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Equilíbrio postural e quedas em pacientes com DPOC

No documento Ana Carolina Alves Caporali Pereira (páginas 30-34)

Embora a DPOC acometa, principalmente, os pulmões, diversas manifestações extrapulmonares têm sido descritas e dentre elas a alteração do equilíbrio postural48. Estudos prévios da literatura têm demonstrado importantes déficits de equilíbrio na população com DPOC comparada a indivíduos saudáveis, sendo que os pacientes com DPOC exibem danos nas reações de equilíbrio em resposta a perturbações aplicadas externamente, o que tem uma particular relevância no risco de queda5,6.

Diversos estudos têm sido realizados objetivando compreender os possíveis fatores associados à alteração do equilíbrio em pacientes com DPOC. Inicialmente, Butcher et al.49, em 2004, compararam pacientes com DPOC em uso ou não de oxigênio suplementar com indivíduos saudáveis e os autores verificaram que os pacientes com DPOC apresentaram déficits no equilíbrio funcional, coordenação e mobilidade associados à gravidade da doença, mas não associados ao uso de oxigênio suplementar.

Por outro lado, a partir de avaliações realizadas por Beauchamp et al.50, em 2009, constatou-se que danos no equilíbrio e ocorrência de quedas comumente observados em pacientes com DPOC estavam associados ao uso de oxigênio suplementar. Os autores sugerem que isto ocorre, provavelmente, devido ao maior sedentarismo desse grupo de pacientes e devido à redução da coordenação motora decorrente da hipoxemia cerebral.

Além disso, este mesmo estudo evidenciou que a menor confiança no equilíbrio também tem uma particular relevância no risco de queda nestes pacientes. Esta condição pode ser confirmada, posteriormente, por Oliveira et al.51, em 2015, que também verificaram a existência de associação entre o equilíbrio postural e o medo de quedas em pacientes com DPOC.

Além da hipoxemia e medo de quedas, a força muscular tem sido considerada fator essencial na manutenção do equilíbrio e na redução de oscilação corporal. A endurance muscular e o desempenho funcional parecem estar ainda mais estreitamente relacionados ao mesmo. Dada à importância da função muscular na manutenção do equilíbrio corporal, tem sido demonstrado que tanto a redução da força quanto da endurance muscular em pacientes com DPOC predispõem essa população a maiores déficits no controle corporal e, por consequência, a um aumento da ocorrência de quedas52. Beauchamp et al.6, em 2012, evidenciaram que pacientes com DPOC têm um tempo de reação atrasado para resposta de equilíbrio quando comparados a indivíduos saudáveis e que esse déficit de equilíbrio também está associado à força muscular de membros inferiores, assim como ao nível de atividade física. Recentemente, buscando investigar a relação existente entre o equilíbrio e nível de atividade física, Iwakura et al.53 mostraram que os déficits de equilíbrio apresentados pelos pacientes com DPOC comparados a indivíduos saudáveis foram independentemente associados à atividade física.

A alteração proprioceptiva que ocorre nos pacientes com DPOC e sua relação com a fraqueza muscular inspiratória tem sido objeto de estudo como outro possível fator associado à alteração do equilíbrio postural nestes pacientes. O estudo de Janssens et al.54 aponta que pacientes com DPOC, especialmente aqueles com fraqueza muscular inspiratória, apresentam uma maior confiança sobre os sinais proprioceptivos do tornozelo e menor confiança nos sinais proprioceptivos do dorso, sugerindo que a fraqueza muscular inspiratória contribui para o controle postural proprioceptivo prejudicado. Rocco et al.55, em 2011, demonstraram que pacientes com DPOC de severidade moderada a grave, comparados a indivíduos saudáveis, além dos déficits de equilíbrio e de marcha, menor força muscular periférica e menor nível de capacidade

funcional, apresentaram também redução na resposta reflexa. Estes resultados sugerem que, além das alterações funcionais, os pacientes com DPOC apresentam comprometimentos neurofisiológicos, tais como alterações na condução nervosa.

Ainda no intuito de avaliar a alteração do equilíbrio em pacientes com DPOC comparados a indivíduos saudáveis, estudos mostraram que a presença de queda e a alteração do equilíbrio postural nos pacientes com DPOC estavam associadas à hipoxemia, dispneia, fadiga de membros inferiores e pior capacidade de exercício56, assim como a uma maior inflamação sistêmica, sendo esta mais acentuada em condição de exacerbação aguda da doença57. Adicionalmente, Voica et al.58, em 2016, detectaram que entre os pacientes com DPOC, aqueles que apresentavam bronquite tiveram um pior desempenho nas medidas de controle postural e capacidade física comparados aos pacientes enfisematosos.

Relacionado à ocorrência de quedas, em um estudo prospectivo, Roig et al.59 demonstraram que um terço de pacientes ambulatoriais com DPOC referiu ao menos uma queda num período de seis meses, o que reforça a presença de significativa instabilidade corporal nesse grupo de pacientes. Este mesmo estudo comparou pacientes com DPOC que sofreram quedas e que não sofreram e observaram que os pacientes que caíram são mais idosos, predominantemente mulheres, utilizam mais oxigênio nas exacerbações e mais medicamentos e têm uma alta prevalência de doença coronariana, porém sem diferença com relação à gravidade da DPOC. Além disso, houve uma tendência dos pacientes que caíram apresentarem menor nível de atividade física e menor confiança com relação ao equilíbrio.

Oliveira et al.60, em uma análise prospectiva, estimaram que 40% dos pacientes com DPOC caíram pelo menos uma vez ao longo de um período de um ano. As quedas também parecem contribuir com a ocorrência de fraturas em pacientes com DPOC,

especialmente fraturas nas vértebras e no fêmur61. Além disso, esses pacientes têm entre 60 e 70% maior risco de morte após fratura do quadril do que aqueles sem DPOC62.

Baseado nas alterações do controle postural apresentadas pelos pacientes com DPOC, o tratamento preventivo dessas alterações têm sido foco de alguns estudos que mostraram que a realização de programa de reabilitação pulmonar convencional associado a treino de equilíbrio promoveu melhoras no controle postural, na força muscular, no nível de atividade física autorreferida e no medo de queda em pacientes com DPOC63,64.

4. Métodos

No documento Ana Carolina Alves Caporali Pereira (páginas 30-34)