• Nenhum resultado encontrado

O título mais comum que os teólogos encontraram para designar a paternidade de São José é "pai putativo", baseando-se em Lucas 3, 23: "Ao iniciar o ministério, Jesus tinha uns trinta anos, %ilho, segundo se pensava de José..." Esse título também diz pouco. Serve somente para a:irmar que os habitantes de Nazaré acreditavam que ele era o pai, sem que ele o fosse, o que pode fazer com que também nós acreditemos sem que ele o seja. Com esse termo excluímos São José da participação :ísica no nascimento de Jesus, sem destacar os aspectos positivos da sua paternidade.

Diante de tantos títulos e quali:icações para esta paternidade, qual seria a mais adequada para continuar chamando São José de pai? Duas expressões se apresentam como mais adequadas: pai putativo e pai virginal. O primeiro nega a relação de uma paternidade natural, mas não exclui nenhuma das atribuições que dizem respeito a essa paternidade. O segundo tem a facilidade de proporcionar um melhor entendimento dos :iéis, já que todos sabem que Maria concebeu por obra do Espírito Santo, e não por obra de um homem. Na verdade, nenhum título exprime a totalidade do relacionamento de São José com Jesus.

Como esposo de Maria ele teve a missão não só de sustentá-la, ou de dar testemunho da sua virgindade para defender a sua honra, mas também , como a:irmou o Papa Leão XIII na encíclica Quamquam Pluries, "De participar da sua excelsa dignidade". A dignidade de Maria é ser mãe de Jesus. Por isso, São José participa dessa dignidade como pai de Jesus. Ciente disto, Suárez a:irma que São José tem, junto com o nome de pai, a realidade da paternidade enquanto pode tê-la uma criatura, excluindo somente a geração :ísica, ou como também a:irmou São João Crisóstomo que São José teve, "salvo a sua virgindade, tudo aquilo que é próprio de um pai”.

Em conclusão, podemos dizer que a paternidade de São José é um caso único, é uma paternidade sobrenatural, por isso acima de todas as paternidades que possamos conhecer. Não encontrando uma palavra que possa expressar perfeitamente essa paternidade especial, o melhor seria continuar chamando São José simplesmente de "pai de Jesus", como a Sagrada Escritura sempre o chamou, não acrescentando nenhum adjetivo especial a esse título. Chamá-lo de

"pai de Jesus" continuará contudo um perigo de heresia, porque o povo cristão sabe muito bem que São José não é o pai natural de Jesus.

Questões para o aprofundamento pessoal

1. Dê algumas indicações ao exercício da paternidade de José em relação a Jesus.

2. Indique as várias expressões e explique-as, para indicar o exercício da paternidade de José.

3. Qual o título mais adequado para exprimir o exercício da paternidade de José?

Por quê?

16. Erros Sobre a Sua Paternidade e a Sua Natureza

Alguns como Cerinto (I séc) e os ebionitas (II sec), viram José nada mais que o pai natural e :ísico de Jesus. É bom lembrar contudo, que alguns estudiosos mais

recentes, chegaram a a:irmar que não viam nenhum inconveniente quanto a paternidade :ísica de José. Um destes foi Corbató, um dominicano morto em 1913, o qual atribuiu a José uma paternidade :ísica, também se sobrenatural porque assim a sua paternidade se aproximaria quase que igual à maternidade de Maria. Ele fundamenta esta sua idéia sustentando a hipótese que o Espírito Santo fez um milagre de unir, sem que José e Maria soubesse, o espermatozóide e o óvulo no seio puríssimo de Maria, salvando assim o princípio da virgindade de ambos com o intervento do Espírito Santo. Naturalmente sua idéia foi condenada.

Numa linha de pensamento semelhante, Petrone em 1928 publicou, através de uma revista italiana, que a paternidade de José era natural, mas incompleta, e poderia então chamá-la de instrumental. Ele explicava que José foi pai de Jesus não só porque o cuidou e o educou, mas também porque colaborou para a sua concepção como um cooperador do Espírito Santo. Também a sua idéia foi condenada pela Igreja.

Ao descrever a genealogia de Jesus (Lc 1,26-38) o evangelista não a:irma: “E José gerou Jesus”, como para dizer que ele é o pai natural. Na verdade o evangelista enfatiza que José não teve nenhuma participação na concepção de Jesus “Antes que coabitassem, ela se encontrou grávida, por obra do Espírito Santo” (Mt 1,18).

Além do mais, menciona a sua angústia ao descobrir que Maria estava grávida.

José não é o pai natural de Jesus, mas isso não diminui em nada a sua missão, mesmo porque para os judeus a paternidade :ísica não era determinante e isto pode-se constatar no caso da Lei do Levirato descrita em Lv 25,5ss, uma lei muito antiga, anterior a Moisés. Neste relato um gera :isicamente, mas o outro é considerado pai; a paternidade legal prevalece sobre a natural. Uma outra lei também antiga como a do Levirato atribuía não à mãe que gerava, mas à sua patroa o :ilho que a escrava gerasse, se tivesse sido a própria patroa, a dar a escrava ao marido para poder ter dela uma descendência (Código de Hammurabi – James B. Pritchard, ancient near Eastern texts relating to the Old Testament, Princetur, 1955, pg 1635).

A respeito desta lei que podemos chama-la de “A atribuição do :ilho da escrava”, encontramos em Gn 30,1-13 o caso do Patriarca Jacó que teve todos os seus :ilhos das escravas de suas duas mulheres Lia e Raquel e foram considerados como :ilhos legítimos de suas legítimas esposas. Claro que no caso de José a sua paternidade não entra nos exemplos acima, pois foi fundada sobre um verdadeiro matrimônio, e ele foi designado por Deus para ser pai de Jesus com uma missão precisa, sendo antes de tudo chamado por Deus à paternidade e depois ao matrimônio com Maria.

Esta singular paternidade de José não foi menos nobre, aliás, por sê-la, por uma especial escolha de Deus, ela é mais e:iciente, pois ele é pai pelo desígnio de Deus, através de uma paternidade que vai além daquela natural. José é, como a:irma Santo Agostinho, “tanto mais pai, quanto mais o é castamente”.

O próprio Santo Agostinho a:irma que a prole é um bem do matrimônio não apenas enquanto gerada dele, mas porque no matrimônio é recebida e educada, e o matrimônio de José e Maria foi estabelecido por Deus para receber e educar

Jesus. E Santo Tomás a:irma que o matrimônio é o meio do qual Deus se serve para conferir a José a paternidade sobre Jesus, e que este matrimônio foi expressamente pré-ordenado por Deus para acolher e educar Jesus. Com isso, concluímos que José não podendo ser pai de Jesus por meio da geração :ísica, Deus concedeu-lhe uma paternidade única, ou seja, aquela que passa pelo matrimônio com Maria. Sua paternidade é especial, não comparável a nenhuma outra, porém muito próxima daquela :ísica e natural.

José foi o escolhido entre todos para a grande missão na terra para ser pai de Jesus e com ele teve um relacionamento que o coloca o mais próximo possível de Cristo. Nenhum homem pode reivindicar uma posição tão singular no desígnio da encarnação, e por isso depois de Maria, ele foi aquele que teve a maior vocação que se possa imaginar, sendo colocado inclusive, na ordem da União Hipostática.

É certo que ao longo dos séculos houve uma concorrência iconográ:ica, particularmente de alguns santos que experimentaram de algum modo o contato com a humanidade de Jesus, fato este recolhido pela agiogra:ia e expresso pela iconogra:ia. Naturalmente Maria e José ocupam os primeiros lugares na representação do contato com Jesus. A título de esclarecimento podemos assinalar o santo velho Simeão, o qual recebeu :isicamente Jesus em seus braços pela ocasião de apresentação do Menino no Templo. Outros santos são representados com esse privilégio: São Bernardino de Claravaux (+1153), Santo Antonio de Pádua (1281), João Duns Scoto (+1308), São Caetano de Thiene (1547), São João de Deus (1550),Santo Estanislau Kostka (1586), São Felix de Cantalice (1587), Santa Rosa de Lima (1617).

José é o Pai de Jesus (Lc 2,48) e como verdadeiro Pai ele teve para Jesus “por especial dom do céu, todo aquele amor natural, toda aquela afetuosa solicitude que o coração de um pai possa experimentar” (RC 8). E com a potestade paterna sobre Jesus, Deus também participou a José o amor correspondente, aquele amor que tem a sua fonte no Pai (RC 8). Deus não o constituiu apenas o digno esposo de Maria eleita para ser a Mãe de Deus, mas também criou nele um coração de Pai que Ele na sua Pessoa Divina re:letia desde a eternidade.

O título de Pai dado a José e reconhecido pelo Espírito Santo foi certamente honrado por Jesus durante a sua vida terrena através da obediência, (LC 2,51) mas foi também honrado por José porque fez “da sua vida um serviço, um sacri:ício, ao mistério da Encarnação e à missão redentora com o mesmo inseparavelmente ligada; em ter usado da autoridade legal, que lhe competia em relação à Sagrada Família, para lhe fazer o dom total de si mesmo, de sua vida e do seu trabalho” (RC 8).

Questões para o aprofundamento pessoal

1. Indique alguns erros na atribuição da paternidade de José 2. Explique com suas palavras a natureza da paternidade de José.

3. Leia os textos indicados do Antigo Testamento que estão presentes nesta lição e procure entender e explicar por que a paternidade de José é verdadeira.