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ESCOLA DE ARQUITETURA DA UNIVERSIDADE DO MINHO

CAPÍTULO III: A ÁREA DISCIPLINAR DO SKECTHING

3.5. INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA

3.5.3. ESCOLA DE ARQUITETURA DA UNIVERSIDADE DO MINHO

A observação do primeiro ano da licenciatura de Design de Produto da EAUM partiu com uma pro-posta de trabalho em que os alunos deveriam através de uma folha de polipropileno de 100x70 cm, desenvolver um candeeiro que resultasse apenas com corte e modelação da folha, sem encaixes ou uniões através de outros elementos como parafusos, anilhas ou porcas.

A UC de Projeto - O uso e a identidade, é lecionada conjuntamente pelos Professores Miguel Duarte e Miguel Ferraz e, de acordo com os docentes incutem uma importância muito grande no “ver pelo desenho”. O Sketching é vocabulário que raramente usam, como fizeram questão de salientar antes da observação, “é desenho” afirmaram.

A proposta inicial da UC consiste na projeção e posterior encadernação de um sketchbook, em que os estudantes têm de o personalizar criando uma nova forma, diferente da retangular usual, para seguidamente este os acompanhar nos seus projetos. Esta estratégia serve para registarem as suas ideias, desenhos de estudo, moodboards, onde poderão chegar ao resultado pela procura da forma sistemática através do ver pelo desenho, comunicando com o docente. Está presente uma clara intenção de Thinking Sketches e seguidamente de Talking Sketches ao observar-se os estudantes na apresentação das suas ideias aos docentes.

Os docentes alegam que existe uma perda gradual nos estudantes deste uso do desenho e ferramenta indispensável no projeto de design, fazendo um esforço concertado com a áreas científicas do desenho, parti-lhando com esta os resultados obtidos dos projetos resultantes das suas UCs. Tanto os dois professores da UC de Projeto, como os professores da UC de desenho, segundo o descrito pelo Professor Miguel Duarte debatem-se com o fato de os estudantes dedebatem-senharem pouco e ressalvando que este resultado debatem-se espelha nos debatem-seus projetos.

Os estudantes apresentam uma quantidade de esboços na fase de ideação, de cerca de três desenhos de conceito e não atribuem grande importância a esta ferramenta, preferindo desenhar posteriormente quando têm um conceito ou ideia fechada, resultando mais numa ilustração tridimensional (figura 28) ou Prescriptive Sketch do que propriamente Concept Sketches como refere Alan Pipes (Pipes, 2007) ou Thinking Sketches (Goldschmidt, 1991; Song & Agogino, 2004). Referem ainda o receio de desenhar e a falta de jeito para o desenho, alegando “não ser alunos da Licenciatura em Artes Visuais”, curso também existente na EAUM.

Figura 28: Thinking Sketch, maquete tridimensional, Prescriptive Sketch realizado por estudante do EAUM da Licenciatura de DP na UC Projeto - O uso e a identidade

(fonte: o autor)

Nos casos dos alunos que dedicam mais enfase ao Sketching, foi observada a idiossincrasia e ambi-guidade que Barbara Tveresky (Tversky, 2009; Tversky et al., 2001) refere, em que a imagem abaixo espelha esta característica do Sketching. Pode-se ver o resultado final que a estudante maquetizou e que descreveu como resultado de uma forma que ela considerou ter nascido de um “sarrabisco” (figura 29) que elaborou num impasse criativo e que lhe havia surgido como ideia posterior, ao revisitar o seu sketchbook e processou novamente.

Figura 29: Thinking Sketch, maquete tridimensional, Prescriptive Sketch realizado por estudante do EAUM da Licenciatura de DP na UC Projeto - O uso e a identidade

(fonte: o autor)

Esta constatação foi extremamente reveladora, estando presente uma mudança ocorrida durante a di-alética do processo de iteração e deixando transparecer o desconhecimento dos estudantes em entenderem os Sketches como meros snapshots das suas ideias. Ocorreu uma mudança de foco em que a estudante redefine um novo Sketch ou conceito, não continuando nos anteriores, ou seja, não mantendo uma transformação lateral sobre o mesmo Sketch. Esta característica é muito própria da linguagem do Sketch, e só ao designer que o executou se revela, relembrando que a rapidez que por sua vez é operada no Sketching, é precisamente para captar uma imagem rápida que ocorre no pensamento, “backtalk of a sketch”, mas que só posteriormente será validada quando o designer consegue vislumbrar a abstração que inicialmente não fazia sentido (Donald A. Schön; Glenn Wiggins, 1992; Goldschmidt, 2014). Esta geração de ideias resultou da interpretação dos basti-dores de um Sketch, a que Donald Schön se refere de ““backtalk” of a sketch”, e que Gabriela Goldschmidt refere como a habilidade de usar o ato representacional para raciocinar na hora, ou seja, é um processo de “front edge”, em que representações parciais e rudimentares são produzidas, sofrendo uma iteração de trans-formações após a sua avaliação ou mesmo um novo ciclo de Sketches (Goldschmidt, 1991, 2014; Schön, 1983).

Os estudantes têm dificuldade em compreender que os Thinking Sketches são mais do que belos de-senhos, e que devem ser entendidos como manifestações que ocorrem dentro do pensamento do designer e são ajudas amplificando a sua memória quando são dispostos em papel.

Existe também por parte dos docentes uma procura de manualidade através de projetos exclusiva-mente executadas à mão, ou seja, sem ploters de corte e muito estudo de origami, resultando em variados protótipos e um aprender pelo fazer. Os estudantes que apresentam um maior número de Sketches, apresenta-ram também um trabalho mais coeso na fase final do projeto como referiapresenta-ram os docentes (figura 30).

Figura 30: Sketch do estudante e docente da UC Projeto - O uso e a identidade da Licenciatura de DP na EAUM (fonte: o autor)

O termo Sketch/Sketching não é utilizado nem considerado como vocabulário, é apenas e só desenho, embora sketchbook seja. Do ponto de vista sistêmico o fato de o curso estar alojado na Escola de Arquitetura e pelo que se pôde depreender, a área científica de Desenho tem uma forte interferência na de Design, onde está alocada a UC de Projeto, assistindo às avaliações, pode despoletar nos estudantes um receio de serem avaliados pelo resultado dos seus desenhos, ao invés do projeto, refletindo-se na pouca quantidade de desenhos que os docentes alegaram ou a falta de interdisciplinaridade.