A elaboração do presente relatório implicou a participação de vários intervenientes educativos, nomeadamente: da educadora de infância da escola (EI), da Assistente Operacional do jardim-de-infância (AO), das 20 crianças do grupo/turma, do aluno em estudo (aluno GV) da sua mãe (ME), do seu encarregado de educação (EE), da educadora-de-infância da UTAAC (EIU) e ainda do investigador (RT).
3.2. Unidade de Técnicas Aumentativas e Alternativas de Comunicação - UTAAC Para a caraterização da Unidade de Técnicas Aumentativas e Alternativas de Comunicação – UTAAC- recorremos às informações recolhidas após a realização da primeira entrevista à educadora de infância da UTAAC (apêndices nº 35, 36 e 37), a um boletim informativo sobre o Centro de Paralisia Cerebral bem como a um folheto sobre as funções da UTAAC.
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3.2.1. Espaço Físico
A Unidade de Técnicas Aumentativas e Alternativas de Comunicação (UTAAC) é um serviço de intervenção transversal, integrado no Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian.
A UTAAC atualmente encontra-se dividida em duas salas: Sala UTAAC 1 destinada à Avaliação de casos com disfunção motora grave e de comunicação e Centro de Recursos de Comunicação Aumentativa (apêndice nº 10) e a sala UTAAC 2 destinada à intervenção com alunos, orientação e seguimento para estruturas regulares de ensino (apêndice nº 11).
3.2.2. Recursos Humanos
Apesar da UTAAC ter o apoio de uma Equipa Multidisciplinar de retaguarda, tem uma equipa fixa constituída por duas educadoras de infância, uma delas coordenadora da unidade, e duas assistentes operacionais.
De acordo com a primeira entrevista realizada à educadora de infância da UTAAC (apêndice nº 36) “de momento estão inscritas 14 crianças no programa de intervenção” com idades compreendidas entre os 2 e os 9/10 anos.
3.2.3. Objetivos da Unidade
O objetivo desta unidade é apoiar a temática da Comunicação Aumentativa e Alternativa, da qual as Tecnologias de Apoio e a utilização de Sistemas Gráficos de Comunicação são parte essencial.
Também são objetivos desta unidade, a seleção das tecnologias de apoio adequadas a cada caso/pessoa, o treino dos seus utilizadores em contextos naturais, o treino e a formação dos profissionais e dos familiares, e ainda a criação de materiais pedagógicos adequados, considerados como elemento chave em todo o processo educativo.
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3.2.4. Destinatários
A UTAAC destina-se a pessoas com Paralisia Cerebral ou situações neurológicas idênticas, com disfunções comunicativas, que necessitem utilizar a Comunicação Aumentativa e/ou Tecnologias de Apoio à Comunicação. Para além disso, estas pessoas, podem também ter necessidade de utilizar formas diferentes de acesso ao computador de modo a poderem participar nas atividades académicas do currículo educativo, em igualdade com os seus pares sem deficiência.
A UTAAC também apoia utilizadores, ou potenciais utilizadores, pais, familiares e profissionais das diversas áreas de atendimento, podendo ser utentes do centro ou de outras instituições ou serviços da comunidade.
3.2.5. Principais Áreas de Intervenção
De acordo com a primeira entrevista realizada à Educadora de Infância da UTAAC (apêndice nº 36) e tendo por base um boletim informativo sobre o Centro de Paralisia Cerebral bem como um folheto informativo sobre as funções da UTAAC, constatámos que atualmente esta unidade intervém em cinco áreas:
Avaliação – é feita pelos técnicos da unidade em colaboração com os técnicos responsáveis pelo caso proposto, havendo a hipótese dos pais assistirem. São usados vários materiais tecnológicos essenciais no processo de avaliação de casos com disfunção motora grave e de comunicação.
Intervenção – consiste, por um lado, em desenvolver atividades de acordo com o nível etário do utilizador de modo a proporcionar-lhe o desenvolvimento das suas capacidades de comunicação e aprendizagem e por outro lado, desenvolver a autonomia na realização de atividades escolares que são organizadas e adaptadas de modo a facilitar a participação ativa da criança/jovem com disfunção motora. De acordo com as características de cada caso, utilizam-se Tecnologias de Apoio, integradas nas referidas atividades, de forma a aumentar e promover a participação da criança/jovem, considerando-se um fator essencial em todo o processo de ensino-aprendizagem. Orientação e Seguimento – uma vez que a inclusão dos alunos com necessidades
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99 própria escola, a UTAAC apoia estruturas regulares de ensino de modo a que estes alunos aumentem as suas capacidades de aprendizagem, e os professores utilizem metodologias de ensino mais eficazes.
Formação/Informação – devido ao desenvolvimento de meios tecnológicos específicos e a sua integração em metodologias de intervenção educativa, essenciais no processo ensino aprendizagem, é necessária a implementação de ações de formação, atualização e treino, não só dos familiares como também dos profissionais que lidam diariamente na intervenção/interação com estas crianças/jovens.
Centro de Recursos de Comunicação Aumentativa – é da responsabilidade da UTAAC, e possui várias Tecnologias de Apoio e Materiais de Comunicação para empréstimo provisório a pais, familiares ou técnicos que queiram experimentar e utilizar em casa e/ou na escola.
Por fim, e a título de curiosidade, os pedidos para avaliação de casos (crianças, jovens ou adultos) ou intervenção podem ser feitos por escrito e dirigidos diretamente à Equipa de Triagem do Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian (CRPCCG) e os pedidos para Formação ou Orientação nas Escolas/Instituições podem ser dirigidos diretamente à UTAAC.
3.2.6. Caraterização do Grupo de Alunos da UTAAC
De acordo com a primeira entrevista realizada à educadora de infância da UTAAC (apêndice nº 36), o grupo de alunos que está atualmente inscrito no Programa de Intervenção nesta unidade é “heterogéneo” e constituído por “14 crianças” com idades compreendidas entre os 2 e os 9/10 anos.
São crianças com disfunção Neuromotora Grave, que têm problemas a nível da oralidade, “a maior parte deles não consegue falar” e também problemas a nível motor, “tem dificuldades em manipular”. Assim, tornou-se essencial “arranjar um meio alternativo para que eles possam, aceder, por exemplo, a um computador ou a um brinquedo adaptado no caso de uma criança de dois anos” (apêndice nº 36).
De acordo com a primeira entrevista realizada à educadora de infância da UTAAC (apêndice nº 36), a nível da comunicação é fundamental, “ arranjar um meio alternativo para que eles possam comunicar e desenvolver a sua linguagem”.
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100 A nível de ensino aprendizagem, a educadora de infância da UTAAC tem em conta o nível de aprendizagens a que cada criança se encontra, “portanto se é uma criança de 2 anos, tentamos intervir de acordo com uma criança de 2 anos; se for uma criança que já está no 1º ano do 1º ciclo, é evidente que temos que ir ao encontro do currículo onde ela se integra” (apêndice nº 36).
Relativamente à intervenção com os alunos, e de acordo com a mesma entrevista, esta pode ser feita de duas formas: ou individualmente ou em pequeno grupo “de 2 ou 3 alunos no máximo”. O tempo de intervenção individual, normalmente “é de 45 minutos”, no caso da intervenção em pequeno grupo “normalmente são dois tempos seguidos, portanto no total de 90 minutos”.
Sucintamente, os objetivos das intervenções são, por um lado, definir e treinar com o(s) aluno(s) os interfaces, isto é, a forma de acesso à Tecnologias/Produtos de Apoio, nomeadamente à comunicação e ao computador. Por outro lado, treinar e utilizar estratégias de Comunicação Aumentativa, através de atividades lúdicas e pedagógicas adaptadas, a fim de sistematizar competências (apêndice nº 36).
De salientar que, sempre que necessário, a Educadora de Infância da UTAAC conta nos momentos das intervenções, com um apoio de retaguarda, isto é, técnicos do centro de Paralisia Cerebral, nomeadamente: terapeuta ocupacional, terapeuta da fala, fisioterapeuta, assistentes operacionais, psicóloga e enfermeira, “ portanto de uma equipa multidisciplinar” (apêndice nº 36).