Os valores totais da equitabilidade nas duas áreas, inicial e intermediária, foram relativamente baixos, pois como visto D. verruciferrum sozinha representa 78,72% do total de indivíduos, e como o número de indivíduos está concentrado em um só táxon, isso gera uma baixa equitabilidade. Nesse cenário, observa-se que a equitabilidade da área inicial é maior. Isso se explica pela porcentagem que D. verruciferum ocupa no total de indivíduos de cada área, sendo que na área inicial é de 63,16% e na intermediária de 87,11%.
Os valores de diversidade de Shanon-Wiener não demonstraram diferença significativa entre as áreas, enquanto que os de Simpson indicaram uma área inicial mais diversa, resultados estes contrários ao esperado. Medri & Lopes (2001) demonstraram que em área de floresta (Mata Atlântica) a diversidade segundo o índice de Shanon foi maior se comparada à área de pastagem, mostrando os efeitos da interferência antrópica em uma comunidade de escarabeíneos. Não só a disponibilidade de excremento bovino como recurso, como também a proximidade de manchas de
34 Caatinga preservada, podem ter influenciado os resultados, resultando numa diversidade maior para uma área degradada em relação à conservada.
Outra explicação seria com relação à própria condição da Caatinga preservada, não só no Estado de Sergipe, mas no Nordeste brasileiro. A Caatinga sergipana é dividida em ilhas segundo Castelleti et al. (2003) e Estrada, Coates-Estrada &Meritt (1994) apontam que fragmentos florestais isolados coincidem com baixo número de espécies de mamíferos enquanto que fragmentos de floresta não distantes parecem favorecer a riqueza de espécies. Os escarabeíneos seriam sensíveis a essa fragmentação, acarretando na diminuição de sua diversidade.
Os valores dos testes para Jacknife de 1ª ordem, tanto na área inicial como na intermediária, mostraram que o estimador de riqueza apresentou valores que significantemente diferiram do observado. Isso indica que o experimento não conseguiu amostrar por inteiro a comunidade de escarabeíneos do MONA Grota do Angico.
7.5. Abundância e riqueza nas iscas
Em todos os tratamentos analisados (abundância e riqueza nos tipos de isca, em cada área) as armadilhas iscadas com fezes obtiveram os maiores valores, tanto para abundância quanto para riqueza de espécies. Apenas na análise na área intermediária, as três iscas diferiram entre si, com relação à riqueza (Figura 14). Valores maiores de abundância e riqueza nas iscas de fezes se repetem em trabalhos como, por exemplo, em Silva et al. (2012), onde os números de escarabeíneos encontrados para fezes, carne e banana no bioma de Pampa respectivamente foram: 3.433, 368 e 165 besouros; e o número de espécies foi: 26, 16 e 13 spp. Viera & Silva (2012), em um e estudo em Caatinga utilizando iscas de fezes e carne, encontraram 21 espécies, todas elas coletadas em iscas de fezes, e apenas onze nas de carne.
35 8. CONCLUSÃO
Este foi um dos primeiros trabalhos realizados com Scarabaeinae no Estado de Sergipe e o primeiro para a Caatinga do Estado. Os táxons amostrados constituem parte da comunidade de escarabeíneos da Caatinga sergipana, sendo, porém necessários mais estudos, para avaliar a composição da fauna como um todo, visto que os resultados do estimador de riqueza foram diferentes dos observados.
Os resultados encontrados para abundância demonstraram diferença entre as áreas inicial e intermediária, porém quando se compara a riqueza entre as áreas, o resultado mostra não haver diferença significativa entre as mesmas, o que não era o esperado. Além da própria movimentação das espécies, o estado de conservação da Caatinga pode explicar os resultados encontrados. A relação da dinâmica da comunidade com a precipitação não foi observada, apesar de outros estudos em Caatinga apontarem essa correlação entre o aumento das chuvas, com o aumento de indivíduos da comunidade.
D. verruciferum foi o táxon mais abundante e é considerada uma espécie exclusiva da Caatinga (HERNÁNDEZ, 2007) sendo agora, através deste trabalho, também registrada para a Caatinga sergipana. Canthon sp. e Uroxys sp. foram somente encontradas na área intermediária; e Canthidium sp. com apenas um indivíduo, do total de 19 coletados, encontrada na área inicial. Isso indica que esses três táxons talvez possam ser utilizados como indicadores de degradação ambiental. Porém, mais estudos são necessários para se compreender melhor a dinâmica da comunidade antes de se fazer qualquer afirmação, assim como a identificação específica dos mesmos.
Apesar da grande importância de Scarabaeinae na manutenção de um ecossistema com funções diretamente relacionadas com a ciclagem de nutrientes, dispersão secundária de sementes, controle biológico e outras, no Estado de Sergipe o conhecimento sobre os escarabeíneos é escasso. Some-se a isso a precária conservação da Caatinga no Estado, mostrando a necessidade da continuação de pesquisas, a fim de conhecer e entender melhor a dinâmica da comunidade de escarabeíneos dentro da Caatinga e demais biomas sergipanos.
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