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Equipas de top pensar a mesma “coisa” e ao mesmo tempo…

2.2. O emergir «concepto-metodólogico» de uma «nova(s)» problemática(s)

2.2.1.1. Equipas de top pensar a mesma “coisa” e ao mesmo tempo…

“Numa equipa que quer ser de topo, todos os jogadores têm de participar nos quatro momentos do jogo… guarda-redes incluído.”

(José Mourinho, in Oliveira et al., 2006)

Actualmente, o Futebol de top obriga a uma constante adaptação das equipas e jogadores a novas necessidades impostas pelo próprio jogo. Com efeito, a diminuição dos espaços, do tempo de percepção, execução e decisão, assim como o aumento das acções colectivas, exigem do jogador uma outra atitude mental, mais pensamento táctico. Ou seja, uma nova mentalidade táctica, que expressa a forma de jogar de cada treinador que concebe uma cultura de jogo.

Tal como refere Frade, (2005b) “Top é uma cultura de detalhes, é sentir/fazer dizer o que os outros não vêm, anteciparem-se, e isso resulta da inteligência de jogo.”

É por esta razão, que assume-se como fundamental os jogadores conhecerem o jogo, terem uma ideia de jogo, terem um conhecimento das características do jogar, que será melhor quanto maior for a sua cultura táctica, definida por Frade (1990) como sendo um guia de escolhas de acção, referenciado ao conjunto de valores e percepções que decorrem do corpo de significações criado.

Neste sentido, o que se pretende nas equipas de top é que a totalidade dos jogadores, como refere Frade (2005b), adquiram como referência a imagem daquilo que se pretende, que é a intenção prévia, que tem a ver com os conteúdos que seleccionamos, as grandes linhas, as grandes questões da forma de jogar. Se tal não acontecer, devido à força do envolvimento, a informação disponível no córtex motor, para poder ser chamada a utilizar, à conta do córtex parietal, em função de uma intenção que o córtex frontal configura, pode ser desajustada (Frade, 2005b). E, de facto, Lafargue (2005) diz-nos que o córtex parietal toma consciência mais ou menos rapidamente da intenção em acto [comportamentos que os jogadores revelam] … podendo o córtex pré-frontal mesmo travar a acção se este não for conforme às intenções prévias [comportamentos que o treinador pretende dos jogadores].

Assim sendo, o fundamental será manter sempre presente na cabeça de todos os jogadores uma estratégia colectiva de jogo, digamos uma identidade colectiva que se sobrepõe ao desequilíbrio individual (Lobo, 2006b) concorrendo para uma organização comportamental, ou seja, que as decisões dos jogadores se inscrevam num contexto Específico Colectivo.

Também Castelo (1994) corrobora a mesma opinião, quando afirma que cada elemento está dialecticamente relacionado com o conjunto, emanando uma organização, pelo que, cada elemento do jogo só exprime o seu significado total quando observado no seu contexto.

“Tudo isto terá de ser congeminado nos ateliers tácticos do treino onde cada treinador molda a sua ideia de jogo” (Lobo, 2006b).

Nesta linha de pensamento, Faria (2002), salienta o seguinte: “se tu num determinado momento de jogo tens a bola em teu poder, e eu à partida nesse momento estou a adivinhar o que tu vais fazer, eu conheço automaticamente o atalho para o desenrolar do processo de jogo, automaticamente isso vai facilitar o entendimento colectivo que permita chegar ao objectivo da equipa e, particularmente, ao objectivo do nosso jogo. Esta linguagem comum é a que, no final de contas, traduz um modelo e uma identidade da nossa equipa”.

Do exposto, deduzimos que jogar como uma equipa é ter organização, ter determinadas regularidades que fazem com que, nos quatro momentos do

jogo, todos os jogadores pensem em função da mesma coisa e ao mesmo tempo. Como refere Mourinho, (in Oliveira et al. 2006) isso só é possível com tempo, com trabalho e com tranquilidade, porque uma coisa é os jogadores perceberem e tentarem fazer aquilo que eu quero e outra é conseguirem fazê- lo enquanto equipa.

Partilhando da mesma opinião, Frade (2004a) afirma que não há nada que demore mais tempo do que alterar comportamentos. Demora até que os comportamentos sejam cultura. Daí que o mesmo autor defenda a importância de desde o primeiro dia (do período preparatório), se deve treinar o jogar que se pretende.

Corroborando com esta lógica, encontramos Carvalhal (2004), que após duas semanas de treino, com a introdução de novos conceitos relativos ao seu modelo de jogo já permitia existir uma identificação por parte dos jogadores em relação aos princípios instituídos e à filosofia de trabalho. O mesmo autor (2006b), identifica “um percurso ascendente”, onde considera ter sido conseguido o principal propósito: “ter uma ideia de jogo e jogadores que compreendam essa ideia de jogo e a valorizem”.

Sendo assim, é com base nesta ideia de jogo, representada pelos princípios comportamentais, que se consegue que os jogadores joguem como equipa, permitindo estabelecer coordenadas de organização.

Para terminar, se as equipas de top são as que mais organização evidenciam, são também as que a um maior desgaste mental são sujeitas, pela concentração que lhes exige. São, porém, as que, por norma mais jogos têm por época. A ser assim, é certo que por esta razão que existe a chamada “rotatividade”, mas, se por um lado nem todas as equipas a fazem, por outro, ela não nos parece explicar tudo, pois os jogadores mais importantes continuam a jogar, pelo menos uma vez por semana (Amieiro, 2004).

Esta concepção é expressa nas palavras de Mourinho (2003a), referindo que não existem jogos mais ou menos importantes, e quem pensa dessa forma arrisca-se a perder pontos quando menos espera. Como tal, “não poupamos jogadores de um jogo para o outro a pensar que esta ou aquela partida é mais importante” (Mourinho, 2003a).

No entanto, como Faria (2006a) nos apresenta, as diferentes provas têm significados diferentes, mas a preparação, a lógica do treino não se altera em função da competição, pensa-se jogo a jogo. Para o mesmo autor “o que existe é uma gestão coerente do tempo de jogo dos atletas nos momentos de maior densidade competitiva, de forma a manter o melhor rendimento dos mesmos nas diferentes competições.”

Daqui, constata-se a preocupação de Mourinho (2006a), ao anteceder um jogo com o Barcelona para a liga dos campeões, expondo a necessidade de realizar duas ou três alterações de forma a induzir “sangue novo”, para ganhar o jogo [da Premiership] e ficar a sete vitórias do titulo de campeão.

Pelo exposto, para que o rendimento se consiga, o que é fundamental é a coerência em relação a uma determinada concepção, a uma determinada metodologia, sendo este um dos primados do treinar e jogar (Frade, 2004b).

Então, o que podemos considerar em última análise uma equipa de top? Uma equipa de top tem organização, tem determinada densidade de coisas, tem determinadas regularidades que fazem com que, em todos os momentos, seis ou sete jogadores estarem a identificar e a pensar nas mesmas coisas (Valdano, 2002), reconhecendo-se assim uma identidade própria.

2.2.2. O “princípio da rotatividade” de jogadores… considerações para um

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