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2.5 A inserção estratégica das áreas de GP

2.5.4 Envolvimento da GP no processo de tomada de decisão

traduzir as necessidades organizacionais em serviços relevantes para gestores e funcionários, sobretudo sob a forma de ações de desenvolvimento de pessoal (Stewart et al., 2010).

Por fim, na função de “parceiro estratégico”, a unidade de GP demonstra competências políticas de articulação junto aos demais atores organizacionais para manutenção do alinhamento de suas práticas às necessidades previstas e emergentes da organização (Teo & Rodwell, 2007). Considerar um setor de GP como um parceiro estratégico de negócio depende da posição de destaque exercida pela unidade ao alcançar o vínculo entre as atividades de gestão de pessoas e os negócios estratégicos organizacionais, evidenciando seu status e influência na organização (Galang & Ferris, 1997).

Diante do exposto, tecnicamente as unidades de GP exercem diferentes atividades as quais refletem nos papeis da unidade, sejam atividades burocráticas e rotineiras ou estratégicas. Considerando que o papel desempenhado pelas unidades de GP impacta na contribuição que a área pode proporcionar à organização, cabe destacar o papel político das unidades de GP, o qual possibilita a influência da unidade nos negócios organizacionais. No entanto, muitas organizações ainda não reconhecem essa atuação das unidades de GP nas decisões organizacionais; assim vale analisar como se dá o envolvimento das unidades de GP no processo de tomada de decisão.

eficácia da unidade, a qual é avaliada com base no que e como pode atender às expectativas e demandas da organização (Nguyen et al., 2019; Teo e Rodwell, 2007; Zhao et al., 2019). Além disso, o envolvimento estratégico e a influência da unidade de GP dependem das relações institucionalizadas entre a unidade e outras partes interessadas, de forma que os dirigentes de GP buscam legitimar suas funções e status dentro de uma organização, explicando os benefícios do envolvimento do setor em questões estratégicas (Golden & Ramanujam, 1985; Kelly & Gennard, 2010).

Assim, é preciso um envolvimento efetivo da área de GP nas atividades estratégicas da organização, bem como a devolução das questões diárias de gestão de pessoas aos gerentes de linha e à alta liderança, fator que pode ser considerado como um indicador relevante da integração e da valorização da função de RH dentro da organização (Buyens & De Vos, 2001; Singh et al., 2012).

O envolvimento da área de GP no processo de planejamento estratégico é fundamental para o desempenho da empresa: quando a organização percebe um alto nível da eficácia das áreas de GP, seu envolvimento no planejamento estratégico é considerado como construtivo e exerce uma influência positiva no desempenho futuro da organização;

em contraste, quando a organização percebe um baixo nível de efetividade de GP, o envolvimento é visto como um desperdício de recursos organizacionais, resultando em um baixo relacionamento com o desempenho futuro da organização. (Chen et al., 2011;

Welch & Welch, 2012). Nesse sentido, quando um profissional de GP exerce um papel majoritariamente operacional e tem pouco tempo para se dedicar a outras questões devido a pressões de sobrecarga de tensões entre expectativas conflitantes, estas condições podem reduzir a confiança da organização na capacidade estratégica do profissional de GP e impactar negativamente na probabilidade de que estes profissionais sejam incluídos em processos formais e informais de envolvimento em processos estratégicos (Sheehan et al., 2016; Welch & Welch, 2012).

Os setores de GP buscam a aceitação do restante da organização como parceiros estratégicos de negócios estabelecendo políticas de GP para a implementação e o desenvolvimento de capacidades e habilidades humanas, além do desenvolvimento de responsabilidades de funções de GP para os gerentes de linha (Tang et al., 2015). Esta função de parceiro estratégico de negócio pode ser exercida de diferentes maneiras, em que a atuação dos profissionais da área de GP varia desde seu envolvimento na formulação estratégica organizacional até a contribuição na implementação da Gestão Estratégica de Pessoas. Assim, os setores de GP auxiliam a organização no alinhamento

de práticas de GP com a estratégia de negócios (Buyens & De Vos, 2001; Raub et al., 2006).

Vale destacar uma pesquisa realizada por Buyens & De Vos (2001), em que foi desenvolvida uma estrutura, apresentado na Figura 9, em que o envolvimento da função de GP é representado em diferentes momentos do processo de tomada de decisão, baseados na problematização, desenvolvimento de solução, implementação e controle.

Os autores preferiram o termo "tomada de decisão" em vez de "formulação de estratégia", pelo fato de que o primeiro abrange mais decisões sobre GP do que as referentes à estratégia organizacional. Cada momento de envolvimento – seja na etapa de formulação ou implementação, pode ser importante para a efetivação das políticas de gestão estratégica, de forma que quanto mais cedo as unidades de GP se envolvem no processo de tomada de decisão, melhor poderá ser o impacto destes sobre as decisões estratégicas (Buyens & De Vos, 2001; Dyer, 1983).

Figura 9. Envolvimento da GP no processo de tomada de decisão.

Nota. Fonte: Adaptado de Buyens & De Vos (2001)

Ao assumir que o processo de tomada de decisão começa com a observação de uma lacuna entre a situação real e uma situação desejada, o envolvimento da unidade de GP pode ser descrito como muito antecipada caso a área esteja envolvida no primeiro momento do processo de tomada de decisão, de forma que é possível reconhecer e determinar problemas. O segunto momento de envolvimento, descrito como antecipado, é caracterizado por um envolvimento oportuno da GP no processo decisório e se refere ao momento em que a unidade de GP está ativamente envolvida no processo de tomada de decisões, criando instrumentos e apoiando os gerentes de linha responsáveis pela implementação. Já no terceiro momento, o envolvimento em uma decisão é tardio e restringe-se à implementação de atividades de GP sem qualquer contribuição ativa da equipe de GP. Por fim, o último momento de envolvimento da unidade de GP no processo decisório é chamado de muito tardio, tendo em vista que a unidade de GP é consultada

apenas para controle ou caso as soluções implementadas não funcionem conforme o esperado, sendo necessário alguma atuação da unidade para a solução do problema.

O envolvimento da GP em todas as fases do processo decisório é tido como relevante para a realização de políticas eficazes de GP, visto que o envolvimento antecipado e total nos processos de tomada de decisão é necessário para que a área seja considerada nos processos de tomada de decisões estratégicas. No entanto, quanto mais cedo o representante de GP estiver envolvido no processo de tomada de decisão, ou seja, desde a fase de identificação de problemas até a solução das propostas, maior será o seu impacto, pois estar envolvido no início da formulação da estratégia melhora as chances das questões de GP serem refletidas na estratégia (Dyer, 1983).

De forma complementar, apesar de tanto os dirigentes de GP quanto os demais profissionais expressarem o mesmo desejo de reduzir a carga de trabalho operacional e envolver-se mais fortemente em papéis estratégicos de RH, os dirigentes possuem uma maior chance de influenciar as decisões em estágios iniciais, ainda que os resultados apontem que a maioria dos setores possuam um envolvimento tardio nas decisões organizacionais (Buyens & De Vos, 2001; Raub et al., 2006).

Em suma, visto como um elemento que auxilia na inserção estratégica das unidades de GP nas arenas decisórias, pode-se considerar que o envolvimento antecipado da unidade de GP no processo de tomada de decisão aumenta as chances de que as reivindicações do setor de GP repercutem nas decisões organizacionais se concretizem em políticas de GP. Assim, a influência nos negócios organizacionais é mais eficaz a depender da fase do processo de tomada de decisão em que unidade de GP atua, de forma que, quanto mais os profissionais de GP estiverem envolvidos nesse processo, maior será o impacto sobre as decisões estratégicas organizacionais.