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Quantas pessoas são necessárias para uma produção de material digital? Nos Estados Unidos há equipes de 60 profissionais para um único projeto. No Brasil, três pessoas cuidam às vezes de 8 clientes. Ponto para ambos: por lá eles têm paz para pesquisar e desenvolver suas idéias com maior grau de especialização, o que explica boa parte da qualidade gráfica e diversidade dos serviços oferecidos pelos sites. Por aqui, ganhamos habilidades múltiplas, independência e criatividade, o que nos dá uma visão melhor do processo como um todo.

Nas próximas páginas vamos examinar as principais funções relacionadas à produção de multimídia. Para isso contei com o depoimento de alguns amigos que são profissionais experimentados na área, nos mais diferentes níveis, com os quais eu concordo 150%. É bom

lembrar que funções distintas não significa que sejam sempre realizadas por funcionários diferentes:

algumas são terceirizadas, outras contratadas para a empreitada, outras são “parcerias”,

“consultorias” e assim por diante.

Leia o texto de todos e tente identificar o que eles têm em comum entre si, talvez você seja bem parecido com vários deles e nem desconfie.

9-1: O “webdesigner”, esse pobre centauro

Escrevi este artigo para a edição nº 37 da revista Design Gráfico. Gerou resultados explosivos. O reproduziram no site da revista. Mais explosões. Não podia deixá-lo de fora.

“De acordo com a Você S/A, webdesigner é a profissão do futuro. No rádio, um spot de uma escola promove o curso de webdesign sob a mesma ótica. De vez em quando me surpreendo com a

quantidade de pessoas que falam a respeito de webdesigners e de webdesign com a maior

naturalidade, a tal ponto de não duvidar que ser webdesigner deve até ajudar a vida sexual de muita gente, garantindo boas cantadas (ei, princesa, vamos fazer uma multimídia no meu apê?) ou até servindo de pontapé inicial para muito papo furado regado a álcool.

Em outras palavras: está na moda ser webdesigner. É muito chic. Ou, em português, é hype. É cool, cult, fashion, hip talvez. Ainda mais sexy se o webdesigner usar um Macintosh, programar flash, usar dreamweaver, fazer arquitetura de informação para sistemas WAP. Como diria o Chico: “ai, quem me dera ser garçom - ter um sapato bom - quem sabe até talvez - ser um garçom francês - falar em champignon - falar em molho inglês - pra te dizer gentil”.

Como reconhecer um webdesigner? Eles são coloridos, ué. Usam cabelos coloridos, sombrancelhas coloridas, tatuagens coloridas, roupas coloridas, piercings coloridos. Mais ou menos como os clubbers, mas com uma atitude mais cyber, meio Londres, se é que você me entende, mano. Se não entender, azar: você está por fora, unplugged, não ouve MP3, não tem número de ICQ, não sabe o que é o iBest, não tem página pessoal, é analógico, não existe.

Todas essas cores, infelizmente, nem sempre correspondem a idéias igualmente coloridas. Já vi muita gente colorida com portfólio vagabunda, com páginas que contam o número de visitantes, cheios de GIF’s de quinta categoria, letras que voam e se deformam, usando todos os exemplos de animação pré-programada, copiando modelos de sites de sucesso, com os links à esquerda da tela ou botões tridimensionais que mudam de cor quando são clicados, usando clip arts em ícones que precisam de legendas etc. etc. etc… (ah, se um gênio me desse um único desejo, eu desinventaria a clip art e alguns programas de ilustração — a fome mundial bem que poderia esperar um pouco).

Mas afinal, o que é um WEBdesigner? Que centauro é esse que a mídia gosta tanto de popularizar?

Qual a sua formação? O que ele tem que fazer profissionalmente? Seriam os webdesigners

designers que entendem de web? Mas existe gente que não entende de web hoje em dia? Ou seriam eles designers que sabem programar? Seriam eles, enfim, designers? Diretores de Arte? Ou

programadores enrustidos? Na minha humilde opinião, sejam o que forem, eles estão extintos: são resultado de uma época em que não era possível separar o design da programação e os coitados tinham que perder um tempo enorme na geração de excrescências do tipo tabelas HTML para fatiar as imagens. Por sovinice de patrões que não entendem direito de design, muitos designers coitados são obrigados a programar. Mal sabem seus chefes que resultados obtidos por um

designer-programador estão bem longe de ser a soma dos de um designer com os de um designer-programador, muito pelo contrário.

Acredito sinceramente que designer é designer e ponto final. Designers gráficos usam programas gráficos, designers de TV usam programas de vídeo, Designers de produto usam programas de modelagem, designers de websites usam Flash ou DreamWeaver, administradores de empresas usam Excel e não precisam saber de cor a tabuada do oito, a raiz quadrada de três ou o logaritmo de doze na base quatro. É o talento e a dedicação que fazem um designer, não uma roupa colorida e uma atitude fashion. Não estou dizendo que não se deva usar roupas coloridas ou tingir os cabelos de verde (pois estaria dando um tiro em meu próprio pé), mas que isso não é condição obrigatória nem suficiente para ser designer. Em outras palavras, essa é uma profissão como qualquer outra, e, se você for bom, vai acabar se destacando mesmo que tenha o fenótipo de um professor de química.

Aliás, muitos amigos meus, designers de muito talento, não se intitulam webdesigners e usam roupas normais, como gente normal.

A internet está tomando posse do glamour que já foi da propaganda nos anos 80: atrai pessoas de todos os tipos, inchando o ego de muitos e premiando gente que não tem necessariamente tanto talento assim. Convivo com publicitários e alunos de publicidade há aproximadamente vinte anos e achei que já tinha visto de tudo em termos de arrogância e atitude vazia, mas percebo que as piores partes desse filme estão sendo reprisadas. Ficarei contente quando a internet deixar de ser moda, pois isso atrairá para a profissão somente gente séria e compenetrada, disposta exclusivamente a fazer um trabalho com muito tesão o que, afinal, é o que nos mantém vivos, não um cargo de

“criativo” em um departamento homônimo.”

9-2: Incubação e novos produtos

Qualquer um é capaz de ter boas idéias para um website. Transformá-las em negócio lucrativo, entretanto, é coisa para bem poucos. Isso apavora o investidor, ainda mais se for estrangeiro. Para canalizar recursos de grandes grupos de investimento em boas (e viáveis) idéias existem as incubadoras e aceleradoras de negócios. Elas analisam as oportunidades, público, mercado e eventuais anunciantes, ajudando inventores a se tornarem empreendedores.

Segundo Indio Brasileiro, “Uma Aceleradora de Negócios é uma evolução do conceito de

“incubadora”: é uma empresa que ‘acelera’ a viabilização de projetos com aplicações na área pontocom. Para isso avalia o plano de negócios, partes legal e fiscal, equipe, tecnologia, posicionamento de marca e estratégia comercial, monitorando gastos e investimentos.

Uma empresa, seja ela pontocom ou não, sempre deve ser criada para dar lucro. Por isso, se você está montando seu site, lembre-se que empreendendorismo se faz com muito controle de custos, inovação e incentivo à geração de demanda. Afinal, capital de risco não é capital de desperdício.

Enumero 10 ‘mandamentos’ essenciais para um plano de negócios vencedor na Internet:

1. Defina claramente qual o modelo de negócio, qual sua visão e quais seus diferenciais em relação ao que já existe. Não adianta desenvolver planos para atuar em um segmento onde já há forte concorrência estabelecida

2. Defina claramente quais são as fontes de receita e quais os valores que podem ser cobrados para prestar o serviço

3. Saiba porque este serviço irá atender uma determinada necessidade e a tecnologia necessária para implementá-lo

4. Analise o mercado; se há concorrência e o que pode ser feito para neutralizá-la; — estabeleça parcerias exclusivas que agreguem vantagens para o projeto

5. Garanta que sua equipe tenha conhecimento da área de negócio em que o projeto irá atuar 6. Tenha conhecimento fiscal e legal do mercado

7. Estude a possibilidade de expansão geográfica regional e de geração de fontes de receita complementares

8. Não esqueça de registrar todas as propriedades: Marca, domínio da URL, Patentes de Software etc

9. Avalie custos e capital necessário a investir e estabeleça um cronograma focado em resultados — quanto irá gastar e quanto irá faturar

10. Desenvolva um plano de marketing e relações públicas inteligente e eficaz — o negócio não deve necessariamente depender de grandes gastos com marketing para ter êxito.”