DIMENSÕES DO CLIMA ESCOLAR
2.1.1. Escalas do Tipo "Likert"
podendo implicar, assim, a existência de mais de um traço latente no conjunto de itens (PASQUALI, 2003).
2.1.1. Escalas do Tipo "Likert"
Uma das técnicas mais adotadas na construção de escalas psicométricas é a chamada “Likert”, também conhecida como "método dos pontos somados". Essa escala possibilita verificar o grau de concordância dos indivíduos com um conjunto de afirmações que, por vezes, anunciam aspectos favoráveis ou desfavoráveis, no tocante a um constructo (objeto psicológico).
Rensis Likert apresentou seu método de mensuração por escalas em 1932 e, desde então, diferentes estudos, nas áreas da educação, psicologia, administração, têm investigado as implicações do uso de escalas tipo Likert, de diferentes formatos. A técnica de um instrumento de medida no formato Likert incide na elaboração de um conjunto de itens, com vistas a representar comportamentalmente um constructo e, para cada um dos itens, as opções de respostas são crescentes ou decrescentes, em ordem de importância.
De acordo com os formatos iniciais, Likert desenvolveu sua forma de escala conforme a Figura 01, abaixo: FIGURA 01: Modelo de escala desenvolvido por Likert (1932) Fonte: LIKERT (1932) De acordo com Likert (1932), uma atitude estabelece uma disposição para ação e, como esta é uma “propriedade psicológica”, as atitudes possuem intensidades, sendo, portanto, passíveis de mensuração. Procedimentos experimentais e analíticos devem ser realizados e, em razão de propriedades psicométricas, tais como confiabilidade e validade, procede‐se à seleção dos melhores itens para o instrumento de medida.
Isso exposto, fica claro que o processo de construção de um instrumento de medida requer criterioso rigor e sistematização. É comum, nesse processo, que o pesquisador inicie elaborando um conjunto de itens muito maior do que se espera ter, na versão final do teste. Primeiramente, com a Análise Teórica dos Itens, em que destacamos a Análise dos
Juízes, procede‐se à seleção dos melhores itens de um conjunto (PASQUALI, 2003). A etapa referente à Análise dos Juízes, isto é, uma análise sistemática feita por peritos na área do constructo estudado, é primordial, no sentido de julgar se os itens estão ligados ao que se pretende medir. A esse procedimento o autor denomina Análise da Validade de Conteúdo.
Nesses termos, o processo de validação do instrumento "[...] examina a correção e relevância de uma interpretação proposta." (CRONBACH, 1996, p. 143). É possível identificar diferentes linhas de investigação, quanto à validade de um instrumento. Em nosso estudo, enfatizaremos as Validades de Conteúdo e Validade de Constructo (CRONBACH, 1996; FACHEL; CAMEY, 2003; PASQUALI, 2001), a seguir apresentadas. 2.2. Validade de Conteúdo O processo de validação se constitui a partir de um conjunto de evidências que certificam cientificamente as interpretações dos escores dos instrumentos de medida.
As evidências de validade de conteúdo concernem à avaliação sistemática do conteúdo de um instrumento de medida e seus itens representativos. A finalidade primeira é precisar se o conjunto de itens abrange uma amostra representativa do domínio de comportamento a ser medido, certificando que as dimensões constituintes do constructo estejam representadas nos itens do instrumento. Nesse sentido, de acordo com Anastasi e Urbina (2000), supõe‐se que as especificações do constructo estejam previamente desenvolvidas, constituindo, por exemplo, uma matriz de referência, antes da construção dos itens, o que servirá de guia para os autores.
Na perspectiva de Cronbach (1996), a validade de conteúdo pode contribuir sobremaneira com o processo de validação, desde que o instrumento de medida seja devidamente delineado, com base numa concepção inequívoca do constructo que se pretende medir. Para tanto, tem‐se por princípio que os itens construídos sejam uma representação do traço latente a ser avaliado. Assim, na revisão do conteúdo do teste, faz‐se necessária uma avaliação de cada item, em relação ao que se quer medir, verificando se não há itens sobrepostos, em termos de sentido, se não correspondem a dimensões diferentes do que havia sido proposto etc. Um dos métodos utilizados para se efetivar a validade de conteúdo refere‐se ao resultado do juízo de um conjunto de especialistas ou avaliadores, cujo conhecimento relativo ao constructo avaliado seja comprovado. Tais especialistas "[...]
objetivam verificar a representatividade dos itens em relação aos conceitos e a relevância dos objetivos a medir." (ANASTASI; URBINA, 2000, p. 163).
Nessa linha, é possível efetivar a revisão do conteúdo de cada item em sua grandeza (enunciado e alternativas de respostas), relacionando‐o ao traço latente a ser avaliado e, principalmente, observando se cada item corresponde ao que se quer medir, analisando, inclusive, a possibilidade de haver itens que representem mais de uma dimensão do constructo, ou se está representado algum aspecto que não fazia parte do conteúdo avaliado.
Atendendo às etapas de verificação de evidências para aprimoramento dos instrumentos, o trabalho se efetiva com a realização de um ou mais estudos‐piloto, testagens empíricas e constante diálogo com as análises de dados coletados. Desse modo, chegaremos à identificação dos melhores itens, isto é, os que de fato representam o constructo avaliado, bem como daqueles que não apresentam significados precisos em relação à dimensão investigada (ARIAS, 1996).
As evidências de validade devem ser consideradas desde o início da elaboração do teste, com a formulação das definições do constructo, derivadas da teoria subjacente, as adequações dos itens à definição do constructo, as análises empíricas dos itens etc. Anastasi e Urbina (2000) ressaltam que todas as informações que envolvem o processo de desenvolvimento e emprego de um teste são relevantes para sua validade e devem ser consideradas no processo como um todo.
2.3. Validade de Constructo
Não se valida um instrumento em si, mas as interpretações propostas por ele, ou seja, ao constructo que ele se propõe mensurar. Em outras palavras, quando se objetiva validar um teste, o que verdadeiramente está sendo validado são as interpretações de seus resultados. Conforme destaca Muñiz (2004), o objetivo final de um processo de validação não é simplesmente classificar se o teste é válido ou não, mas se são válidas as deduções feitas a partir do teste. Refere‐se, pois, à condição de a medida ser congruente com a propriedade aferida dos objetos (PASQUALI, 2010). São as evidências de validade do constructo que