Histograma: Distribuição das Levas Semanais de Respostas
ENVIOS DAS CORRESPONDÊNCIASPRIMEIRO E SEGUNDO
ENVIOS
TERCEIRO ENVIO QUARTO ENVIO
IN ÍCIO F INAL DA SUR V E Y
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28/03/06 04/04/06 11/04/06 18/04/06 25/04/06 02/05/06 09/05/06 16/05/06 23/05/06 30/05/06 06/06/06 13/06/06 20/06/06 27/06/06 04/07/06 11/07/06(P1)
(P2)
(P3)
Figura 4. Histograma das levas de recebimento dos questionários respondidos pelos sujeitos da
pesquisa.
Para que a elevada taxa de respostas preconizada por Dillman (1978, 2007) fosse alcançada, de 70%, o segundo Pico (P2) deveria ser aproximadamente igual ao primeiro
Pico (P1), e o terceiro Pico (P3) deveria alcançar 50% do número de respondentes do segundo Pico (P2).
O padrão geral de respostas não mostra diferença significativa entre as taxas de respostas da Asa Norte e da Asa Sul. Os dados gerais dos respondentes podem ser estudados com relação a cada uma das Asas em que se divide o setor residencial do Plano Piloto de Brasília: Asa Norte e Asa Sul. Não há diferença significativa entre os padrões de respostas dessas duas macro-unidades ecológicas, que envolvem as superquadras em seu conjunto. A comparação entre as proporções de participação de cada uma das Asas (Norte, Sul) na amostra e no número de respondentes não revela diferença estatisticamente significativa – o valor-z da diferença entre as proporções é de z = - 1,31; p = 0,0951. As análises comparativas entre os resultados das duas Asas mostram várias interessantes diferenças entre as duas populações.
Esses resultados não foram incorporados ao presente trabalho, pois implicariam na apresentação de um volume de informações de importância secundária para o exame da hipótese da homologia entre settings e redes de settings.
Análise das Opiniões sobre a Atuação dos Condomínios e das Prefeituras
As avaliações que os moradores respondentes fazem de seus condomínios e prefeituras comunitárias se prestam a uma grande variedade de análises acerca da percepção que existe da estrutura formal das redes de settings residenciais em cada superquadra.
Mesmo considerados os intervalos mais desfavoráveis dos erros amostrais, tem-se que as opiniões dos respondentes sobre seus condomínios são majoritariamente positivas (56,8,3%). Por outro lado, apenas 22,8% dos respondentes apresentaram opinião positiva de suas prefeituras comunitárias. Isso não significa que os condomínios não gerem uma porcentagem significativa de respondentes que os avaliou negativamente: 32,4%, contra uma porcentagem de 29,3% de respondentes que avaliaram as prefeituras comunitárias de modo negativo. As prefeituras comunitárias geraram a maior porcentagem de avaliações neutras: 43,1%, contra uma porcentagem de 10,7% de avaliações neutras dos condomínios. Assim, os condomínios apresentaram maior polarização das opiniões, para a amostra de respondentes.
A proximidade funcional que os condomínios apresentam em relação aos settings residenciais é, provavelmente, a causa dessa polarização constatada. As prefeituras
comunitárias, nos casos em que não são sustentadas pelos condomínios – o sustento evidentemente implica em custos para os mantenedores dos settings residenciais -, geram menos polarização nas opiniões, e uma proporção significativa de opiniões neutras (z = 3,88; p < 0,001). Esse resultado indica que o pagamento de contribuição de ajuda a uma dada prefeitura comunitária acarreta expectativas sobre seu desempenho. Efetivamente, há indício do estabelecimento de, pelo menos, um enlace entre os settings residenciais e as prefeituras comunitárias, no âmbito das expectativas dos pagantes acerca dos serviços por que pagam. Esse enlace pode ser detectado através dos padrões de respostas dados.
Assim, as prefeituras comunitárias são avaliadas de forma marcantemente diferente dos condomínios, pelos moradores respondentes, e pode-se especular que, caso a sua participação na vida cotidiana dos moradores seja ampliada, uma situação de polarização vai ser estabelecida entre essas duas classes de avaliações feitas pelos respondentes.
Essa polarização pode ser analisada através dos dados da pesquisa, segundo a Tabela J-7 (p. 357), que mostra a identificação de situações polarizadas de opiniões dos respondentes com relação ao seu condomínio e com relação à sua prefeitura comunitária. A caracterização da polarização é dada pela ocorrência de proporções estatisticamente diferentes de p = 0,3333 para a distribuição de avaliações positivas, neutras ou negativas de seus respectivos condomínios e prefeituras comunitárias. As estatísticas foram calculadas para cada superquadra. Caso uma superquadra tenha apresentado proporções estatisticamente significativas (com um valor-z > 1,65; p < 0,05) para as proporções de avaliações positivas e negativas, diz-se que a avaliação é, então, polarizada. Caso uma superquadra apresente uma avaliação neutra estatisticamente significativa, como proporção inferior à média, também é considerada polarizada.
Os respondentes moradores das superquadras com prefeitura militar (SQN 305 e SQN 306) avaliaram positivamente os condomínios de seus blocos de habitação. Os respondentes da SQN 306 avaliaram a sua prefeitura militar de forma predominantemente negativa (64,3% dos respondentes). No caso da SQN 305, os respondentes ofereceram uma significativa proporção de avaliações neutras (70,0% dos respondentes) de sua prefeitura militar. Não foi possível obter informação sobre o modo de contribuição que cada bloco de habitação deve oferecer à prefeitura militar, se há regime de isenção, ou diferenciação do pagamento em função da patente do morador, por exemplo. Contudo, a insatisfação dos respondentes da SQN 306 deve ser comparada à elevada taxa de respostas da SQN 305. Esta superquadra tem uma taxa estandardizada de z = 1,48 (p = 0,0694), contra a taxa estandardizada da SQN 306, com z = - 0,58 (p = 0,2810). Portanto, os respondentes
moradores da SQN 305 estão próximos da média geral, e avaliaram a prefeitura militar de forma neutra.
As avaliações neutras das prefeituras comunitárias não devem nos levar a subestimar a importância dessa classe de avaliação para o conjunto dos respondentes (a proporção geral de avaliações neutras tem um valor-z = 2,51; p = 0,0060). As opiniões positivas e negativas dos respondentes, sobre as prefeituras de suas superquadras, não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre suas proporções (valor-z da proporção de opiniões positivas = 0,74; p = 0,2296). Essa diferença deve ser tomada com cautela, pois a proporção de opiniões julgadas neutras é muito elevada nesse caso, com respeito à opinião dos respondentes sobre as prefeituras comunitárias. Os julgamentos das opiniões que foram consideradas neutras são os que contêm a maior probabilidade de erro, embora o número de julgamentos nesse caso (n = 150) possua uma margem menor, de 8,16%. Com essa margem não há mudança significativa no equilíbrio de opiniões positivas e negativas dos respondentes sobre as prefeituras comunitárias de suas superquadras.
Essa assimetria entre os padrões de opiniões acerca das atuações dos condomínios e das prefeituras é coerente com o princípio enunciado por Simon e Ando (1961), da ocorrência de significativas diferenças entre as interações, avaliações e capacidade de adaptação a demandas externas, ao longo da hierarquia de uma organização. Esse resultado parece indicar que há um lapso mensurável na arquitetura das redes de settings estudadas, entre o nível hierárquico dos condomínios e das prefeituras comunitárias, do ponto de vista dessa amostra de moradores respondentes.
As avaliações que os respondentes ofereceram sobre seus condomínios e prefeituras comunitárias oferecem suporte para a identificação de uma representação diferenciada dessas duas instâncias. As avaliações sobre os condomínios possuem uma variabilidade muito maior do que as avaliações sobre as prefeituras comunitárias, como se pode inferir das correlações expostas na Tabela J-5 (p. 353). As avaliações sobre as prefeituras comunitárias são uma forma de apreciar a própria rede de settings. Essa unidade ecológica parece ser percebida de forma extraordinariamente consistente pelos moradores.
Foram constatadas correlações entre as proporções de respondentes (por superquadra) que (a) avaliaram positivamente as respectivas prefeituras comunitárias; e as proporções de respondentes (por superquadra) que (b) avaliaram de forma neutra as respectivas prefeituras comunitárias (r = -0,501; p < 0,05); assim como as proporções de respondentes (por superquadra) que (c) avaliaram positivamente as respectivas prefeituras comunitárias; e as proporções de respondentes (por superquadra) que (d) avaliaram
negativamente as respectivas prefeituras comunitárias (-0,553; p < 0,05). Essas correlações mostram que essas avaliações seguem um inesperado modelo subjacente, com um padrão de variabilidade significativamente mais definido. Para o conjunto de respondentes, essa consistência nas correlações entre as avaliações dos condomínios não existe.
Essa é uma primeira e rudimentar indicação de que há fenômenos de escala na percepção das redes de settings por seus participantes, que se relacionam com a sua extensão física, as relações entre os settings componentes, e sua complexidade funcional. Outra relevante correlação evidencia o viés crítico que a amostra de respondentes expõe contra as prefeituras comunitárias: quanto mais antiga a prefeitura, mais negativa é a sua avaliação (r = 0,422; p < 0,05). Pode-se buscar uma explicação no fato de que a atuação das prefeituras comunitárias é objeto de frustração continuada, mas isso implicaria que os respondentes efetivamente acompanhassem a sua trajetória, no tempo. Ocorre que há correlação negativa estatisticamente significativa entre o tempo de moradia dos respondentes no Distrito Federal e na superquadra, e o tempo de existência da prefeitura comunitária (r = 0,147; p < 0,01). Ou seja: quanto mais antiga a prefeitura comunitária, mais negativamente ela foi julgada pelos moradores mais recentes – e mais positivamente pelos moradores mais antigos. Estes, contudo, expuseram um maior volume de avaliações neutras. Assim, o tempo de moradia mostrou-se associado à avaliação que os respondentes apresentam acerca da prefeitura comunitária.
Essa avaliação é reveladora da natureza do estudo das redes de settings de vizinhança urbana: a composição dos participantes – dos moradores -, suas características demográficas, ocupacionais, sociais, sua formação, assim como seus padrões de relações sociais com seus vizinhos, são cruciais para a compreensão da estrutura e da dinâmica dessas redes – nos termos da teoria dos behavior settings.
No caso das avaliações dos condomínios e das prefeituras comunitárias, os moradores mais recentes polarizam mais suas opiniões: é o caso da Asa Norte, cujos respondentes declararam ter menos anos de moradia, em média, em seus apartamentos (8,8 anos, contra 14,2 anos dos respondentes da Asa Sul), em suas superquadras (9,3 anos contra 15,1 anos dos respondentes da Asa Sul), e no Distrito Federal (24,9 anos contra 29,61 anos dos respondentes da Asa Sul). Segundo a Tabela J-7 (p. 357), tem-se que das oito situações de polarização das opiniões verificadas quanto às avaliações dos condomínios, cinco polarizações ocorrem na Asa Norte. Tem-se que das cinco situações de polarização das opiniões verificadas quanto às avaliações das prefeituras comunitárias, quatro polarizações ocorrem na Asa Norte.
Essas evidências apontam para uma caracterização das redes de settings em termos de sua tensão interna, gerada por expectativas acerca de seu desempenho. Pode-se especular que, quanto maior for o investimento dos moradores em uma rede de settings de vizinhança estruturada (com prefeituras comunitárias, oficinas de atividade comunitárias, clube comunitário, entre outros settings que agregam os domicílios) maior será a tensão interna, maior será a polarização das avaliações sobre cada um desses componentes estruturadores da rede de settings. Isso nos obriga a observar que a presente pesquisa não foi concebida para investigar, em especial, essa ordem de tensões internas, assim como a sua contrapartida teórica: a ordem de tensões externas, com as demais vizinhanças, transeuntes e os vários tipos de indesejados.
Também leva à consideração das redes de settings de vizinhança como organizações que podem apresentar como importante fonte de variabilidade nas suas avaliações acerca de seu desempenho, a renovação de seus moradores, que implica na permanente existência de uma fração variável de moradores recentes. A diversidade de tensões ocasionada por essa taxa de renovação de moradores, bem como pelo tamanho dessa fração de moradores recentes – e de outras classes de antiguidade de moradia na vizinhança – pode ser pesquisada a partir da perspectiva teórica de rede de behavior
settings. Da mesma forma, as probabilidades de sucesso de uma variedade de programas de
fortalecimento das vizinhanças urbanas – como as campanhas de segurança pública, as campanhas por paz no trânsito, as campanhas contra gangs urbanas, entre outras – podem estar associadas ao diagnóstico dessas tensões internas na rede de settings. No caso da presente pesquisa, presume-se que essa tensão é subjacente ao padrão de respostas do grupo de moradores que decidiu colaborar.
Como evidência anedótica dessa afirmação, cita-se o caso da SQS 312, uma superquadra sem prefeitura, que apresentou a mais elevada taxa de respostas da pesquisa (61,0% de respondentes, contra a média geral de 35,44% de respondentes). Ao passo que 47,3% dos moradores respondentes da Asa Sul residem há menos de 10 anos em seu atual apartamento, na SQS 312 observa-se que 59,0% dos respondentes residem há menos de 10 anos em seu atual apartamento. Essa diferença é estatisticamente significativa (z = 3,48; p<0,0005). O ímpeto de responder à pesquisa levou esses respondentes a até mesmo avaliar de forma neutra uma prefeitura comunitária inexistente, à época (ver Tabela J-3, p. 351).
Análise da Relação Formal de Ajuda entre Condomínios e Prefeituras
A hipótese da homologia entre settings e redes de settings depende crucialmente do modo como um programa de comportamento pode ser reconhecido, mesmo que a partir de
traços comportamentais – ou amostras de comportamentos como o de ajuda, que podem
ser colhidas como evidências para o reconhecimento de padrões comportamentais mais abrangentes. Contudo, como foi exposto na Revisão da Literatura (p. 10), a hipótese da homologia, tal como se deduz de Wicker (1987), implica em programas comportamentais que devem se apresentar tão mais fortemente delineados quanto maior a formalidade dos papéis entre as partes, ou seja, entre os componentes do setting e da rede de settings.
Propõe-se que o fato de os condomínios deliberarem, voluntária e individualmente, por fazer pagamento mensal – ou, de outra forma, periódico e continuado - à prefeitura comunitária, para que essa se mantenha, caracteriza vínculo formal entre esses dois níveis hierárquicos das redes de behavior settings que foram estudados nas superquadras de Brasília. Esse vínculo deve estar associado a comportamentos de interesse comum, que constituem, por definição, as bases para o programa comportamental da rede de settings residenciais. Evidentemente, o comportamento de ajuda a estranhos – no caso a resposta à solicitação do pesquisador, de que os sujeitos respondessem ao questionário enviado e o colocassem no envelope selado e o entregassem em agência ou em caixa pública dos correios – pode ser considerado um desses comportamentos de interesse comum. Esse vínculo abre a oportunidade para que uma variedade de comportamentos de interesse comum seja examinada: a manutenção / a vigilância / a limpeza das áreas comuns da superquadra; as conversas entre vizinhos; as formas de ajuda mútua e direta. Alguns desses comportamentos podem ser examinados indiretamente, através das declarações dadas pelos respondentes em seus respectivos questionários. Examinar-se-ão esses aspectos na Sub- seção Redes Sociais e Díades (p. 120). Nesta Sub-seção, são examinados os padrões gerais de participação proporcional dos respondentes nos blocos que mantêm ou não mantêm relações formais de ajuda entre condomínios e prefeituras. Enquanto realizava-se o procedimento de survey pelos correios – de março a julho de 2006 -, perguntou-se diretamente aos Prefeitos Comunitários quais eram os blocos, à época da pesquisa, que contribuíam financeiramente para a manutenção da prefeitura comunitária.
Assim, para o conjunto das 18 superquadras que deram as informações sobre os condomínios que formalmente contribuem para a manutenção das prefeituras comunitárias, não se observa um padrão que relacione o fato de o condomínio contribuir ou não, e a
freqüência de respondentes por condomínio ou bloco de habitação. Essa ausência de relacionamento estatisticamente significativo é notável, pois se trata de 64,29% do conjunto de superquadras pesquisadas. Infere-se que o padrão de distribuição dos condomínios que contribuíam financeiramente para a sustentação das prefeituras comunitárias tem uma lógica própria, que não se relaciona com outras importantes distribuições, como: (a) a densidade dos blocos de habitação (r = - 0,045; p = 0,546, bilateral); (b) o número de respondentes moradores de primeiros ou sextos andares (r = - 0,076; p = 0,307; r = - 0,040; p = 0,592, respectivamente); e (c) o número de díades com um ou com dois respondentes (r = 0,060; p = 0,422; r = 0,095; p = 0,204, respectivamente).
Uma possível explicação para o padrão de distribuição dos condomínios que contribuíam para a sustentação de suas respectivas prefeituras comunitárias, na época em que foi realizada a pesquisa, é que a negociação desse apoio é feita por um restrito colegiado de Síndicos e Prefeitos, num padrão decisório que difere significativamente da opinião dos moradores. Apesar de essa contribuição financeira dever obrigatoriamente ser deliberada em Assembléia Condominial - que é o mais importante setting do condomínio -, haveria a convergência de fatores que não são detectáveis através da pesquisa que foi realizada. Essa explicação implica num sério golpe para a hipótese de que as relações formais entre settings seriam fator determinante para o programa comportamental da rede da qual esses settings fazem parte. Contudo, ainda se pode considerar que as relações formais entre os domicílios, os condomínios residenciais e as prefeituras comunitárias não devem ser tomadas de forma tão direta e determinista. A hierarquia de settings nessas redes que foram examinadas nas superquadras é reconhecida pelos moradores, mas sua funcionalidade, sua capacidade de impor um padrão de atividades – definido, pela homologia entre settings e redes de settings – é variável e comporta organizações heterogêneas. Por exemplo, a totalidade dos cargos de Prefeito Comunitário, à época da pesquisa, era não-remunerada, voluntária. Embora não se tenha esse dado para a faixa de superquadras pesquisadas, sabe-se que os Síndicos podem ser remunerados em alguns casos, em outros casos são isentados somente de pagar a respectiva taxa de condomínio, e em outros casos não auferem remuneração ou benefício. Esse dado é de fundamental importância para a avaliação do desempenho do setting Condominial, em especial, mas não foi levantado na presente pesquisa.
Outra consideração pode ser feita na direção da evolução dessas redes de settings, na medida em que a organização das superquadras do Plano Piloto de Brasília é
notavelmente estruturada: todos os seus settings Domiciliares pertencem a condomínios, e a maior parte de suas superquadras (especialmente na faixa de superquadras 300, pesquisada), possuem prefeituras comunitárias organizadas a partir de um Conselho de Síndicos e moradores. Em comparação com vizinhanças urbanas tradicionais, trata-se de padrão de notável organização, que existe independentemente de quem quer que seja morador ou autoridade pública, ou seja, corresponde exatamente ao que Barker (1968) preconizou como condição para o reconhecimento de um setting individual. A inter-relação formal entre todos os seus componentes pode ser a condição para a emergência de um determinado tipo de rede de settings, altamente estruturada. Desse modo, a perspectiva dada pelo presente estudo cria a necessidade de estudos comparativos de redes de behavior
settings em outros tipos de vizinhanças urbanas, com outras composições populacionais e
com outras formas de organização de seus settings, residenciais ou de outra natureza (comerciais, religiosos, educacionais, etc).
Observa-se que o fato de uma dada superquadra possuir ou não uma prefeitura comunitária não se correlaciona significativamente com a taxa de respostas. Essa constatação é fundamental, na presente pesquisa, para que a hipótese da homologia baseada na formalidade das relações entre os settings domiciliares individuais (domicílios), na organização dos settings individuais no nível do bloco de habitação (condomínios) e na organização dos condomínios em redes de sustentação e constituição de prefeituras comunitárias seja, preliminarmente, contestada. Os dados expostos na Seção Distribuição
de Respostas (p. 135) demonstraram que não possuir uma prefeitura comunitária não
implicou em um padrão de proporções de respondentes significativamente abaixo da média de respondentes para as 5 superquadras nessa situação. Em especial, a SQS 312, sem prefeitura comunitária, teve uma significativa participação de respondentes: a mais elevada, proporcionalmente, de todas.
Esses resultados contradizem uma importante suposição colocada pela hipótese de homologia entre settings e redes de settings. Poder-se-ia esperar que entre as superquadras sem prefeituras comunitárias a proporção de respondentes seria significativamente inferior às demais proporções, dado que a formalidade de suas relações, segundo Wicker (1987) seria um fator decisivo para que se pudesse predizer a sua mais significativa participação na rede de settings. Contudo, esse resultado coloca em cheque o tipo de formalidade que se quer definir: não se trata apenas de a superquadra ter uma prefeitura comunitária. A formalidade das relações consideradas envolve, entre outros aspectos: (a) a organização