• Nenhum resultado encontrado

2.1 Equipamentos colectivos e seu enquadramento no PDMM

O tema dos equipamentos colectivos, desenvolvido nos documentos de estudo e caracterização do PDMM – Volume VI, Elementos Anexos ao Plano e Volume II, Relatório Descritivo e Propositivo do PDM – resultou numa listagem de tipos de equipamentos propostos em Novembro de 1990, tendo como base os sectores referenciados nos estudos de caracterização do PDMM, que considerou a rede existente estruturada em nove sectores, a saber: ensino, saúde, segurança social, cultura, segurança pública, administração, desporto, espaços verdes, comércio e serviços.

A metodologia utilizada para alguns sectores de equipamentos colectivos teve como base dados anteriores a 1985 e, para outros, valores da população estimada para 1991, para o concelho e freguesias. Por outro lado, através do relatório propositivo do PDMM (volume II), a programação dos equipamentos efectuou-se apenas para o nível municipal, remetendo-se a programação ao nível regional para posteriores directrizes a estabelecer no âmbito do PROTAML.

Neste contexto, encontra-se reconhecido nos estudos de caracterização do PDMM, que a programação rigorosa nem sempre foi possível pois não se dispunha de elementos necessários, nomeadamente a distribuição da população em 1991, de modo a fundamentar e quantificar as carências dos equipamentos relacionados com o ensino e segurança social e ainda, porque as normas para programação de equipamentos não eram objectivas quanto ao dimensionamento deste tipo de equipamentos.

As dúvidas e indeterminação que foram subsistindo durante o período de elaboração do PDMM, quanto ao impacto do crescimento populacional sobre a rede de equipamentos colectivos existente, levou a que fossem considerados, para o ano 2002, os valores correspondentes ao cenário 3, delineado no capítulo da evolução demográfica – Volume II do PDMM – onde se previa, para a década de 1990, um crescimento populacional mais acelerado do que o registado nos anos 80.

Perante a conjuntura existente na época, a programação efectuada nos estudos de caracterização do PDMM – Volume II – listou alguns equipamentos para o ano 2002, visando, desta forma, criar um programa de suporte para o crescimento demográfico previsto, inclusivamente em lugares classificados nos níveis IV e V no sistema hierárquico do PDMM e que não possuíam, à data, dimensão populacional ou funcional, mantendo como único objectivo justificar as áreas urbanas e urbanizáveis delineadas e a sua integração na hierarquia dos aglomerados urbanos.

A introdução de cenários e as dificuldades anteriormente referidas condicionaram a possibilidade de quantificar e planear correctamente o dimensionamento das várias redes de equipamentos colectivos, razão pela qual importa estabelecer uma comparação entre os vários documentos fundamentais do PDMM.

Por um lado, enquanto o volume II – Relatório descritivo e propositivo do PDM – elenca os equipamentos colectivos existentes e propõe uma nova configuração fundamentada em vários critérios normativos datados, que prontamente se desactualizou face à transformação socio-económica operada no concelho de Montijo. Por outro lado, o conteúdo regulamentar plasmado no PDMM, define categorias de espaço de equipamento, incluídas nas classes de espaço urbano, urbanizável e verde urbano (mapas nº 15 e 16), não estabelecendo qualquer tipo de correspondência directa entre os equipamentos colectivos listados nos estudos de caracterização (volumes II e VI) e os polígonos desenhados nas plantas do PDMM.

Quadro nº 36 – Áreas destinadas para equipamentos de acordo com o PDMM.

Freguesias Áreas de equipamento

Urbanizada (ha) Urbanizável (ha)

Território Oeste 0,2 15,1 Afonsoeiro 0 0 Alto Est./Jardia 0 0 Atlaia 0 0 Montijo 0 15,1 Sarilhos Grandes 0,2 0 Território Este 29,7 3,7 Canha 4,7 0 Pegões 5,1 3,7 St.º Isidro de Pegões 19,8 0 Concelho 29,9 18,8 Fonte: Volume II do PDMM.

De acordo com as definições contidas no regulamento do PDMM (artigos 9.º e 16.º), relativamente às categorias de área urbanizada de equipamento (UE) e área urbanizável de equipamento (uE), os polígonos representados correspondem a espaços onde se implantam predominantemente equipamentos – ocupando uma área igual ou superior a 70%.

Neste sentido, relativamente à área total de 48,8 hectares de perímetros de equipamento (UE+uE) prevista no plano, 26,1 hectares (54%) encontram-se livres. Contudo, importa esclarecer que a maior percentagem de área não se encontra ocupada, devido ao facto dos polígonos inicialmente demarcados em PDMM para o uso preferencial de equipamento, incidirem sobre propriedades privadas, não proporcionando a execução do plano. Por outro lado, apenas uma ínfima parte dos equipamentos existentes aparecem representados nas plantas do PDMM, configurando no conjunto perímetros isolados exclusivos de áreas ocupadas, em geral com escolas, cemitérios, igrejas e pouco mais. Desta forma, no seu conjunto, estas áreas não se estabelecem como áreas livres para a programação e planificação da rede de equipamentos listada nos estudos de caracterização do PDMM.

Numa análise muito genérica, meramente quantitativa, constata-se que durante o período de vigência existiu uma forte aposta nas áreas da educação, em que foi francamente melhorada a cobertura da rede escolar e da saúde do concelho, onde o acesso à mesma ficou facilitado através do melhoramento das condições de algumas unidades existentes e da abertura de novas extensões do Centro de Saúde. Actualmente ganham também expressão os resultados derivados dos esforços de construção de equipamentos nas áreas de acção social, cultura, desporto e lazer, assim como na construção de uma rede de ciclovia.

O trabalho que agora se apresenta procura fazer, nesta fase, uma avaliação geral do conjunto de informação disponível da rede de equipamentos colectivos, tendo como base os sectores referenciados nos estudos de caracterização do PDMM, anteriormente enumerados. No futuro, o desenvolvimento dos trabalhos de revisão do PDMM irá aferir e propor uma estratégia para o melhoramento da rede de equipamentos e serviços públicos, conjugando os seus diversos níveis hierárquicos, sectores e competências, nomeadamente, aqueles que são assegurados pela administração central, municipal e por instituições privadas.