CAPÍTULO I FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2. P ROTEÇÃO R ADIOLÓGICA
2.5. Equipamentos de proteção individual (EPI)
Dosímetros
Os dosímetros são dispositivos usados para avaliar a exposição à radiação de um indivíduo cujo trabalho resulta da exposição a raios X no local de trabalho, educação ou formação (Canadian Veterinary Medical Association, 2007; Ginja & Ferreira, 2002; The College of Veterinarians of Ontario, 2003).
O equipamento pessoal de monitoramento inclui: emblema filme, dosímetros termoluminiscentes (TLD), dosímetros de bolso, e os emblemas de anel ou de punho. Os dosímetros em filme e termoluminescentes são a radiação mais comummente usados nos dispositivos de monitorização por parte da profissão veterinária (Morgan, 1993; The College of Veterinarians of Ontario, 2003; Veterinary Medical Board, 1998).
O dispositivo de monitoramento deve ser utilizado a nível da tiróide na coleira fora do avental. Além disso, se a fluoroscopia é utilizada, um anel ou pulseira adicional deve ser usado (Veterinary Medical Board, 1998).
Segundo Ginja e Ferreira (2002), a dosimetria individual fotográfica, utilizada em Portugal, não pode ser considerada ideal, tem algumas limitações, entre as quais destacamos a reduzida sensibilidade dos dosímetros (0,2 mSv). Normalmente, na radiologia veterinária, este tipo de dosimetria individual resulta em leituras de valor zero. Esta é perfeitamente justificada por funcionar como alerta em eventuais anomalias de funcionamento do equipamento e indispensável para cumprimento da legislação em vigor.
O médico veterinário não deve satisfazer-se por, no controlo dosimétrico individual, não ultrapassar os limites de dose fixados por lei. Teoricamente, os limites de dose referidos na legislação não permitem reduzir a zero os riscos da exposição humana à radiação ionizante e em medicina veterinária, uma vez que esses limites dificilmente serão atingidos. O trabalho mais seguro, com menores riscos, será sempre aquele que respeita o conceito “As Low As Reasonably Achievable” (ALARA), uma vez que permite obter a qualidade diagnóstica desejável, com níveis reduzidos de exposição humana à radiação ionizante.
Os profissionais presentes numa sala e nas unidades portáteis de raio X, durante a realização do exame de raio X, devem usar um dosímetro pessoal (Oliveira, Jesus, Leite, Serralheira & Uva, 2009; The College of Veterinarians of Ontario, 2003).
31
O aumento da perceção do risco é, por si só, suscetível de alterar atitudes que implicam a adoção de medidas de proteção radiológica, tão importantes como as medidas dos dispositivos técnicos (Oliveira et al., 2009).
São várias as razões pelas quais um veterinário deve usar um dosímetro, a saber:
Para verificar se os limites legais de dose não sejam excedidos. A probabilidade de isso acontecer em radiologia veterinária é extremamente baixa, com base em estatísticas de dose dos anos anteriores. Relatórios de exposição fornecem um registo que ajuda a garantir que os indivíduos não ultrapassam estes limites;
Para detetar mudanças significativas na exposição pessoal, devido a falhas nos equipamentos de raio X. Dados de exposição de radiação podem indicar problemas com os equipamentos de raio X, procedimentos operacionais e carga de trabalho. Mesmo as doses podem ficar abaixo dos limites legais, os aumentos dos valores reportados podem ser indicativos de um problema que levam à exposição desnecessária;
Para obter um histórico de dose ao longo da vida. Os indivíduos têm acesso a um registo personalizado da dose que indica a sua exposição à radiação acumulada ao longo de uma carreira;
Para monitorizar as trabalhadoras grávidas. Há maior risco de exposição durante a gravidez quando as células do feto estão a desenvolver-se e a multiplicar-se. Os dosímetros (Figura 3) podem ser usados como uma ferramenta de gestão da dose para controlar e minimizar a exposição da trabalhadora grávida à radiação (Canadian Veterinary Medical Association, 2007; The College of Veterinarians of Ontario, 2003).
Fonte: http://www.tec-rad.com.br/dosimetria_pessoal.htm
32
Aventais, luvas, colares e óculos
Os EPI, como aventais de chumbo, luvas, protetores de tiróide e óculos de chumbo, são usados para reduzir a exposição à radiação e manter a exposição às radiações o mais baixo possível. Estes dispositivos de proteção devem ser utilizados quando um profissional tem de permanecer na sala de exame ou quando tem de prender um animal (L. Oliveira, 2007; X-Ray Regulatory Guide for Veterinary Facilities, 2006).
As luvas e os aventais são utilizados para proteger o profissional da radiação dispersa. Estes são maioritariamente constituídos por chumbo, couro ou vinil (L. Oliveira, 2007; Veterinary Medical Board, 1998).
O avental (Figura 4), deve ter de preferencialmente 0,5 milímetros de chumbo equivalente, mas nunca inferior a 0,25 milímetros de chumbo equivalentes (L. Oliveira, 2007; Radiation Safety Handbook, 2009; Veterinary Medical Board, 1998).
Fonte: http://www.rxnet.com.br/produtos/epi.asp; L. Oliveira, 2007
Figura 4 - Avental plumbífero
As luvas de borracha (Figura 5), não oferecem proteção suficiente devido ao espalhamento da radiação à volta do chassi ou da mesa de exposição. Como tal, não devem ser utilizadas. As luvas devem cobrir completamente as mãos. As luvas de chumbo não podem ser utilizadas para agarrar os animais, uma vez que os dentes dos mesmos quando as agarram podem danificá-las e criar fissuras. Deste modo, devem ser utilizadas luvas reforçadas (X-Ray Regulatory Guide for Veterinary Facilities, 2006)
33
Fonte: http://www.zzmedical.com/zencart/index.php?main_page=popup_image&pID=1195
Figura 5 - Luvas plumbíferas
Os colares ou protetores de tiróide (Figura 6), são constituídos pelo mesmo material que o avental e as luvas, a única diferença é no tamanho desta proteção que é específica a uma determinada zona (tiróide). Estes devem ser utilizados por quem permanecer na sala de raio X aquando de uma exposição (Radiation Safety Handbook, 2009; Veterinary Medical Board, 1998).
Fonte: http://www.rxnet.com.br/produtos/epi.asp
Figura 6 - Protetores de tiróide e de gónadas
Os óculos (Figura 7), são constituídos por lentes plumbíferas, com armação em acrílico, com proteção frontal e/ou lateral (180º) e com um equivalente de 0,50 milímetros de chumbo, tendo como principal função a proteção do cristalino (Radiation Safety Handbook, 2009; Veterinary Medical Board, 1998).
Fonte: http://www.rxnet.com.br/produtos/epi.asp
34
Os profissionais devem inspecionar e testar anualmente os EPI, incluindo luvas, aventais e colares de tiride, para a determinação de deterioração ou diminuição da eficácia da blindagem, por defeitos, como buracos, rachaduras ou fissuras, evitando assim a penetração da radiação. Essa verificação da proteção dos equipamentos pode ser feita por inspeção visual ou tátil e também radiografando esses itens. Se for encontrado algum defeito aquando da verificação anual ou em qualquer outra ocasião, deve remover-se o dispositivo do serviço até ser reparado ou substituído (Australian Radiation Protection and Nuclear Safety Agency, 2009b; California Veterinarian Medical Association, 2009; Radiation Safety Handbook, 2009; Veterinary Medical Board, 1998; X-Ray Regulatory Guide for Veterinary Facilities, 2006).
O armazenamento adequado dos aventais, luvas e protetores de tiróide prolonga a sua vida e dá eficácia. Os EPI devem ser armazenados e mantidos de acordo com as recomendações dos fabricantes. Os aventais devem ser pendurados sem vincos para evitar rachaduras. As luvas devem ser armazenadas de forma que os forros possam secar (Oliveira, Neto, Eid & Pereira, 2005; Health and Welfare Canada, 1991; Veterinary Medical Board, 1998; Rosario, 2008; Sociedad Española de Protección Radiológica, 2002).