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Eco-Escolas: contributo de um programa desenvolvido à escala mundial e implementado à escala local – o caso do IPBeja

Anabela Durão, Ana Pardal, Albertina Raposo, Margarida Silveira, Margarida Gomes

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Palavras chave: Eco-Escolas; Educação Ambiental, Desenvolvimento Sustentável, IPBeja.

1. Introdução

Eco-Escolas é um programa internacional da “Foundation for Environmental Education”, desenvolvido em Portugal desde 1996 pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE). Tem como finalidade encorajar ações e reconhecer o trabalho de qualidade desenvolvido pela escola, no âmbito da educação ambiental para a sustentabilidade, incentivando a participação da comunidade num exercício de cidadania ativa. Permite progredir na escala da literacia da sustentabilidade, pois, encadeia conhecimento – compreensão – despertar para problemas ambientais – pensamento crítico – ação individual e coletiva – participação cívica. Está orientado para a implementação da Agenda 21 local, com aplicação de conceitos de educação e gestão ambiental à vida quotidiana da escola podendo ser adotado por qualquer escola que se inscreva e que siga a metodologia proposta: 1) gestão do espaço-escola em termos de sustentabilidade (ambiental, económica, social); 2) promoção da mudança de comportamentos e atitudes na comunidade onde se insere o estabelecimento de ensino (ABAE, 2014). Os objetivos gerais do programa são: 1) aumentar o conhecimento; 2) integrar a educação ambiental na formação; 3) contribuir para o progresso na escala da literacia ambiental; 4) melhorar a gestão ambiental da escola; 5) sensibilizar e envolver a comunidade escolar com ênfase nos alunos; 6) orientar para a mudança de atitude e comportamento, compromisso, participação e envolvimento, cidadania e governança e 7) abordar as boas práticas de sustentabilidade (ABAE, 2011/12).

A coordenação multinível (internacional, nacional, regional) permite a confluência para objetivos, metodologias e critérios comuns que respeitam a especificidade de cada escola e caraterísticas do meio envolvente (ABAE, 2014a). A nível internacional, envolve 59 países e 46.000 escolas. A nível nacional, conta com 3.416 escolas inscritas, das quais 12 são do ensino superior (Gomes, 2016). O IPBeja é uma instituição de ensino superior, destinada à produção e difusão do conhecimento, criação, transmissão e difusão da cultura e do saber de natureza profissional, da investigação orientada e do desenvolvimento experimental, concentrado em formações vocacionais e técnicas avançadas, orientadas profissionalmente para a formação ao longo da vida (IPBeja, 2011). É constituído por 4 escolas: ESA, ESTIG, ESE e a Escola Superior de Saúde (ESS). As áreas da oferta formativa são: ambiente, alimentar e agricultura (ESA); informática, gestão e turismo (ESTIG); desporto, educação, serviço social, artes e comunicação (ESE) e saúde (ESS). São ministrados diferentes ciclos de estudo: cursos técnicos superiores profissionais, licenciaturas e mestrados. No ano letivo 2014/2015 o IPBeja contava com cerca de 2500 alunos, distribuídos pelos diferentes ciclos.

Apesar da ESS ter sido pioneira (2011) na adesão ao programa Eco-Escola (ABAE, 2014), atualmente não se encontra inscrita. Assim, nesta comunicação, apresentam-se: os resultados da auditoria ambiental; alguns indicadores da eficácia do programa e diferentes atividades desenvolvidas, individualmente ou coletivamente pelas 3 escolas (ESA, ESTIG e ESE).

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2. Metodologia

A metodologia dos 7 passos, contribui para a melhoria global do ambiente da escola/comunidade englobando: 1) conselho Eco-Escolas; 2) auditoria ambiental; 3) plano de ação; 4) monitorização e avaliação; 5) trabalho curricular; 6) informação e envolvimento da escola e da comunidade e 7) Eco-Código.

3. Resultados e Discussão

3.1 Auditoria ambiental

A auditoria ambiental permite caracterizar a situação ambiental de referência (0) anual em cada escola, por meio da aplicação de questionários previamente definidos à comunidade académica. Os resultados da auditoria ambiental revelaram melhoria nos índices da situação de referência (0) comparativamente com a situação em julho de 2016 (H) (Tabela 1).

A estimativa do índice para cada tema auditado é efetuada com base na seguinte equação:

Onde: Total é a soma das respostas dos resultados dos inquéritos aplicados; PMP é a pontuação máxima possível para cada tema auditado.

Tabela 1 – Resumo dos resultados auditados para os temas resíduos, água, energia e alimentação para cada escola, desde a implementação do programa Eco-Escola.

Período Escola Indicador

Temas

Resíduos Água Energia Alimentação

PMP 53 42 40 61 Dez/2014 Jul/2016 ESA Total(0) 20 22 19 - Total(H) 27 27 24 43 Índice(0) (%) 37,74 55,00 47,54 - Índice(H) (%) 50,94 67,50 60,00 66,15 Dez/2015 Jul/2016 ESTIG Total(0) 19 21 31 35 Total(H) 19 24 32 - Índice(0) (%) 35,85 52,50 77,50 53,85 Índice(H) (%) 37,70 60,00 80,00 - Dez/2015 Jul/2016 ESE Total(0) 30 22 21 34 Total(H) 30 22 21 34 Índice(0) (%) 56,60 55,00 52,50 54,70 Índice(H) (%) 56,60 55,00 52,50 - 3.2 Monitorização

A monitorização permite avaliar os progressos atingidos em função dos objetivos definidos no plano de ação (onde se definem objetivos, metas, ações e indicadores de avaliação).

Os consumos de água (Figura 1) revelam: um decréscimo no mês de fevereiro em todas escolas, comparativamente com aos anos anteriores, coincidindo com a pausa letiva; consumos mais elevados na ESA, que se explica pela especificidade de laboratórios (análises de águas; alimentos) de aulas/investigação.

ESA ESE

Figura 1. Consumos de água mensais faturados entre janeiro 2014 e junho 2016 na ESA, ESE e ESTIG. ESTIG

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Os consumos de energia (Figura 2) indicam: valores mais elevados na ESE; redução do consumo de energia na ESTIG (4%-11%) a partir de setembro de 2015, período em que se iniciou a campanha de sensibilização de poupança de energia; consumos mais baixos, na ESTIG, justificado pela sua construção recente (2008), com aspetos construtivos relacionados com a poupança-de-energia.

Porém, é necessário reforçar a sensibilização para diminuir estes consumos.

Relativamente aos resíduos: colocaram-se ecopontos em diferentes pontos das escolas, por exemplo, na ESTIG os indicadores de recolha foram: 45%, 51% e 49% de plástico, pilhas e papel, respetivamente; registou-se diminuição do consumo de papel, explicado pela utilização da plataforma “moodle” e existência da opção ativa (frente/verso), nas impressoras coletivas.

3.3 Exemplos de atividades realizadas

Rota dos 20, integrada no tema mobilidade sustentável;

Alimentação Saudável e Sustentável: realizou-se um seminário, participou-se no concurso eco-cozinheiros e desenvolveram-se atividades com crianças;

Ciclo de Eco-filmes;

Resíduos: 2º “Meeting” de Resíduos do Alentejo; recolha de garrafas de plástico para colocação nos autoclismos (ESA e ESE) e para a elaboração de jangadas flutuantes;

Participação no “Global Action Days”;

Criação de páginas de facebook e outros meios de divulgação;

Envolvimento da comunidade académica na elaboração dos respectivos Eco-Códigos.

4. Considerações finais

As atividades desenvolvidas permitiram trabalhar a gestão ambiental (resíduos, águas, energia, mobilidade sustentável e alimentação saudável e sustentável) do espaço escola, com a implementação de ações, (in)formação e envolvimento da comunidade, com vista a melhoria na gestão de recursos e mudanças de atitude/comportamento, numa perspetiva de desenvolvimento sustentável, contribuindo, para cidadania ativa e participativa.

5. Referências Bibliográficas

ABAE. (2011/12). Relatório de Atividades 2011/12. Acedido:

http://ecoescolas.abae.pt/wp-content/uploads/sites/3/2014/09/relatorioEE-2011-12.pdf em 27/07/2016.

ABAE. (2014). Eco-Universidades. Acedido: http://ecoescolas.abae.pt/eco-universidades/ em 27/07/2016.

ABAE. (2014a). Associação Bandeira Azul da Europa. Acedido:

http://ecoescolas.abae.pt/sobre/quem-somos/ em 27/07/2016.

Gomes, M. (2016). Eco-Escolas: 20 anos de educação ambiental para a sustentabilidade em Portugal. Encontro Regional Eco-Escolas, Escola Básica 2-3 Conde de Vilalva-Évora.

IPBeja (2011). Acedido: https://www.ipbeja.pt/SobreIPBeja/Paginas/Miss%C3%A3o.aspx em 29/07/2016.

Figura 2. Consumos de energia mensais faturados entre janeiro 2014 e junho 2016E na ESA, ESE e ESTIG.

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