ao comentar a ocasião, percebi que certamente os alunos tinham pedido uma “negociação” nas aulas. E eu estava certa. Perguntei para ela se a turma tinha aceitado fazer as 08 aulas seguidas apenas com dança de salão, se seria tranquilo; ainda comentei que geralmente os alunos pedem um jogo no final da aula para “compensar”. Ela com certo olhar me respondeu: “olha realmente eu, antes mesmo deles me pedir, falei que poderíamos intercalar uma aula de dança e outra de futsal ou voleibol”. Minha reação de surpresa foi visível, o tanto que a professora me disse: “pelo jeito isso não é o ideal na pesquisa, certo”? Nisso, confirmei dizendo que essa ação iria contra aos objetivos da pesquisa. Então, a professora comentou que não havia problemas e que a turma desenvolveria numa boa a sequência.
Dando sequência na entrevista, passamos a conversar sobre as possíveis perdas que os educandos podem sofrer quando se deixa de trabalhar a dança de salão nas aulas de Educação Física ou qualquer outro estilo de dança. Nesse aspecto, a professora entrevistada referenciou que há ocorrência de perdas em relação à diferença de gênero, inclusive na própria condução e resposta entre cavalheiro e dama. “Fazer com que a menina se entregue não é nada fácil, uma vez que gostamos de se impor por natureza”, afirma a professora. Além do mais, frisa que se focasse mais a construção do educando através da dança, as escolas renderiam muito mais em todos os sentidos.
Mas sabemos que para desenvolver um bom trabalho com qualquer conteúdo é preciso ter aportes pedagógicos e metodológicos. Com a dança de salão não seria diferente, inclusive se torna de suma importância poder contar com materiais instrucionais, uma vez que esse conteúdo não é muito desenvolvido e conhecido no âmbito escolar. Assim, perguntei para professora se na sua escola há a presença de algum tipo de material e recursos desse gênero; ela me respondeu:
na escola eu não te digo que tenha tudo, mas a gente busca, como a gente busca informação, como eu digo para eles vamos pesquisar sobre, eles ajudam a pesquisar isso. Da mesma forma, que quando montamos uma coreografia cada um traz alguma coisa para ver como fica; eu sempre digo “se eu não sei, vamos construir juntos” é muito mais bonito e a coisa sai muito melhor. É preciso ter humildade no trabalho e nada a gente busca sozinho, sempre tem alguém que te ajuda, principalmente agora com as ferramentas novas da internet, com algum outro professor, de um colega, por que não de um colega? Volto a dizer, a troca de experiências é importante, o conhecimento do aluno é importante, tem que ser respeitado.
Então, aproveitei o rumo da conversa e indaguei, que se eu não tivesse lhe passado os passos básicos, a história do Forró e o modelo de alguns esquemas de aula, se ela conseguiria dar uma aula sem esses materiais. A professora me falou que o histórico do Forró, o conhecimento teórico bem certinho, se o passo é lateral, 1, 2, 3 talvez ela não soubesse, mas iria buscar. Frisa também que, como tem que prestar um trabalho, e se considera totalmente responsável, ela iria buscar, ou comigo, ou na internet, ligar para um colega, mas que fazeria. A professora diz que, o trabalho pra ela é um desafio e que quer buscar isso. A mesma faz um comentário sobre as questões do ensino, da importância de não exigir técnica do Forró e, sim fazer com que os alunos compreendem essa manifestação cultural de outra região; “eu sempre digo aos meus alunos, até mesmo no esporte, eu não quero técnica, eu quero que vocês saibam jogar um voleibol”. Segundo ela, a técnica é importante, mas constrange muito, o aluno logo pensa “eu não vou fazer porque está errado”, e isso “poda” o aluno e eu quero que ele simplesmente dance com prazer.
Ao perguntar para a professora entrevistada se ela se sente preparada didaticamente, corporalmente e expressivamente para ministrar aulas de dança de salão, ela me respondeu com um sorriso contagiante no rosto que sim. “Ah, eu acho que sim, o que me falta é o lado profissional, até se tivesse tempo e oportunidade de fazer algo nessa área eu fazeria. Mas eu me sinto preparada para encarar, tenho vontade, garra e muita persistência; adoro o difícil, é o que mais me motiva”. Dessa forma, questionei a professora quanto ao Referencial Curricular, se ela conseguiria desenvolver esse trabalho a partir dos conhecimentos nele contidos. Esta me disse que não, que teria que buscar muito mais além, porque o acha muito superficial, que ele dá o caminho a se seguir. Ao perguntar se ela fosse trabalhar dança de salão, olharia no Referencial? Ela respondeu: “me limita, tu não consegue deslanchar, tem que buscar. Deixava-o ali, se precisou, buscou, mas não que seria o essencial”. Percebe-se que, a entrevistada demonstra em sua reação não ter contato com o Referencial Curricular.