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ESCOLA ESTADUAL MARIA DE MAGALHÃES PINTO

No documento leonardobiagedeandrade (páginas 70-72)

3. O AMBIENTE DA PESQUISA: DO CONTEXTO INTERNO AO SEU ENTORNO

4.2 ESCOLA ESTADUAL MARIA DE MAGALHÃES PINTO

Como elucidado anteriormente, em todas as escolas, as entrevistas restringiram-se às coordenações pedagógicas, uma vez que elas participam desse preâmbulo das tomadas de decisão e das iniciativas de projetos ampliados desenvolvidos no chão da escola, além do fato de serem concomitantemente uma articulação entre a instância pedagógica e gestora das escolas.

Esse contexto escolar conta com duas coordenadoras pedagógicas, cuja atuação se desenvolve em turnos diferentes. A entrevista foi desenvolvida com a coordenadora responsável pelo período matutino, onde o quantitativo de discentes é mais numeroso. O contato foi realizado, primeiramente, junto à direção da escola para fins de explicitação da pesquisa a ser realizada. Após esse contato foi marcada a entrevista junto a coordenação pedagógica. A pedagoga, que nos atendeu trabalha nesse contexto escolar há cerca de 9 anos, segundo a própria, é moradora do bairro e foi aluna da escola. Foi agendado junto a coordenadora dentro das suas possibilidades e limitações de tempo. A entrevista foi realizada na própria sala da coordenação, que divide espaço com a fotocópia da escola, com duração de 20 minutos desde a chegada até a saída da sala. A entrevista foi gravada e posteriormente transcrita.

Essa característica nos move em direção a esses sujeitos para compreender as nuances da EA desenvolvida dentro da escola, seguindo o roteiro de entrevista que se encontra nos anexos. Ao se abordarmos a questão do entorno, recebemos a seguinte resposta:

Entrevistador: Como a escola trabalha em seus projetos com o entorno? Coordenação Pedagógica: Nosso trabalho se dá em algumas semanas do

ano onde abrimos a escola para que os pais possam vir e visualizar atividades dos seus filhos sobre alguns temas específicos...5

Compreendemos que a escola abre suas portas para trabalhar com o entorno, restringindo-se apenas ao trato com os responsáveis, ou seja, sem envolvimento íntimo com a comunidade, e consequentemente com seus problemas. Os trabalhos desenvolvidos na escola, conforme próprio relato da coordenação, limitam-se a semanas temáticas, em que um assunto é trabalhado de diferentes formas, trazendo profissionais de outras áreas para falar com os alunos, sem, todavia, envolver os moradores. Uma dessas semanas é a do meio ambiente, sendo que, a cada ano, modifica-se o tema central e gerador dos trabalhos e atividades.

Quando se perguntou a respeito do desenvolvimento da EA dentro do contexto escolar, prontamente fomos respondidos:

Coordenação Pedagógica: Com o programa que o governo enviou.

Entrevistador: Mas por que a escola não promove atividades diferentes ao

longo do ano?

Coordenação: Os professores não têm tempo, aí quando chegou o programa

acompanhado de orientações anuais sobre o que deve ser trabalhado, facilitou a vida deles e a nossa.

Coadunando com o que foi discutido sobre os profissionais da educação serem desvalorizados, foi-nos relatado que anualmente ocorrem os chamados FOREA (Fórum de Educação Ambiental), promovidos pelo governo do Estado de Minas Gerais, através da Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental da Zona da Mata mineira (CIEAZM), 70% das vagas reservadas para os fóruns são destinadas à instância formal da educação, e os 30% restantes para os demais que quiserem participar, de acordo com o Decreto nº 44.264, de 24 de março de 2006, que institui a Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental do Estado de Minas Gerais. Isso que demonstra uma intencionalidade bem demarcada e bem voltada para as escolas. Nesses fóruns, ocorrem as apresentações das Superintendências de Ensino em âmbito local e consequentemente de alguns projetos desenvolvidos pelas escolas.

Ao final, ao ser questionado a respeito da inserção dos riscos ambientais na semana do meio ambiente, em que ocorrem os projetos voltados para a EA, cujo tema deveria ser corriqueiro e atravessar o cotidiano escolar, uma vez que a escola se localiza em um bairro com alto grau de vulnerabilidade ambiental e maior propensão a catástrofes relacionadas ao meio físico, como observamos historicamente, recebemos a seguinte resposta:

Entrevistador: Dentro do programa de Educação Ambiental desenvolvido

pela escola, como a temática de riscos ambientais é abordada?

Coordenação pedagógica: Nunca foi trabalhado, pois dependemos da

orientação que vem da Superintendência, e esse tema nunca foi indicado para nossa escola durante a semana de meio ambiente...

A EA, que é verticalizada e vem sendo desenvolvida nesse contexto, não acolhe o que Lima (2013) destaca como potencial transformador que se desperta ao envolver as comunidades no processo educativo. Ao contrário, não envolve a comunidade, e o entorno não é o principal enfoque em suas práticas,de modo que os conflitos implícitos ou explícitos nem sempre podem ser vislumbrados e dialogados nas salas e ambientes dessa escola:

Essa relação que articula a educação e a comunidade, seja em contextos formais, seja nos não formais, tende a evocar: o potencial transformador dessa relação tanto para as escolas quanto para as comunidades; seus efeitos sobre a autonomia e a participação dos indivíduos e da comunidade; a importância de trabalhar os problemas locais; a possibilidade de, nessas experiências unir ensino, pesquisa e extensão; a passagem de uma etapa de sensibilização e conscientização para outra, em que as ações e as intervenções transformadoras são incentivadas; o caráter multiprofissional, multitemático e multidisciplinar dos processos educativos que daí emergem; além da formulação de currículos e metodologias contextualizadas à realidade local e construídos a partir de baixo (LIMA, 2013, p. 215- 216).

Essa lacuna é preenchida na escola, e muito difundida, cujos conceitos e discursos fatalistas homogeneizantes são difundidos, promovendo discursos assemelhados em personagens tão díspares. Quando se fala em preservação e conservação da natureza, ficamos irresolutos diante da enorme distância que separa o discurso das práticas concretas de grandes corporações multinacionais, amparadas pelo Estado. Os problemas que assolam o entorno escolar são relegados a pano de fundo, ou são urbanos e se constituem efetivamente no modo como se expressam na cidade as contradições da sociedade em que vivemos (PORTO- GONÇALVES, 1984).

No documento leonardobiagedeandrade (páginas 70-72)