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Equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho

No documento GUILHERME ASSUNÇÃO DE ANDRADE (páginas 42-45)

DIMENSÃO ORGANIZAÇÃO TRADICIONAL ORGANIZAÇÃO MODERNA

3.2 SATISFAÇÃO NO TRABALHO

3.2.2 Equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho

Hall (1990) afirma que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional está rapidamente se tornando o assunto do momento sobre carreiras na nova década.

Durante a última década do século XX o equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal tornou-se assunto de extrema importância nos discursos da comunidade, nas tomadas de decisão corporativas, nos debates políticos e nas nossas reflexões cotidianas, segundo Quental e Wetzel (2003).

Kilimnik e Morais (2000) afirmam que o trabalho apresenta grande potencial de determinação da qualidade de vida global. Parcela significativa da vida humana é passada dentro das organizações e quase 70% do seu tempo está relacionado direta ou indiretamente ao trabalho, dizem os autores.

Já Baruch (2004) sustenta que a definição atual de sucesso na carreira depende do ponto de vista. Para o indivíduo, a carreira é percebida de acordo com seus valores, sua satisfação, sua qualidade de vida, sua autonomia e liberdade.

Somos avisados para não trabalharmos demais nem com esforço excessivo pois atualmente as pessoas encaram o trabalho como algo estanque, algo feito de segunda a sexta, “um fragmento compartimentalizado da vida”, alega Sinetar (1987). Para esta autora, encarado desta maneira o trabalho “torna-se algo isolado do eu, um veículo de sobrevivência e uma linha de atividade que pode tornar o indivíduo amargo, cansado e cínico”. Assim, fragmenta e divide a personalidade, ao invés de integrá-la. “O trabalho, executado com correção, proporciona ao indivíduo uma compreensão dos princípios primordiais da vida e do universo” (Sinetar, 1987).

Neste raciocínio, Martins (2001) alerta que, dentre as contradições históricas que poderíamos apontar na Sociedade do Conhecimento está o fato de que o progresso técnico em vez de dignificar a condição humana foi entronizado como um deus moderno, ao qual se sacrificam vidas humanas na forma de existências desprovidas de propósito, a não ser o da utilidade.

As demandas conflitantes do trabalho e da vida pessoal sempre estiveram presentes na vida da maioria das pessoas. O problema do equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal reflete uma incompatibilidade entre as demandas do trabalho e as demandas da família. O tipo mais freqüente de conflito entre trabalho e família ocorre quando as demandas por tempo de um tornam difícil ou impossível participar integralmente do outro (Parasuraman e Greenhaus, 1997, apud Quental e Wetzel, 2003). Conflitos de horário e excesso de tempo despendido no trabalho podem ser citados como exemplos. Outros problemas podem vir da interferência de um sobre o outro. Isto pode ocorrer quando sintomas de natureza psicológica como ansiedade, fadiga e irritabilidade, gerados pelas demandas de um dos papéis invadem o outro, tornando difícil a execução das responsabilidades deste último, como argumentam Quental e Wetzel (2003).

Estas autoras afirmam que a interferência excessiva do trabalho na família pode ter efeitos adversos nas relações dos indivíduos com seus cônjuges e na qualidade da vida familiar. Por outro lado, a interferência crônica da família nas responsabilidades do trabalho pode vir a prejudicar o progresso nas carreiras dos empregados e, portanto, reduzir sua satisfação com a vida profissional. Segundo Parasuraman e Greenhaus (1997, apud Quental e Wetzel, 2003), da perspectiva de um empregador severos conflitos entre trabalho e família podem interferir na concentração dos empregados em suas atividades, aumentar o absenteísmo e, em casos extremos, levar a demissões voluntárias. Assim, como argumentam Quental e Wetzel (2003), conflitos entre vida profissional e vida pessoal podem criar múltiplos problemas que afetam diferentes membros da sociedade de diversas maneiras.

A carreira proteana, segundo Martins (2001), integra todas as dimensões e papéis do indivíduo à medida que estabelece como objetivo final o sucesso psicológico, ou seja, o sucesso baseado em critérios pessoais. Essa definição ampliada do espaço de carreira possibilita que se considere também como sucesso psicológico a opção por um afastamento temporário do trabalho para acompanhar o crescimento dos filhos ou para outras necessidades familiares ou pessoais, como sustenta o autor. Para ele, o profissional proteano consegue se ajustar às demandas do ambiente de carreiras, com flexibilidade e investimento em suas habilidades, qualificações e

competências mas sempre tendo consciência dos seus objetivos individuais. Não perde seu foco em busca de conquistas ditadas pelas convenções sociais, sabendo definir os atributos do sucesso que espera alcançar, de acordo com seus valores, interesses e aptidões. É capaz ainda, segundo este autor, de priorizar suas ações de carreira analisando-as de maneira sistêmica em sua vida pessoal. O profissional proteano certamente não se enquadra na categoria aristotélica de “escravo por natureza”. Por definição, segundo Martins (2001), é um indivíduo que conhece seus objetivos de carreira e vida e sabe tomar decisões compatíveis com estes objetivos. O processo de constituição da identidade profissional vem sofrendo intensas transformações, como afirmam Lemos, Bueno e Silva (2007), decorrentes da assimilação de informações, conceitos e valores relativos às mudanças do mundo do trabalho e da influência da nova ordem social vigente. Enquanto o proteano desenvolve habilidades que são prioritárias para o alcance das suas metas individuais, segundo Martins (2001), o profissional “tradicional” busca permanentemente o desenvolvimento de habilidades consideradas desejáveis no mercado de trabalho ou na organização, tornando-se um indivíduo estressado e focado apenas na eficiência, distanciando-se dos seus próprios referenciais de sucesso e sendo explorado por interesses que não são os seus. O indivíduo proteano consegue avaliar o quanto uma qualificação adicional é realmente relevante para seus objetivos de carreira evitando dispêndios financeiros, emocionais e de tempo na busca de títulos que não aumentariam sua eficácia pessoal.

O profissional proteano, para Martins (2001), seria o tipo de indivíduo que mais facilmente se adaptaria ao novo contrato psicológico e às demais características da Sociedade do Conhecimento. As escolhas desta era se baseiam em referenciais próprios e buscam o equilíbrio entre carreira e vida.

No documento GUILHERME ASSUNÇÃO DE ANDRADE (páginas 42-45)

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