6. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
6.1 ENTREVISTAS COM REGULADOR E AUTORREGULADOR
Conforme mencionado na introdução, o primeiro objetivo específico deste
trabalho é “descrever as expectativas e deficiências identificadas pelo regulador e
autorregulador nos processos de monitoramento da prevenção à lavagem de dinheiro
pelos intermediários do mercado de valores mobiliários”.
Sob esse enfoque, foram realizadas entrevistas com o regulador e autorregulador,
as quais tiveram duração média de uma hora, sendo gravadas mediante prévia autorização
e, posteriormente, transcritas para serem analisadas. Foram realizadas utilizando o
questionário semiestruturado anteriormente criado (cf. Apêndice A). As três primeiras
questões referem-se à estrutura de monitoração e foram tratadas nessa seção em um único
tópico. Em seguida, foram utilizadas as operações ou situações envolvendo títulos ou
valores mobiliários citados no artigo 6º da instrução CVM 301 para que se pudessem
identificar as expectativas de monitoração para atendimento à norma regulatória. A última
questão refere-se às deficiências verificadas durante os processos de inspeção/auditoria.
Essa estrutura será utiliza para apresentação dos resultados.
A seguir, conforme modelo proposto por Miles e Huberman (1994), será
apresentado o componente “redução dos dados” pertinente às entrevistas realizadas.
Tipos de operações e clientes passíveis de monitoração
Para o Superintendente Amarelo, antes de falar especificamente sobre a
monitoração, é importante destacar que o intermediário não precisa concluir sobre a
lavagem de dinheiro para realizar a comunicação. Ele diz que:
A norma não espera que os intermediários identifiquem a lavagem de dinheiro
propriamente, isso é uma função do COAF. Então, o que a norma coloca é que
existem situações que são indícios, as quais são as situações mínimas que o
intermediário deve identificar e monitorar. O intermediário não precisa
concluir que aquilo seja lavagem de dinheiro para comunicar [ao COAF]. O
que a norma diz é: você identificou alguma coisa atípica, comunique.
Quando questionados sobre os tipos de operações e clientes passíveis de
monitoração, é consenso entre os entrevistados que a norma não faz distinção entre tipos
de operações ou tipos de clientes. Dessa maneira, todos os investidores e todas as
operações deverão compor a base de análise dos intermediários. É também consenso entre
os entrevistados que sejam analisadas as operações referentes às empresas do grupo, caso
o investidor faça parte de um conglomerado financeiro. Nesse sentido, de acordo com o
Superintendente Azul,
Não é razoável excluir da monitoração entidades que podem eventualmente
estar associadas ao uso irregular de capital. Conglomerados financeiros
costumam ter veículos em paraísos fiscais, fundos de investimentos exclusivo,
operações que estão sujeitas à norma normalmente [...]. Faz todo sentido uma
área de compliance ou de prevenção à lavagem de dinheiro analisar as
operações porque obviamente a área comercial não tem o viés de analisar essas
operações com a ideia de prevenção à lavagem de dinheiro.
Para o Superintendente Branco,
[...] Parece claro que cabe à pessoa obrigada no artigo 9º, dentro da arcabouço
normativo do seu supervisor, monitorar todos os eventos relacionados à
atuação dele naquele segmento econômico; no caso do mercado de valores
mobiliários, cabe a ele monitorar todas as operações, independentemente do
valor e independentemente de qualquer tipo ou característica do cliente em
todos os incisos, a não ser que se apresente prova cabal que o core business
daquela instituição [não tem aquele tipo de situação]. Discutindo em tese, eu
não estou monitorando esse inciso porque a minha instituição não tem clientes
não residentes que residem em países mal avaliados pelo GAFI. Se você
apresentar provas cabais que você não tem clientes não residentes e que você
não quer ter, não tem sentido obrigar o monitoramento disso. Fora essa
ressalva, o intermediário deve monitorar tudo de todos os clientes. Tudo tem
que passar pelo raio-X.
Inciso I: Operações cujos valores se afigurem objetivamente incompatíveis com a
ocupação profissional, os rendimentos e/ou a situação patrimonial/financeira de
qualquer das partes envolvidas, tomando-se por base as informações cadastrais
respectivas
Para a monitoração do Inciso I, é consenso entre os entrevistados que cabe ao
intermediário mapear o perfil e as características operacionais dos clientes e, com isso,
definir o que são situações típicas e atípicas. O trecho a seguir demonstra a opinião do
Superintendente Vermelho:
A regra estabelece o dever e cada participante estabelece o critério, o qual deve
ser documentado [...]. O intermediário vai precisar ter duas informações
importantes: primeiro ele tem de monitorar a dinâmica das operações, ele vai
monitorar o volume operado e a quantidade de negócios, perfil das operações,
segmento etc. comparando essa informação com a situação financeira e
patrimonial declarada no cadastro, que tem duas informações importantes, o
rendimento mensal que esse cliente tem e o estoque de patrimônio que o
investidor tem. Só que o investidor pode mentir, isso é declaratório, só que essa
declaração precisa fazer sentido, então a situação financeira e patrimonial tem
esses dois elementos, renda mensal e estoque, que tem que fazer sentido, por
exemplo, com profissão e idade do cliente [...]. Então, qual o percentual? A
regra não diz. Há a razoabilidade e um critério que o participante deve
estabelecer. Deverá estabelecer um parâmetro estatístico, um percentual, de
quanto seria considerado atípico, considerando as características de cada
mercado para o estabelecimento desses percentuais.
A opinião do Superintendente Amarelo ratifica a opinião do Superintendente
Vermelho ao dizer que:
Cada Participante define, dentro da sua base de clientes nos mercados em que
atua, o que seria atípico. O inciso I, no final, diz que é “levando-se em conta
as informações cadastrais”, então, a primeira informação é a do cadastro,
ocupação profissional, rendimentos. Nesse caso, o que o intermediário
monitora é se as operações do cliente são compatíveis.
De acordo com o Superintendente Branco,
A norma atual utiliza a palavra “objetivamente”, que poderia ser um centavo;
no entanto, a norma não quis dar uma grandeza milimétrica. O que você tem
entre o monitoramento e a comunicação é efetivamente a análise. Você tem
um fato que é o que ele efetivamente operou e está acima do que ele declarou
para efeito de cadastro. O que se espera é que você conduza a diligência e,
naquilo que você estabeleceu no seu controle interno, conforme artigo 9º, para
verificar se aquela incompatibilidade é uma coisa que pode ser maleável, de
acordo com o que efetivamente está acontecendo. Se ele apresentar provas, o
que ele está dizendo é verdadeiro, você tem um excelente fundamento pra
decidir não comunicar. O que se espera é que exista uma conduta proativa da
instituição no sentido de verificar se essa incompatibilidade tem fundamento
ou não [...]. O que se espera é que o intermediário faça a sua diligência interna
e forme a sua opinião dentro dos seus padrões, que ela considera aceitável, de
gerar ou não uma comunicação.
Ainda sobre a compatibilidade das operações com os rendimentos e/ou a situação
patrimonial e financeira, o Superintendente Branco alerta que:
Quem não tem relação com o mercado de capitais muitas vezes não entende a
dinâmica do mercado, então, um cliente com “apenas” dez mil reais pode
legitimamente gerar “n” day-trades e gerar um volume total de milhões. Mas
como ele “apenas” com dez mil gerou um volume de milhões? Isso foi no
decorrer de várias operações. Você tem que olhar como foi estruturado esse
volume de milhões. Você não pode tomar decisões precipitadas dada a
dinâmica e a complexidade do mercado de capitais. É a clássica situação em
que o investidor está operando com derivativo e estava com volume de “tantos”
trilhões. Calma, isso é o nocional, efetivamente o valor foi isso.
Para o Superintendente Azul, os intermediários já definiram o que é incompatível
quando definiram limites operacionais para os clientes, e essa definição poderia ser
utilizada no processo de monitoração do inciso I, conforme trecho a seguir:
Todos as instituições já resolveram esse problema quando atribuíram limites
para os clientes operarem. Apesar de não ser um critério, a prevenção à
lavagem de dinheiro não é feita com base em risco. No caso desse inciso
especificamente, todo mundo já tem uma resposta. O que é compatível com
aquele cliente? Quando você analisa e atribui uma capacidade de operar para
um cliente do que você suporta de risco, você já fez essa análise. Você pode
perfeitamente usar a mesma análise e atribuir isso como “acima desse limite
ou próximo desse limite eu considero como incompatível”.
Com relação à compatibilidade das operações com a ocupação profissional dos
clientes, o Superintendente Azul diz que
Há um dilema que eu costumo remeter mais pra conhecimento do mercado do
que para a formação intelectual dos indivíduos [...]. Eu costumo pensar, por
exemplo, no caso desse cliente, independente da formação que ele tenha, qual
a experiência que ele tem no mercado de capitais? É razoável que ele esteja
operando essas coisas tão sofisticadas apesar do cadastro ser recente ou apesar
dele ter contado para a instituição que ele não tem histórico nenhum nesse
mercado? [...] A formação acadêmica e profissional das pessoas não costuma
dar a elas nenhum tipo de conhecimento suficiente para operar no mercado de
capitais, ao contrário, a experiência no próprio mercado costuma dar essa
experiência, então, o melhor indicador é o “conheça o seu cliente”6.
No mesmo sentido do Superintendente Azul, o Superintendente Branco diz que:
A ocupação profissional é apenas mais um elemento pra você gerar um insumo
para aquilo que se chama de política “Conheça o seu cliente”, que eu acho que
o cadastro é um subconjunto disso. Há pessoas com graduação em medicina
ou odontologia, que, a rigor, estão longe da economia, que sabem mais de
mercado que muito economista ou contador. Isso é mais um parâmetro pra
ajudar a formar a sua opinião.
Segundo o Superintendente Amarelo,
O que alguns [intermediários] fazem é, para ocupação profissional, definir
categorias de risco tanto de pessoa física quanto de pessoa jurídica, que haveria
maior risco, por exemplo, posto de combustível e igreja [...]. A categoria é para
colocar uma lupa nesse tipo de cliente e posteriormente realizar uma análise
mais apurada.
Inciso II: Operações realizadas, repetidamente, entre as mesmas partes, nas quais
haja seguidos ganhos ou perdas no que se refere a algum dos envolvidos
6
O processo de “Conheça seu cliente” ou (Know Your Employee)é uma recomendação do Comitê da
Basileia na qual as instituições devem estabelecer regras e procedimentos para identificar a origem e a
constituição do patrimônio e dos recursos financeiros do cliente.
Para a monitoração do inciso II, é consenso entre os entrevistados que o
intermediário deverá estabelecer o padrão de investimento dentre os seus clientes por
meio de distribuição estatística de concentração de contraparte da população. De acordo
com o Superintendente Amarelo,
A primeira coisa que precisa ser feita é apurar o resultado das operações, se é
lucro ou prejuízo. Com o resultado da operação apurado, é necessário
correlacionar com algum critério de recorrência e de concentração de
contraparte. No caso da contraparte, deverá ser analisado se está sempre
ganhando ou sempre perdendo.
Segundo o Superintendente Azul,
O que é típico dentro do mercado é o padrão dos investidores, então, se você
tem uma população que tem uma distribuição estatística de concentração de
contraparte de ganhos, essa sua população é o melhor indicador pra você dizer
o que é atípico. Com isso, você aplica estatísticas básicas como média e
desvio-padrão e você vai achar o que é atípico, tanto pra ganho quanto para perda e
concentração de contraparte.
Em consenso com o Superintendente Azul, o Superintendente Verde acredita que
a análise por meio de estatística descritiva é o meio mais adequado de identificar situações
atípicas:
O que se utiliza aqui é a média mais dois desvios [padrão] ou média mais um
desvio [padrão], no entanto, o Participante utiliza o que ele julgar melhor. [...]
A média mais dois ou três desvios [padrão] é a forma mais fácil de identificar
um outlier. [...] A partir daí deverá fazer uma avaliação mais aprofundada, que
passa pela aplicação de filtros, ou seja, as operações estão vindo de
determinado mercado? Determinado ativo? Liquidez do ativo? Essa análise
ajuda na monitoração.
Ainda, de acordo com o Superintendente Verde,
É comum a supervisão ficar direcionada para operações realizadas dentro da
casa (os diretos), porque o participante alega que não consegue ver a
contraparte, mas a supervisão é mais ampla, o participante tem que avaliar os
negócios em que a contraparte está fora dele. Nesse caso, o índice de
atipicidade não vai ser o cliente, mas a corretora em que foi alocado o negócio.
O Superintendente Branco acrescenta que:
Isso é parte da política “conheça seu cliente”, porque você está conhecendo o
seu cliente [...]. A ideia não é porque o cliente ganhou ou perdeu duas ou dez
vezes que você vai gerar uma conclusão. Mas temos o inciso VII, que fala
sobre fundamento econômico e não tem como desconectar, você tem que ter o
mínimo de fundamento econômico pra tudo isso. O cliente perdeu em
decorrência de como se comportou o mercado ou porque está sempre se
posicionando do lado errado? Isso é razoável? Ele faz isso porque não tem
conhecimento da operação? Mas se ele não tem conhecimento da operação,
por que ele não está na renda fixa e está mexendo com opção de café? Ou ele
tem conhecimento e ainda assim continua perdendo? Você tem que analisar e
verificar qual é o ponto em que a instituição entende que ela não está
confortável e quer compartilhar essa informação com o COAF.
Para os Superintendentes Azul, Verde e Amarelo, a análise das operações
day-trade deverá ser segregada das demais operações, considerando as suas características,
apesar da norma não deixar explícita a necessidade de analisar de forma apartada. O
mesmo ocorre com as demais operações, no entanto, há um trade off entre
custo/capacidade de processamento versus um indicador mais apurado. Segundo o
Superintendente Azul,
Em todos os tipos de investidores, desde fundos até pessoas físicas, há clientes
que tem 100% das suas operações em day-trade [comprar e vender, no mesmo
dia, a mesma quantidade de títulos de uma empresa]. Você tem um outro grupo
de investidores que nunca realizam day-trade e aí também pessoas físicas,
fundos, tesouraria [que tem parte das suas operações em day-trade]. Misturar
essas duas coisas no mesmo indicador deixa o indicador mais pobre.
O Superintendente Amarelo acrescenta ainda a necessidade de segregar operações
swing-trade, conforme a seguir:
A expectativa é que o Participante olhe no mínimo day-trade e swing-trade
(que são dois pregões) [maior tempo de permanência em uma posição, que
pode ser de 2 a 6 dias], mas isso não está escrito na norma. Pelo histórico, essas
duas situações representam praticamente a totalidade dos casos.
O Superintendente Branco diverge da opinião dos Superintendentes Azul, Verde
e Amarelo com relação à segregação da análise pelo prazo ao dizer que
O que se espera é que a instituição coloque nas suas regras e procedimentos de
controles internos o que ela entende que deve ser implementado para efeito
desse dispositivo. A norma não estabeleceu o que efetivamente deve ser feito
justamente para que a instituição estabeleça o padrão de comportamento que
ela julga típico ou atípico para os seus clientes. [...] Independentemente da
decisão da instituição em segregar a análise pelo prazo das operações ou não,
o que se espera é que ele apresente evidências que ele está monitorando e que
o seu monitoramento e análise tenha consistência com aquilo que ele
estabeleceu em suas regras, procedimentos e controles.
Para analisar seguidos ganhos ou perdas, espera-se o acúmulo das operações de,
no mínimo, dois pregões; no entanto, como prática, é razoável o acúmulo de informações
por 30 dias. Apesar da diferença entre armazenar as informações de 30 dias considerando
o mês fechado ou os 30 últimos dias (móvel), não há restrição em se utilizar qualquer
uma das formas. De acordo com o Superintendente Azul,
A norma fala em acúmulo, então é obrigado acumular. Quanto se deve
acumular, a norma não especifica, mas, como prática, utilizamos 30 dias.
Inciso III: Operações que evidenciem oscilação significativa em relação ao volume
e/ou frequência de negócios de qualquer das partes envolvidas.
Para a monitoração do inciso III, a maioria dos entrevistados diz que é
recomendável a comparação do volume e frequência das operações realizadas nos últimos
30 dias com o volume e frequência de operações realizadas nos 90 dias anteriores.
Segundo o Superintendente Verde,
O objetivo é evitar situações de falso positivo, apesar de ser difícil falar o que
é o parâmetro mais correto [...]. A corretora precisa ter isso [o período] definido
com base no histórico dos clientes, e a calibragem vem do tempo e a corretora
realizando os cálculos, com base no perfil de atuação dos clientes dela.
Para o Superintendente Azul,
Na linha da recomendação, nós recomendamos 30 dias contra 90 [dias]. É o
que a gente recomenda como prática.
Corroborando com o Superintendente Azul, o Superintendente Amarelo afirma
que:
Eu diria que a periodicidade tem que ser no mínimo mensal, você pega um mês
e compara com os três meses anteriores.
Caso o intermediário queira refinar a sua análise, é aconselhável que a comparação
seja realizada entre o volume e a frequência de operações realizadas nos últimos três
meses (90 dias) com o volume e frequência de operações realizadas nos nove meses (270
dias) anteriores, analisando, dessa forma, o último ano. De acordo com o Superintendente
Azul, o indicador seria melhorado, pois:
Seriam cobertos todos os tipos de investidor, daquele mais arrojado, você pega
mudanças de mercado em um período longo para testar como ele se comporta,
você pega aquele investidor que se posiciona duas vezes por ano fazendo a sua
gestão de carteira mais defensiva, você pega fundos on-shore, você pega todo
mundo. Não conheço nenhum perfil que em um ano você não conseguiria
traçar adequadamente o que ele costuma fazer no mercado.
Sob a ótica do Superintendente Branco,
Não existe um [tempo] razoável [de acúmulo de operações], você tem que
implementar aquilo [o que estabeleceu em suas regras, procedimentos e
controles], gerar base de dados, estabelecer um padrão e, em cima disso,
verificar se teve alguma quebra desse padrão. Se espera que você diligencie os
casos em que houve a quebra do padrão e verifique se houve algum
fundamento novo que justifique a quebra do padrão.
O participante deve calcular um parâmetro geral e comparar as operações de
cada cliente com o seu histórico de operações, a partir desse parâmetro [...]. O
que a gente vê muitas vezes é dependendo da categoria de clientes (pessoa
física, institucional, pessoa jurídica não financeira, ou algum outro tipo de
segmentação) ter uma regra menos ou mais restrita, então, os percentuais
podem, por exemplo, mudar.
De acordo com o Superintendente Azul, para uma monitoração mais efetiva, é
recomendável que a análise seja realizada por tipos de ativos, conforme trecho a seguir:
É importante quebrar por tipos de ativos, ações, opções de ações, derivativos
financeiros [...] você consegue ter um indicador mais sensível.
Vale ressaltar que, no segmento de ações, deverá ser considerado o volume
financeiro e, no mercado de derivativos, a quantidade de contratos.
Para o Superintendente Azul,
A norma traz uma dúvida: se monitorar só por volume é suficiente ou não. A
minha interpretação é de que sim. Se você adequadamente fizer o indicador de
volume, você pega os casos que são relevantes [...]. O que o regulador quis
trazer aqui, na minha interpretação, é a ideia de quantidade de pregões em que
ele realiza as operações, e não a quantidade de operações feitas dentro de um
pregão.
Quando o Superintendente Azul foi questionado quanto à realização da
monitoração por meio da entrada e saída de recursos, ele disse que:
O inciso traz no enunciado a palavra “operações”, a conta corrente não é
operação no mercado de capitais. Entendo que não. [...] Tem muita gente que
faz a monitoração pelo net do conta corrente, isso é uma forma de ler, dizem
que a capacidade do cliente é dada pelo que ele liquida, mas você não
capturaria o exemplo de um cliente que fazia pouca operação ou pouco volume
financeiro e passou a fazer um monte, só que esse monte de operação não traz,
pelo menos por ora, não está trazendo resultado ou impacto financeiro [...].
Outro exemplo, ao comprar ações e vender opções o fluxo de caixa aparenta
ser zero, mas ele não é zero, depende de como essa operação foi desenhada,
ela vira uma operação de renda fixa e a corretora jamais identificaria.
Para o Superintendente Amarelo, em consonância com o Superintendente Azul,
A monitoração por meio da entrada e saída de recursos não atende pois, ao
falar de movimentação financeira, por exemplo, o lançamento de uma nota de
No documento
Prevenção à Lavagem de Dinheiro no Mercado de Valores Mobiliários Brasileiro
(páginas 64-90)