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Os equipamentos para coleta dos dados

No documento -PR 2010 C T D I G /PR C U C R : A R A A (páginas 66-71)

CAPÍTULO 1: ESTUDO DO TOPOCLIMA DA REGIÃO DE GUARAPUAVA E

1.5 Os equipamentos para coleta dos dados

O levantamento de dados de campo, efetuado nos pontos relacionados acima, foi feito a partir de equipamentos simples, semelhantes aos usados por Mendonça (1995), assim compostos (Foto 1):

- Miniabrigos meteorológicos, construídos em madeira com paredes duplas e perfuradas, pintados na cor prata;

- Base do abrigo, construída em sentido cruzado indicando as direções norte, sul, leste e oeste, para correta posição do abrigo, orientado com a abertura frontal para a direção sul do Hemisfério Sul;

- Fitas de cetim, fixadas na parte inferior do miniabrigo, utilizadas para indicar a direção do vento, segundo a escala de Beaufort;

- Termo-higrômetros de leitura direta com colunas de mercúrio, com precisão de 3% (para mais ou para menos), marca INCOTERM, pertencentes ao Laboratório de Climatologia do Departamento de Geografia da UFPR, utilizados para indicar a temperatura e umidade relativa do ar;

Foto 1: Mini-abrigo meteorológico

Antes da instalação dos miniabrigos, os termo-higrômetros foram devidamente ajustados, buscando dirimir qualquer diferença de leitura que os aparelhos pudessem apresentar. Para tanto, todos os aparelhos utilizados foram colocados em um mesmo ambiente por um período de três dias e os dados foram coletados de maneira a simular a coleta a ser feita em campo, seguindo os procedimentos descritos por Danni-Oliveira (2002). Depois desses procedimentos, as eventuais diferenças nas leituras foram anotadas e os aparelhos que demonstraram incoerência significativa nas leituras (fora do desvio padrão) foram identificados, de forma que, quando os dados foram tabulados e analisados, essas diferenças foram descartadas, com o objetivo de normalizar todas as leituras efetuadas (Foto 2).

Com relação aos aparelhos que apresentaram medidas dentro do desvio padrão e, portanto, com um grau de confiabilidade bom, os mesmos foram levados a campo e os resultados de suas leituras foram devidamente ajustados, buscando equalizar todos os dados obtidos, diminuindo ou eliminando a probabilidade de erros.

Foto 2: Termo-higrômetros de leitura direta.

Após a devida instalação de todos os equipamentos nos pontos selecionados, as coletas de dados primários foram iniciadas, tendo sido feitas durantes os meses de julho, agosto e setembro de 2008, contemplando dias com condições de tempo diferenciadas, partindo da premissa de que dias chuvosos influenciam os elementos do clima de forma distinta, diferentemente dos dias sem ocorrência de precipitação. Depois da distribuição dos equipamentos pelos pontos de coletas, os voluntários foram orientados para efetuarem o monitoramento diário, toda vez que o pesquisador solicitasse. Ao final do período de inverno (setembro), foi possível completar 25 dias de coletas em períodos alternados, porém nem todos os dados apresentaram confiabilidade satisfatória.

A falta de compromisso dos voluntários e problemas estruturais com os equipamentos, influenciou na falta de confiabilidade dos dados para vários dias, o que determinou a exclusão de alguns períodos de dados coletados. Isso resultou na escolha de seis dias (01, 02, 03 e 22 de julho e 08 e 09 de agosto) com boa confiabilidade nas informações, por contemplarem condições de tempo distintas, atendendo ao proposto na metodologia adotada, de avaliar as condições do tempo em dias com e sem ocorrência de chuva.

Todos os dados foram coletados simultaneamente, com uma margem de tolerância de 15 minutos, buscando uma comparação eficaz entre os pontos de coleta. Dessa forma elegeu-se os horários das 06h00min; 09h00min; 15h00min; e 21h00min. Para efeito de identificação da temperatura mínima e máxima diária, foi convencionado que o horário das 06h00min representaria a temperatura mínima do dia e o horário das 15h00min representaria a máxima.

Por fim, também foram coletados dados secundários, que consistiram em informações repassadas pelas estações climatológicas localizadas nas duas cidades (Irati e Guarapuava),

que serviram como demonstrativo oficial e fonte de controle dos dados coletados em campo. A estação climatológica de Irati faz parte da rede monitoramento do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET e a estação de Guarapuava faz parte da rede do Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR.

Fonte: Google Earth acessado em 25/10/2008 – sem escala - modificado pelo autor

Figura 12: Irati/PR – Localização da Estação meteorológica (INMET)

A estação meteorológica de Irati está localizada na área pertencente ao Colégio Florestal dessa cidade, denominado Centro Estadual de Educação Profissional Presidente Costa e Silva. O colégio cedeu uma área para a instalação da referida estação, que é administrada pelo INMET desde o início de sua operação, ocorrido em 1967.

O local onde se encontram as instalações meteorológicas está planejado de acordo com normas internacionais previstas pela Organização Mundial Meteorológica (OMM), nas coordenadas 25º 28’ Sul e 50º 38’ Oeste, com altitude aproximada de 840 metros em relação ao nível médio dos mares.

Os dados são coletados diariamente nos três horários padrão (09h00min, 15h00min e 21h00min) e repassados à sede regional do INMET em Porto Alegre-RS, onde são sistematizados estatisticamente e armazenados para uso em pesquisas diversas, além de servirem para o monitoramento das condições do tempo.

Fonte: Google Earth acessado em 25/10/2008 – sem escala - modificado pelo autor

Figura 13: Guarapuava/PR – Localização da Estação Meteorológica (IAPAR)

Da mesma forma que a estação meteorológica de Irati, a de Guarapuava está localizada na área pertencente a uma instituição pública, no caso, a Universidade Estadual do Centro-oeste – Unicentro, mais especificamente no Centro de Desenvolvimento Tecnológico de Guarapuava – Cedeteg.

O local onde se encontram as instalações meteorológicas também está planejado de acordo com normas internacionais previstas pela OMM, nas coordenadas 25º 23’ Sul e 51º 28’ Oeste, com altitude aproximada de 1040 metros em relação ao nível médio dos mares.

Os dados são coletados diariamente nos três horários padrão (09h00min, 15h00min e 21h00min) e repassados à sede do IAPAR em Londrina-PR, onde também são sistematizados estatisticamente e armazenados para uso em pesquisas diversas, além de servirem para o monitoramento das condições do tempo.

As duas estações climatológicas estão localizadas em áreas que permeiam o perímetro urbano, não havendo edificações ao seu redor, mas ambas estão bem próximas de loteamentos urbanos. Os contornos oficiais da cidade (planos diretores) contemplam as áreas onde estão localizadas as estações, que são consideradas parte do perímetro urbano, mesmo que a realidade, não apresentando uma estrutura urbana bem formada, com casas, prédios ou construções, não definam estritamente a área como urbanizada. Tanto a estrutura do Colégio Florestal como a do Cedeteg apresentam construções bem espaçadas entre si, não

dando a compreensão de relações urbanas propriamente ditas, mesmo porque são centros de pesquisa eminentemente criados para apreciações de temas voltados à realidade rural (Técnico Florestal, Agronomia e Medicina Veterinária). Embora o Cedeteg tenha outros cursos de graduação e pós-graduação, voltados a diferentes ramos do conhecimento, suas estruturas estão bem distantes da estação (mais de 1000 metros).

Outro procedimento adotado foi o acompanhamento, através de coleta de informações de sites oficiais (www.inpe.br e www.simepar.br), das condições sinóticas para o período de estudo, que teve como finalidade a definição de dias específicos para a coleta de dados, propiciando uma avaliação de condições meteorológicas distintas, com a atuação de diferentes sistemas atmosféricos. A obtenção de dados primários em dias com diferentes condições sinóticas foi importante, pois a influência das massas de ar na escala regional foi avaliada e buscou-se relacionar ou diferenciar sua atuação na escala local.

No documento -PR 2010 C T D I G /PR C U C R : A R A A (páginas 66-71)