Respostas do item nº 13
ENTREVISTA (E) – SR CIRO VASCONCELLOS VAZ
Esta entrevista é parte integrante da dissertação de mestrado em Ciências Militares, com ênfase em Gestão Operacional, do Cap Arthur da Silva Martins Moraes, cujo tema é O emprego de SARP no Regimento de Cavalaria Mecanizado nas operações de reconhecimento: uma proposta de caderno de instrução.
O presente questionário tem por finalidade fornecer subsídios para um estudo sobre a implementação do emprego do Sistema de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) no RC Mec, analisando o ganho de consciência situacional que tal ferramenta de observação aérea garantiria para as tropas C Mec. O SARP já vem sendo empregado de forma experimental em algumas OM do EB, e a atual pesquisa busca salientar a importância da utilização desse meio de observação aérea para a tropa mais apta da força a executar missões de reconhecimento.
Desta forma, a fim de conhecer aspectos técnicos do FT 100, além de abordar de que forma tem transcorrido a formação dos pilotos do referido SARP no EB, o senhor foi selecionado para responder as perguntas deste questionário. Solicito-vos a gentileza de respondê-lo o mais completamente possível.
Em caso de dúvidas ou esclarecimentos, coloco-me à disposição através dos dados abaixo:
Nome: Arthur da Silva Martins Moraes E-mail: [email protected]
Desta forma, no sentido de orientar esta pesquisa, solicita-se que responda os quesitos abaixo.
1- Qual é o histórico do senhor na função de instrutor de pilotagem de SARP na FT Sistemas?
Fui convidado em fevereiro de 2007 pelo Nei Brasil a fazer parte da empresa, primeiramente por termos iniciado nossa formação aeronáutica juntos no Aeroclube de Bagé em 1996, onde brevetamos como piloto de planador e piloto privado posteriormente. Na época, tínhamos também como “hobbie” a prática do aeromodelismo.
O Nei Brasil evoluiu com a faculdade de Ciências Aeronáuticas e após mestrado no ITA, e criou a empresa, me convidando para fazer parte do time trabalhando com meus conhecimentos de aeromodelismo para os primeiros ensaios em voo da aeronave FT200, que foi o primeiro produto desenvolvido pela empresa.
Participei ativamente do desenvolvimento do método construtivo da aeronave, ajustes e ensaios em voo, até a conclusão do projeto e entrega do SARP para o CETEx, onde permanece armazenado, inativo.
Após, a empresa avançou com o projeto do FT100, onde participei ativamente do projeto inicial da aeronave, bem como fabricação e ensaios em voo, até conclusão dos trabalhos e início das entregas ao EB, onde fui responsável pela instrução, desde a criação do método de instrução, documentação e aplicação da instrução, sendo que até hoje me mantenho na atividade de atendimento ao cliente nas atividades de instrução e operacionais.
2- Como é o programa de instrução, para a formação dos novos operadores do FT 100 do EB?
O programa de instrução foi baseado inicialmente na necessidade de conhecimentos básicos de voo rádio controlado, visto que é uma necessidade termos rádio controle de emergência segundo a legislação vigente e este é atualmente utilizado para decolagens. Neste caso, temos a necessidade de instruirmos os alunos na prática de voo rádio controlado, onde os mesmos recebem ensinamentos sobre manobras básicas inseridas no contexto de voo avançado da plataforma de voo do SARP, o FT100. Essas manobras básicas são pré-requisito para a continuidade do aluno no curso avançado, sendo que somente terão contato com o SARP FT100 se forem aprovados em voo de check rádio controle. Caso aprovados, a instrução segue imediatamente para a parte teórica, onde em três dias é concluída com aplicação de prova com questões objetivas e discursivas, sendo que esta tem valor eliminatório caso a média não seja atingida. Se aprovados na parte teórica, continua-se o treinamento com a parte prática de voo, até sua conclusão com um voo de check. O curso completo tem duração de três semanas em média, sendo que a parte de rádio controle está fora deste tempo, sendo feita previamente, não pela empresa, mas pelo próprio EB e tem duração média de 30 a 60 dias.
3- Quais são os atributos necessários para a seleção dos militares, a fim de se tornarem operadores do SARP FT 100?
Um fator importante é que o militar seja apresentado ao SARP antes de iniciar suas instruções na FT Sistemas. Além de um teste de aptidão para o voo de rádio controle, é interessante que seja passado o que será esperado nele na tropa; quais são suas missões; e quais os conhecimentos técnicos ele deverá possuir para operar o sistema, como aerodinâmica, meteorologia, teoria de voo etc. Em alguns casos, de dois a três dias de instrução do SARP, já se percebe que o instruendo não tem pendor para a operação do sistema. Quando o aluno chega na empresa sem ter conhecimento de como serão suas missões na tropa, e sem um mínimo de noção de como se controla uma aeronave por rádio controle, muito esforço é realizado para ensiná-lo a pilotar, e mesmo assim, muitos são desligados por insuficiência técnica.
4- Quais são as maiores dificuldades que os alunos apresentam durante as instruções?
A maior dificuldade é manter a evolução da curva de aprendizado da pilotagem rádio controle. Como toda instrução, espera-se que o aluno evolua na aplicação dos conhecimentos que lhe são passados. Nós já tivemos alguns casos que com menos de uma semana de curso, tivemos que desligar um aluno, pois o mesmo continuava apresentando dificuldades para a operação do Horus 100, não conseguindo operar o aparelho de forma segura.
5- No que tange à parte logística, atualmente, qual tem sido o custo de aquisição do Horus 100? E o custo de manutenção?
Não tenho essa informação.
6- Como é o programa de manutenção do Horus 100?
Existem três tipos de manutenção, o de Primeiro Escalão, feito pelo próprio operador em campo, Segundo Escalão, feito pelo operador, com utilização de orientação da empresa através de boletim de serviço ou executado pela própria empresa e a manutenção de Terceiro Escalão, executado exclusivamente pela empresa em sua sede.
O programa de manutenção prevê que os sistemas sejam manutenidos de acordo com o número de ciclos, ou seja, cada voo contabiliza um ciclo.
São estipulados 50, 100 e 200 ciclos como parâmetros para que cada sistema receba os itens de manutenção relacionados a cada período de ciclos.
7- Como tem sido cumprida a diagonal de manutenção na FT Sistemas das unidades do Horus 100 que o EB possui?
Cada SARP possui uma estação de solo e duas aeronaves, bem como payload, cartuchos de baterias e periféricos, como antenas, cabos de carga, carregador etc. É sugerido que sejam feitos voos intercalados com as aeronaves afim de mantê-las com o número de ciclos próximos, sendo que ao atingirem o número de ciclos estipulado seja o sistema manutenido por inteiro, o que leva de três a cinco dias para ser executada a manutenção, desta forma, impedimos que haja uma parada separada de aeronaves, deixando o sistema incompleto e sem uma aeronave reserva para operações.
Esta metodologia se mostrou eficiente, mas estuda-se a alteração do controle de ciclos para revisões anuais, independentemente do número de ciclos de cada SARP, pois dificilmente um SARP atinge 50 ciclos em um ano, mas nesse período a necessidade de verificação do sistema, principalmente os pouco voados, se mostrou extremamente importante devido até a fatores climáticos das regiões onde os sistemas são operados.
8- Quais são as adaptações necessárias ao atual projeto do Horus 100, para que o mesmo possa ser adaptado às necessidades de frações de Cavalaria Mecanizada, que operam basicamente de viaturas? Seria possível a instalação de algum dispositivo que atualizasse a posição “Home” do SARP, a fim de que, caso seja perdida o sinal de rádio frequência, o mesmo possa voltar não para uma coordenada geográfica pré-determinada, mas sim para a posição da Viatura de onde o mesmo é operado?
As adaptações são possíveis, desde que haja forte interação com os operadores para que sejam pensadas e executadas, dentro das possibilidades. Experiências passadas mostram que a falta de interação com os principais operadores não satisfaz a saudável evolução operacional do sistema.
Sim, é possível, essa e outras funcionalidades, desde que alinhadas com os operadores e verificada a real necessidade dessa e de outras funcionalidades.
9- Existe a possibilidade de transmissão do vídeo captado pelo SARP para mais de uma estação de terra?
Sim. Hoje já temos desenvolvido e em fase de adequação de projeto, o sistema TVR (Terminal de vídeo remoto) que pode captar o vídeo da aeronave em ponto distinto da estação de solo, dentro do raio operacional do sistema.
10 - O senhor gostaria de acrescentar outras informações que julgue pertinente para a presente pesquisa?
APÊNDICE H