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CAPÍTULO IV - O PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO DA ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL

4.4 A equipe docente da ETI

O fortalecimento do processo pedagógico, quer dizer, a proposta que o professor faz e que realmente interessa ao aluno. Então, quando há vínculo e há uma proposta pedagógica bem sedimentada o processo de aprendizagem é melhor, e nada é mais agradável ao professor do que saber que seu aluno está aprendendo, isso fortalece, é o estimulo para ele se dedicar cada vez mais no trabalho.

[...]

Você tem que garantir uma gestão democrática, uma gestão em que as pessoas se respeitem pelo conhecimento que tem, pelo trabalho que realizam, pelas conquistas que fazem. Então, o respeito dos profissionais entre si vem daí e eles querem ser considerados, então o esforço do professor, a doação é bem maior.

[...]

A convivência fortalece o vínculo (entre os professores), eles se exigem uns dos outros, então há um compromisso de um para o outro, não só para com a escola e não só para com os alunos (DIRETORA B, grifos nossos). Os pontos levantados pela direção da escola são indicadores de uma convivência ética, fatores que contribuem com o processo educativo, mas que não estão relacionados com o desenvolvimento das 3 (três) modalidades de HTP.

4.4 A equipe docente da ETI

No Projeto da Escola de Tempo Integral foi idealizado o perfil de seus professores de uma maneira explícita e sintética: “O docente da ETI será de tempo integral, concursado e bem preparado” (SEMED, 2011, p. 24), gerando a elaboração de um processo de seleção específico para os professores concursados na REME interessados em trabalhar nessas

escolas, procurando direcionar para a ETI professores já experientes, mas dispostos a reconstruir sua prática a partir das diretrizes do projeto.

A exigência do vínculo do profissional como efetivo da REME foi estabelecida buscando assegurar que os professores tivessem estabilidade funcional para desenvolver seus conhecimentos teóricos e práticos ao longo dos anos nas ETIs.

Porém, a partir do levantamento de dados realizado para esta pesquisa sobre as equipes docentes que atuaram nas 2 (duas) escolas no ano de 2014 foi possível observar em que medida as ações previstas conseguiram ser materializadas e quais foram os fatores intervenientes nesse processo.

Em 2014, o quadro de funcionários da área educacional das ETIs foi composto por 42 (quarenta e dois) pedagogos docentes da educação infantil e do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, 30 (trinta) professores especializados de Educação Física, Artes e Língua Estrangeira, 11 (onze) coordenadores pedagógicos, 2 (dois) diretores adjuntos e 2 (dois) diretores escolares, perfazendo um total de 87 (oitenta e sete) profissionais responsáveis por implementar o projeto pedagógico das escolas in loco.

O perfil da formação acadêmica dos professores e coordenadores pedagógicos, que compuseram a equipe da ETI no ano de 2014, é apresentado no Gráfico 1.

GRÁFICO 1: Percentual de professores por nível mais alto de formação acadêmica, em 2014.

FONTE: Escolas de Tempo Integral X e Y. Gráfico organizado pela autora para o trabalho.

A leitura do gráfico aponta que é característica de 79,51% dos integrantes desse grupo ter avançado em relação a sua formação inicial, possuindo, em tese, mais conhecimento teórico do que o oferecido em nível de graduação. Esses dados explicitam que a titulação do corpo docente e técnico seria um dos aspectos positivos ao processo de implementação da proposta, sendo considerado pela literatura da área como indicar de qualidade (ALVES, 2009).

20,48

75,90

3,61 0,00

Nível superior Pós-graduação em nível de especialização

Pós-graduação em nível de mestrado

Pós-graduação em nível de doutorado

Ainda dentre os professores e coordenadores, apenas 59,03% compõem o quadro de professores efetivos da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande, sendo que o vínculo empregatício dos demais 40,97% é realizado por meio de convocação com tempo vigência de contratação de 6 (seis) meses.

Essa realidade, divergente às diretrizes emanadas no Projeto, é causada pela escassez de professores concursados interessados em trabalhar nas escolas, o que pode ser justificado tanto pela exigência no cumprimento de um projeto pedagógico distinto das demais escolas que também diferencia e amplia a função dos docentes quanto pela dificuldade de acesso às edificações, que se encontram na periferia da cidade. Nessa conjunção, a SEMED passou a admitir a lotação de professores contratados nas ETIs, mesmo que ainda priorizando os concursados.

Outro fator que dificulta a formação de quadros de funcionários estáveis nas escolas está relacionado à rotatividade de professores. Esse dado foi colhido por meio do levantamento da quantidade de profissionais da escola por tempo de serviço, apresentado na Tabela 6.

TABELA 6: Quantidade e percentual de funcionários das ETI por tempo de serviço, na escola, até o ano de 2014.

TEMPO DE SERVIÇO 6 anos 5 anos 4 anos 3 anos 2 anos 1 ano

Quantidade de funcionários da Escola X 23 1 7 6 4 2 Quantidade de funcionários da Escola Y 10 3 6 10 4 7

Total de funcionários 33 4 13 16 8 9

Porcentagem 39,76% 4,82% 15,66% 19,28% 9,64% 10,84%

FONTE: Escolas de Tempo Integral X e Y. Tabela organizada pela autora para o trabalho.

Por meio da análise das informações contidas na Tabela 6, pode-se constatar que apenas 39,76% dos professores e coordenadores estavam lotados nas escolas desde a sua inauguração, havendo modificações no quadro de funcionário em todos os anos.

Também, observa-se que a Escola Y apresentou um número maior de rotatividade de funcionários, sendo que a maioria de seus professores possuía, em 2014, tempo de serviço inferior a 4 (quatro) anos.

Vários fatores, dentre eles: distância do centro, inadaptação à metodologia utilizada na escola, convite para trabalhar na coordenação de outras escolas ou na própria Secretaria de Educação, podem ter contribuído para essa rotatividade de funcionários, porém, identificá-los não compôs o escopo deste trabalho. O inegável é que esse cenário dificulta a composição de

um quadro de professores e, consequentemente, dificulta o processo de implementação da proposta.