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4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.10 EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NOS ESTABELECIMENTOS

Os principais equipamentos utilizados pelos estabelecimentos do setor madeireiro da cidade de Patos-PB estão apresentados na Figura 15. Os equipamentos mais citados nas marcenarias e madeireiras foram a serra circular simples, furadeira, esquadrejadeira e desengrossadeira. Tais equipamentos são os essenciais na fabricação dos produtos, seja qual for o tamanho da empresa. Constatou-se que boa parte dos estabelecimentos da cidade utilizam equipamentos antigos, o que pode estar relacionado à maior quantidade de resíduos produzidos. Entretanto, observou-se que alguns estabelecimentos recentes possuem equipamentos mais modernos, inclusive com coleta de resíduos acoplada ao equipamento.

Figura 15 – Principais equipamentos utilizados nos estabelecimentos do setor madeireiroda cidade de Patos - PB (2017)

Fonte: Autoria própria (2018)

Também ficou evidente que, na maioria das empresas, os funcionários não utilizam nenhum tipo de equipamento de proteção individual (EPI). Assim, os trabalhadores ficam expostos ao risco de acidentes de trabalho diariamente, como mutilações, possíveis problemas respiratórios e auditivos, como também problemas oculares.

4.11 PERCEPÇÃO AMBIENTAL DO SETOR MADEIREIRO

A partir do levantamento da percepção ambiental do setor madeireiro, é possível observar a necessidade de mudanças de hábitos que possam ser prejudiciais ao meio ambiente.

No Quadro 5, mostram-se os valores relativos ao cálculo do nível de percepção ambiental dos 29 estabelecimentos estudados e a média geral para o setor madeireiro da cidade de Patos - PB.

Quadro 5 – Dados da percepção ambiental do setor madeireiro da cidade de Patos - PB (2017)

Nível de percepção por estabelecimento

1 24 – Ruim 16 33 - Conflitante

2 25 – Ruim 17 34 - Conflitante

4 27 – Conflitante 19 34 - Conflitante 5 27 – Conflitante 20 34 - Conflitante 6 27 – Conflitante 21 34 - Conflitante 7 28 – Conflitante 22 34 - Conflitante 8 28 – Conflitante 23 35 - Conflitante 9 29 – Conflitante 24 35 - Conflitante 10 29 – Conflitante 25 36 - Conflitante 11 29 – Conflitante 26 36 - Conflitante 12 29 – Conflitante 27 40 - Bom 13 31 – Conflitante 28 40 - Bom 14 31 – Conflitante 29 41 - Bom 15 31 – Conflitante TOTAL = 31,7

Fonte: Autoria própria (2018)

Nota-se que três empresas atingiram o nível de percepção ambiental ruim, demonstrando que estas não possuem consciência dos impactos de suas ações ao meio ambiente, pois não adotam qualquer prática ambiental com o intuito de minimizar os impactos ambientais gerados por suas atividades.

A maior parte dos estabelecimentos, cerca de 79%, obteve o nível de percepção conflitante, o que indica que, provavelmente, estes possuem um entendimento dos impactos ambientais causados e dos benefícios das práticas ambientais, mas que nem sempre adotam as práticas ambientais necessárias.

Verifica-se também que apenas três empresas atingiram o nível de percepção bom ou ótimo, mostrando um bom entendimento acerca da problemática do setor, envolvendo os impactos causados pelas atividades realizadas, bem como das práticas ambientais que devem ser adotadas, sempre que possível.

No geral, observou-se que, mesmo com o conhecimento e preocupação demonstrada pelos estabelecimentos do setor, pouco é feito em relação à tentativa de mitigar os impactos causados ao meio ambiente pelas atividades produtivas dos mesmos, demonstrando que atitudes devem ser tomadas para adequação do setor, como iniciar de cursos para maior conscientização.

Ao verificar as alternativas de resposta de todos os entrevistados no setor (Figura 20), nota-se que, em relação às perguntas que obtiveram maior porcentagem de escolha da alternativa 1 (pior atitude para a questão), foram as perguntas 1, 4 e 9: “O que você entende por meio ambiente?”; “Sobre os resíduos gerados, você acha que esses podem causar danos ao meio ambiente e/ou a população quando dispostos de forma inadequada?” e “Em sua opinião, o trabalho neste setor causa danos as condições de saúde dos trabalhadores?”.

Diante disso, percebe-se que provavelmente boa parte dos entrevistados acreditam que a madeira, por ser um material biodegradável, seus resíduos madeireiros não causam impactos ambientais significativos quando dispostos de maneira inadequada. Verifica-se também que os entrevistados não possuem uma boa percepção de como o trabalho no setor pode prejudicar diretamente de forma negativa a sua saúde.

Figura 16 – Alternativas de respostas dos entrevistados no setor madeireiro da cidade de Patos - PB (2017)

4.12 CORRELAÇÃO DE ASPECTOS COM A PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS ESTABELECIMENTOS

Através da Tabela 2, verificou-se que os estabelecimentos nos quais os entrevistados foram classificados com percepção ambiental ruim possuem um baixo nível de escolaridade, apresentando, no máximo, o Ensino Fundamental completo. Em relação aos estabelecimentos que obtiveram um nível de percepção ambiental considerado bom ou ótimo, houve uma predominância de um maior nível de escolaridade entre os envolvidos no estabelecimento, mostrando que o nível de escolaridade pode influenciar diretamente no nível da percepção ambiental dos envolvidos no setor.

Tabela 2 – Nível de percepção ambiental e aspectos socioeconômicos dos estabelecimentos do setor madeireiro da cidade de Patos – PB

Nível de percepção

ambiental

Escolaridade Localização Tempo de

atuação no mercado

Salário

Ruim E. Fundamental

incompleto

Jatobá mais de 10 anos 1-2 salários

Ruim E. Fundamental

completo

São Sebastião

mais de 10 anos 1-2 salários

Ruim E. Fundamental

completo

Centro 0-5 anos 1-2 salarios

Bom E. Médio completo Monte Castelo

5-10 anos 1-2 salários

Bom E. Médio completo Centro 5-10 anos 1-2 salários Bom E. Superior completo Maternidade mais de 10 anos 1-2 salários Fonte: Autoria Própria (2018)

Com isso, fica evidente a necessidade da realização de cursos de capacitação, que abrangeriam temáticas relacionadas a técnicas de produção, englobando as

formas de armazenamento e secagem adequada da madeira, redução na geração dos resíduos madeireiros e indicação sobre possíveis formas de reaproveitamento dos mesmos. Necessita-se também de orientações sobre uma maior modernização do ambiente de trabalho, como a utilização de equipamentos modernos, organização do ambiente quanto a se evitar acúmulos de resíduos e objetos sem uso, e oferecer produtos e serviços de maneira diferenciada, a fim de se fortalecer no mercado.

Entretanto, a realização dos cursos não depende apenas dos proprietários e funcionários, deve existir a oferta desses cursos por parte de organizações, como, por exemplo, o SEBRAE da cidade, o qual é o órgão de apoio das micro e pequenas empresas do município. Também poderiam ser desenvolvidos projetos de extensão junto a este setor em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande.

Destaca-se também que o setor madeireiro não possui uma associação ou sindicato de seus trabalhadores, fato que dificulta a luta por melhorias no setor e impede uma maior visibilidade por parte dos órgãos competentes.

5 CONCLUSÕES

O perfil básico do setor madeireiro da cidade de Patos - PB, com ênfase nas informações do porte das empresas, condições socioeconômicas e ações voltadas para meio ambiente, mostra um setor madeireiro constituído de micro e pequenas empresas, que possuem baixo número de funcionários e com uma renda mensal de poucos salários mínimos. O nível de escolaridade da maioria dos funcionários é o Ensino Fundamental, e os mesmos não recebem cursos de capacitação, o que dificulta o desenvolvimento do setor.

Evidenciou-se que a maioria das espécies utilizadas no setor são provenientes da região Norte do país, demonstrando a baixa utilização de espécies da região Semiárida. A utilização do MDF vem crescendo entre as marcenarias da cidade, em substituição à madeira convencional.

O setor representa uma expressiva parcela de contribuição para a qualidade de vida das pessoas envolvidas, entretanto a maioria relata uma série de problemas oriundos das mais diversas causas, incluindo o financeiro, falta de capital de giro e incentivos de financiamentos. Portanto, a maioria enfrenta problemas na compra de matéria-prima, ampliação e modernização de instalações, havendo dificuldades também no sentido de baixa qualificação profissional e educacional, entravando a implementação de novas tecnologias e, consequentemente, a melhoria de produtos e serviços oferecidos. Assim, iniciativas de capacitação e qualificação de todos os envolvidos no setor poderiam promover uma melhoria no perfil do setor madeireiro e, consequentemente, a melhoria na qualidade de vida destes.

Os empresários do setor são carentes de informações quanto à aplicabilidade e à geração de benefícios que a adoção de práticas ambientais pode trazer para sua empresa. Os estabelecimentos não têm um controle do quantitativo de resíduos gerados e, quanto ao seu destino final, a maior parte é recolhida pela Prefeitura e, provavelmente, depositada no lixão da cidade. Neste estudo, pode-se perceber o potencial de utilização dos resíduos do setor madeireiro, como a reutilização, reciclagem, com destaque especial na cogeração de energia.

A maior parte dos estabelecimentos obteve o nível de percepção conflitante, o que indica que, provavelmente, estes possuem um entendimento dos impactos

ambientais causados e dos benefícios das práticas ambientais, mas que nem sempre adotam as práticas ambientais necessárias.

De forma geral, constatou-se que os estabelecimentos realizam poucas práticas ambientais a fim de minimizar os impactos ambientais ocasionados pela atividade produtiva do setor, mesmo possuindo alguns conhecimentos de tais impactos. Dessa forma, é evidente a necessidade de se adotarem atitudes para adequação do setor, a começar de cursos de capacitação para melhorar a conscientização.

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