2. O ESTUDO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO PARANÁ
2.1. PLURALIDADE DE TÉCNICAS COMO ESTRATÉGIA
2.1.2. Métodos principais
2.1.2.2. Entrevistas em profundidade semiestruturadas
As entrevistas em profundidade não foram feitas com todos os jornalistas da Alep. No entanto pelo menos um jornalista de cada setor foi entrevistado. As entrevistas foram realizadas com coordenadores dos meios de comunicação que tinham uma visão mais ampla da rotina exercida pelos profissionais, mas as impressões de outros profissionais foram registradas também, na busca de identificar tensões nas rotinas.
Tal critério de seleção das fontes é baseado em Duarte (2005), que afirma que nos estudos qualitativos são preferíveis poucas fontes, mas de qualidade, a muitas, sem relevo. Segundo ele, uma única entrevista pode ser mais adequada para esclarecer determinada questão do que um censo nacional. No entanto ele salienta que é importante considerar que uma pessoa somente deve ser entrevistada se realmente pode contribuir para ajudar a responder a questão da pesquisa.
A entrevista semiestruturada apresenta um prévio planejamento, questionando sobre o funcionamento da estrutura de comunicação da Casa e suas rotinas, limitações políticas e profissionais, entre outros temas relacionados com a pesquisa. No entanto o entrevistado fica livre em seu discurso, e o pesquisador aproveita as respostas para a elaboração de novas perguntas quando necessário.
A exemplo do que é retratado por Travancas (2006, p. 103), as entrevistas para esta pesquisa também foram longas. Este material foi transcrito e enviado para os entrevistados para que conferissem suas colocações e verificassem se não houve equívocos de escrita ou interpretação do pesquisador na transcrição da entrevista.
Não cabe ao pesquisador questionar alguma alteração do entrevistado neste momento do processo, pois a transcrição e a correção, como apontadas por Travancas (2006, 102), é o ponto de vista do nativo, por isso deve estar fiel ao pensamento do entrevistado.
No entanto cabe ao pesquisador analisar e interpretar os dados coletados na entrevista. Nesta fase, deve prevalecer o compromisso profissional e ético.
O pesquisador se engaja no estudo e muitas vezes se coloca como porta voz do grupo investigado, deixando de lado o seu compromisso profissional e ético e
esquecendo que, embora haja um enorme espaço para subjetividade do cientista social neste tipo de pesquisa, dados são formas objetivas e têm vida própria. (TRAVANCAS, 2006, p. 103)
Foram entrevistados quatro repórteres. Entre os jornalistas que participaram das entrevistas em profundidade, pudemos contar com dois da Agência Sinal, um da Rádio Sinal e um da TV Sinal. Em relação a assuntos técnicos, as entrevistas se limitaram ao responsável pela internet e mídias sociais e ao fotógrafo, que não tem a formação de jornalista, mas há muitos anos exerce esta função no setor de Divulgação da Casa.
As entrevistas também foram efetuadas com os coordenadores, para, neste contexto, podermos comparar com as funções dos chefes de redação em um jornal ou emissora de TV, por exemplo.
O coordenador da Divulgação da Casa gerencia os trabalhos da Agência e Rádio Sinal, bem como, das mídias sociais e assessoria de imprensa. Já o coordenador da TV Sinal também foi entrevistado, por se tratar de um veículo submetido às determinações do diretor geral da Divulgação, mas independente, pois tem uma produção diferenciada e com temas além da Alep por contar com uma grade de programação de 12 horas diárias, isto é, o trabalho da TV Sinal não se restringe a noticiar apenas os acontecimentos da Alep.
Além de todos os citados, foi entrevistado o diretor geral da comunicação social da Alep e, desta maneira, foi contemplado um jornalista diplomado representante de cada segmento, exceto o fotógrafo que não tem a formação em jornalismo. Assim, baseado em Silva (2013), buscou-se estrategicamente um panorama geral, obtendo visões de diversos olhares, sendo que a convergência deles possibilitou respostas a questionamentos não respondidos apenas pela observação participante.
Assim sendo, os repórteres são os respondentes-chave pelo indicativo de ser a partir deles que a pesquisa visualizou o fenômeno. Por outro lado, os editores detêm as informações relativas às definições de pauta e de controle das demandas do fluxo de produção de dentro da redação para fora e de fora para dentro. Os diretores, por sua vez, respondem diretamente pelas estratégias do grupo e tem uma visão muito particular das relações estabelecidas entre os funcionários e a empresa, além de estarem diretamente envolvidos com os processos de convergência com a reestruturação da redação tanto em nível tecnológico como de trabalho multiplataformas em ambiente de convergência e de integração das redações. (SILVA, 2013, p. 213).
Esta etapa da pesquisa buscou, então, contemplar grande parte dos representantes de áreas específicas de atuação no jornalismo da Assembleia, para que, do modo mais completo possível, seja possível desenhar um panorama das rotinas dos profissionais, e então entender o perfil deste novo modelo de jornalista no mercado.
Vale ressaltar que a transcrição das entrevistas foi priorizada no decorrer do processo, em virtude de correr risco de alguns entrevistados, lotados em cargos comissionados, não estarem mais lotados na Alep em 2015, pela mudança da Mesa Executiva da Casa, o que dificultaria o contato com estes personagens, e assim, poderia impedir a conferência por parte deles da entrevista transcrita como proposto e justificado teoricamente pelo pesquisador.
Por isso, quando o pesquisador retornou para a segunda etapa na Alep, as entrevistas transcritas foram apresentadas para todos os entrevistados, sendo solicitado para que fosse dado um retorno sobre a legitimidade do material apresentado.
Pelo mesmo motivo, era de suma importância que a segunda etapa da observação participante ocorresse ainda em 2014, pois no ano seguinte, em virtude das eleições, a Alep estaria composta de outros deputados, outros diretores e por consequência, outros jornalistas nos setores de comunicação da Alep, o que comprometeria o andamento da pesquisa, considerando o recorte estabelecido.
Tanto na primeira, quanto na segunda etapa da investigação in loco, foi efetuado um registro fotográfico dos ambientes de trabalho da Divulgação e da TV Sinal para, aliado à literatura pertinente, fazer uma identificação de cenário.
Grande parte dos profissionais da Alep, pela distância da residência ao local de trabalho, faziam um horário de almoço reduzido, considerando que almoçavam em restaurantes próximos da instituição. Tal fator facilitou a realização das entrevistas em profundidade com os profissionais, sem que isto atrapalhasse suas rotinas de trabalho, em horário de expediente. Ao todo, nove jornalistas concederam entrevistas em profundidade ao pesquisador.
Na primeira etapa, quatro dos entrevistados concederam entrevista na hora do almoço, dois após o horário de expediente e um em trânsito, no deslocamento para uma reportagem fria de TV. Na segunda etapa, dois profissionais concederam entrevista na hora do almoço.
As entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas somando, cerca de 40 páginas. Todas as entrevistas contam com uma autorização de publicação assinada pelos participantes, também por exigência de normas do Comitê de Ética, com a condição de suas identidades não serem reveladas.
Os entrevistados foram identificados da seguinte maneira: A – Divulgação / Portal conteúdo
Diretor de Comunicação - A1C9
Coordenador da Agência Sinal – A2E10
Assessor de imprensa / jornalista da fonte – A3E Assessor de imprensa / jornalista da fonte – A4C B – Divulgação / Manutenção Portal e Mídias sociais Edição de fotos /mídias sociais – B2C
C – Divulgação / Rádio Rádioweb – C1C D - TV Sinal Diretor TV Sinal – D1T Repórter – D2T E – Divulgação / Foto Fotógrafo – E1E
As perguntas se basearam no cargo que o profissional ocupava e a função que desempenhava, como também, no tempo que o colaborador tinha de serviço prestado à instituição e ainda opiniões pessoais sobre o próprio papel nos meios de comunicação da Alep. Os jornalistas, somente os graduados, exceto o fotógrafo, foram questionados também sobre as rotinas produtivas, sobre ética, objetividade, comprometimento com a fonte de informação, transparência e a influência político-partidário que incide no jornalismo produzido pela Casa.
Algumas perguntas seguiram um padrão para todos, outras foram específicas para o perfil do cargo e da função exercida, e as demais foram formuladas na hora, considerando algumas respostas que ficaram confusas para o pesquisador ou mesmo que remetessem a outro questionamento pertinente ao assunto.
Para comparação com as informações extraídas dos jornais (Gazeta do Povo), nas entrevistas em profundidade com os servidores de carreira, foi questionado como era a comunicação antes do escândalo dos Diários Secretos. Neste aspecto em especial, notou-se uma boa vontade dos servidores de carreira em discorrer sobre o assunto informalmente, mas a partir do momento que a entrevista começava e o gravador era ligado, a história se tornava mais amena, e a espontaneidade era substituída por cautela em algumas palavras.
9 C=Cargo em Comissão (livre nomeação e exoneração). 10