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3.   Metodologia 22

3.2.   ErgoS: A emergência de uma complexidade crescente 25

Com base nas caraterísticas que compõem o seu processo de produção, suportados por uma recolha sistematizada de dados de índole diversa, a equipa de projeto traçou um cenário da situação atual da área de produção. Perante tal, tornou-se óbvio o crescente aumento de índices negativos relacionados com a componente física dos

operadores, nomeadamente, a existência de um número cada vez maior de lesões músculo-esqueléticas, às quais se associava uma maior frequência de queixas. Tal, eventualmente, resulta do manuseamento de cargas cada vez maiores, dados que os pneus fabricados nas linhas de produção tenderam para uma maior dimensão e peso, não se podendo ignorar também, o surgimento de novos processos, que acabam por retransformar a relação tarefa-sujeito. As estas alterações de processo, aliava-se ainda, a falta de preocupações antropométricas e de mobilidade/rotatividade de tarefas, embora esta última, já encontra-se eco em algumas áreas da produção. Simultâneo ao que foi referido, assiste-se a um aumento da idade média da população fabril, tendência a qual, parece vir a agravar-se com o novo enquadramento legal e laboral imposto às empresas, traduzido no aumento da idade legal da pré-reforma. Reforçando a importância e urgência deste projeto, percebeu-se que seria fundamental antecipar e diminuir os constrangimentos e limitações dos operadores e assegurar a integração dos operadores com limitações físicas. Perante este quadro, não se pode ignorar os riscos de sustentabilidade que emergem num horizonte mais ou menos distante, com possíveis repercussões produtivas, financeiras, sociais e de solidariedade para a empresa. Como tal, antecipava-se já, a necessidade de estabelecer uma ligação entre a estandardização dos equipamentos e os operadores, em concreto, nos projetos de expansão industrial advindos.

Todos os stakeholders estavam cientes da necessidade de garantir a sustentabilidade da empresa, não apenas a curto e médio prazo, mas também a longo prazo. Para tal, a empresa - diretores, chefias e colaboradores – impôs como expetativa legítima para o projeto a melhoria das condições de saúde e trabalho, preservando-se, no entanto, a eficiência e qualidade do trabalho. Aliás, estas estariam salvaguardas, pois com a melhoria das dimensões acima referidas, mais uma vez, seria expetável uma redução de índices negativos relativos à condição física e à sinistralidade – taxa de absentismo, incidentes e acidentes e sua severidade e consequente redução dos custos com os seguros – e o aumento de índices de satisfação e saúde percecionada. A reboque destas expectativas, esperava-se uma melhoria da qualidade de vida dos operadores e suas famíliase e um possível aumento da esperança de vida.

Deste modo, a gestão projetava que deste projecto piloto emanasse uma proposta de plano de formação e de modelos de avaliação ergonómica adaptados à realidade da empresa e do seu processo produtivo. O quais permitiriam desenvolver um mapeamento ergonómico dos postos de trabalho – e eventuais necessidades de alterações de máquinas ou layout fabril - e definir e implementar um módulo de formação, específico em ergonomia, para os postos de trabalho. Procurava-se também, preparar e implementar um modelo de rotação ergonómica, assistido por um

programa de fisioterapia preventiva e ginástica laboral. O objetivo último, mas o mais ambicioso, concebia uma plano de avaliação e intervenção ergonómica para toda a área de produção, a implementar a médio-prazo. A duração do projecto piloto foi definida para 12 meses.

Conceção e desenvolvimento do projeto

A conceção do projeto pela equipa responsável, centrou-se mais, pode-se dizer, no conteúdo do que na forma. Tal afirmação, advém do facto do modelo considerado para o desenvolvimento do projeto ter sido fornecido pela empresa-mãe do Grupo Continetal AG, tendo esta prestado, inclusive, acompanhamento e formação à própria equipa de projeto. Daí a forma. Já o conteúdo foi pensado nas reais necessidades da empresa local, tendo esta a oportunidade de potenciar e adaptar os instrumentos fornecidos, juntando a estes, o produto de estudos remanescentes de outros programas de avaliação e intervenção sobre diferentes dimensões associadas ao processo produtivo. No momento de conceção do ErgoS definiu-se ainda as diferentes fases de desenvolvimento no tempo, balizando os committed deliverables – objectivos de ordem exclusivamente técnica e organizativa que compõem a estratégia operativa do projeto – em milestones pré-definidos, apresentados de seguida e explicitados graficamente na tabela 1.

Milestone 1 (MS1)

Até este momento, estipulou-se a requisição do modelo de avaliação ergonómica produzido pela empresa-mãe e sua devida análise, bem como, a sua introdução no sistema de Gestão de Saúde, Segurança e Ambiente. À data estavam definidos os perfis dos especialistas externos - ergonomista e fisioterapeuta – e contratados os seus serviços. Cumprindo com o estabelecido no momento de conceção, aqui também ponderou-se e concretizou-se os critérios de definição das áreas de produção piloto a avaliar e intervencionar. Igualmente, foram escolhidos os posto de trabalho específicos que constituíram o objeto de análise do programa. Neste momento, avaliação de risco estava completa e todas as questões deixadas à consideração no momento pós- conceção cabalmente esclarecidas.

Milestone 2 (MS2)

O segundo milestone concretizou a formação e promoveu a qualificação dos operadores que compõem os postos de trabalho constituintes do projeto. Este momento marcou também a identificação e utilização de eventuais parceiros estratégicos – capazes de acrescentar valor ao projeto - que foram convidados ou que se quiseram associar ao ErgoS. Aqui, foi proposto um plano de comunicação concebido com o propósito de divulgar e motivar os colaboradores e chefias,

sensibilizando-os para a pertinência e objetivos a que se propunha a equipa do projeto.

Milestone 3 (MS3)

Neste milestone, já estava a decorrer a avaliação dos postos de trabalho das áreas piloto, num momento que se quis ainda de observação e análise da atividade dos operadores. Procurou-se também, que surgisse já aqui uma proposta de plano de atuação e melhoria organizacional – redundando em alongamentos, exercícios, rotação de postos e coaching. Este milestone, terminou com um renovado plano de comunicação que integrou os objetivos definidos no milestone anterior, acrescidos de um relato das diversas atividades desenvolvidas até aí e a decorrer.

Milestone 4 (MS4)

O quarto milestone foi o mais parco em metas definidas no seio do projeto, estipulando-se apenas um plano de comunicação, que mais uma vez cumpriu os objetivos dos planos de comunicação anteriores, limitando-se a atualizar as informações sobre o desenvolvimento do projeto.

Milestone 5 (MS5)

O quinto e último milestone, marcou o término de todas as atividades que compuseram o programa de intervenção ergonómica, servindo para realizar o seu rescaldo. Assim, findada a avaliação dos postos de trabalho, promoveu-se, após uma identificação prévia, uma reflexão e discussão sobre as oportunidades de melhoria ergonómica. Deverá estar concluído, após o desenvolvimento da proposta inicial, o plano de atuação e melhoria organizacional, em moldes semelhantes aos descritos no MS3, bem como, a concepção de um plano de formação para todos os colaboradores envolvidos, que servirá de suporte as aprendizagens e transformações potenciadas pelo ErgoS. Por último, aquilatar-se-á as vantagens e desvantagens do desenvolvimento de um programa semelhante, mas de âmbito mais alargado – intervindo sobre toda a população fabril. Esta ponderação será auxiliada por uma avaliação que procurará estabelecer um paralelo entre o antes e o depois, fazendo emergir objetos de análise úteis para considerar os efeitos da análise e intervenção ergonómica. Estes objetos de análise, serão complementados por um inquérito de satisfação destinado aos operadores participantes no projeto-piloto.

4ºTrim’12 Jan’13 Fev’13 Mar’13 Abr’13 Mai’13 Jun’13 Jul’13 Ago’13 Set’13 Out’13 Nov’13 Dez’13

MS1 MS2 MS3 MS4 MS5

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