- Sistemas fixos de CO2
Os sistemas fixos de CO2 são instalados a bordo com a finalidade de saturar, com esse gás, a atmosfera no interior dos compartimentos que, normalmente, apresentam maior risco de incêndio. Exceto no que se refere às manobras para descarga do gás e às suas dimensões, as ampolas de CO2, empregadas nos sistemas fixos, são semelhantes às ampolas dos extintores portáteis. As instalações fixas de CO2 podem ser de dois tipos: o de mangueira em sarilho e o de descarga direta à distância.
• Mangueira em sarilho
O tipo de mangueira em sarilho (Fig. 5.1), consiste em duas ampolas ligadas a uma seção de mangueira especial para CO2, colhida em um sarilho e com um difusor na extremidade. Próximo ao difusor há uma válvula que controla a descarga do gás.
Fig. 5.1 - Instalação fixa de CO2, tipo mangueira em sarilho
• Descarga direta
O tipo de descarga direta (Fig. 5.2) consiste em duas ou mais ampolas que descarregam para uma canalização que leva o CO2 aos compartimentos protegidos pelo equipamento. Um cabo de arame vai do mecanismo de disparo das válvulas das ampolas até uma caixa para partida à distância, com tampa de
vidro, localizada fora do compartimento onde se encontram as ampolas. Para descarregar o CO2 é necessário quebrar o vidro e puxar a alavanca. Em algumas instalações, existem alavancas para descarga de CO2 em cada ampola; em outras, apenas duas ampolas são comandadas pelo cabo de arame, e as demais são abertas por válvulas automáticas de pressão. De um modo geral, as diferenças encontradas de um fabricante para outro são pequenas.
Antes de empregar o CO2 como agente abafador deve ser verificado se todas as aberturas do compartimento estão fechadas e se as ventilações estão paradas (ou se pararão automaticamente ao se abrir o CO2). Uma vez iniciada a descarga das ampolas, esta não mais poderá ser interrompida. No tipo de mangueira em sarilho, a válvula próxima do difusor, como no caso dos extintores portáteis, permite uma interrupção temporária, mas a vedação não será perfeita e só será conseguida após a substituição do selo da ampola.
Fig. 5.2 - Sistema de Descarga Direta
5.2- EQUIPAMENTOS QUE UTILIZAM O HALON COMO AGENTE EXTINTOR
Em condições normais, o gás halon é incolor, possui alta densidade (cinco vezes a do ar), é inodoro, possui baixo ponto de ebulição e baixa viscosidade, não deixa resíduos quando usado e não é corrosivo.
Por estas características, o halon é recomendado para proteção a Centros de Processamento de Dados (CPD), painéis de controle automatizados e todas as fontes de incêndio classe “C” que requeiram um agente “limpo” para extinção de incêndio.
O halon é um composto químico formado basicamente de cloro, flúor e carbono. Existem diversos tipos para aplicações distintas e específicas como por exemplo: o Halon 1211, e o Halon 1301.
Esses agentes extinguem o fogo pela inibição química da combustão, pois esses gases têm a propriedade de suprir ou isolar os elementos químicos envolvidos nas reações, rompendo assim a cadeia do fogo.
- Emprego do Halon
Na Marinha do Brasil, o agente normalmente utilizado é o Halon 1301.
O Halon 1211, conhecido como BCF, é usado apenas em extintores portáteis ou, em casos especiais, como dispositivos simples para proteção de invólucros de equipamentos e cabines com equipamentos eletrônicos.
Por sua vez, o Halon 1301 tem aplicação bem mais abrangente, podendo ser empregado de duas maneiras: inundação total e aplicação local.
Inundação total é o sistema instalado para proteção de grandes áreas como, por exemplo, praças de máquinas, compartimentos de líquidos inflamáveis, hangares e paióis de tinta. O sistema de extinção por inundação total pode ser disposto a bordo de duas maneiras:
• estação central de halon
• bancada local
A instalação de um ou de outro sistema depende do espaço disponível, quantidade e volume dos compartimentos a serem protegidos e da distância entre estes compartimentos. A estação central de halon é composta de um compartimento onde estão instaladas todas as ampolas com redes que se encaminham para os diversos compartimentos a serem protegidos (Fig. 5.3).
Fig. 5.3 - Sistema de Estação Central de Halon
O sistema de aplicação local é utilizado para proteção de equipamentos como por exemplo: geradores, turbinas, painéis e também computadores. Este modo de instalação, também conhecido como modular, é diferenciado dos demais pelo uso de um difusor para cada ampola.
- Vantagens do Halon
• para instalações em estação central, requer menor espaço ocupado pelas ampolas, em comparação com o CO2
• apresenta baixo nível de toxidez. É classificado como o menos tóxico dos agentes halogenados. Em caso de um disparo acidental num compartimento onde não exista fogo, o pessoal pode ser exposto a uma concentração de 5 a 7%, por até dez minutos, contudo o compartimento deverá ser, obrigatoriamente, evacuado.
• descarrega normalmente entre dez e vinte segundos, resultando na rápida extinção do incêndio se comparado com os dois minutos de descarga do CO2;
• baixa percentagem por volume necessário do agente extintor quando comparado com o CO2;
• quando aplicado em inundação total é extremamente dispersivo e é capaz de penetrar eficazmente em locais onde outros agentes não atuam satisfatoriamente;
• por ser um agente “limpo”, não requer limpeza após seu uso.
• não é condutor elétrico;
• não é corrosivo; e
• não afeta a estabilidade de navios quando aplicado, em comparação com a utilização de água.
- Desvantagens do Halon
• não apresenta efeito de resfriamento;
• alto custo;
• as facilidades para recarga ainda são limitadas, comparativamente com o CO2;
• ineficaz em incêndios de classe “D”;
• não é utilizado em incêndios classe “A”, pois, apesar de extinguir as chamas, não resfria o material, mantendo o potencial para reativação do incêndio e
• é necessária a parada, antes da descarga, de todos os motores de combustão interna que aspiram diretamente do compartimento protegido. Essa aspiração pelos motores pode reduzir significativamente a quantidade do agente descarregado no ambiente, reduzindo ou anulando o efeito extintor. Por outro lado, foi constatado que o Halon “excita” os motores de combustão interna, ao contrário do CO2, que provoca a
parada dos motores por falta de oxigênio. - O emprego do Halon
5.3 - DISPOSITIVO DE DUPLO AGENTE
O dispositivo de duplo agente é união de um esguicho AFFF com um esguicho de pó químico (PKP) presos por uma barra de ferro, que os mantém afastados 8" um do outro. A única diferença entre as duas configurações de agentes duplos mostrado na figura 5.4 é em relação ao formato, pois operam da mesma maneira.
Fig. 5.4 - Dispositivo de Duplo Agente
Este equipamento é utilizado para combate a incêndio em praças de máquinas. A vantagem dessa união é a extinção das chamas pelo PKP e a manutenção do abafamento da fonte pelo AFFF. A figura 5.5 mostra uma seção reta dos esguichos de pó químico (PKP) e espuma mecânica (AFFF) com os quais é feito o dispositivo de mangueira de duplo agente.
Fig. 5.5 - Corte lateral dos Esguichos de Duplo Agente
O esguicho de pó químico controla a descarga do agente PKP. O agente entra pela parte traseira do corpo do esguicho e é conduzido para uma cavidade na parte central do mesmo. O fluxo de pó químico é parado nessa posição pela válvula de fechamento, quando o esguicho estiver na posição “fechado”.
Quando o gatilho de disparo é acionado, a mola é comprimida e o cilindro da válvula libera a sede. Esse movimento abre a cavidade, e o pó químico é liberado para fluir através da extremidade cônica, formando a nuvem de PKP. O gatilho deve ser
totalmente comprimido para assegurar-se de que o fluxo de agente extintor seja aproximadamente 1 kg por segundo.
Quando o gatilho é liberado, a mola atua no cilindro, empurrando-o contra a sede, interrompendo o fluxo de pó químico através do esguicho.
O esguicho AFFF também possui um gatilho para lançamento de espuma. O esguicho deverá ser de 1½" com vazão de 95 gpm. A mistura do líquido gerador AFFF com água do mar é feita no misturador da estação geradora. A geração da espuma é feita na própria saída do esguicho AFFF.
A ação química do PKP não interfere na qualidade do lençol de espuma formado pelo AFFF.
A figura 5.6 mostra um esquema simplificado do dispositivo de duplo agente instalado nas praças de máquinas de alguns navios da MB.
Fig. 5.6 - Esquema da instalação do Duplo Agente 5.4 - EQUIPAMENTOS QUE UTILIZAM GASES INERTES
Recebem o título de gases inertes todos aqueles que não sejam combustíveis ou comburentes, ou seja, não participam de qualquer forma do fenômeno da combustão. Entre eles destacam-se o bióxido de carbono e o nitrogênio.
Os navios-aeródromos são normalmente dotados de instalações específicas para o armazenamento de nitrogênio. Esse gás é utilizado a bordo, preventivamente, para tornar inerte o sistema de combustível de aviação.
5.5 - SISTEMAS DE DETECÇÃO DE INCÊNDIO
Permitem que princípios de incêndios sejam, com presteza, informados por intermédio de um sinal de alarme. Não acionam qualquer sistema automático de extinção de incêndio, mas apenas indicam a existência e o local, ou área, do fogo.
O sistema MINERVA, por exemplo, instalado nas Fragatas Classe “NITERÓI”, consiste basicamente em detectores instalados em vários compartimentos (exceto hangar e sanitários), que se ligam ao “Console do Controle de Avarias” situado no Centro de Controle da Máquina. Qualquer dos detectores, quando atuado, faz soar no painel um alarme sonoro, acompanhado de um alarme visual.
Os detectores instalados a bordo são de dois tipos: o sensível à fumaça e a gases de combustão em geral, e o sensível ao calor. O primeiro é instalado em praticamente todos os compartimentos, enquanto que o segundo é encontrado nas cozinhas.
5.6 - SISTEMA FIXO DE PÓ QUÍMICO
O pó químico é um grande agente extintor. Quando submetido a altas temperaturas libera CO2, extinguindo o incêndio por abafamento. Encontramos nos navios unidades de pó químico distribuídas no convés em pequenos reservatórios, utilizando como propelente o nitrogênio. Essas unidades dispõem de mangueiras especiais e pistolas para lançar o pó químico sobre as chamas.
Nos navios transportadores de gás liqüefeito, existe um sistema com dimensões maiores que fornecem pó para os canhões localizados em plataformas no convés. O sistema é composto de um reservatório com pó químico, normalmente o bicarbonato de sódio ou o bicarbonato de potássio, sendo o último mais eficaz. O propelente utilizado é o nitrogênio acondicionado em garrafas que são acionadas no momento em que o sistema for posto em funcionamento.