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Os antropólogos estão interessados em estudar a educação escolar porque é um dos lugares institucionais que hoje formam os atores com quem sempre se interage, considerando seu isolamento ou integração, ou porque é o contexto no qual se produz e reproduz representações da educação desses sujeitos em várias categorias e objetos com os quais estabelecem trocas materiais e simbólicas (LOPES, 2009, p. 175).

Na escola, o sujeito forma e reforma seus valores a partir da convivência com o outro, das convergências ou divergências dos vários olhares e opiniões sobre um assunto. Assim, é capaz de mudar seu ponto de vista ou mesmo de fortalecê-lo no interior da sociedade em que se encontra inserido, a qual está carregada de valores coletivos que são próprios de determinada comunidade, grupo ou etnia. Entende-se, a partir do pensamento de Duarte, Werneck e Cardoso, que...

A socialização, nas suas diferentes áreas ou espaços de ocorrência pode, segundo a forma como foi conduzida ou vivenciada, direcionar comportamentos e condutas das pessoas. Esta hipótese tomou como base o conceito de cultura subjetiva que constitui o modo como uma pessoa interpreta a realidade, incluindo suas crenças, valores, características de personalidade (2013, p. 209).

Por meio das relações sociais que se estabelecem dentro da sala de aula, decorrentes da convivência com outras realidades, como as diferentes formas de manifestação cultural, o aluno entra em contato com um universo mais abrangente. Este fato pode ser um fator riquíssimo quando desenvolvido de maneira adequada, direcionado à observação e à valorização das diferenças, sejam elas de linguagem e de comunicação, de maneiras de vestir, de cor da pele, de formato dos olhos, de cor do cabelo, de religiões etc. Assim, Macedo ressalta que:

A cultura passou, assim, a ser definida como produção do presente pela hibridização de fragmentos de sentidos partilhados. Ainda que continuemos a nomear supostos repertórios de significados partilhados como cultura – por exemplo, branca, negra, feminina, masculina, heterossexual, homossexual –, advogamos a necessidade de fazê-los conscientes de sua impossibilidade e simplificações que as tornaram possíveis. Assim, defendemos que uma escola preocupada com a diferença deve construir diuturnamente os mecanismos sociais

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que permitem estas simplificações, liberando os fluxos que se espremem em qualquer classificação (MACEDO, 2010, p. 37).

O currículo é um complexo de conhecimentos que pode ser desenvolvido tendo em vista o respeito pela diversidade cultural, a ser apresentada como característica de um mundo heterogêneo. No contexto brasileiro, por exemplo, ao se conhecer outras culturas e costumes, pode-se ampliar a valorização da própria região às outras do país, e, desse modo, contribuir de maneira significativa para o conhecimento e o aprendizado que a cultura brasileira oferece, advindo de um misto dos mais diversos costumes e etnias.

Assim, desenvolver de forma simples e clara a diversidade de manifestações culturais, por meio de apresentações musicais, lendas, entre outras formas que podem também ser desenvolvidas no contexto escolar, oportuniza a reflexão sobre múltiplos significados mediante a curiosidade sobre o outro. Curiosidade problematizadora que coloca os sujeitos educativos, professores e alunos, como agentes reflexivos, a fim de superar a visão de educação herdada socialmente por uma única via, isto é, como ação dos adultos sobre as crianças, como se destaca no pensamento de Durkheim (1972, p. 41), em que a educação...

[...] é uma ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social e tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança certo número de estados físicos, intelectuais e morais reclamados pela sociedade política, no seu conjunto e pelo meio especial a que a criança particularmente se destina.

Verifica-se, assim, que todos os ensinamentos lançados a uma criança têm a intencionalidade de que ela, em seu processo de desenvolvimento cognitivo e emocional, exerça seu papel enquanto sujeito social e de direito, garantindo a continuidade dos elementos historicamente construídos pelas sociedades passadas. Contudo, ao traçar os eixos educacionais que se quer trabalhar em uma escola, pode-se ocasionar também mudanças significativas sobre os elementos construídos ao longo do tempo, uma vez que as sociedades são modificadas a partir da dinâmica social, implicando como uma das expressões dessa dinâmica a observância das formas como o currículo é posto em prática nos sistemas escolares.

CONCLUSÃO

É significativa a emergência de um ponto de vista antropológico na procura por respostas adequadas às questões relacionadas ao ambiente escolar, de acordo com a realidade dos alunos nos diferentes contextos socioculturais. Essa perspectiva surge como

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contraponto à identificação da realidade vivida no ambiente escolar, pouco preocupada com a formação cultural, participação social ou exercício da cidadania em sua totalidade.

Desse modo, ressalta-se o papel que os discentes e os docentes ocupam dentro dos processos formativos da educação escolar e das práticas sociais, em geral. O currículo possui relação intrínseca com as práticas culturais, donde decorre a importância da formação profissional na educação voltada para um olhar antropológico, possibilitando, mediante o olhar científico, usar de métodos que contribuam para a identificação dos interesses das pessoas e dos grupos existentes no contexto escolar.

É necessário, por fim, que essa forma de ensino seja abrangente em toda escola, que contribua para um movimento de respeito e igualdade. Sua fonte inicial são professores capacitados a agir de maneira coletiva em ações coordenadas, com disponibilização de espaços para as dinâmicas dentro e fora dos espaços escolares, que abarquem conhecimentos sociais das crianças no currículo.

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CAPÍTULO 13

DIÁLOGOS SOBRE VIOLÊNCIA ESCOLAR: UMA REFLEXÃO

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