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ALUNOS MEDIADORES

1. Envolvimento parental

1.1. Definição de envolvimento parental

A família e a escola representam marcos importantes para a educação e socialização da criança e importa que estejam em sintonia e que partilhem a responsabilidade de educar e concebam as suas respectivas tarefas como complementares.

Quando existe uma relação positiva entre a família e a escola, podemos afirmar que existe envolvimento parental. Para Misutu (et al., 2009), a família constitui o primeiro marco educativo da criança, pelo que os pais deverão criar um clima favorável à aprendizagem. Esta aprendizagem constitui, por sua vez, um marco imperativo da educação na escola. Os autores acrescentam ainda que a família partilha com a escola a responsabilidade da educação, pelo que ambos se relacionam e se completam.

Grolnick e Slowiaczeck (1994, cit. por Prego & Mata, 2012) referem que a caracterização do envolvimento parental engloba um conjunto alargado de comportamentos e atitudes dos pais, com vista a proporcionarem recursos educativos que permitam apoiar o desenvolvimento e aprendizagem dos filhos.

O envolvimento parental pressupõe uma positiva cooperação entre a família e a escola. Na literatura, vários autores referem diversas abordagens sobre o envolvimento parental, que se caracterizam por fomentar uma participação activa dos pais na vida escolar dos filhos, acompanhando sempre com qualidade todo o seu processo educativo.

45 O termo inglês “parent involvement” foi proposto por estudiosos norte-amercianos para designar precisamente a participação dos pais ou o envolvimento dos pais (pai e mãe) na escolaridade dos seus filhos. (Cervini, 2002; Orealc-Unesco, 2004, cit. por Solís - Cámara P., Romero, Ovando, Flores, Gonzalez & Torres, 2007).

Solís - Cámara, et al. (2007) referem que, segundo Georgiou (1997) Nick & Ortiz, (1999), o envolvimento parental pressupõe atitudes e comportamentos dos pais como forma de melhorar o desempenho académico das crianças e inclui também a relação dos pais com a escola.

Henderson e Mapp, (2002, cit. por Solís - Cámara, et al., 2007), concluiu que:

a) Independentemente de grupos étnicos e culturais, e independentemente do rendimento e nível de rendimento das mães, o envolvimento parental está relacionado com o sucesso escolar;

b) Quanto maior for o envolvimento dos pais, maior é o rendimento escolar do aluno, logo, o sucesso escolar;

c) O termo “envolvimento parental” deve ser substituído por “envolvimento da família”, uma vez que todos os membros da família podem assumir um papel relevante para o sucesso escolar.

Segundo alguns autores de estudos realizados nos anos 90 (Griffi, 1996, Kellaghan, Sloane, Alvarez e Bloom, 1993, cit. por por Solís - Cámara, et al. 2007), o sucesso escolar não é apenas afectado pela estrutura social, etnia ou nível sócio – económico. No entanto, Shaver e Paredes (1998, cit por por Solís - Cámara, et al. 2007) reforçam a ideia de que os alunos com maior sucesso escolar são provenientes de famílias de nível sócio- económico elevado.

Por seu lado, a Dirección General de Participación y Solidaridad en la Educación (2006) defende que o envolvimento parental representa um factor de qualidade para o sistema educativo e, consequentemente, é um instrumento básico de cidadania, de liberdade e de responsabilidade.

46 Assim, o envolvimento parental pressupõe:

 Intervenção na elaboração do projecto educativo da escola;

 Manutenção de um estreito contacto com os professores;

 Existência de um intercâmbio de ideias e experiências com o fim de encontrar soluções aos problemas referentes ao aluno e à escola.

Um estudo levado a cabo por Davies (1989) sobre o envolvimento parental em escolas portuguesas centrou-se na relação entre a escola e as famílias com um nível sócio – económico baixo e, através da análise da perspectiva dos professores e dos pais foram identificados os factores que justificam o baixo envolvimento parental. Os professores referiram várias razões para o baixo envolvimento parental. Referiram concretamente: falta de interesse em participar, separação cultural existente entre ambas as instituições, falta de conhecimento recíproco e, por fim, as expectativas reduzidas relativamente à escolaridade dos filhos. Os pais, em contrapartida, referem que o reduzido envolvimento parental se deve à incompatibilidade de horários e, para alguns pais, prende-se com o facto de verem a escola como um mundo pouco conhecido, e muitas vezes até como um lugar onde eles próprios viveram experiências menos positivas. Os pais acrescentam ainda que muitas vezes só são convocados a comparecer na escola quando há de problemas com os seus filhos.

O estudo realça ainda uma certa falta de confiança por parte dos professores em relação aos pais, desconfiança que os leva a evitar fazer algo que motive os pais a envolverem-se na escola. Os pais, por sua vez, adoptam uma atitude de maior confiança em relação à escola manifestando expectativas positivas relativamente aos professores e à escola. No que respeita às expectativas, tendo em conta o nível sócio – económico dos pais, concluiu-se que os pais de classe média apresentam expectativas mais elevadas quer em relação à escola, quer em relação aos filhos.

47 1.2. Os modelos de envolvimento parental

Salientada a importância do envolvimento parental, importa referir as tipologias do envolvimento parental mais frequentemente utilizadas.

O envolvimento parental em crianças e adolescentes pode ser medido “através de eventos promovidos na escola (Stevenson & Baker, 1987, cit. por Parreiral, 2005), nas actividades culturais realizadas em família e no apoio aos trabalhos de casa (Walberg, 1984, cit. por Parreiral, 2005). O envolvimento parental não pode ser visto como um fenómeno unitário, sendo assim necessário uma perspectiva alargada e multidimensional que inclua aspectos emocionais e pessoais. (Cone, Delawyer & Wolfe, 1985; Epstein, 1990, cit. por Parreiral, 2005).

Assim, com base no quadro infra (cf. Quadro 6) irão representar-se os modelos de envolvimento parental defendidos por vários autores (em diferentes anos: 1989, 1995 e 1999). Apesar das diferenças entre os três, destaca-se o facto de todos abrangerem várias áreas:

Quadro 6. Modelos de envolvimento parental

Don Davies (1989) Joyce Epstein (1995) Ramiro Marques (1999) 1. Tomada de decisões 2. Co-produção

3. Escolha da escola por parte dos pais 4. Defesa dos pontos de

vista 1. Obrigações básicas da Família 2. Obrigações básicas da Escola 3. Envolvimento em actividades na Escola 4. Envolvimento em actividades de aprendizagem em casa 5. Envolvimento na tomada de decisão e gestão da Escola 6. Colaboração e intercâmbio com as organizações da comunidade 1. Comunicação escola – família 2. Interacção escola- família 3. Parceria escola-família

48 Através da interpretação do quadro, é possível verificar que as tipologias defendidas por Don Davies estão mais centradas numa cooperação e há um enfoque maior à escola. Por outro lado, nos modelos defendidos por Epstein e Marques é dada uma maior importância à comunicação com a escola, sendo mais saliente nas tipologias de Marques. Os modelos defendidos por Epstein apresentam-se como mais completos pelo que, das tipologias apresentadas no quadro, a que é defendida por Epstein é mais completa e será esta que se irá ter presente ao longo do trabalho. O quadro infra permite compreender melhor a tipologia mencionada:

49 Quadro 7. Tipologias de envolvimento parental, segundo Epstein (1995)

Tipologia de Envolvimento Parental

Descrição das tipologias