Capitulo II – Telecontagem da Água
2.5 Telecontagem em Portugal e Espanha
2.5.3 EPAL
A EPAL – Empresa Portuguesa das Águas Livres, é responsável por um sistema de abastecimento que se desenvolve ao longo de mais de 2100 quilómetros, desde a albufeira de Castelo do Bode até à cidade de Lisboa. O abastecimento de água no que se refere às operações de produção, transporte e distribuição de água, é gerido por um sistema de telegestão com elevado grau de automatização que centraliza a operação e o controlo de mais de 170 instalações, desde as estações elevatórias e estações de tratamento, a reservatórios e adutores.
A EPAL abastece de água a cerca de 2,6 milhões de pessoas, de 26 concelhos da margem norte do rio Tejo, correspondendo a uma área total abastecida de 5.406 Km². Mantém relações contratuais com cerca de 350 mil clientes directos, do concelho de Lisboa, onde assegura o abastecimento domiciliário.
A EPAL iniciou a implementação da telecontagem no ano de 2001, com a instalação de cerca de 400 data logger’s. Contudo, este projecto não atingiu grande sucesso, visto que a integração de todos os sistemas apenas estava monitorizada num único computador e de acesso limitado que com o passar do tempo deixou de ser utilizado. Outro motivo que levou ao fracasso deste projecto foi o facto de efectuarem leituras de 1 em 1 segundo, tratando-se portanto de uma grande quantidade de informação, levando a rotura da aplicação que recebia e tratava os dados.
Em 2001 lançaram mais 2 projectos-piloto em telecontagem, mas neste caso para pequenos consumidores. Foram instalados cerca de 350 contadores (em duas torres em Alfragide – Twintowers) assentes no protocolo MBus. A figura seguinte mostra a arquitectura do sistema implementado:
Neste sistema, cada contador possui um equipamento acoplado (parametrizável) que disponibiliza a leitura ao concentrador (segundo o protocolo
MBus) e este quando solicitado envia a (s) leitura (s). Cada contador tem associada uma
electroválvula, que quando solicitada, corta o abastecimento de água (por falta de pagamento, roturas, etc.). Este sistema foi instalado pela empresa Resopre.
Paralelamente a este sistema, a EPAL, efectuou outro projecto-piloto, no entanto utilizou um outro tipo de tecnologia: a radiofrequência. A Figura 6 mostra-nos a experiência efectuada pela EPAL:
Figura 6: Projecto-piloto implementado na EPAL usando radiofrequência
Esta experiência foi realizada numa rua com bastante trânsito, com interferências introduzidas de modo a testar a eficiência e a fiabilidade do sistema. Trata-se de um sistema com 130 contadores distribuídos por ambos os lados da rua, equipados com emissores de radiofrequência. Foram também colocados repetidores de modo a transmitirem todas as contagens ao concentrador que se encontra colocado num dos extremos da rua. Neste sistema, cada contador conta igualmente com uma electroválvula associada. A comunicação é bidireccional.
Os contadores permitem armazenamento de dados (possuem memória residente) e quando solicitados enviam a informação requerida para uma estacão central que se encontra nas instalações da Resopre, sendo esta empresa responsável por recolher a informação dos sistemas instalados.
Estes sistemas interagem com o sistema de facturação e com uma aplicação interna desenvolvida pela EPAL, que vai buscar os dados armazenados na estação central da Resopre, ou seja, a Resopre é quem comunica com os diversos concentradores instalados, armazena os dados e posteriormente a EPAL transfere-os para a sua aplicação interna e para o seu sistema de facturação.
O sistema implementado pela Coronis Systems não se encontra integrado com o restante sistema, apenas está a servir como teste para a tecnologia de radiofrequência.
Em 2004, a EPAL iniciou a implementação de um novo sistema de telemetria com o objectivo de reduzir perdas e fugas de água. Neste sentido, implementaram zonas de medição e controlo através de dataloggers fornecidos pela ABB. Para monitorizarem os dados recolhidos das ZMC, construíram o iMC (integração, monitorização e controlo).
O iMC é uma das mais recentes plataformas desenvolvidas na EPAL (em ambiente .NET) e que está assente num portal que possibilita integrar a aplicação com outras plataformas de uma forma fácil e eficaz. O principal objectivo do iMC é monitorizar a rede de distribuição da EPAL no que se refere às ZMCs e Grandes Clientes.
Para que se possam efectuar os Balanços Hídricos das ZMC, o iMC vai aceder e actualizar dados à telegestão e telemetria, de forma a conseguir reunir toda a informação necessária. Com os balanços hídricos nas ZMC a EPAL ganha uma ferramenta para combater as perdas físicas e aparentes, bem como, no futuro, as económicas.
Para procederem à instalação e manutenção dos contadores das ZMC, a EPAL optou por dar formação aos seus canalizadores. Esta formação teve duas componentes:
- Nível informático, de modo a saberem manusear o iMC, que está disponível para consultar dados referentes a leituras de caudais, pressões, etc.
- Aprendizagem no sentido de trocarem os contadores que dispõem de telemetria, por forma a saberem manusear o equipamento previamente instalado (dataloggers).
Actualmente possuem 80 ZMCs e 20 grandes clientes com telecontagem. Futuramente, a EPAL pretende desenvolver um interface que independentemente da tecnologia utilizada, consiga sincronizar os diversos equipamentos com o iMC e com o sistema de informação que suporta a actividade comercial de venda de água e os diversos serviços prestados (AQUAmatrix). Está orientado para os processos do negócio e suporta todo o seu ciclo de vida. Tem a versatilidade de integrar com outros sistemas de informação existentes na EPAL, nomeadamente, a Gestão Documental, o Sistema de Informação Geográfica e a Contabilidade. Desta forma, é garantida a unicidade/coerência da informação disponível através dos vários sistemas de informação da Empresa. Assim, cada aplicação é canalizada para o seu “core”, evitando duplicação de informação e de tarefas obtendo-se uma significativa melhoria no que diz respeito à eficácia da organização da EPAL.
Na perspectiva funcional todos os sistemas de telecontagem aplicados permitem:
• Leituras com periodicidade diária (à mesma hora/minuto) da totalidade dos contadores instalados;
• Estado das baterias dos contadores instalados;
• Datalogging de, no máximo e simultaneamente, 120 locais de consumo, para um período de integração de 15 minutos;
• Pedido remoto de leitura de determinado contador (ou de todos);
• Colocação remota de determinado contador em datalogging, escolhendo o período de integração;
• Pedido remoto de estado de bateria de um contador (ou de todos);
• Gestão de dados associados a desvios de consumos esperados e de registo de anomalias;
• Introdução automática da leitura no sistema de facturação dos clientes.
Com excepção dos data logger’s que foram implementados em 2001, todos os sistemas estão em funcionamento.