OBJECTIVOS DO ESTUDO
1. Participantes As Creches
2.6. Avaliação das Características de Desenvolvimento das Crianças
2.6.1. Escalas de Desenvolvimento Mental de Ruth Griffiths (Griffiths, 1984; Griffiths, 1986)
A avaliação do nível de desenvolvimento das crianças foi realizada através da aplicação das Escalas de Desenvolvimento Mental de Ruth Griffiths (Griffiths, 1984; Griffiths, 1986), um sistema de avaliação das crianças com idades compreendidas entre zero e oito anos, ainda sem normas aferidas para a população portuguesa, mas com adaptação provisória ao português de Castro e Gomes (1996). Foram elaboradas em 1954 para avaliar crianças desde o nascimento até aos dois anos de idade, tendo sido expandido em 1970 de forma a abranger crianças até aos oito anos de idade. A revisão mais recente das escalas foi realizada em 1996 (Griffiths, 1996), tendo sido utilizada, neste estudo, uma tradução das versões de 1984 e 1986 (Castro & Gomes, 1996).
Este instrumento constitui uma escala de desenvolvimento diferencial, fornecendo um perfil das realizações da criança. Permite determinar a Idade
Desenvolvimental (mental) das crianças, bem como um Quociente Geral de Desenvolvimento (QD), e apurar resultados desenvolvimentais nas seguintes áreas:
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desenvolvimento social) - escala B; (3) Audição e Fala (linguagem) - escala C; (4)
Coordenação Óculo-Manual (motricidade fina) - escala D; (5) Realização (cognição)
- escala E; (6) Raciocínio Prático (sub-escala que só é administrada a crianças a partir do terceiro ano de idade) - escala F. A escala Locomotora fornece uma primeira impressão acerca da maturidade da criança e uma oportunidade para se observarem dificuldades ou incapacidades a nível físico ou mesmo limitações ao nível da locomoção de crianças com incapacidades. A escala Pessoal-Social avalia aspectos relacionados com a aprendizagem social, com a aprendizagem de usos e costumes do seu grupo social, que podem fornecer evidências mensuráveis do progresso da criança ao nível da adaptação social e autonomia. A escala da Audição
e Fala avalia a audição enquanto escuta activa, em conjunto com o progresso na
aquisição do vocabulário de sons, da vocalização e pré-linguagem e, posteriormente, da linguagem adulta. A escala da Coordenação Óculo-manual avalia a capacidade de manipulação dos materiais da criança e inclui o estudo do desenvolvimento manual e da capacidade visual. A escala da Realização avalia a capacidade de raciocinar em situações práticas, permitindo observar as competências de manipulação, a rapidez do trabalho e a precisão. A escala de
Raciocínio Prático fornece a oportunidade de observar e avaliar os primeiros
indicadores de compreensão aritmética e realização de problemas práticos simples (Griffiths, 1984; Griffiths, 1986).
Cada uma destas escalas é constituída por 52 itens até aos dois anos e por 36 itens dos dois aos oito anos, existindo para esta faixa etária dois itens extra em cada escala. Assim, este instrumento, para crianças entre zero e oito anos de idade é constituído por 488 itens. Em cada sub-escala, os itens estão ordenados por ordem de dificuldade, não havendo, contudo, a necessidade de serem administrados por essa sequência. Efectivamente, a adaptação portuguesa utilizada neste estudo não apresenta os itens respeitando apenas a sua dificuldade, mas organizados de uma forma que facilita a sua aplicação. Os itens dispõem-se tendo em conta o material necessário. Assim, as tarefas que requerem os mesmos materiais sucedem- se na folha de resposta, obedecendo, neste caso, ao seu grau de dificuldade. De qualquer modo, este factor deve ser tido em consideração para decidir quando terminar a avaliação ao nível de uma escala, uma vez que tal deve acontecer
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quando a criança não realiza com sucesso seis itens consecutivos. Estas escalas requerem materiais estandardizados, adequados a cada um dos itens e a cada faixa etária (0-2 anos de idade e 2-8 anos de idade). Os itens têm um procedimento específico de aplicação e de cotação, explicitados nos manuais de aplicação.
O procedimento de cotação implica diversos cálculos, devendo os resultados ser registados nos locais adequados da folha de resultados. Em cada escala, é contado o número de itens que a criança realiza com sucesso e convertido em meses. Este resultado corresponde à idade mental da criança em cada escala e a média destes valores constitui a idade mental da criança. Dividindo cada um deles pela idade cronológica da criança (também em meses) e multiplicando por 100 obtêm-se sub-quocientes. A sua média constitui o quociente geral. Quando se trata de bebés, o cálculo pode ser efectuado utilizando como unidade a semana de forma a ser mais detalhado e o quociente geral, quando calculado, deve obedecer a regras específicas (Griffiths, 1986). Os quocientes de cada escala (sub-quocientes) podem ser representados num gráfico, obtendo-se o perfil de desenvolvimento da criança. Este perfil permite identificar facilmente áreas fortes e fracas, avaliadas por estas escalas, e comparar os resultados obtidos pela criança nas diversas áreas.
Os resultados (quociente geral e sub-quocientes) obtidos com estas escalas obedecem a uma distribuição normal sendo a média da escala total de 100, com desvio padrão de 12 para crianças desde o nascimento até aos dois anos de idade (Griffiths, 1986) e de 12.76 para crianças entre dois e oito anos de idade (Griffiths, 1984).
Foram realizados estudos de forma a avaliar as características de validade dos dados da escala (Griffiths, 1984; Griffiths, 1986). Foi calculada a correlação entre os resultados da avaliação de crianças entre os dois e os oito anos de idade efectuada utilizando as Escalas de Desenvolvimento Mental Ruth Griffiths e a Escala Terman-Merrill. O valor obtido foi elevado, sugerindo que existe um Factor Comum entre os dois testes. Foi, também, calculada a correlação entre o resultado de cada escala (sub-quocientes) e o resultado da escala total (quociente geral). Os valores obtidos variam entre .64 e .78, sugerindo que avaliam o mesmo factor, inteligência geral. O cálculo da correlação teste-reteste das escalas para crianças entre zero e dois anos revela um valor elevado (r= .87).
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Foi calculado o Alfa de Cronbach para determinar a consistência interna dos dados das Escalas de Desenvolvimento Mental de Ruth Griffiths neste estudo. A consistência interna dos dados da escala global foi elevada, indicando que estas escalas medem um único constructo (a = .98). Calculou-se, igualmente, o Alfa de Cronbach para as escalas propostas pela autora, no sentido de verificar a viabilidade de eventuais análises a este nível. Como se pode verificar na Tabela 11, os valores obtidos oscilaram entre .84 e .94, revelando que as diferentes escalas são internamente consistentes e, portanto, se confirmam empiricamente, podendo ser incluídas como variáveis nas análises a efectuar (Pinto, Aguiar, Barros, Pessanha, & Bairrão, no prelo).
Tabela 11. Consistência Interna das Escalas de Desenvolvimento Mental de Ruth Griffiths
Escala Número de Itens Alfa de Cronbach
à 86 M B 86 .94 C 86 .94 D 86 .94 E 86 .94 F 38 .84 Griffiths Total 468 .98